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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

CARINHOS À MINHA TERRA

07.03.13, melgaçodomonteàribeira

 

Parada do Monte

 

 

Ô minha bela Parada,

Nobre terra deleitosa,

Deixa-te ser abraçada

Só por gente donairosa.

 

Aí, minha mai m'aleitou

Côs peitos de garraninha,

Aí, minha alma ficou,

Ô linda aldeia minha.

 

Na bossa Barroca naci,

Nô basto eido galhofei,

Atrás das galinhas corri,

É contr'às pedras m'arranhei.

 

Nôs teus caminhos dibaguei,

Nas tuas nacentes bebi,

Na tua terra m'entranhei,

É teus odores absorbi.

 

Tuas searas douradas

Ôs pês da montanha estam,

Temos qu'as ter bem regadas

Sinom nom nos dam tanto pam.

 

De comer me dêstes canhas,

É do teu néctar eu bebi,

Ô majestosas montanhas,

Nas bossas entranhas creci.

 

A boa gente da serra

Nom gosta do fingimento,

Diz qu'ê só da boa terra

Qu'ô home tir'ó sustento.

 

É cando cheg'à giada,

Nô campo nom hai que fazer,

Sim bulir quêda Parada,

Enqant'ô calor nom biêr.

 

Ai, formosa Minhoteira,

Tanta gente biste passar,

Sonhabas a noit'inteira

Oubind'ô regato cantar.

 

P'rà sombra da azinheira

O passant'ia descançar,

Fost'a grande companheira

Dôs qu'iam aí p'ra rezar.

 

Tua capela idosa,

Acabaram por esquecer,

Ai, tu qu'eras tam baidosa,

Sozinha, estás a sofrer.

 

Ô fontes d'auga limpinha,

Nunca deixedes de correr,

Fazei qu'a Parada minha,

Nom mais acabe por morrer.

 

 

Carinhos à minha terra.

 

Dezembro de 2009

 

A. El Cambório.

 

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