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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

FIÃES 1841 I

07.03.13, melgaçodomonteàribeira

 

Convento de Fiães

 

 

III CONGRESSO DA GEOGRAFIA PORTUGUESA,

PORTO, SETEMBRO 1997

 

O ‘’TERRAMOTO’’ DE S. JOÃO (MELGAÇO) EM 1841:

UM PERCURSO PELA GEOMORFOLOGIA HISTÓRICA.

 

 

Carlos Bateira – Instituto de Geografia da Faculdade de Letras da Universidade Porto

Laura Soares -                           ‘’                                                ‘’

João Carlos Garcia -                  ‘’                                                ‘’

 

 

 

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A Freguesia de Fiães em meados do século XIX.

 

   No início da conturbada década de 1840, no extremo norte do Alto Minho, a freguesia de Fiães contaria no seu conjunto com quase duas centenas e meia de fogos e perto de 800 habitantes. No quadro do concelho de Melgaço, pode dizer-se que a organização do seu espaço ……a freguesia correspondia ao couto do antigo Mosteiro de Fiães, instituição cisterciense (com existência documentada desde o séc. XII), então há pouco desaparecida no contexto da extinção das ordens religiosas.(2)

(2) Cfr. José Marques – O Mosteiro de Fiães (notas para a sua história), Braga, ed. Autor, 1990. pg 41.

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O ‘’Terramoto’’ de S. João.

 

   Um importante núcleo existia no lugar de S. João, muito próximo de Porto Carreiro, num local a meia vertente onde convergiam vários pequenos ribeiros mas todos com algum caudal. S. João cresceu como um tentáculo de Porto Carreiro, para cima ao longo da vertente, mas encaixado na apertada garganta do pequeno afluente do Trancoso. Uma das suas riquezas era essa força motriz que alimentava as suas azenhas: 5 num aglomerado de apenas cerca de duas dezenas de casas. Mas, uma das fortes razões da sua existência explicará o seu desaparecimento.

   A 17 de Novembro de 1841, depois de dois meses de intenso mau tempo, com muita chuva, um terrível ‘desmoronamento de terras’ destrói em momentos a povoação, morrendo soterrados muitos dos habitantes. Os prejuízos materiais revelam-se catastróficos para a pequena comunidade.

    Logo no dia seguinte, o regedor Manuel do Rego lança um apelo ao Administrador do Concelho, depois de relatar sumariamente o ocorrido. ‘’ Participo a Vª. Exª. Que hontem pela huma ora da tarde reventou uma parte do monte denominado Anteiro e veio ao lugar de S.João/Porto Carreiro e arrazou e levou 9 cazas com muita gente e gado foi uma desgraça muito grande. Ora hé precezo q Vª Sª dê providencias mandando vir gente do Con.º pª ajudar a desenterrar a gente e gados e frutos e aparattos q ficarão debaxo dos rochedos.’’

   A ajuda chegou principalmente dos lugares vizinhos, onde se recolheram os sobreviventes e donde partiram os grupos de homens a desenterrarem os cadáveres e a dar-lhes sepultura junto ao Mosteiro de Fiães. A grande torrente de pedras, terra e lama atingira também Porto Carreiro, chegando mesmo ao leito do Trancoso. Na tradição oral, ao chegar à Igreja de Nossa Senhora da Vista a torrente dividira-se em duas, salvando-se milagrosamente o templo, que ainda hoje se encontra parcialmente soterrado. As consequências foram contudo destruidoras nos campos, que levarão muitos anos a limpar e reconstituir.

 

 

(continua)

 

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