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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

ENCONTRO COM INÊS VII

06.03.13, melgaçodomonteàribeira

 

 

    Chegou sem salamaleques, um olá, um beijo a jacto, sentou-se, sorriu e atirou:

    — Já que és tão curioso, hoje vou falar de mim.

    Não fiquei de boca aberta porque ainda não a tinha fechado desde que ela apareceu e da minha boca saiu qualquer coisa com está bem.

    — Quando os trons se ouviram já andava tudo num virote.

    Fico de boca aberta a olhar para aquele rosto, envolvido em cabelos negros, que começava uma conversa parva, sem pés nem cabeça, mas que eu tanto sentia e amava. O coração serrano bateu mais forte e aí a pergunta saiu:

    — Onde estiveste? Que foi feito de ti, este tempo todo?

    — Nada que te diga respeito. Andei por onde andei, estive com quem estive …

    — E eu aqui a dar voltas à cabeça …

    — O problema foi ou é teu. Eu segui o meu caminho, andei por terras de Portugal. Nada nos liga. Nada me liga a nada e se falo contigo é porque gosto do timbre da tua voz.

    — Muito obrigado!

    — Não tens de quê.

    — Agora fala-me dos trons; li isso há tempos escrito por um cronista.

    — Do Mestre?

    — Não, de el-rei D. João.

    — Isso é o que tu julgas porque rei era na corte, em Lisboa.

    — Afinal, sabemos bem do que falamos.

    — Sabemos? Eu não sei do que falas. Falei de trons e de reis porque estudo História na Faculdade. Bom, vamos ver o rio?

    — Não. Contigo não vou, porque …

    — … o rio é tão largo que me faz lembrar o mar que nunca existiu na minha terra.

 

(continua)

 

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