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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGACUS E AS DEUSAS

melgaçodomonteàribeira, 06.03.13

 

 

    Foi por este caminho de sabedoria, declarou o druida, desfazendo as brumas que sempre acompanham os celtas e seu panteão, que o clã Melgacus teve de romper. Mulher das conchas, outrora mulher das carvalheiras, hoje Grande Senhora da Mãe, traçou na areia do rio o sinal de posse da terra e área de pescado onde cravou a estacaria que suporta a cabana lacustre onde irá esperar a chegada da lampreia e do sável que irão ajudar o castro a solidificar a sua independência.

    O clã e a tribo misturam-se com os primeiros nascimentos que durante dois séculos irão consolidar a sociedade deste guerreiros que passaram os montes Pirinéus cerca de 900 anos antes.

    Outras tribos desceram os rios e encontraram os Iberos, nativos que os conduziram à guerra contra Roma e contra a cultura grega de pensadores e filósofos. Melgacus de cuja existência se falava nos hermínios, juntou-se a Viriato nos festejos de imposição das virias ao grande libertador.

    Abençoados pela Grande Mãe a caça do corso e porco bravo ultrapassou as necessidades dos guerreiros, a cerveja era um rio transbordante e os bardos fizeram-se ouvir noite dentro com os pífaros e pandeiros a marcar o ritmo dos druidas contadores da história da Mãe gaulesa.

    Tocou o pónei em direcção à cabana que acolhia as noviças da Deusa dentro dum círculo de castanheiros, macieiras e figueiras, máximos da dádiva do druida que acompanhava a sucessora.

    O ribeiro estava perto, o banho nupcial só aguardava a presença do eremita que tudo guardava com desenhos à mistura da vida no castro. Foram os desenhos que ligaram a tribo aos iberos rústicos e a mais uma força guerreira.

    Cruzaram-se e nasceram os Celtiberos, Celtas nascidos no clã que se renderam ao sorriso das Iberas morenas, castanholas, touros e romanos a quem dar porrada.

    Do lago partiu o grito da Deusa, o pónei passou por entre as silvas cobertas de amoras e subiu dolente a encosta da nova Terra Mãe e o destino saltou das mãos da vidente, a vaca e o touro frente a frente; mouros, cuidai-vos, o dragão soltou o fogo que nos vai aquecer até à chegada do Deus Leão.

    Mais amoras e morotes dos valados acompanham Melgacus.

    O chefe dono das virias ajoelhou, espada no peito de Morgana, declarou os castros de Melgacus e Cevidade terra livre do destino.

 

Camborio Refugiado

 

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