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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO OU MELGACUS O CELTA

melgaçodomonteàribeira, 06.03.13

 

 

    Uma hora de gaitas e pandeiros com que os bardos choram o desterro dos homens face à alma imortal de Imloc senhor da Deusa em todas as formas humanas e, cortador de cabeças guerreiras, levam o celta a pensar.

    A Deusa mostra o caminho que te leva à Terra das Promessas, a Terra das Mulheres, a Ilha das Duas Brumas, a ilha das Macieiras – Avalon.

    Melgacus o Celta dormita cambaleando, o olhar cerrado passando o castro da Cevidade que foi levantado bem junto ao ribeiro a que os seus homens chamavam Depois do Leths.

    Falta a guerra e o treino puxado acaba num chapinhar de água.

    Os montes de Laboreiro, onde o druida passa a maior parte do tempo meditando na penedia chamada pelos antigos de Meadinha e fazem a fronteira entre a ribeira de bom peixe e o painço que dá de comer à tribo nos dias de inverneira, quando os córregos do equinócio gelado esperam pelo Deus Sol para soltar as suas águas terrosas, o lobo e a raposa se escondem no mato batido pelas matilhas onde o Mosquito manda e o Nero obedece, Melgacus o Celta sonha.

    Milhentos já são os homens, que debaixo duma tira de linho pintado com o dragão sagrado, recordação da Deusa Morgana a que Merlin não resistiu e juntou o leão trazido por César, ditador de Roma e do Império, lutam por morte honrosa em nome da Deusa Mãe Terra das Brumas de Avalon., Porca Branca Velha senhora das rochas do mar.

    O cheiro enjoativo do sargaço ao sol, adubo para o ano todo, leva-o a pensar nos dias passados entre remos e velas até descobrir a terra das enguias e salmão, das neves, flores e maçãs a que a tribo deu o seu nome.

    Melgaço,Terra de Melgacus, senhor das virias, rei das tribos da riba Minho, conquistador na terra gaellica.

    Trompas de caça sacodem o resto da neve que resiste nos ramos baixos à passagem dos cavalos que correm prontos a mordiscar a erva rala e queimada em volta dos carvalhos que descem desenfreados até às margens do Minho.

    Melgacus o Celta passeia os dedos sobre a lamina da espada e relembra o fracasso de encontrar minério para a forja não parar e os artesãos terem cobre e ferro para trabalhar.

Os barcos correm no leito do Minho, um para cima para baixo que promete não acabar, mas o negócio da troca de alimentos e metais não conhece desenvolvimento.

    A pastorícia está a aumentar e cada vez há mais jovens guerreiros a contactar nos jogos de guerra com a população nativa. O castro está em expansão e nos campos semeados bandos de crianças gritam atrás das borboletas. A cevada não vai faltar para as festividades do Solstício e a cerveja no rio está a refrescar. Que o Baco dos romanos nos proteja nesse dia em que a Deusa nos vem visitar para abençoar a erva sagrada trazida de longe, do outro lado do mar, ao depois das colunas de Hércules.

    Da garupa do cavalo sorri da actividade que reina no castro coberto de ténue neblina.

 

Camborio Refugiado

 

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