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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

ZÉ DAS PETAS III

06.03.13, melgaçodomonteàribeira

 

Desenho de Manuel Igrejas

 

 

 MÁGUAS DA D. LÂMPADA

 

 

Penduraram-me

Para quê?

Nuns fios retorcidos de metal

Mas… e a luz?

… Nem sinal.

A minha utilidade

É a de dar à luz

Quando há

Electricidade.

Dar a Melgaço um ar

De Civilização,

O progresso mostrar

A este sertão.

Mas a falta de energia

Tudo isto contraria.

O fio vem

D’além da Galiza.

Mas nada por ele passa

Nem desliza.

Estando vento

É um tormento.

Se a chuva cai

Mal se me vai.

Se está calor

É um horror.

Se nem venta nem chove

A electricidade não se move.

Tempos a tempos, raramente,

Surge misteriosamente.

Mas à tarde,

Sem alarde,

Sem tirte nem guarte,

A luz parte.

O povo manso e ordeiro,

Acende então o candieiro,

E às vezes sem reparar

Que ela já regressara.

Luz tão débil e fugaz

Vais e vens quando te apraz.

Não me seduz

A tua luz

De Pirilampo fraco e vil

Duma energia… senil.

Mas sendo das luzes a pior

Consegues avançar o contador

Para o Torcato mensalmente

Ir apanhar dinheiro à gente.

 

Transcrição da 3ª página de Zé das Petas, que é completada com desenho de D. Lâmpada.

 

Autores:

Vasquinho na escrita

Manuel Igrejas no desenho

 

Camborio Refugiado