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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

A GRANDE GINCANA II

06.03.13, melgaçodomonteàribeira

 

 

    Em todas as gerações sempre houve alguém mais dinâmico e empreendedor que não se conformava com o estado de coisas e procurava inovar. Dos rapazes da época, os matulões, havia um grupo que se destacava nas empreitadas da garotada.

    O Quim e o João Celestino, o Carlota, o Toninho do Félix, o Amadeu Garabelos e outros, comandados pelo Carriço, espécie de líder.

    Fazia parte da distracção da “canalha”, duns poucos que conseguiam um casqueiro (tábua de pinho de menos valor por ser do lado da casca da árvore) que, com alguma habilidade e quatro rodas, também de madeira, construíam o que eles chamavam carrinho de pau. Carro este que dependia duma equipa no mínimo de dois elementos. Um que andava no carrinho e outro que empurrava nas costas daquele. Depois trocavam de posição. Geralmente o grupo era de quatro rapazes, co-proprietários da viatura.

    E era vê-los, chispando onde o terreno fosse chão. A pista preferida era o passeio entre a loja do Hilário e a loja do Águia D’ouro, o único cimentado naquela época.

    De que se lembrou o Carriço?! Promover uma gincana de carros de pau.

    Divulgou a ideia que de pronto foi encapada pelo resto da rapaziada. A empolgação tomou conta deles quando o Águia D’ouro resolveu patrocinar o evento.

    Este Águia D’ouro, nome do estabelecimento e pelo qual era conhecido o proprietário cujo nome verdadeiro não me lembro, ou melhor, nunca soube, era um sujeito oriundo de Monção que viera montar loja em Melgaço, no térreo do casarão do Santos Lima, pai da Biti, esquina do terreiro com aquela área que ligava à Rua Velha e chamavam de avenida, em frente à casa dos Durães. Mais tarde funcionou ali a loja do Coelho e depois do António do Chinto.

    Pois o tal Águia D’ouro era uma criatura chegada a incentivar as promoções da rapaziada e até lhes fornecia ideias.

    Foi dele a ideia de realizar a Festa da Cóca, no molde do que se fazia em Monção e que o Carriço, o Jacob e outros realizaram magistralmente, mas esta é outra história. O assunto hoje é a gincana.

    O Águia D’ouro transmitiu aos rapazes como se realizavam gincanas noutras terras e ofereceu o prémio para a equipa vencedora: uma garrafa de vinho fino.

    Elaboraram o regulamento e acertaram que a pista seria a ladeira da Pastoriza, a pedreira, como anteriormente fora conhecida a encosta do outeiro, do lado das Carvalhiças.

 

(continua)

 

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