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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MEMÓRIA DA GUERRA CIVIL DE ESPANHA V

melgaçodomonteàribeira, 05.03.13

 

 

O que o chamou às Astúrias da segunda vez?

“Tinha lá um irmão na construção de estradas.”

E nas minas, em que trabalhava?

“Não trabalhava nas minas, mas para as minas, era serrador.”

Mas aquela história das imagens a arder…

“Olhe, a madeira dos santos estava pintada e ardia bem, mas chiava. E um companheiro lá da cozinha comentava: filho da p*ta, ainda bufas!”

O construtor da estrada?

“Era um tal Martins, português, aqui de Crecente. Éramos 80 homens a trabalhar.”

Mas o sr. Manuel Alves recorda-se de fuzilamentos?

“Aqueles que os nossos apanhavam. Pediam sempre voluntários para fuzilar, mas nunca quis, nem para ver. Também não faltava quem quisesse.”

Com o cair da tarde, a conversa tomou rumos práticos e Manuel Alves diz que não tem documentos de ter pertencido ao exército da República.

“Mesmo assim, digo-lhe, há registos em Salamanca, em Madrid, nos arquivos espanhóis, é uma questão de os mandar procurar.”

Afinal, trata-se da primeira vez que lhe aparece a probabilidade:

“Sempre era mais uma reformazinha…”

 

Entrevista de Viale Moutinho, Diário de Noticias 11/08/98, com Manuel Alves “o manco do talho”.

 

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