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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MEMÓRIA DA GUERRA CIVIL DE ESPANHA II

melgaçodomonteàribeira, 05.03.13

 

 

 Para trás, Manuel Alves deixava os tempos do Batalhão Gorki, comandado por Horácio Arguelles, a derrocada republicana das Astúrias e uns meses no campo de concentração de Luarca.

Poderia ter sido despachado para o outro mundo por um pelotão de fuzilamento ou meter os ossos anos a fio na cadeia, mas, como se disse, nem sequer cá foi chamado para cumprir a tropa.

Escapou e pronto.

Pelos vistos, os necessários pedidos de informação sobre a sua pessoa, para instrução do processo que o implicava, receberam respostas altamente abonatórias, desde os antigos patrões na construção de estrada ao presidente do município melgacense e respectivo pároco.

Todos o deram por solteiro e bom rapaz, um santo, pelo que pôde regressar a uma profissão digna de arraiano: contrabandista.

Aliás, pouco antes dos finais de 1938, já os franquistas, com forte apoio dos italianos e da Legião Condor, tinham tomado as Astúrias.

Assim, se a repressão começava para os que ficavam, para alguns, como ele, era hora de regressar.

“Trabalhava na construção de uma estrada em Tebongo, quando estourou a guerra. Comigo estava um cunhado, que morreu no campo de batalha, e a minha irmã Deolinda estava lá a trabalhar na cantina da empresa. Eu era socialista e logo entrei para as milícias e depois para o Exército Popular.”

 

(continua)