Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

CANTIGA POPULAR DE CASTRO LABOREIRO - 1882

melgaçodomonteàribeira, 05.03.13

 

 

CANTIGA POPULAR DE CASTRO LABOREIRO – 1882



Resolvemos aqui reeditar uma canção popular recolhida em Castro Laboreiro por José Leite de Vasconcelos e editada, pela primeira vez, no longínquo ano de 1882. Agradecemos à Ludovina, da Casa da Cultura de Melgaço, que nos chamou a atenção para a sua publicação no Romanceiro Português de Tradição Oral e Moderna.

 

Oléiendinha tem desejos de ir à casa de seu pai.

 

— Se não tens outros desejos, toma o caminho e vai.

Teu marido foi à caça, três dias há-de tardar,

e da caça que ele trouxer eu algo te hei-de guardar.

 

— P’ra onde foi Oléiendinha que me não fe’lo jantar.

Olindinha, ó meu filho, teremos de a matar,

Porque a mim chamou-me p*ta e a ti filho de meu pai.

Oléiendinha não se mata, castigo se l’há-de dar,

e apronte-me esse cavalo que a quero ir buscar.

Eram três horas batidas, estava lá a chegar.

 

— Paridinha de três dias, p’ra onde a queres levar?

 

— Ou parida ou por parir a cavalo a vou botar.

Anda mais, ó Olindinha, anda mais àquele lugar,

ali não faltam galinhas nem capões p’ra t’eu matar.

 

— Não preciso das tuas galinhas nem também dos teus capões

Manda-me chamar o padre, que me quero confessar.

 

— Ó menino de três dias, se me puderes falar…

se me puderas  dizer onde tua mãe foi parar!

 

— Minha mãe, não tenha pena, que p’ró céu vai caminhando,

E a perra da minha avó p’ró Inferno vai chorando.

 

 

Publicado em PORTO DOS CAVALEIROS

Jornal de Lamas de Mouro

Nº 4   Março  2003

 

Camborio Refugiado