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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

O ENTERRO DO ESTUDANTE VIII

05.03.13, melgaçodomonteàribeira

 

 

Ficou deliberado e pronto a ser executado que o Louro atacava o janelo existente entre a casa de banho e a sala interdita, pousando a sua pata no armário, qual cristaleira, que iria servir de base ao assalto e amortecer o barulho da entrada no santuário da megera.

O Louro, indisciplinado de nascença, olhou com ar de gozo as fechaduras dos armários interditos:

— Foi por causa desta m*rda que eu tive que passar pela janela?!

— Cabrão, abre isso. Queremos beber.

— Salta tu por aqui, se tens tomates.

— Chiu, chiu … Filho da p*ta, se a gorda aparece …

O Louro reaparece com uma caixa de Porto na mão e um mar de desculpas na ponta da língua:

— Só Porto. Não havia outra …

O Padeiro mirou, remirou e logo cagou sentença:

— Caixa desta não destoaria em garrafeira minha.

— Meia dúzia de camarões, garrafa de Porto em caixa dourada … Será que isto chega para pagar a fome que passámos aqui?

O mote estava dado. E depois do marisco comido com Porto à mistura só faltava uma “boca”, qual rastilho incendiário, para o gozo ser total.

— A caixa tem que voltar para o lugar.

Quando o Padeiro levantava a voz era certo e sabido que havia treta na costa. Entrou no quarto, peito saliente, qual pide a tempo inteiro, e aparece logo de seguida com uma embalagem de laca, rótulo fora, folha de caderno na mão, a gritar:

— Cola isso aí …

Era só o desenho de uma caveira muito cabeluda, pala no olho direito, que iria ocupar o lugar da garrafa de Porto.

 

(continua)


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