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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

NÃO SEI

27.07.19, melgaçodomonteàribeira

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ATRACÇÃO IRRESISTÍVEL

 

Não sei se és tu, Melgaço, que me atrais,

Ou o meu passado que em ti encerras;

Se são os teus vales, as tuas serras…

Os teus campos verdes, os teus pinhais.

 

Não sei! E não sei o que eu desejo mais:

Se fugir-te, como fujo às guerras,

Se repartir meu amor por outras terras,

Se voltar para os teus braços maternais.

 

Não sei! E nesta eterna indecisão

Agita-se o meu corpo como o vento…

Sofre o meu tormentoso coração.

 

Como pode ser alegria e tormento,

Ser pura realidade e ilusão…

Querer-te e descrer-te cada momento?!

 

OS MEUS SONETOS (E OS DO FRADE)

Joaquim A. Rocha

Edição do Autor

2013

p. 49

HISTÓRIAS DE VIDA

20.07.19, melgaçodomonteàribeira

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morminda dos prazeres

 

HISTÓRIAS DE VIDA

Maria Orminda dos Prazeres

 

Nascida em 16 de Julho de 1927 no Porto, filha de Abílio José Marinho e de Irene dos Prazeres, ele de Celorico de Basto, chefe das águas de Melgaço (Peso) e ela natural de Melgaço.

Os primeiros anos (só 2) esteve na escola de Melgaço, mas quando se mudou para o Porto, foi para o Colégio onde estudou o resto dos anos. Este colégio teve origem para recolher as crianças sobreviventes da invasão Francesa e d desastre da Ponte das Barcas. Chamava-se por isso o Recolhimento da Senhora das Dores e de São José das meninas órfãos ou desamparadas.

Depois concorreu para telefonista dos Correios e não foi à primeira, nem à segunda, mas acabou por estagiar 6 meses, na Batalha. Depois foi para Melgaço para a casa da avó.

Chamaram-na duas vezes, mas não compareceu. Preferiu ficar com a família do que voltar para o Porto. Aí ajudava a família e trabalhou no campo, embora não gostasse do sacho. Era uma rapariga moderna naquela terra de antigos costumes, como Remoães, uma aldeia de Melgaço.

Acabou por ir para o Porto trabalhar na Av. Dos Aliados, na Pensão Universal até aos 25 anos quando resolveu ir para França, nos arredores de Paris.

Aí arranjou trabalho e defendeu-se na vida muito bem com altos e baixos como todos. Ajudava com dinheiro a família e educou a sua filha Maria Edite que vive nesta altura em França, perto do Luxemburgo, casada e com dois filhos, um casal, ainda solteiros.

A Orminda é da altura que havia um respeito grande pelo padre e até se beijava a mão ao sacerdote, assim como quando maiores ou juvenis beijavam a mão aos padrinhos, aos tios, aos avós, aos pais, pedindo a bênção.

“A sua bênção minha tia”. Agora estamos na época e na civilização do tu-tu-tu.

Nas águas do Peso de Melgaço a família vendia fruta aos que iam para o tratamento de águas, onde havia uma fonte para os diabéticos e outra para o fígado. Uma tia trabalhava numa dessas fontes.

Tudo se degradou e agora está a recompor-se, mas a crise económica pode trazer às termas uma recessão.

Naquele tempo iam para lá os ricos porque o Estado raramente dava uma ajuda aos pobres.

As Águas de Melgaço faziam parte de uma companhia conhecida, Vidago, Melgaço e Pedras Salgadas.

 

Retirado de:

                   www.imprensaregional.com.pt

MELGAÇO, UM MOSTEIRO QUE DESAPARECEU

13.07.19, melgaçodomonteàribeira

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terras de paderne

 

SÃO PAIO DE PADERNE

 

Vamos agora sair da vila de Melgaço e dar uma volta pelo seu concelho medieval. Depois voltaremos de novo à vila.

Começáramos por S. Paio de Paderne que foi sede, segundo me parece, do antigo arcediago de Valadares, arcediago esse que não tinha assento no coro de Tui, onde apenas tinham cadeira os arcediagos de Cerveira e de Labruja do território português pertencente ao bispado de Tui, que era todo o Entre Minho e Lima.

Paderne foi em tempos um vasto território, subordinado ao mosteiro dedicado a S. Paio. Em 1141 o nosso primeiro rei, D. Afonso Henriques, é que dividiu esse território em dois para formar património ao novo mosteiro de S. Salvador de Paderne, a que presidia D. Elvira Sarrazim. Estava já então decadente o mosteiro de S. Paio.

Não compreendo porque passou a chamar-se S. Paio de Melgaço, chegando mesmo a escrever-se em obras de certa responsabilidade que a vila de Melgaço tem duas freguesias, Santa Maria da Porta e S. Paio. Nunca S. Paio chegou à vila.

Ninguém estranhe que pudesse haver duas freguesias de Paderne, S. Paio e S. Salvador. Há muitos casos semelhantes e cá tivemos duas igrejas de Santa Maria de Melgaço, que se estremavam chamando a uma da Porta e a outra do Campo, e ainda S. Fagundo de Melgaço, portanto três igrejas ou freguesias de Melgaço.

Quer o leitor mais exemplos ainda em nossos dias? Posso mostrar-lhos em várias freguesias de nome igual, diferenciadas pelo padroeiro: S. Julião da Silva e Santa Maria da Silva, em Valença; Santa Maria Madalena de Jolda e S. Paio de Jolda; Santa Cristina de Padreiro e S. Salvador de Padreiro; Santa Maria de Távora e S. Vicente de Távora, em Arcos de Valdevez; e muitos mais casos semelhantes que não cito porque longa seria a lista só do nosso arcebispado. Assim ninguém estranhe que houvesse a freguesia de S. Paio de Paderne e a freguesia de S. Salvador de Paderne. Ainda muita gente em nossos dias chama S. Paio de Paderne, tal qual foi sempre conhecida nos tempos antigos. Na Idade Média vários documentos a referem.

A primeira vez que encontrei a citação de S. Paio de Paderne foi em um documento de 1071. Foi outorgado à Sé de Tui, restaurada após a invasão e devastação da mourama, pela infanta D. Urraca, filha de D. Fernando I e irmã daquele D. Afonso VI pai de D. Teresa, sogro do conde D. Henrique, e avô do nosso primeiro rei D. Afonso Henriques. Por outras palavras, a sobredita D. Urraca Fernandes era bistia materna de D. Afonso Henriques.

Esta D. Urraca favoreceu muito a restauração da Sé de Tui. Entre outras fez-lhe doação de metade do mosteiro de S. Paio de Paderne. Convém reparar que lhe doou metade, porque teremos ocasião de encontrar referências a outros quinhões.

Os mosteiros e igrejas tinham donos, padroeiros, ou patronos (hoje diríamos patrões) que tinham certos direitos e privilégios, como seja intervenção na escolha dos párocos das igrejas e abades ou priores dos mosteiros, bem como no gozo de parte dos rendimentos.

Antes de passar adiante, devo dizer alguma coisa sobre S. Paio, santo padroeiro desta freguesia, por cujo nome ela é conhecida presentemente.

Estamos habituados a escutar nos sermões das festas de S. Paio, a que estão dedicadas muitas freguesias no Alto Minho, que ele era um jovem novo, sobrinho de um bispo de Tui chamado Hermógio, jovem martirizado pelos mouros em 925.

Sem dúvida que novas freguesias haverão tomado este S. Paio como padroeiro, mas há outro S. Paio mais antigo a quem já estavam dedicadas várias igrejas.

Em 1071 aparece-nos o mosteiro de S. Paio de Paderne dividido entre consortes. Já tive ocasião de dizer que os mosteiros e as igrejas muitas vezes foram pertença de senhorios que daí levavam rendas, foros ou pensões.

A invasão dos mouros no século VIII abalou a organização cristã mas não suprimiu o culto. Muitas igrejas com suas freguesias, se não a maior parte, ainda hoje se conservam. Raro as igrejas mudarem de padroeiro.

A igreja de S. Paio devia ser antiga para em 1071 estar já dividida.

A infanta D. Urraca, irmã de do Afonso VI de Leão, fez doação à Sé de Tui da metade que tinha no mosteiro de S. Paio.

Nas terras do velho termo de Valadares conservou suas tradições, e ainda no século XV era em S. Paio a Câmara do Arcebispo, a que hoje poderíamos chamar a sede do arcebispado se o cargo de arcipreste fosse de atribuição local.

  1. Paio sobrinho do Bispo de Tui foi martirizado em 925. Com o tempo que levaria a difundir-se o seu culto e com a antiguidade que parece ter a igreja de S. Paio, primeiro mosteiro e depois simples paróquia, sou levado a crer que não fosse este S. Paio o seu primeiro padroeiro.

Como, porém, não me orienta a pretensão de fazer bonito, devo acrescentar que o grande historiador P. Pierre David, em estudo sobre «Os Santos Padroeiros de igrejas entre Minho e Mondego até ao fim do século X», publicado em francês na Revista Portuguesa de História, em 1943, escreveu: «forçoso é reconhecer que a Espanha e Portugal nunca veneraram outro S. Paio senão o jovem mártir de Córdova».

Como já se disse, Paderne era um extenso território subordinado à igreja de S. Paio. D. Afonso Henriques tirou-lhe grande naco para formar património ao mosteiro do Salvador, cuja fundação não deve ser anterior ao seu tempo. Parece que Alvaredo se desmembrou também do antigo território de Paderne, pois alguns autores chamaram à sua igreja S. Martinho de Paderne.

Poderiam ainda explorar-se razões para crer que Penso tenha feito parte do território de Paderne que pela toponímia nos convence da existência de extensa vila romana pertença de um Senhor Paterno, porque de Paterno homem lhe vem o nome e não de Paterna mulher como se costuma dizer e escrever.

Vejamos agora as memórias históricas que pude colher das antiguidades de S. Paio de Paderne:

Em 13 de Janeiro de 1071 a infanta D. Urraca deu à Sé de Tui a sua metade no mosteiro de S. Paio de Paderne, juntamente com outros bens.

Em 13 de Abril de 1118 D. Onega Fernandes deu à Sé de Tui uma quarta parte da igreja de Paderne, em satisfação do crime praticado por seu filho Paio Dias que havia cometido um homicídio na igreja de Sant’Iago de Penso violando o lugar sagrado e seu direito de asilo.

Em 4 de Setembro de 1125 D. Teresa (mãe do nosso primeiro rei D. Afonso Henriques) em doação feita à Sé de Tui incluiu também a igreja de S. Paio de Paderne inteira.

Em 1 de Dezembro de 1156 o bispo de Tui D. Isidoro e os Cónegos outorgaram um documento de partilha entre si dos rendimentos eclesiásticos daquela Sé, para concretizar a dotação feita de metade dessas rendas ao Cabido pelo bispo D. Paio na sua fundação em 1138. Essa partilha, no que dizia respeito à parte do bispado de Tui sita desde o Minho ao Lima, foi sancionada pelo nosso rei D. Afonso Henriques. Na meação dos cónegos incluiu-se «além Minho, na Terra de Valadares, o mosteiro de S. Paio de Paderne com todas as suas igrejas e pertenças».

O mosteiro de S. Salvador, dotado por D. Afonso Henriques com grande porção do território de Paderne em 1141, começou a desenvolver-se e o de S. Paio decaiu até se extinguir. De momento não tenho mais referências ao mosteiro de S. Paio. A sua igreja continuou, e a construção, de forma não habitual, que as pessoas de mais idade ainda conheceram, recordava possivelmente o encosto à desaparecida casa de habitação dos monges.

A igreja de S. Paio tinha duas naves separadas por arcaria, cada uma com seu altar-mor e sua porta principal. Só lá fui uma vez de muito novo e não fixei, mas dizem-me que uma das naves era mais alta do que a outra.

Foi reformada cerca do ano 1930 pelo pároco Raimundo Prieto que lhe conservou uma das portas principais de arquivoltas românicas e um velho altar de estilo renascença.

Nas inquirições de D. Afonso III em 1258 aparece-nos S. Paio de Paderne como paróquia no couto de Melgaço, sem qualquer memória de mosteiro. Era pároco D. João Garcia. Ele e mais uns tantos homens importantes, ajuramentados, informaram que ouviram dizer a seus pais, avós e homens antigos que a quarta parte da igreja era reguenga, isto é, do património real. Há referência ao casal de Paio Rana, ao casal de Padrão, à vila de Prado e à Leira Corta. De notar que Prado e Remoães estavam incluídos em S. Paio e não eram ainda freguesias. A elas me referirei a seu tempo.

Também na inquirição efectuada na vila foi informada a pertença real da quarta parte de S. Paio e feita referência aos locais já mencionados.

Na taxação de 1320 foram atribuídas apenas 30 libras à igreja de S. Paio de Paderne, classificação muito baixa que nos indica a limitação de seus bens. Ainda nessa altura conservava oficialmente a designação de S. Paio de Paderne.

No igregário de D. Diogo de Sousa, de princípios do século XVI, aparece na Terra de Melgaço, de livre atribuição do Arcebispo «S. Paio, Câmara do Arcebispo» e «a capela da dita Câmara».

No foral de D. Manuel I concedido a Melgaço em 3 de Novembro de 1513 vem a seguinte referência a S. Paio: «E acerca do quarto das dízimas e primícias da dita igreja de S. Paio que costumamos de levar usaremos do nosso direito e posse quanto por dinheiro se achar que se deve fazer».

A Corografia Portuguesa do P.e Carvalho da Costa, publicada no princípio do século XVIII, diz que «S. Paio é o mesmo a que Sandoval chama Mosteiro de S. Paio de Paderne, haveria sido antes dos Mouros e a Infanta D. Urraca, filha del Rei D. Fernando o Magno, dotou a metade do seu padroado à Sé de Tui e a seu Bispo D. Jorge no ano de 1071…». Quanto aos rendimentos desta igreja informa-nos que o Abade tinha a quarta parte dos dízimos, a Casa de Bragança outra quarta (chamada renda do Castelo) e a Mesa do Arcebispo metade (que são as outras duas quartas).

 

Obra Histórica

Padre Manuel António Bernardo Pintor

Edição do Rotary Club de Monção

2005

pp. 86-90

ARQUITECTURA MILITAR PORTUGUESA - MELGAÇO

06.07.19, melgaçodomonteàribeira

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bombardeira - muralha de melgaço

 

ARQUITECTURA MILITAR PORTUGUESA

 

É a D. Afonso III que se deve o mais remoto exemplo português de um balcão com matacães, coroando a porta da muralha de Melgaço, que pode ser associado à inscrição de 1263. O balcão com matacães foi, entre nós, como se sabe, um dos mais claros indícios da adaptação dos velhos castelos românicos aos novos conceitos da defesa activa. O interesse do monarca pela reforma das fortificações não se circunscreveu apenas ao Alto Minho, com as obras de Caminha (1260) e Melgaço (1263), mas contemplou igualmente outras zonas do reino, como nos testemunha a reforma da muralha de Estremoz que empreendeu em 1261. No entanto, seria necessário aguardar pelo reinado de seu filho, D Dinis, para assistirmos a uma mudança significativa do panorama da arquitectura militar portuguesa.

 

RETIRADO DE:

D. DINIS E A ARQUITECTURA MILITAR PORTUGUESA

MÁRIO JORGE BARROCA

 

http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/4036.pdf