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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

ANÉMONAS NO PLANALTO

15.06.19, melgaçodomonteàribeira

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ANÉMONA DOS BOSQUES

 

Além dos sinos azuis, há outras plantas de filiação nórdica que em Portugal nunca avançaram muito para cá da fronteira galega. Uma delas é a Anemone nemorosa, espécie de que as duas ou três populações existentes no planalto de Castro Laboreiro são as únicas que se conhecem em território nacional. A existência da anémona-dos-bosques em Portugal só foi confirmada em 1999 pelos botânicos Francisco Barreto Caldas, João Honrado e Henrique Nepomuceno Alves. Até então tinha havido uma história de equívocos remontando a Brotero, que identificou como sendo A. nemorosa a planta que hoje designamos por A. Trifolia subsp. albida, e que é mais ou menos frequente no norte de Portugal. De facto, as duas anémonas têm aspecto semelhante, são ambas de floração temporã, e comungam uma preferência por bosques caducifólios húmidos. A distinção entre elas faz-se sobretudo pela folhagem: as folhas de A. nemorosa têm margens marcadamente lobadas, a ponto de por vezes os três folíolos se converterem em cinco.

Estas poucas plantinhas que encontrámos com certa dificuldade, em dia de chuva – e as flores da anémona entristecem irremediavelmente com um aguaceiro – , são uma importante achega à nossa plena integração europeia. Antes de 1999, éramos, com a Islândia, um dos dois países europeus onde a Anemone nemorosa nunca tinha sido avistada. Depois disso ficou a Islândia sozinha sem as suas anémonas e com os vulcões. Até que a economia, pressurosa, veio restabelecer, com o défice no PIB e a bancarrota, os laços de penúria entre os dois países.

 

Retirado de:

Dias com árvores

 

http://dias-com-arvores.blogspot.pt