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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

CARTA DO INFANTE D. PEDRO

29.09.18, melgaçodomonteàribeira

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muralhas na década de 80 sec XX

 

 

CARTA ORIGINAL DO INFANTE D. PEDRO, PARA O CONDE DE BARCELLOS SEU IRMÃO. ESTÁ NO CARTORIO DA SERENISSIMA

CASA DE BRAGANÇA, NO MAÇO DAS CARTAS MISSIVAS, DONDE A COPIEY.

 

 

    Muito prezado e bem amado Irmaõ. Bem sabeis como estando eu em Lisboa, ao tempo das Cortes me foi dado hum feito, que era entre Martim de Castro, e os moradores de Melgaço; e por meus grandes trabalhos no pude a ello dar dezembargo agora os ditos homens, e outro se me enviarom agravar, do dito Martim de Castro, de muitas semrazooes, e agravos que delle ham recebido, e recebem por as quaes couzas foi acordado que por pessoa o dito Martim de Castro venha responder a todo, a Corte delRey meu senhor: e por quanto elle esta naquelles Castellos de Melgaço e Castro Laboreiro, e porse en tanto a dita carta, do extremo como som no cumpra ficarem sos, a vos praza mandardes em elles pooer tal pessoa que fielmente os tenha, porque minha intençom he, elle o dito Martim de Castro no teer carrego desto, nem estar em ellos, athe se saber bem de seus feitos.

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Retirado de: Provas da Historia Genealogica da Casa Real Portugueza, tiradas dos Instrumentos dos Archivos da Torre do Tombo, da Serenissima Casa de Bragança, de diversas Cathedraes, Mosteiros, e outros particulares deste Reyno.

Por D. Antonio Caetano de Sousa, Clerigo Regular, Deputado da Junta da Bulla da Cruzada, e Academico do Numero da Academia Real.

Tomo III

Lisboa, Na Regia Officina SYLVIANA, e da Academia Real.

  1. DCC. XLIV.

Com todas as licenças necessarias.

 

http://books.google.pt/intl/pt-PT/googlebooks/tos.html

MÃES DO MINHO

22.09.18, melgaçodomonteàribeira

15 d2 - mães minho.jpg

 

“Mães do Minho”, de rosto sulcado pela ausência de afago, ficaram nas aldeias, no vazio das casas, abraçadas pelo xaile negro da despedida, carregando o árduo amanho da vida.

Eles, os maridos e os filhos, partiram. Levaram como bagagem, a certeza da incerteza de tudo.

“Mães do Minho”, um pelouro de referência humana, testemunho de uma época, de gerações, reflectidas na memória do tempo, que o próprio tempo jamais apagará. Um tempo cinzento, denso, sombrio. Pedaço de história. Um espaço cronológico e social, onde o êxodo migratório e a guerra colonial se situam, como realidade mártir, feita de dor e de saudade. Vivência de um tempo, numa região, em que as dificuldades económicas e a conjuntura política, aliciaram estes homens dignos, mas carentes de dignidade, a descobrir novos mundos.

Mais do que um louvor, uma homenagem. “Mães de Minho”, é um cântico de amor nunca esgotado, a essas Mães, Mulheres Mães, de sorriso adormecido, enquanto ateiam o amor, em cada gesto cálido e nobre, tocado pela aspereza do pão que o diabo amassou.

São estas, as nossas Mães, as “Mães do Minho”, de braços sempre enternecedoramente abertos, à espera do nosso regresso.

Elas serão, eternamente Mães.

 

Às “Mães do Minho”, deixo a minha grata admiração, pela sabedoria, pelo exemplo de intemporalidade espiritual, que nos legaram.

Ao autor, Tino Vale Costa, também eu, na condição de Mãe, abraço-o, por este tamanho sentir…

 

                                                                                  Adelaide Graça

 

 

Mães do Minho

 

Diamantino Vale Costa

 

Edição Câmara Municipal de Melgaço

 

2000

 

PARADA DO MONTE

15.09.18, melgaçodomonteàribeira

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vestuário de parada do monte

 

PARADA DO MONTE

 

Num edifício construído de raiz e dotado das condições necessárias, poder-se-iam guardar exemplares dos instrumentos utilizados no fabrico da lã (sarilho, dobadoura, carda, urdidor, tear, etc.), as alfaias, os carros de transporte, as louças e mobiliário, as peças de trajo antigo, as mantas e bordados, utensílios do pastor, a croça, etc., etc. A não ser feita esta recolha com urgência, em pouco tempo nada restará dos elementos materiais de uma cultura com características próprias revelando um viver marcado pelo trabalho do campo e o pastoreio na serra envolvente.

Entre esses elementos destaca-se o trajo antigo.

Parada do Monte, no vestuário, procurou adaptar-se às condicionantes do clima pela utilização de fibras naturais que lhe proporcionavam a maior resistência aos frios rigorosos e humidade. As cores em tons escuros exemplificam a necessidade de absorver calor quando o corpo estava em repouso ou deslocando-se lentamente, enquanto que as camisas brancas do trabalho ajudavam a reflectir a incidência da luz solar minimizando o efeito térmico sobre o tronco.

As mulheres de Parada vestiam uma saia comprida, camisa branca com mangas, colete e corpete. No tempo frio agasalhavam-se com a ‘curbata’, género de xaile que depois de cruzado sobre o peito se atava nas costas. Sobre a cabeça e ombros colocavam o ‘mandil’ feito em tecido de lã que, em tamanho mais pequeno, servia de avental. Normalmente cobriam a cabeça com um “lenço chinês” ou de murino. Nas pernas usavam meias simples, não rendadas e calçavam ‘soques’ com cobertura em couro fixa por tachas à base em pau. Em tempo de chuva cobriam os joelhos e pernas com polainas em burel ou em couro.

Para fazer as meias empregava-se agulhas de ferro com a extremidade em ‘aspita’ (barbela), pequeno gancho golpeado de forma a poder puxar o fio (de lã ou de algodão) e assim obter a malha.

 O homem usava calças feitas no tear, camisa em linho, colete e casaco. Protegia-se também com polainas e calçava sapatos cardados quando havia festas e tamancos no trabalho. Para o pastoreio e no Inverno cobria-se com a croça em junco.

 

 

PARADA DO MONTE, História e Património

Antero Leite

Mª Antónia Cardoso Leite

 

http://acer-pt.org

 

 

DAVID DE CARVALHO (30-11-1955 – 10-9-2018)

 

 

David de Carvalho nasceu em Parada do Monte.

Em Melgaço fundou o conjunto Gaudeamus.

Era colaborador do blog Melgaço, do Monte à Ribeira.

Era editor do blog Melgaço do Passado e do Presente.

Mais uma grande perda da cultura melgacense.

 

Um dia lá nos encontraremos irmão.

 

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david de carvalho

 

A RIBEIRA QUE DEIXOU DE SELO

08.09.18, melgaçodomonteàribeira

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rio trancoso

 

A RIBEIRA QUE DEIXOU DE SELO. A FRONTEIRA GALEGO-PORTUGUESA TRAS O GOLPE DE XULLO DE 1936

 

(…)

 

No primeiro dos casos, e decir, un fusilamento cun xuicio, ainda que sumarísimo e urxente, documentábase o condeado, e polo tanto, eram mais doado o recoñecemento e a deportación cara Portugal. Cando a morte producíase pola acción dos teóricamente incontrolados, esto non era posible. Recibíronse informacións de morte de traballadores portugueses da vía férrea Ourense-Zamora, ou mesmo a escoita de disparos pólos postos de vixiancia da raia que logo resultan ser fusilamentos de persoas desta nacionalidade afincadas en España.

Mais a colaboración máis estreita neste proceso de represión tivo lugar na zona de Castro Laboreiro. Dende o comenzo da guerra houbo un importante continxente de fuxidos que tras pasar a fronteira tentaron agacharse nas súas montañas, levando a cabo en ocasións actividades contra o réxime portugués e contra os destacamentos ‘nacionais’. Era evidente que o mantemento dun grupo paramilitar dentro de territorio portugués, nunha situación de conflicto bélico no país fronteirizo non era unha situación moi agradable para as autoridades do Estado Novo.

Ainda que esta circunstancia fora un producto directo da situación de inestabilidade civil en España, o Estado Novo tiña que poñer remédio dende a súa autoridade para o seu territorio. Dende finais de xullo de 1936 tiveran lugar numerosas incursións de españoles armados nesta zona. Un mes despóis, Tomás Fragoso, Gobernador Civil de Viana do Castelo, recordaba ó Ministro do Interior portugués estas accións, e recomendaba a conveniencia de reforzar ós postos da Guardia Nacional Republicana para evitalas. O seu fin era evitar casos semelhantes e poder manter o prestígio português e defender a integridade nacional.

Mais o problema na zona continuou prácticamente durante toda a guerra civil. As batidas na procura dos agachados foron compartidas entre falanxistas españois e militares portugueses, moi especialmente a PVDE. Un membro desta informaba de como se realizaban as detencións:

 Geralmente, na montanha, estes indivíduos respondem com a fuga, ou com tiros, a intimidação de ‘Alto! ‘. E então a perseguição faz-se a tiro…

 

Emilio Grandío Seoane

 

Retirado de:

 

HOMENAXES

FACULTADE DE XEOGRAFÍA E HISTORIA

Departamento de Historia Contemporânea e de América

Universidade de Santiago de Compostela

 

http://books.google.pt

 

CASTELOS DE MELGAÇO, CASTRO LABOREIRO E A RAIA

01.09.18, melgaçodomonteàribeira

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castelo de melgaço 1913

 

FRONTEIRA DO MINHO

 

A monte de Valença, e em frente à praça espanhola de Salvaterra de Miño, situava-se a posição fortificada de Monção e, a seguir, o último lugar deste rosário de povoações da “borda-Minho”: Melgaço. Aqui, o rio circula apertado entre vertentes abruptas, ficando o lugar no topo da vertente. Ponto estratégico importante desde os princípios da nacionalidade, na antiga estrutura defensiva, que ainda existe mas sofreu várias obras de remodelação, sobressai uma torre quadrangular no centro de um pátio, a que se acrescentou, no século XIII, uma muralha envolvendo o núcleo urbano. Quatro séculos depois, foi transformada, como outras, numa fortaleza abaluartada, com uma frente alongada, onde se situava o Campo da Feira. Com Valença, Melgaço constituíra o primeiro conjunto de sítios fortificados da margem do Minho, a que acresceriam, nos reinados de D. Afonso III e D. Dinis, Monção, Caminha e Vila Nova de Cerveira, regularmente espaçados. Mas, em finais de Setecentos, perdera já interesse para a defesa da raia e, estando as instalações militares arruinadas, também não se consideraram úteis as despesas que a sua reconstrução implicava.

Depois de Melgaço, os lugares fortificados eram escassos e já nada tinham a ver com os da orla do rio. Castro Laboreiro, em plena serra da Peneda, fica já um pouco afastado da raia (mais de 5 km em linha recta). De origem muito antiga, o castelo localiza-se a sul da povoação, num topo que se eleva a mais de 1000 m, onde se abrigavam homens e gados em caso de ameaça espanhola. Conquistado por D. Afonso Henriques antes de meados de século XII e reformado 150 anos depois, devido à profunda ruína que o ameaçava, o aspecto actual deriva em grande parte dessa reconstrução efectuada no reinado de D. Dinis. Ele testemunha hoje a atenção que, para a defesa do território nacional, a Coroa dedicou então à raia seca.

 

 

Retirado de: FINIS PORTUGALIAE = NOS CONFINS DE PORTUGAL

                    Cartografia militar e identidade territorial

                    Autores: Maria Helena Dias e Instituto Geográfico do Exército

                    2009

 

 

http://www.igeoe.pt