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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

ERA UMA VEZ UMA IGREJA

27.09.14, melgaçodomonteàribeira

 

Melgaço - Quinta do Poço de Santiago

 

SÃO FAGUNDO

  

   A primeira notícia da igreja de S. Fagundo encontra-se em um documento do cartulário de Fiães outorgado em Junho de 1246, na arbitragem de um litígio entre o mosteiro de Fiães e a igreja de Chaviães, em que interveio como árbitro João Joanes pároco de S. Fagundo e procurador de Santa Maria da Porta juntamente com Rodrigo Mendes, padre de Chaviães.

   Vem esta igreja mencionada nas inquirições de D. Afonso III, de 1258, a par com as de Santa Maria da Porta e Santa Maria do Campo, sem qualquer referência em pormenor.

   Em 1320 foram os rendimentos avaliados em 30 libras, como os de Santa Maria do Campo, o que a situava em posição baixa ao lado das outras.

   No Igrejário de D. Diogo de Sousa, princípios do século XVI, vem mencionada como benefício de livre atribuição de arcebispo e já sem cura, isto é, já não tinham cura de almas, ou melhor, já não era paróquia.

   Qualquer leitor dado a estes estudos encontra nos livros antigos S. Facundo, mas eu prefiro a grafia evoluída S. Fagundo.

   O falecido Dr. Augusto César Esteves achou referência à igreja de S. Fagundo até ao ano de 1619.

   O mesmo criterioso investigador das antiguidades melgacenses diz que a Fonte da Vila se chamou em tempos antigos Fonte de S. Fagundo, o que nos indica ter ficado nas proximidades a sua igreja.

   Mais ainda: segundo elementos por mim fornecidos, aceitou a mudança da invocação da referida igreja para Sant’Iago, de que achou referências no ano de 1733. A velha igreja paroquial, já sem cura de almas na entrada do século XVI, deve ter sido reduzida à condição de simples capela, como aconteceu com a antiga paroquial da Santa Comba de Felgueiras, primeiro anexa a Paderne e depois incorporada em Penso, e uma outra de S. Vicente, ali em Alvaredo contra o rio Minho.

   O Concílio de Trento deu aos Prelados das dioceses faculdades para anexar ou extinguir as paróquias cuja subsistência era demasiado precária ou para fundar novas paróquias onde fossem precisas, e daí terá vindo a extinção da de S. Fagundo.

   A mudança do título tem a sua explicação e não é caso único. Aconteceu também com outras, como por exemplo com a padroeira de Chaviães que era Santa Seguinha e passou para Santa Maria Madalena.

   O fundamento da mudança de S. Fagundo para Sant’Iago é o seguinte:

   Sabe o leitor que há vários santos com o mesmo nome, dois apóstolos são Sant’Iago, o maior e o menor. Mais conhecido por nós é o que se festeja em 25 de Julho, que em Compostela tem antiquíssimo culto, visitado por peregrinos das maiores categorias sociais e de terras distantes desde recuados tempos. É o Sant’Iago de Longe, como dizem os velhos.

   Há um outro Sant’Iago, chamado Interciso, que a Liturgia recorda em 27 de Novembro, dia também dedicado a S. Fagundo. Como ambos os Santos são comemorados no mesmo dia, e S. Fagundo deixou de ser festejado na categoria de padroeiro da freguesia, porque ela tinha desaparecido, veio a  sobrepor-se o culto, a Sant’Iago, Interciso.

   Isto tem uma explicação e o leitor deve querer saber qual seja, por isso eu vou expô-la:

   Nos princípios do século XII, o arcebispo de Braga, D. Maurício, conseguiu trazer de Roma para a sua catedral o corpo de Sant’Iago Interciso, mártir da Pérsia do tempo das perseguições aos cristãos.

   No tempo do arcebispo D. Agostinho de Jesus realizou-se em Braga um sínodo, ou seja um concílio diocesano, em 1606, com início a 18 de Outubro. Entre outras actividades do sínodo, teve lugar em 27 desse mês a transladação das relíquias de Sant’Iago Interciso para melhor jazida. Este facto provocou o revigoramento do culto do referido Santo cujas relíquias até então permaneciam na sacristia da catedral desconhecidas do público.

   O seu culto estendeu-se a toda a diocese sobrepondo-se ao de S. Fagundo que assim foi esquecido em Melgaço com a vinda da memória do novo Santo, novo no culto dos fiéis.

   Sobrepondo-se, no mesmo dia, à comemoração de S. Fagundo, absorveu a denominação da sua igreja e com o seu nome ficaram conhecidas as antigas terras ou passais, de S. Fagundo, conhecidas ainda nos nossos dias por campos de Sant’Iago, ali nas proximidades da nova escola primária da vila.

   O Dr. Augusto César Esteves, na obra já citada, escreveu: «A alguns passos dos fossos pertinho da fortaleza, no caminho aquingostado para os Chãos, a vila ainda hoje situa o Poço de S. Tiago. No local onde se fez, há meia dúzia de anos, uma casa de campo, erguia-se uma igreja pequena, chamada pelo povo capela de São Tiago.»

   Quanto à meia dúzia de anos, lembro que o livro do Dr. Esteves tem a data de 1952.

   Julgo ficarmos a saber com aproximação onde era a Igreja de S. Fagundo.

   Não repare o leitor por eu escrever Sant’Iago. Em latim é Sanctus Iácob. Em correcta filologia Iacob dá em português Iago. Outros escrevem como eu, e eu como eles.

 

 

Obra Histórica

Padre Manuel António Bernardo Pintor

Edição do Rotary Club de Monção

2005

pp. 84-86

 

O ANIMATÓGRAFO EM MELGAÇO

20.09.14, melgaçodomonteàribeira

 

Peso

 

CORREIO DE MELGAÇO Nº 52, 1/6/1913

 

Há indivíduos que pela sua ilustração e inteligência se impõem à nossa consideração e estima; outros, que pelo seu espírito verdadeiramente regional e empreendedor se impõem à nossa veneração. Neste caso está (…) Cícero Cândido Solheiro, que heroicamente trabalha para o engrandecimento material deste concelho, a quem adora, não se cansando de (…) lhe introduzir os melhoramentos indispensáveis à vida provinciana. O ano passado comprou (…) um magnífico camion para transporte de passageiros e bagagens, de Valença a esta Vila, e vice-versa, melhoramento de capital importância, já pela rapidez relativa da viagem, já pela comodidade com que nos transportamos, estradas em fora, numa distância de 42 kms. A sua actividade, porém, não parou aqui. Cícero Solheiro, estendendo as suas vistas de águia, reconheceu a necessidade de mais um camion, para quando houvesse grande movimento para as Águas do Peso e além disso poder facultar aos (…) hóspedes anuais digressões cómodas e agradáveis. Efectivamente, mais um luxuoso e elegante “Berliet” foi adquirido por este nosso amigo, melhoramento importante para o concelho, extraordinária e vantajosa comodidade para os seus hóspedes, que se podem transportar para onde lhes apraza, com a rapidez e conforto indispensáveis. Mas o Peso, dizia o bom do nosso Cícero, não tem uma única distracção, onde os aquistas possam relembrar a vida das cidades, onde passem algumas horas de ócio, despreocupadas e alegres. O Peso não tem outra distracção que não seja a beleza do nosso solo, tapetado de verdura e coberto de luxuriante vegetação. Dotar o Peso com luz eléctrica e um cinematógrafo era a ideia que mais o preocupava e que pôs imediatamente em execução, mandando-o construir e aplicar-lhe os mais aperfeiçoados aparelhos que a Companhia Cinematográfica Portuguesa pode fornecer e com cujo mecanismo fornecerá, de luz eléctrica, não só o salão cinematográfico, mas também os hotéis e estância das águas, caso queiram tal melhoramento, o que é muitíssimo plausível. Para deliciar os amadores de música adquiriu um lindíssimo e completo piano eléctrico, que também pode ser manual, ao qual adaptará belas composições musicais, ficando assim o Peso, até aqui de uma monotonia aldeã, transformado numa aprazível e encantadora estância. Sabemos que em 15 de Junho (…) será inaugurado o cinematógrafo, onde todos iremos, como verdadeiros regionais e amantes do progresso deste lindo rincão, prestar a nossa homenagem de consideração, veneração e estima, a esse novo, mas corajoso e intrépido trabalhador, a quem Melgaço deve todos os melhoramentos que possui. Mas a nossa veneração aumenta de intensidade ao lembrarmo-nos que Cícero Solheiro se não fora o grande amor pela sua terra (…), podia gozar despreocupado e sem canseiras, os seus avultados rendimentos. Mas não! Cícero Solheiro quer melhorar a sua terra, por cujo engrandecimento trabalha afanosamente, crendo nós bem que não haverá nenhum melgacense que ao pronunciar o seu nome não sinta por ele a veneração devida aos beneméritos da sociedade. Receba o nosso Cícero os cumprimentos do “Correio de Melgaço” pelo seu gesto dum verdadeiro patriota, dum sincero e desprendido regional.

 

CORREIO DE MELGAÇO Nº 63, 24/8/1913

 

Inaugurou-se ontem, no Peso, com extraordinária concorrência, este belo salão cinematográfico… É uma bela casa de recreio, dotada de todos os aperfeiçoamentos modernos e requisitos indispensáveis a edifícios desta natureza; profusamente iluminado a luz eléctrica e pintado com muito gosto artístico. Admira-se ali um magnífico piano-concerto accionado a electricidade, que também pode ser tocado por qualquer pianista – sensacional novidade entre nós. Hoje há quatro sessões, que prometem muito, pela variedade e importância das fitas: às 14, 16, 20 e 22 h, que corresponderão à carreira de automóveis, entre a Vila e o Peso, pelo preço de 50 centavos, ida e volta, com direito a uma sessão. Há sessões todas as noites.

 

Retirado de: Dicionário Enciclopédico de Melgaço

                    Volume II

                    Autor: Joaquim A. Rocha

                    Edição do autor

                    2010

                    pp. 24-25

 

AS MAMOAS DO ALTO DA PORTELA DO PAU

13.09.14, melgaçodomonteàribeira

 

 

A escavação da Mamoa 1 do Alto da Portela do Pau, em Castro Laboreiro (Melgaço), o início da escavação da Mamoa 2 do mesmo núcleo, e as prospecções sistemáticas que se efectuaram concomitantemente na área, durante o verão de 1992, deram início a um projecto arqueológico, da autoria dos signatários, intitulado “Estudo do conjunto megalítico do Planalto de Castro Laboreiro”, apresentado nesse ano ao IPPAR (Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico) e por tal organismo aprovado (Junho de 1992).

 

AS MAMOAS DO ALTO DA PORTELA DO PAU

(Castro Laboreiro, Melgaço)

Trabalhos de 1992 a 1994

 

Autor: Vítor Oliveira Jorge

            Prof. Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade do Porto

 

            António Martinho Baptista

            Director do Centro Nacional de Arte Rupestre (IPA, Ministério da

            Cultura) (V.ª N.ª de Foz Côa)

 

            Eduardo Jorge Lopes da Silva

            Professor da Universidade Portucalense Infante D. Henrique (Porto)

 

            Susana Oliveira Jorge

            Prof.ª associada da Faculdade de Letras da Universidade do Porto

 

Edição: Porto  Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia

             Subsidiada pelo Parque Nacional da Peneda-Gerês

 

1997

           

ADEUS, MÃE

06.09.14, melgaçodomonteàribeira

 

Maria Angelina Esteves

 

11/1/1923 - 06/09/2014

 

 

Adeus, mãe, lá nos encontraremos na nossa última morada.

 

Até um dia.

 

O teu filho que tanto te quer.

 

Ilídio

 

COROGRAFIA PORTUGUEZA VILLA I

06.09.14, melgaçodomonteàribeira

 

Melgaço - Vista desde a Orada

 

COROGRAFIA PORTUGUEZA E DESCRIPÇAM TOPOGRAFICA DO FAMOSO REYNO DE PORTUGAL

 

 

Da Villa de Melgaço

 

Tres legoas acima de Monçaõ para o Nascente, & huma da raya de Portugal, & Galliza para o Poente está situada a Villa de Melgaço, a quem os rios Minho pelo Norte, & o pequeno Várzeas, que nelle se mete da parte do Oriente em angulo recto dividem o seu termo do Reyno de Galliza. A mais antiga noticia que achamos de sua fundaçaõ he que ElRei Dom Affonso Henriques a povoou no anno de 1170. fabricando nella huma grande fortaleza na parte em que estava outra chamada Minho; & no de 1181. a 22 de Julho deu o mesmo Rey aos moradores desta Villa o lugar de Chaviaes. Segunda memoria he o titulo de bens, & Couto, que ElRey Dom Sancho o Primeiro deu ao Mosteiro de S. João de Longos Valles em Monçaõ, estando na Cidade do Porto no anno de 1197. do qual diz que fazia esta mercé pelo assinalado serviço, que lhe fizera Dom Pedro Pires, Prior que então governava o Convento, em lhe fazer à sua custa a Torre, & fortaleza de Melgaço, devia reformalla. ElRey Dom Sancho o Capello lhe deu grandes foros, & previlegios, que confirmou seu irmão El Rey Dom Affonso o Terceiro no ano de 1262. mandando que nella houvesse trezentos & cincoenta visinhos, permittindolhes que pudessem eleger hum Cavalleiro Portuguez para Alcayde daquelle Castelo, & que sendo pessoa benemerita, elle o confirmaria. ElRey Dom Diniz a ennobreceo, & cercou de novos muros, tudo forte para aquelles tempos, mas para os presentes fraquíssima, por ter penhascos, que lhe servem de batarias cubertas a tiro de clavina. Tem boas, & ferteis terras, pela mayor parte todas, mas em particular o valle da Folia com grandes ventagens: dá muito paõ, & vinho, frutas, feijaõ, hortaliças, & cebolas muy celebradas por doces, & as melhores desta Provincia, excellentes prezuntos sem sal, caça do monte, & pescas do rio de boas lampreas, bons linhos, castanha, mel, gado, & lacticinios. Tem cento e vinte e seis visinhos muito nobres, com Cafas, & Quintas honradas; saõ as melhores as dos Castros, & Sousas, que por muitos annos foraõ Alcaydes mores desta Villa, de que descendem grandes fidalgos deste Reyno, Araujos, & Rosas; estes tem duas sepulturas honorificas na Capella mór da Matriz, huma que vendéraõ aos Castros, outra no corpo da Igreja à parte esquerda junto do Altar de Nossa Senhora. Nestas ultimas guerras com Castella deu famosos Soldados, que ocupáraõ grandes postos: he da Casa de Bragança, & tem Juiz de fóra, que tambem o he dos Órfãos; & tam a mesma preeminencia o Juiz da terra, quando aquelle falta; dous Vereadores, & Procurador do Concelho, eleiçaõ triennal do povo por pelouro; a que preside o Ouvidor de Barcellos, Escrivaõ da Camara, tres Tabeliaens, Escrivaõ dos Órfãos, & outro das Sizas: o Alcayde mór tem de renda vinte & dous mil reis, & huns carros de palha, & lenha, & pesqueiras no Minho; o qual apresenta Alcayde Carcereiro com vinte mil reis de renda, tudo data dos Duques. Tem Capitaõ mór, que nomea a Camara, os Duques o confirmaõ & lhe passaõ a patente; quatro Companhias da Ordenança, em que serve o mais antigo de Sargento mór. Tem Casa de Misericordia, Hospital, & as freguesias seguintes.

 

 

   Santa Maria da Porta da Villa,

Abbadia da Casa de Bragança, & do Mosteiro de Feaens com alternativa ordinaria, rende duzentos mil reis. Tiro de mosquete da praça está a Ermida de N. Senhora da Orada, Imagem de muita devoçaõ pelos milagres que obra.

 

   Santa Maria Magdalena de Chaviaens,

Abbadia da mesma Casa, rendo cento & cincoenta mil reis, tem cento & trinta & sete visinhos.

 

   Santa Anna de Paços,

Vigairaria que apresenta o Mosteiro de Paderne, rende oitenta mil reis ao Vigario, & para os Frades cento & quarenta mil reis: tem cento & sessenta visinhos.

 

   S. Martinho de Christoval,

 Abbadia em que teve parte o Mosteiro de Feaens, hoje he toda do Ordinario, rende duzentos & cincoenta mil reis, tem cento & cincoenta & nove visinhos. Aqui está a ponte das Várzeas, que devide este Reyno do de Galliza.

 

   Santa Marinha de Rouças,

 Abbadia do Padroado secular, que dizem foy dos senhores do Paço de Roucas do apellido de Besteiros, familia taõ antiga, como nobre, a quem o tempo, & pobreza tem atenuado de modo, que poucos Lavradores o tomaõ hoje. Tem por Armas em campo azul huma Torre firmada em penhas azuis, & tres béstas de ouro, duas dos lados da Torre & huma em cima ? timbre a mesma Torre com uma bésta no alto. O Solar passou aos Castros, & o Padroado a Manoel Pereira o Mil-homens de Alcunha, morador em Monçaõ, cuja filha herdeira casou em Galliza: rende a Igreja ao Abbade duzentos mil reis, tem cento & cincoenta visinhos.

 

   S. Payo,

 he o mesmo a que Sandoval chama Mosteiro de S. Payo de Paderne, haveria-o sido antes dos Mouros, & a Infanta Dona Urraca, filha DelRey Dom Fernando o Magno, dotou ametade do seu Padroado à Sé de Tuy, & a seu Bispo Dom Jorge no anno de 1071. com o lugar de Prado, que inda entaõ naõ devia ser Parochia, & outros bens, & vassallos; em 13 de Abril da era de 1156. que vem a ser anno 1118. deu à mesma Sé, & ao Bispo Dom Affonso a quarta parte da mesma Igreja Onega Fernandes, parece que sendo viúva, & com filhos Payo Dias, & Argenta Dias que confirmáraõ esta doaçaõ, a qual tomou o habito de Monja, entendemos que em Paderne, & nesta mesma deu tambem o que lhe tocava, & na de S. Martinho de Valladares. Ultimamente a Rainha Dona Theresa, & seu filho ElRey Dom Affonso Henriques da era de 1163. que he anno de 1125. derão ao mesmo Bispo esta Igreja, & dizem na doaçaõ, que lha dão inteira; mas a meu ver seria o quarto que nella tinhaõ, com que lhe vinha a ficar in solidum. He Abbadia secular do Ordinario com as duas annexas que se seguem, tem a quarta parte dos dízimos, importa sessenta mil reis, ao todo cem mil reis: o outro quarto, a que chamaõ a renda do Castelo, leva a Casa de Bragança, & ametade a Mesa Arcebispal: tem duzentos visinhos.

 

   S. Lourenço de Prado,

Vigairaria anexa a S. Payo, que apresenta o Abbade della, rende ao Vigario cincoenta mil reis, os dizimos vaõ na Matriz: tem cento & quinze visinhos.

 

   S. João de Remoães,

Vigairaria do mesmo Abbade, a quem he anexa, rende ao Vigario vinte & cinco mil reis, os dizimos vaõ na Matriz: tem oitenta & dous visinhos. Aqui está a Juradia da Varzea sogeita a Melgaço, mas da Freguesia do Mosteiro de Paderne em Valladares.

 

P. Antonio Carvalho da Costa

Na officina de VALENTIM DA COSTA DESLANDES

Impressor de Sua Magestade, & à sua custa impresso.

Com todas as licenças necessarias. Anno M. DCC. VI.

 

Retirado de: http://books.google.pt