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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

UM VIZINHO DE A NOTÁRIA

31.05.14, melgaçodomonteàribeira

 

 

LOS INICIOS DE UN EMPRESARIO

 

 

Nací el 26 de junio de 1923, en A Notaria, en el lugar de Casas Grandes, en la parroquia de Desteriz, ayuntamiento de Padrenda y partido judicial de Bande... Mis padres se llamabam José Piña Rodriguez y Lucinda Antón Meleiro.

 

Mi padre, se dedicaba a la labranza, tenía una tienda en A Notaria. Éramos nueve hermanos; en la actualidad vivimos seis, murieron dos de pequeños y uno en la mili... Yo soi el mayor...

 

Mi padre era hijo de un señor de  O Regueiro. Mi abuelo, Manuel, tenía un barquito porque en aquel tiempo, en Frieira, se cobraba por pasar de una orilla a otra, y tenía tres días su barco, porque estaba compartido con otras familias, era de donde se juntaba algo para comer...

 

(...)

 

Recién casados, el contrabando era una salida obligada para sobrivivir en aquellos tiempos de hambre, pero también de ilusión para parejas que comenzaban su andadura vital. “Recuerdo que vivíamos del contrabando recíen casados y en una casita de mis suegros, pequeñita pero mui bonita, porque era lo que había. Y llegar a las tres de la mañana, la mujer estaba en la cama, y sentarme al lado de la cama y coger un trozo de torta y tocino, y me sabia tan bien como las galletas, porque no había otra cosa.”

 

“... Era el año de 47 y ya saqué en aquel año unas cien mil pesetitas. Cobraban los arbitrios por la entrada de los productos en el ayuntamento. Había bastante gente que se dedicaba a esto. A Portugal había que pasarlo de contrabando, de noche, todo clandestino, y te daban una comisión y se las entregaban a los portugueses, ya para Fulano de tal...

 

En aquiel tiempo las autoridades sabían que en España no había nada. En Ponte Barxas había un puesto de la guardia civil con siete guardas y un cabo. Y cuando el guarda paraba a mucha gente, lo cambiaban, porque no había nada. Había que dar facilidades para comer. Todo venía de Portugal, las piezas de los coches, las ruedas,, una ballesta, el cobre y el gobernador lo sabía.”

 

“... Yo tenía muchos amigos portugueses, un tal Freitas, Alexandro, Álvaro, y ganábamos algún duro con el estarpelo.

 

Acababa de comenzar el año de 1958 y Antonio Piña acababa de comprar, por cuatro millones de pesetas, la empresa de Piñeiro, que andaba en pleito con la empresa Puente Barjas por la concesión de la linea Ponte Barxas-Ourense. Era necesario pagar dos millones de pesetas al contado y el resto poco a poco. “Pero yo tenía una cosa muy buena, tenía unos amigos en Portugal que eran muy buenos y le dije: “Alexandro, hace falta un millón de pesetas”, que equivalía a cuatrocientos mil escudos portugueses, en aquellos tiempos. Y dijo: “No te preocupes, que yo no los tengo pero te los voy a dejar”. Y fue a pedírselos a Teixeira. Le tuvo que firmar un recibo y pagar los intereses para darme a mí los cuatrocientos mil escudos... Teixeira era un señor que tenía un banco en Melgaço; no era un banco, era una casa de cambios. Entonces había estas casas de cambios, porque era cuando en España estábamos aislados por todas partes. Cualquier persona que quería mandar un duro para España tenía que mandarlo por mediación de Portugal”.

 

(…)

 

Retirado de:

                   http://www.anpian.com/almacen/libro%2050%20aniverssario.pdf

  

INCÊNDIO EM CASA DO CONDE

24.05.14, melgaçodomonteàribeira

 

Desfile dos Bombeiros Voluntários de Melgaço

 

 

CASA DO FECHO

 

 

(…)

Na noite de 17/2/1932, pelas 21 h, manifestou-se um incêndio nesta antiga casa solarenga, pertencente ainda ao Dr. Pedro de Barbosa Falcão de Azevedo e Bourbon, conde de Azevedo (faleceu a 20/9/1962), e habitada por rendeiros. Só meia hora depois é que os BVM tiveram conhecimento do sinistro e, com grande dificuldade, para o local seguiram as bombas de mão e de picotas, bem como outro material necessário, sob o comando do 1º patrão, José de Brito. Logo depois, chegou o 1º comandante, H. Pinheiro, estando já estabelecido o ataque com uma agulheta pelo alferes Domingues Peres… Ao cabo de duas horas, principiou o rescaldo, que durou até à uma hora da madrugada! Aos bombeiros se deveu não ter sido destruído todo o prédio, por terem localizado o fogo e, por último, o terem extinto. Alguns dos bombeiros procederam aos salvados, tendo retirado os gados das cortes, as pipas de vinho, mobílias e outros objectos, correndo sérios riscos. O ataque foi feito pelo 1º andar e pelo telhado para o que foi necessário a montagem de escadas. Ficaram quase destruídos três compartimentos do prédio, calculando-se os prejuízos de 8 a 10 contos! E se os bombeiros não tivessem chegado a tempo, nada escaparia, porque o fogo lavrou com tal intensidade que era impossível dominá-lo sem a sua intervenção. As labaredas presenciavam-se de grandes distâncias, era um espectáculo dantesco, causando grande impressão. No local, estiveram para cima de 400 pessoas e uma parte delas ajudou naquilo que pôde, sobretudo no abastecimento de água. O alferes Peres foi um verdadeiro herói, não se poupando a sacrifícios, não obstante estar encharcado e com alguns ferimentos. O 1º patrão João Cândido da Rocha, ao combater o incêndio perdeu a carteira, que continha dinheiro e vários documentos… Na década de trinta foi vendida a um senhor de Castro, Manuel Alves (1904-1956). Em 2010 morava lá ainda uma filha do comprador, professora Noémia, viúva. A capela pertencente à Casa, foi demolida por esta família castreja, mas a pedra de armas foi dali retirada e colocada na dita Casa. (ver “Padre Júlio Apresenta Mário” p.p. 118 a 120).

 

Dicionário Enciclopédico de Melgaço II

Joaquim A. Rocha

Edição do autor

2010

p. 119

 

OS CALÇÕES DO GÚ

17.05.14, melgaçodomonteàribeira

 

Desenho de Manuel Igrejas

 

 

OS CALÇÕES DO PONTA DIREITA

 

 

    O Manelzinho conseguira do pai o bilhete para a Dona Olívia o deixar sair mais cedo da escolinha. Tinha-se estabelecido entre os alunos que sair mais cedo era demonstração de superioridade, esperteza, sobre tudo. O filho do Augusto do Félix era um dos que se sentiam inferiorizados por não ter, até então, conseguido sair mais cedo.

    O garotinho pegou o bilhete que o pai acabara de escolher, observou-o bem, especialmente o algarismo quatro. Dobrou o papel, meteu-o no bolso e saiu que nem uma faísca. Ia feliz que nem um passarinho que fugiu da gaiola. Já pelo caminho ia anunciando a sua saída mais cedo aos coleguinhas que encontrava. Na escola era alvo das atenções, pois já fazia alguns dias que ninguém saía mais cedo, pela impossibilidade de conseguir o bilhete do pai.

    Houve um dos maiores, que já soletrava, que tentou fazer um bilhete falso. Levou tamanho raspanete da professora e ainda ficou mais tarde, de castigo. Mas o Manelzinho estava super feliz. O seu bilhete corria de mão em mão e ele apontava para os outros o numero quatro.

    Havia na escola dois alunos novos, irmãos, filhos do sargento da Marinha. Esse sargento era o comandante do posto de marinheiros que vigiavam as actividades pesqueiras no Rio Minho, naquelas paragens. O Sr. Silva, sargento, muito querido do povo, que retornou mais tarde e ficou no posto até final dos seus dias, havia sido transferido para reciclagem, e para o seu lugar veio aquele outro sargento, que tinha os dois filhos. Estavam vindo do sul, tinham hábitos diferentes e até sotaque. Usavam bonés de couro, redondinhos, em gomos, com uma bolotinha no topo e uma pala comprida. Bem diferentes dos bonés e boinas de pano usados na terra. Eram bonés iguais aos que apareciam nas gravuras representando caçadas. Desses dois irmãos intrusos, o mais novo, da idade do Manelzinho, era o diabo em forma de gente. Fazia os maiores disparates que se possa imaginar. Arreliava, batia nos outros, roubava as merendas, pegava moscas e metia na boca assim como botava tudo o que pegasse. Levava rebuçados da Belabucha ou do Belchior, aqueles grandões que não repartia com ninguém. Pois o bilhete do Manel que andava em exibição de mão em mão foi parar na mão do irmão mais velho dos filhos do sargento. O mais novo, rápido como um relâmpago, rapou-lhe o bilhete da mão e num piscar de olhos, amassou-o, botou-o na boca e… engolindo-o ficou rindo para os outros com cara de parvo. Deus do Céu, que calamidade! O safado comeu o bilhete! O Manelzinho gritou desesperado e avançou para agredir o tolinho. A D. Olívia, apavorada com a gritaria, veio de lá de dentro, correndo. Acalmados os ânimos vieram as explicações. A professora não acreditou na história do bilhete e o filho do Augusto do Félix ficou frustrado para o resto da vida por não ter saído mais cedo algum dia.

    Um dia, remexendo, em casa, numa grande caixa de madeira onde guardavam roupas fora de uso, o Manuel descobriu um calção de jogar futebol, do irmão Gú. Aquilo foi um achado sensacional!

    O irmão mais velho era para ele um ídolo, o ponta direita do Sport Club Melgacense, o melhor jogador da terra, reconhecido por todos. Transmitiu o achado ao Rogério e este teve uma ideia genial: organizar um desafio de futebol. Iria arregimentar meia dúzia de rapazes que, com ele e o Manuel, comporiam um grupo. Faltava arranjar um adversário. Como o Manel andava na escola da D. Olívia, o Rogério incumbiu-o de levar ao Zeca o recado para um desafio lá no castelo. O Zeca da D. Olívia aceitou. Escalou os seus jogadores entre a canalha da escola e combinaram que no dia seguinte, entre as dez e as onze horas, que era quando a professora ficava mais tempo na cozinha preparando a comida, iriam todos urinar ao mesmo tempo e fariam o desafio. O Rogério recomendou ao Manel que não esquecesse os calções que era o principal do jogo. A bola, de pano, naturalmente, era o de menos. Qualquer rapazinho tinha uma ou rapidamente se faria com uma meia velha. No dia aprazado, quando o Manelzinho ia para a escola, o Rogério que tinha faltado à escola oficial, abordou-o para saber dos calções e ficar com eles até à hora do jogo e para o primo não ir com aquilo para a escola. O outro não queria ceder, pois já desconfiava que o Rogério o que queria era vestir os calções. Com a habitual conversa mais uma vez o convenceu de que ele muito pequeno e não iria ficar bem. Para contentar combinou: ele, Rogério, jogaria o primeiro tempo com os calções e o Manel, o segundo tempo do jogo.

    Ainda não tinha aparecido nenhum dos garotos que iriam tomar parte na contenda e já o Rogério, lá em cima, na bombardeira, trocara as suas calças pelos calções do Sport Club Melgacense. Todo imponente, com os calções que lhe passavam dos joelhos e mais parecia uma saia, foi bater à porta da escola chamar o Zeca e a sua turma. O Zeca ficou zangado pois não queria que a D. Olívia soubesse. Mandou o Manel avisar que ainda era cedo, quando fosse a hora ele avisaria. Ao levar o recado, enciumado, aborreceu-se com o Rogério por andar exibindo-se com os calções de futebol antes do jogo. O primo vestiu novamente as calças e esperou impaciente. Apareceram os outros rapazes e enfiou novamente os calções, saracoteando-se entre eles causando admiração. Mandou dois portadores chamar a outra turma. Outra vez o Zeca ficou zangado e mandou dizer que se não ficasse quieto não haveria jogo. Decidiu o Rogério, enquanto aguardava o grupo adversário, ficar treinando, só que ninguém havia levado bola. Foi mandado novo recado ao Zeca para trazer a bola. Além de não ter bola foi impedido de sair. A D. Olívia estranhara que tanto garoto que não era da escola viesse chamar o Zeca e acabou descobrindo a tramóia.

    O Rogério ainda ficou por ali mais uma hora até os outros saírem da aula. Chegou até a vir à Rua Direita para ser mais visto, enfiado nos calções. Passou a Leonor Balaca que rindo, perguntou: Oh, rapaz, que andas fazendo de saiote? O Manel saiu da escola aborrecido com o Rogério, tirou-lhe os calções e cada um foi para o seu lado. Não houve desafio de futebol, mas não teve importância, o Rogério realizara-se como futebolista, exibindo-se de calções de verdade. O Manelzinho, para não ficar frustrado, quando chegou em casa, vestiu os calções, que quase lhe chegavam aos pés, e andou do quarto para a sala, até chegar a irmã, que lhe ralhou por ter mexido na caixa da roupa.

 

                                                                         Manuel Igrejas

 

Publicado em: A Voz de Melgaço

 

E AGORA, LUÍSA ?

10.05.14, melgaçodomonteàribeira

 

 

Olinda Carvalho nasceu em Castro Laboreiro, Melgaço, em 1953. Deixou a serra para poder estudar. Passou por Melgaço, Braga, chegando a Lisboa aos dezoito anos. Aí se formou em Filologia Germânica na Faculdade de Letras, durante os conturbados anos que precederam e se seguiram à Revolução, que ela viveu intensamente. Ingressou na carreira docente por opção e fez da educação projeto profissional. Viveu dez anos em Bruxelas, viajou pela Europa, pela América e por África procurando sempre novos estímulos e talvez mesmo novas raízes. Estas não deixam no entanto de estar profundamente ancoradas nas suas origens da montanha agreste e violenta de Portugal. Inicia com este romance um projeto cismado desde sempre.

 

E Agora, Luísa? Conta-nos duas histórias que se entrelaçam. Oriunda de Lisboa, onde cresceu despreocupada no seio de uma família da média burguesia, é Luísa que nos conduz a outras terras e nos introduz outras vidas, outros modos de vida e, sobretudo, de pensar. Narrativa vívida que privilegia os sentimentos e a representação do real, personagens complexas evoluindo interiormente, muito marcadas pela educação, pelo sentido do dever, pelo tempo da História. Há uma presença contínua de um qualquer tipo de dor, física ou introspetiva, a perturbar o equilíbrio que todos querem, mas que só a idade e a aceitação acabam por permitir.

Anos setenta do século passado, por aqui perpassam alguns dos problemas que a sociedade portuguesa enfrentou, desde a guerra colonial e as lutas estudantis aos arroubos revolucionários do pós 25 de Abril e à evolução dos costumes.

 

SOBRE O SANTUÁRIO DA PENEDA

03.05.14, melgaçodomonteàribeira

 

De boina galega e barba branca, o irmão Afonso, missionário em África, vê jogar à  petanca na Peneda

 

 

O SANTUÁRIO NO FIM DO SÉCULO XVIII

 

DESCRIÇÃO QUE SE ENCONTRA NO TOMBO DA FREGUESIA DO SOAJO E SUA ANEXA, A DA GAVIEIRA, ELABORADO EM 1795, TOMBO QUE SE ENCONTRA ARQUIVADO NA BIBLIOTACA PÚBLICA DE BRAGA.

 

   Declarou mais que dentro do limite da freguesia da Gavieira se acha o magnífico santuário da Virgem Santíssima com a evocação das Neves da Peneda, em cujo santuário tem o cura da dita freguesia da Gavieira a posse da chave do sacrário e o direito de sessenta réis de cada missa cantada, de assento cento e vinte réis de cada uma a que assistir, e na mesma igreja da Peneda há uma irmandade que administram vários e diversos oficiais recebendo as avultadas esmolas dos fiéis conforme seus estatutos e sentenças ou provisões reais, no qual santuário há muitos e bons quartéis edificados para agasalho dos romeiros que concorrem por todo o tempo do ano especialmente nos meses de Agosto e Setembro, e com clamores de várias igrejas que constam dos estatutos imemoriais da mesma confraria.

   Aos dezoito dias do mês de Setembro de mil setecentos e noventa e cinco anos, em o sítio do santuário da Senhora da Peneda adonde foi vindo o doutor Jacinto Lemos de Barbosa Lobo de Castro, juiz daquele tombo comigo escrivão dele e o reverendo José António Lobo de Barbosa abade da freguesia de Soajo, e os louvados informadores João Gonçalves Taças e João Domingues de Carvalho para efeito de se proceder na medição deste santuário e declarações deles pertencentes, ao que ele Doutor Juiz mandou proceder na forma seguinte:

   Declarou ele reverendo abade que desde o tempo antiquíssimo da fundação do dito santuário estava ele e seu cura da Gavieira na posse da chave do sacrário e direitos paroquiais de cada missa que nela se cantava sessenta réis, e assistindo a ela cento e vinte réis. Declarou mais que havia no mesmo santuário uma irmandade da Virgem Nossa Senhora das Neves da Peneda com estatutos que se achavam no desembargo requerendo confirmação e outras providências para a administração do mesmo santuário. Item a igreja do mesmo santuário da Peneda pela parte de dentro desde a porta principal até ao altar maior de comprido vinte varas de cinco palmos cada uma e de largo sete varas e dois palmos e pela parte de fora tem de comprido vinte e duas varas e três palmos e pela testa por detrás da capela maior da parte do nascente oito varas e meia, e na frontaria da parte poente onze varas e três palmos onde se incluiu uma torre, que está unida à mesma frontaria, com seu sino. Tem três altares de talha dourada; no maior se acha colocada a imagem da mesma Virgem Senhora das Neves da Peneda, e no altar da parte direita tem a imagem do Senhor Crucificado, e no altar da parte esquerda as imagens de Nossa Senhora do Rosário e São Joaquim e Santa Ana. Tem a dita igreja seu coro de madeira pintado como também seu púlpito e uma admirável porta férrea que divide a capela maior, a qual e todo o corpo da igreja é de abóbadas de cantaria pintada, que, tudo com boa proporção, fazem um magnífico templo ornado com cortinas de seda, muitos e vários ornamentos preciosos com que se celebra o culto divino majestosamente.

   Tem muitos e bons quartéis feitos para a acomodação do imenso povo que concorre com votos, orações e promessas quotidianamente e muito mais nos meses de todo Agosto e Setembro.

   Para este santuário se entra por uma soberba portaria de cantaria lavrada com excelente risco e secção, seguindo logo um padrão que também há-de servir de chafariz, em cujo este se contém a seguinte inscrição: Governando a Igreja Católica o Santíssimo Papa Pio sexto no ano treze do seu felicíssimo pontificado, reinando em Portugal Maria primeira, pia, augusta, fidelíssima, no ano décimo de seu Império, regendo a Igreja Bracarense o arcebispo Dom Gaspar, príncipe, singular, magnífico, no ano vinte e oito do seu governo, os administradores deste santuário, depois de restaurarem suas ruínas, impetrarem a graça do jubileu sagrado, colocarem o Santíssimo Sacramento no tabernáculo santo, ampliarem o antigo terreiro, fundaram estes santos e magníficos edifícios, puseram esta pedra para monumento eterno de seu zelo, triunfo da religião e glória imortal da Santíssima Virgem na era de Cristo de mil setecentos e oitenta e sete.

   Continuam a subir para o terreiro de uma e outra parte importantes passos de cantaria e abóbada lavradas, as quais se acham incompletas, ignorando-se o seu destino.

 

Obra Histórica

Padre Manuel António Bernardo Pintor

Edição Rotary Club de Monção

2005

pp. 205-206