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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

O FOTÓGRAFO SAN PAYO

25.01.14, melgaçodomonteàribeira

 

O fotógrafo San Payo com o seu pai, Manuel Alves – dois artistas.

 

 

MANUEL ALVES DE SAN-PAYO

 

 

   Artista-fotógrafo, cineasta, conferencista e publicista, nasceu em São Paio, a 16/4/1890. Desde muito novo revelou grande inclinação para as artes plásticas. Em 1902 ingressou no Seminário de S. António e S. Luís de Gonzaga, de Braga, tendo completado os preparatórios em 1909. Abandonando o seminário, emigrou para o Brasil, onde se empregou no comércio. Durante algum tempo, frequentou o liceu de Artes e Ofícios, onde aprendeu desenho. Empregou-se, depois, numa oficina fotográfica, como retocador, até que, por conta própria, começou a dedicar-se à fotografia. Fez exame de admissão à Escola Nacional de Belas Artes, do Rio de Janeiro, exame de cultura geral, tendo frequentado as aulas de desenho e pintura durante um ano. Depois começou a escassear-lhe o tempo e desistiu. Realizou diversas exposições: na Casa Castanheiro Freire, em 1924; na Casa Aguiar, em 1925; no Rio de Janeiro em 1926; em Petrópolis, em 1925; no seu estúdio, em Lisboa, em 1930; na Sociedade Nacional de Belas Artes, em 1937; no S. N. I., em 1950.

   Tratou de assuntos de arte em geral e especialmente de fotografia em « A Voz », « Novidades », « Diário de Lisboa », « Objectiva », etc.

   Realizou conferências na Sociedade Nacional de Belas Artes de Lisboa, intituladas: A fotografia e o Futurismo; Como se deve Encarar a Crítica da Arte. E na Sociedade de Propaganda de Portugal: Luz e Sombra e o Processo do Bramélio.

   Para o cinema realizou, no Brasil, em 1916, os filmes: A Quadrilha do Esqueleto, policial de grande metragem; A Cabana do Pai Tomás, tragédia; O Senhor de Posição, e vários documentários. Em Portugal, foi o realizador do filme: O 1º Cruzeiro de Férias às Colónias (1935) e diversos documentários.

   É agraciado com o grau de Cavaleiro da Ordem de Santiago.

 

 

P.e Júlio Vaz apresenta: Mário

P.e Júlio Vaz

Edição do autor

1996

pp. 270-272

 

PARQUE TERMAL DO PESO

18.01.14, melgaçodomonteàribeira

 

Parque Termal do Peso

  

Diário da República, 2ª série – Nº 91 – 13 de maio de 2013

  

Portaria nº 276/2013

  

  O Parque Termal do Peso é constituído pela fonte principal, balneário, fonte nova, fábrica, quedas de água, lago, jardim e vegetação florestal.

 

  Do conjunto edificado destaca-se o edifício eclético da fonte principal, pavilhão isolado datado do início do século XX, onde se conjuga a arquitetura do ferro com elementos decorativos de transição da Arte Nova para a Arte Deco. O balneário, de construção coeva, incorpora elementos neoclássicos conjugados com a linguagem romântica característica da arquitetura termal da época. A Fonte Nova data já de meados do século XX, resultando da necessidade de disponibilizar a água de uma nova nascente, e o seu estilo austero traduz já a linguagem do Estado Novo.

 

   O complexo constitui um interessante testemunho da arquitetura termal do país, bem exemplificativo das vivências de uma época e dos respetivos modelos arquitetónicos. O espírito do lugar, a intimidade do espaço e as inter-relações estabelecidas entre os diferentes equipamentos termais constituem, juntamente com o seu harmonioso enquadramento paisagístico, uma unidade patrimonial indissociável, sendo igualmente de realçar o seu atual bom estado de conservação.

 

   A classificação do Parque Termal do Peso reflete os critérios constantes do artigo 17º da Lei nº 107/2001, de 8 de setembro, relativos ao caráter matricial do bem, ao seu valor estético, técnico e material intrínseco e à sua conceção arquitetónica, urbanística e paisagística.

 

   A zona especial de proteção (ZEP) tem em consideração a área do Parque Termal e o seu enquadramento paisagístico, e a sua fixação visa salvaguardar a qualidade da paisagem urbano-rural envolvente, bem como as perspetivas de contemplação dos imóveis e do conjunto.

 

   Foram cumpridos os procedimentos de audição dos interessados, previstos no artigo 27º da Lei nº 107/2001, de 8 de setembro, e nos artigos 25º e 45º do Decreto-Lei nº 309/2009, de 23 de outubro, alterado pelo Decreto-Lei nº 265/2012, de 28 de dezembro, de acordo com o disposto nos artigos 100º e seguintes do Código do Procedimento Administrativo.

 

   Assim:

 

  Sob proposta dos serviços competentes, nos termos do disposto no artigo 15º, no nº1 do artigo 18º, no nº 2 do artigo 28º e no artigo 43º da Lei nº 107/2001, de 8 de setembro, conjugado com o disposto no nº 2 do artigo 30º e no nº 1 do artigo 48º do Decreto-Lei nº 309/2009, de 23 de outubro, alterado pelo Decreto-Lei nº 265/2012, de 28 de dezembro, e no uso das competências conferidas pelo nº 11 do artigo 10º do Decreto Lei nº 86-A/2011, de 12 de julho, manda o Governo, pelo Secretário de Estado da Cultura, o seguinte:

 

 Artigo 1º

 

   Classificação

 

   É classificado como monumento de interesse público o Parque Termal do Peso, no lugar do Peso, freguesia de Paderne, concelho de Melgaço, distrito de Viana do Castelo, conforme planta de delimitação constante do anexo à presente portaria e que desta faz parte integrante.

 

 Artigo 2º

 

   Zona especial de proteção

 

   É fixada a zona especial de porteção do monumento referido no artigo anterior, conforme planta de delimitação constante do anexo à presente portaria e que desta faz parte integrante.

 

 29 de abril 2013. – O Secretário de Estado da Cultura,

 

                                       Jorge Barreto Xavier

 

 Retirado de:

 

 www.dre.pt/pdf2sdip/2013/05/091000000/1504215043.pdf

 

UM HOMEM DO PARTIDO PROGRESSISTA EM MELGAÇO

11.01.14, melgaçodomonteàribeira

 

 

UM POLÍTICO MELGACENSE

 

 

   Os seus estudos literários principiaram em Paços, na escola régia do seu tio Joaquim José Durães – o entrevado de muitos anos recuperado para o estudo e o ensino pelo carinho fraternal do João e por um esforço da vontade própria – e foram acabar em Coimbra, na Faculdade de Direito da Universidade.

   Ai se matriculou em Outubro de 1876 e se bacharelou em 1881, deixando ver aos condiscípulos quão prometedor era o seu espírito logo no dia seguinte ao da primeira prelecção do lente Dr. Pedro Penedo da Rocha Calhau.

   Conta-o num dos seus livros o Dr. António Cabral, contemporâneo do melgacense, ao dedicar à sua memória estas palavras: «No dia imediato chamou à lição o último aluno do curso, o número 81, António Joaquim Durães, que foi depois governador civil de Évora e morreu há anos. Conheci-o muito bem, como conheci todos, ou quase todos os condiscípulos dos meus irmãos, com muitos dos quais, apesar de caloiro, tratava por tu. Era aquele um minhoto cerrado, de cara quadrada e cabelo às ondas, inteligente, vivo e alegre. Como era o último do curso, não esperava dar lição, logo no primeiro dia da chamada. Não tinha estudado a matéria, portanto, nada sabia mas, como era rapaz de talento, foi vencendo as dificuldades do lance, auxiliado pela sebenta e pelo que lhe iam soprando os vizinhos caridosos.»

   De posse do canudo com as cartas na mão veio para a terra natal, trazendo de Coimbra acarinhados no coração Alexandre Cabral e os irmãos, o Gaspar Malheiro, o António Feijó e tantos outros, que enveredaram pela política e foram marechais no campo progressista; aqui. Porém, seu pai era regenerador e ele ficou militando na órbita da casa do Rio do Porto. Mas à custa apenas do esforço pessoal foi vincando na terra a sua personalidade a par e passo da carreira do tempo.

   Orador de palavra fluente, quantas vezes no tribunal não encantou todo o júri e o levou a escrever veredictos favoráveis aos seus clientes? O profundo conhecimento das legislações civil, comercial e fiscal eis o principal chamariz por ele usado para atrair os demandistas ao seu escritório, onde muitas vezes se viu desfazer uma tormenta iminente, só por as partes se deixarem guiar por conselho daquele letrado para um acordo amigável e extra judicial. Em fins de 1887 por iniciativa de um pequeno grupo de melgacenses, bairristas todos e brasileiros, apareceu aqui O Melgacense, o primeiro jornal a publicar-se na terra e aí sobre a direcção do Dr. António Joaquim Durães se debateram vários problemas ligados ao progresso do concelho e fustigada foi com aplauso de uns tantos a política de José Cândido Gomes de Abreu, homem público não tolerado por algumas figuras do meio devido ao seu génio dominador.

   Por esse tempo andava na Câmara, como substituto em exercício, o progenitor deste advogado e andava também o pai de quem estas linhas escreve e ambos sob a presidência desse famigerado José Cândido.

   Corria Setembro de 88 quando aos ouvidos do primeiro chegaram boatos de haver já em campo trabalhos para o prolongamento do caminho de ferro de Valença a Monção e isso bastou para, por iniciativa sua, a Câmara representar ao governo progressista solicitando «a continuação deste melhoramento de largo alcance até comunicar com a Espanha em raia seca, e ao menos até à capital deste concelho, que muito lucraria para a exportação dos seus produtos, e importação dos géneros de que precisa para consumo, como são os de mercearia, líquidos oleosos e os que mais ninguém ignora.»

   Ora essa representação organizada foi pelo filho advogado e remetida por José Cândido às instâncias superiores por intermédio do governo civil, contra a opinião do proponente, que se bateu para ser endereçado ao deputado para este concelho, no que foi apoiado pelo «vereador Esteves, que se havia levantado por motivo urgente e regressando disse, que votava com o seu correligionário João Manuel Durães, atendendo a ser o deputado o representante do concelho.»

   Mais ou menos por estes dias e, por isso, também em 1888 se não erro, foi o novo advogado transferido de Vila Pouca de Aguiar para a conservatória do Registo Predial privativa do nosso concelho, acabada de criar pelo governo progressista.

   A política afastara-o dos regeneradores e da direcção de O Melgacense, mas em 1896, com dinheiro seu, surgiu na terra um Melgacense a propalar ser o órgão do partido progressista e dos interesses concelhios, mas então, infelizmente, já nenhum dos jornalistas de qualquer das folhas locais foi de craveira a elevar-se às regiões superiores do pensamento para poder colher a consagração ou os aplausos do público em geral. Filiara-se alguns anos atrás trabalhado quiçá pelas velhas amizades de Coimbra no partido progressista e como arrastara consigo quase todos os quarenta maiores contribuintes, velhos satélites da órbita da Casa do Rio do Porto, do próprio campo progressista afastou o velho chefe Dr. Gomes do Convento e em sucessivos períodos eleitorais foi coleccionando vitória sobre vitória até a morte chegar.

 

(Publicado em Notícias de Melgaço de 4/10/1959)

 

Obras Completas

Volume 1  tomo 2

Augusto César Esteves

Edição da Câmara Municipal de Melgaço

2002

pp. 599-601

 

AO QUE ISTO CHEGOU !

09.01.14, melgaçodomonteàribeira

 

 

Marca Alvarinho em Fervença, Celorico de Basto

 

Selo da C. V. R. V. V.

 

Incúria ou Compadrio?

 

FORÇA, PRESIDENTE, NA DEFESA DO QUE É NOSSO

 

(Rótulo retirado de uma garrafa adquirida no mercado retalhista da Kapital. Preço - 1 garrafa 4.5$; 2 garrafas 8$)

 

DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO DE MELGAÇO

04.01.14, melgaçodomonteàribeira

 

 

O Dicionário Enciclopédico de Melgaço é obra de um só autor, Joaquim A. Rocha e, como se concluirá da sua leitura, resulta de uma porfiada investigação prosseguida ao longo de vinte anos na recolha e cruzamento das fontes guardadas em variados arquivos, no distrito e fora dele. A obra, a que muito gratamente se associa o Arquivo Distrital de Viana do Castelo através deste brevíssimo prefácio, incorpora de forma objectiva e rigorosa um acervo de muitos saberes do passado que as populações da terra de Melgaço souberam preservar e projectar na sua presente realidade cultural. Mas a reconstituição das histórias de vida das famílias melgacenses, cuja memória perdura na história da região e na identidade das suas gentes, representa uma parte substancial no conjunto das temáticas abordadas pelo autor na sua Enciclopédia. Nesta perspectiva, Joaquim A. Rocha evidencia a notoriedade das famílias, que estudou aprofundadamente no contexto da sua época, recortando-as a partir de um manancial imenso de dados biográficos e genealógicos, que recolheu e tratou com objectividade crítica e exaustiva. Por isso, felicito Joaquim A. Rocha pelo seu meritório trabalho que, vindo enriquecer a bibliografia do concelho, nela vai, certamente, ocupar assento destacado e permanente.

 

A Directora do A. D. V. C.

Maria Olinda Alves Pereira