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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

UM ASSASSÍNIO NUMA ALDEIA REMOTA

30.04.13, melgaçodomonteàribeira

 

 

CRIME DE CASTRO LABOREIRO

 

    Por mais voltas que se dê à nossa imaginação, jamais algum dia esperaríamos deparar com um assassínio numa aldeia remota do país, onde todos se conhecem, se respeitam, ou se temem, onde todos, ao fim e ao cabo, são uma família. Porém, naquele dia fatídico, a insaciável esposa de Belzebu, já cansada de aguardar, reivindicou a sua presa. Aquelas pessoas, os assassinos, não eram gente má. A sua vida, marcada pelo labor duro e ingrato, estava isenta de máculas. Iam todos os domingos à missa, e confessavam ao cura os seus pecados – coisas de somenos. Davam o seu melhor à comunidade, cumpriam escrupulosamente os seus deveres, recebiam em troca apenas aquilo a que tinham direito. Para quê matar, se os conflitos surgidos se resolviam com uma simples discussão, uma pequena cedência, ou por vezes – raras – com umas pauladas, ou vergastadas, dadas naqueles lombos habituados a sofrer até à exaustão. Longe iam os tempos da Inquisição, em que os membros da igreja católica, todo-poderosos, metiam nos cárceres, ou queimavam na fogueira, aqueles que se lhes opunham, ou de quem não gostavam. Os tempos eram outros. Contudo, os actos menos nobres dos seres humanos são como as tempestades: surgem de repente, tudo arrasam, e logo o seguir tudo acalma, a mente adormece, nasce o silêncio inquietante, apenas restam os destroços, pequenos fragmentos espalhados ao acaso.

    Naquela madrugada do dia 20/5/1930, António José Domingues, mais conhecido por « Soajo », de 50 anos, acorda cedo e chama a sua companheira de escala, Maria Gonçalves, de 23 anos, do Ribeiro de Cima, para juntos irem apascentar o gado. Antes de partirem, manjam a habitual água de unto, com aquele delicioso pão castrejo, mantendo em sossego aqueles estômagos por algumas horas. O corpulento cão de raça já acordara e mostrava-se impaciente por partir para aquelas pastagens com o « seu » rebanho. Habituara-se àquele ritual: todas as manhãs, muito cedo, um homem e uma mulher da comunidade vinham chamá-lo para os acompanhar e para os defender, caso fosse necessário. Especializara-se em guardar o rebanho, em mantê-lo em respeito, não admitia desobediências nem deserções – se levasse cem cabeças para o monte, esse exacto número teria que voltar com ele; às vezes até voltavam mais, pois as fêmeas não iam à maternidade parir, pariam ali, no monte, como se fosse a coisa mais banal do mundo, sem parteira por perto. Há um ditado antigo que diz assim: « o homem põe a divindade dispõe ». Pois é: nesse dia só regressa do pasto a rapariga. Os vizinhos, estupefactos, boquiabertos, perguntam-lhe: « E Antônio? Que é feito de Antônio? »

    O tempo foi passando e nada de aparecer o pastor. Alguns habitantes do lugar, inquietos, augurando o pior, decidem ir à procura do desaparecido. Procuram, chamam, nada! Regressam, altas horas, já com luz diurna, deveras desiludidos. Participam o evento à autoridade. São enviados dois cabos da polícia (nessa altura, em virtude de um conflito surgido entre a administração do concelho e a GNR, esta teve que ir embora), sendo um deles o perspicaz « Manuel Pintor ». Inteiram-se imediatamente do que se passou e depressa se apercebem que a jovem pastora devia saber muito mais do que aquilo que timidamente revelara. Obrigam-na a acompanhá-los ao monte; pelo caminho iam-na interrogando. Em princípio negou mas, apertada, entrou em grosseiras contradições. Resolve contar tudo: fora seu primo quem assassinara, à pedrada, o pobre « Soajo ». O corpo da vítima encontrava-se no sítio designado a Cova do Ladrão. Dirigiram-se imediatamente para o local e depressa descobriram o cadáver. Estava coberto de ervas e urzes. Comunicaram o sucedido à sede do concelho, que ficava quase a 20 kmde distância, e logo que foi possível um carro puxado a animais transportou o corpo para o hospital da Santa Casa da Misericórdia de Melgaço, onde foi submetido a autópsia. « Apresentava-se horrorosamente martirizado, com contusões enormes nos braços, no peito e na cabeça, e com 11 facadas, sendo uma no pescoço e outras pelo peito, que atravessaram o coração e pulmões. » Iniciaram-se as inevitáveis investigações, e os agentes policiais chegaram à seguinte conclusão: o « Soajo » andava de relações cortadas, havia já um ano, com Constantino Xavier e esposa, e com Manuel António Bernardo (o Redondo), e com a companheira deste, Rosa Gonçalves. O motivo da zanga era normal: uma questão de águas de rega com os primeiros, e uma servidão com os segundos. António José pedira uma opinião, por escrito, à Direcção das Hidráulicas, e essa entidade deu-lhe razão, pelo que os outros ficaram furiosos e juraram vingar-se.

    Elaboraram um hábil plano, mas como sabiam que o adversário era um latagão, teriam que arranjar alguém de fora, um indivíduo habituado a bater, para lhe dar, enfim, um correctivo. Não o queriam matar, apenas aplicar-lhe uma tareia que lhe servisse de lição. Lembraram-se daquele valente da Peneda, o Manuel José de Sousa, cuja fama de brigão correra já aquelas serras de fio a pavio. O Redondo, em Abril, foi ter com ele, mas aconteceu o imprevisto: o Sousa disse-lhe que não dava coças a quem não conhecia nem mal algum lhe fizera; tinha a sua maneira própria de agir, a sua ética, o seu código de honra. O grupo ficou irritado. Tinham que encontrar uma solução: o Domingues não se riria deles. A Rosa abordou a mulher de Constantino, Amélia Gonçalves, e sugeriu-lhe que insistisse com o seu marido para ir convencer o tal Sousa, e se ele recusasse então recorreriam ao Félix da Rosa, também da Gavieira, menos escrupuloso do que aquele. Manuel António dirigiu-se, no dia 18/5/1930, à Peneda e fez novamente o convite ao Sousa, oferecendo-lhe uma nota das grandes. A resposta foi peremptória: não! Regressou ao Ribeiro de Cima com o rabo entre as pernas – a sua diplomacia não fora suficiente para convencer o lutador. Reuniram o grupo e tomaram uma decisão: seriam eles a malhar no conterrâneo. Escolheram o dia vinte desse mês, dia em que o « Soajo » haveria de ir para o monte com o gado. A Amélia combinou com o marido irem à tarde ao monte darem umas pauladas ao seu inimigo. O plano era simples e eficaz. Para encontrar um álibi o Constantino, com o Bernardo e a sua amante, iriam à vila de Castro. O primeiro solicitava uma dispensa para cortar madeira no monte baldio, os segundos pagariam a multa provocada pela desavença. No regresso partiram para o monte. Já lá estava Amélia com a pastora. Dissera-lhe ao que ia. Ela não concordou, até simpatizava com o companheiro de ofício, tinha o seu feitio mas não era mau diabo. Contudo, ameaçada de morte, viu-se obrigada a participar. Foi ela a primeira a achegar-se ao pastor. Este de nada desconfiou. Maria, rodeando-o, como uma especialista no jogo do pau, espeta-lhe duas pauladas na cabeça, ficando o pobre homem a cambalear. Como era forte como um touro, depressa se recompôs. Tirou o pau à moça e tentou agredi-la, assim como a Amélia, pois verificou que elas não estavam a brincar. Estas retiram-se, atirando pedras e mais pedras. Ele, vendo que as mulheres se afastaram, começa a correr em direcção a sua casa, a fim de tratar da cabeça, que muito lhe doía. Porém, quando chega à Lapa do Ladrão, à sua espera estava a matilha. Amélia, que ficara ferida na rixa, tira do bolso uma faca e entrega-a ao marido, exigindo-lhe que mate o « Soajo », pois de contrário ele matá-los-ia. Constantino não hesita: espeta a naifa na garganta da vítima. Este tenta defender-se, mas vê-se manietado, enquanto o agressor o esfaqueia sem dó nem piedade. Quando a vítima já estava a despedir-se deste mundo, numa agonia indescritível, o energúmeno passa a faca a Maria, obrigando-a a dar-lhe duas facadas – assim não haveria ali inocentes, todos, sem excepção, eram culpados e cúmplices daquela chacina brutal, selvagem, sem explicação racional. Depois de levarem o cadáver para o tal buraco, dispersaram; somente Maria, atordoada, incrédula, ficou, a fim de conduzir os animais para a corte. O pobre cão ladrava, quase chorando!

    Quando a rapariga chegou ao lugar sem o companheiro, e perguntando-lhe os vizinhos por ele, respondeu meio a brincar, meio a sério, aparvalhada, que fora comido pelo lobo. Ela fugira! Se não fora a persistência do « Manuel Pintor » talvez ainda hoje não conhecêssemos o nome dos canalhas, nem a causa daquela horrível morte. Numa das salas do edifício dos Paços do Concelho, inaugurado em 1931, decorreu o julgamento. Os juízes, Manuel Faria Sampaio, António Baltazar Pereira e Jaime Fontes, depois de um ano de intenso trabalho, preparavam-se para ler as sentenças. A acusação pública estava a cargo do Dr. António de Almeida Moura; a particular coube ao Dr. António Francisco de Sousa Araújo. A defesa dos réus foi assegurada pelo Dr. Francisco de Sá Tinoco, advogado de Braga. Como se esperava, foram todos condenados a oito anos de prisão maior, seguidos de doze anos de degredo, ou na alternativa a vinte e cinco anos de degredo, e 1 800$00 de imposto de justiça cada um, com excepção de Maria Gonçalves, que pagaria 800$00, e todos solidariamente em 10 000$00 de indemnização à queixosa. E desta maneira, inesperadamente, como num filme de terror, famílias honradas transformaram-se em criminosos! (ver NM 62, de 25/7/1930; NM 99, de 1/3/1931; NM 101, de 15/3/1931; NM 102, de 22/3/1931; NM 107, de 3/5/1931; NM 114, de 21/6/1931).

 

Dicionário Enciclopédico de Melgaço II

Joaquim A. Rocha

Edição do autor

2010

Pág.s 256, 257, 258

 

MALES QUE VÊM DE LONGE

27.04.13, melgaçodomonteàribeira

 

 

    É alvarinho uma videira das antiquíssimas e tradicionais nas latadas da sub-região vinícola de Monção, constituída por aquele concelho e o de Melgaço, mas para a gente do centro e sul do país é recente a descoberta do bom vinho fabricado com as suas uvas. Eu não sei mas, segundo dizem por aí, o alvarinho é um vinho alcoólico e saboroso e a sua boa fama vai crescendo à medida que os dias passam e o seu comércio se expande nos mercados lá de baixo. Ora se apenas nós cá de cima temos o exclusivo do fabrico deste vinho verde, nós e os de Monção não podemos nem devemos tolerar a sua falsificação com vinhos maduros, quer sejam da Bairrada, quer quejandos, nem o seu comércio nos mercados dos vinhos verdes, e muito bem procedeu, por isso, o Diário do Minho em lançar o seu grito de alerta por já nos nossos próprios mercados aparecer quem apenas forneça dessa vinho importado em garrafões. O meu vinho branco bebe-se todo num jantar de festa; não é pois, o interesse, que possa advir-me da sua venda, quem me está aconselhando a escrever estas linhas de protesto contra um comércio tão ignorante como ganancioso. Guia-me a pena neste momento mais altas aspirações e uma é evitar ao governo da nação mais uma dificuldade a solucionar em breve nos campos de Melgaço, se isto continuasse e a outra apontar o errado caminho trilhado pelo comércio local. Por isso dirijo estas palavras, politicamente à Câmara do meu concelho, para ela lembrar ao sr. governador civil quão fácil é perderem-se eleições sem os votos dos lavradores num concelho de vinicultores como este; corporativamente, ao Grémio da Lavoura a cujas mãos experimentadas de Ascensão Afonso deixo entregue o caso sem a mais preocupações me cansarem o espírito; e comercialmente aos negociantes de pouca compreensão, para ponderarem bem as consequências dos seus actos de comércio, a fim de não se verem, dum momento para o outro, envolvidos num processo, em que pesadas indemnizações se pedem, por concorrerem para o descrédito dum vinho de região demarcada ou não sofrerem uma ofensiva dos viticultores da terra, cuja consequência possível, se não certa, seria a fuga da freguesia e a quebre do crédito comercial.

    E se por aqui me deixar ficar agora, sem retocar o quadro com tintas claras ou escuras, não se vá entender, que não aprovo e secundo estas palavras de Diário do Minho: «Entretanto, força é estudar o caso e procurar uma solução.»

    E como se trata dum jornal orientado por padres, na companhia do P. António Vieira vou fechar este artigo, lembrando aqui as suas palavras: Dá duas vezes, quem dá depressa. Nada de demoras, pois.

 

                                (Publicado em Notícias de Melgaço de 31/5/1959)

 

Obras Completas: Augusto César Esteves

Nas páginas do Notícias de Melgaço

Edição Câmara Municipal de Melgaço

Volume I Tomo I

2003

Pág. 73, 74

 

1720 – UM MELGACENSE EM MINAS GERAIS

23.04.13, melgaçodomonteàribeira

 

UM OFÍCIO CENTRAL: O ESCRIVÃO DA CÂMARA MUNICIPAL DE VILA RICA, 1711 – 1724

 

 

(…)

    Apesar de não integrar a cúpula camarária e, portanto, de estar formalmente excluído das decisões locais, o Escrivão da Câmara era uma peça fundamental para o bom desenvolvimento da administração municipal. Isto porque era o Escrivão que detinha maior conhecimento sobre o quotidiano institucional, devido à natureza da sua função e também ao facto de, normalmente, se manter no cargo durante anos, funcionando como uma espécie de elo entre os grupos que se alternavam anualmente nas Câmaras Municipais. Por tudo isto era muito respeitado e requisitado.

 

Jerônimo de Castro e Souza, 7/9/1720 até 11/9/1721

 

    Passado os transtornos e tendo sido superadas as resistências dos oficiais da cúpula camarária, o novo Escrivão da Câmara assumiu as suas funções em 7 de Setembro de 1720. Jerônimo de Castro e Souza conseguiu a nomeação régia através de um pedido que localizamos no Arquivo Histórico Ultramarino, nos Manuscritos Avulsos da Capitania de Minas Gerais. O pedido data de 6 de Fevereiro de 1720, quase sete meses antes da sua posse, e por ele foi possível identificar que Jerônimo era natural da Vila de Melgaço, na Província do Minho, e veio à região das minas com o propósito de resolver pendências, aproveitando sua vinda, requereu ao rei o cargo que estava vago, e o rei deferiu.

    Ao contrário dos outros Escrivães da Câmara que eram nomeados pelo rei, este ficou pouco tempo, apenas um ano, mas permaneceu na região ao menos até 1722, quando exerceu o cargo de Almotacé* em Vila Rica. Actuou durante a maior parte do ano de 1721, segundo pico administrativo da instituição, causado novamente pelos quintos** régios. Jerônimo de Castro e Souza deixou o cargo em 11 de Setembro de 1721, por ocasião da posse de um novo Escrivão, também nomeado pelo rei, José da Silva Miranda.

 

*antigo inspector camarário de pesos e medidas que fixava o preço dos géneros. (N. E.)

**imposto correspondente à quinta parte do ouro extraído. (N. E.)

 

Retirado de:

IV Conferência Internacional de História Econômica &

VI Encontro de Pós-Graduação em História Econômica

Um ofício central: o Escrivão da Câmara Municipal de Vila Rica, 1711/24

 

Luiz Alberto Ornellas Rezende

 

luizrezende.pesquisa@gmail.com

 

CONTOS DA RAIA

20.04.13, melgaçodomonteàribeira

 

 

Luís Faria nasceu em Março de 1954, na Casa da Corga, na freguesia de Remoães, Concelho de Melgaço. Hoje é professor do quadro de um agrupamento escolar, destacado na CPCJ (Comissão de Protecção de Crianças e Jovens).

É amante das letras e alguns dos seus autores preferidos são Camilo, Eça, Bocage, António Vieira, Fernando Pessoa, Eugénio de Andrade, Cervantes, Voltaire e Lorde Byron.

Foi o vencedor do concurso literário lançado no ano de 1992 pela Câmara Municipal de Vila Pouca de Aguiar, em associação com a respectiva escola secundária, cujo tema era “O Conto”.

Contos da Raia é o seu primeiro livro.

 

Os Contos da Raia são pequenas histórias romanceadas que acontecem, temporalmente, entre os anos 70 e os dias de hoje e, especialmente, em toda a zona ribeirinha de Melgaço, Serra da Peneda e de Barroso, termas do Peso e Galiza.

À volta das tradições e crenças do povo dessa região, o leitor deparar-se-á com possessões demoníacas, bruxedos, ciganas advinhas, contrabando, vacas do olhar lânguido, casamentos pouco sustentáveis e amores fatais. Se alguns contos são sátiras que provocam facilmente o riso, outros são episódios pungentes, de um romantismo clássico, que convidam à lágrima.

Em Contos da Raia o leitor encontrará as mais deliciosas fábulas e lendas, as mais caricatas personagens humanas e animais e peculiaridades linguísticas e etnográficas essenciais ao património imaterial deste povo raiano. Tudo isto embrulhado pelas mais belas descrições da deslumbrante paisagem minhota.

Contos da Raia é um documento de incomensurável valor cultural.

 

CONTOS DA RAIA

 

Autor: Luís Faria

 

Capa: Ludy Yakael

 

Edição: Papiro Editora

 

Agosto, 2011

 

14-10-1930 – DETALHES DO DESCARRILAMENTO DO COMBÓIO MADRID-VIGO

15.04.13, melgaçodomonteàribeira

 

Relógio do comboio Madrid-Vigo conservado nos Bombeiros Voluntários de Melgaço

 

 

DETALLES DEL ACCIDENTE.

CÓMO MURIÓ LA NIÑA ROSA CARBALLO.

LOS HERIDOS.

 

    Vigo 14, 9 noche. Se conocen nuevos detalles del accidente ocurrido en las inmediaciones del puente de Cequelinos al expreso de Vigo.

    El descarrilamiento sobrevino en una curva proninciadísima que desemboca en el puente sobre el río Miño. Sigue ignorándose aún la causa del descarrilamiento.

    Se sabe que la locomotora salióse de la vía por el lado izquierdo, cayendo por un terraplén de14 metrosde altura y dando varias vueltas de campana. El furgón de cabeza y dos coches de primera, mixtos de cama y dicha clase, y de gran tamaño, se salieron por el lado derecho, quedando tumbados al tropezar contra un talud. A esto se debe que el número de víctmas no haya sido mayor.

    En el terraplén por donde se deslizó la locomotora se hallaba apacentando ganado, a la orilla del Miño, la niña de diez años de edad Rosa Carballo López, la cual foi arrollada por la máquina, muriendo horriblemente aplastada. Los bueyes huyeron despavoridos y fueron más tarde recogidos a larga distancia de la ladera.

    El accidente fué aparatosíssimo. La máquina quedó tumbada junto al río y los coches de primera tumbados también al otro lado. Dióse el caso paradójico de que los otros coches pequeños, mucho más ligeros que los de primera, quedaron en pie. Afortunadamente, no iban muchos viajeros en los coches de primera. Si hubiera ido más gente la catástrofe habría sido horrible.

    Al darse cuenta de lo ocurrido acudió al lugar del suceso el vecindario de Cequelinos, dedicándose a recoger a los heridos. El maquinista, Alfredo Vásquez, apareció en su sitio, fuertemente agarrado a la palanca central de la máquina. Indudablemente, quiso frenar con todas sus fuerzas, pero nada pude hacer por sobrevenir la catástrofe rápidamente. Extraer el cadáver ha costado enorme trabajo. Alfredo Vásquez tenía cuarenta y ocho años, era natural de Orense y estaba casado. Al presentarse esta tarde allí su esposa se desarrolló una tristísima escena.  Deja cuatro hijos de corta edad.

    Frente a Cequelinos, al otro lado del río, se halla enclavado el pueblo portugués de Melgazo. Al presenciar los vecinos la catástrofe tocaron a rebato las campanas inmediatamente, cruzaron el río los bomberos y numerosos vecinos, que se dedicaron a prestar auxilio a los heridos. Es muy elogiado este humanitario comportamiento de los bomberos y vecindario de Melgazo.

    Además del maquinista ha muerto, como antes decimos, la niña Rosa Carballo, que estaba apacentando ganado. Rosa era de nacionalidad portuguesa y prestaba servicio, en unión de un hermanito suyo, en casa de un vecino de Cequelinos.

    El número de heridos se calcula en 15. Como ya hemos dicho, los coches que volcaron vinieron a quedar al lado contrario del terraplén que baja al río, o sea hacia la ladera del monte.

    En uno de los dos grandes coches mixtos de camas y primera, que venía de Hendaya y pertenecia al directo de esta población, viajaba un matrimonio alemán que resultó herido. María Amdrewsk, de nacionalidad alemana, procedía de Bilbao y se dirigía a Monte Estoril y Lisboa, donde tiene su residencia. Presenta heridas en la mejilla y pierna izquierda.

    Parece que entre los heridos figura el cónsul norteamericano en Vigo, el cual venía a posesionarse de su destino. José Cuadrados Diéguez, marino de Sevilla, que se dirigía a Vigo, presenta diversas heridas. Don José Blanco Soler, vecino de Vigo, que regresaba de un viaje a Madrid, sufre diversas lesiones. Don Vicente Domonte García, alto empleado de Ferrocarriles, tiene una herida en la cabeza. Don Juan Lago López, vecino de Vigo, diversas lesiones. El fogonero José Longa presenta múltiples lesiones. Don Dionisio Parrero y D. Venancio Sanz Prats, viajantes, sufren contusiones en la cabeza y en otras diversas partes del cuerpo.

     Se desconocen los nombres de los restantes heridos, por haber sido trasladados a varias clínicas particulares. De todas formas, los heridos lo son generalmente de carácter leve, salvo cuatro o cinco que ofrecen una mayor gravedad.

 

 

ABC (Madrid) – 15/10/30, Página 19

 

http://hemeroteca.abc.es

 

14-4-1929 – FUNDAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO HUMANITÁRIA BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE MELGAÇO

14.04.13, melgaçodomonteàribeira

 

Comboio Madrid-Vigo descarrilado em Crecente

 

ABC. MIERCOLES 15 DE OCTUBRE DE 1930.

EDICION DE LA MAÑANA. PAG. 19.

 

 

DESCARRILAMIENTO DEL EXPRESO DE MADRID A VIGO

 

 

DOS MUERTOS E MUCHOS HERIDOS. EL LUGAR DEL ACCIDENTE. TRES TRENES DE SOCORRO. NOMBRE DE LAS VÍCTIMAS. VIAJEROS DETENIDOS EN MONFORTE.

 

LAS PRIMERAS NOTICIAS

 

    En las primeras horas de la tarde se supo ayer en Madrid que entre las estaciones de Pousa y Arbo, en la línea de Monforte a Pontevedra, había descarrilado el tren expreso que salió anteanoche de la corte. Añadián estas noticias que quatro de los vagones cayeron a la ría desde un desnivel de muchos metros de altura.

 

EL LUGAR DEL ACCIDENTE.

EL MAQUINISTA DEL TREN, MUERTO

 

    Vigo 14, 5 tarde. El tren expreso procedente de Madrid descarriló en el kilómetro 58 de la línea de Orense a Vigo, entre las estaciones de Arbo y Pousa. Ocurrió el descarrilamiento en las inmediaciones del puente de Cequelinos, a las once y treinta y cinco minutos de la mañana.

    La máquina se salió de la vía por el lado izquierdo, y se dice que caió al río Miño. Por el lado derecho descarrilaron el furgón y cuatro coches de viajeros, además del correo.

    Resultó muerto el maquinista, Alfredo Vázquez, y heridos el fogonero, José Longa, y numerosos pasajeros ocupantes de los coches de primera, que fueron los que descarrilaron. Ignóranse los nombres de estos heridos.

    Para recoger a las víctimas se ha enviado un tren de socorro. También han salido de Vigo numerosos automóviles particulares conduciendo médicos y material sanitario.

 

DE ORENSE SALE UN TREN DE SOCORRO

 

    Orense 14, 5 tarde. El tren expreso descendente descarriló esta mañana entre las estaciones de Pousa y Arbo, habiendo resultado el maquinista muerto y numerosos heridos. A la una de la tarde salió de aquí un tren de socorro.

 

TELEGRAMA OFICIAL. EL GOBERNADOR DE PONTEVEDRA

 

    Pontevedra 14, 6 tarde. El expreso de Madrid, que debía llegar a Pontevedra a las dos de la tarde, descarriló a consecuencia del desprendimiento de una trinchera reblandecida por la lluvia cerca de la estación de Arbo.

    A las dos y media se recebió en el Gobierno civil de la provincia el siguiente telegrama oficial del jefe de la estación de Arbo:

    “Según me comunica el inspector de la octava sección, el tren número I ha descarrilado en el kilómetro 58,600, cayendo la máquina al lado izquierdo, y el furgón y quatro coches al lado derecho. Se supone que entre los coches volcados hay victimas. Los viajeros que se salvaron siguieron en automóvil, y confirman la presunción de que hubo víctimas, no pudiendo precisar número ni nombres. Dicen que el material volcado cayó del lado del río Miño, que allí pasa muy cerca de la vía férrea, corriendo el peligro de ser arrastrado por la corriente si no llegan pronto auxilios. Agregan que en el momento del accidente el choque que se produgo fué horrible, así como el crujido de hierros y maderas. Los viajeros daban ayes y voces de socorro. Los viajeros que me dan los anteriores promenores dicen que no saben más porque la impresión del cuadro que veían les impedió fijarse. Pudieron salir del coche próximo al furgón, que fué el menos deteriorado. Por la vía férrea marcharon estos viajeros hasta Arbo, donde tomaron un automóvil que los llevó hasta Pontevedra.”

    Recibido el anterior telegrama ofocial, el gobernador civil marchó al lugar del accidente, acompañado del inspector de Sanidad y el jefe de la Comandancia de la Guardia civil, con material y ambulancia.

    Al lugar del suceso han acudido también los bomberos de la plaza portuguesa de Melgazo. Han muerto el maquinista y una niña de siete años, que está aplastada. Hay también siete heridos, de ellos tres graves, entre los que figura el guarda Angel Rodríguez.

    Se recuerda que en 1915 ocurrió una catástrofe parecida, en la que hubo 18 muertos y 36 heridos.

 

(continua amanhã)

 

Chronica de El-Rei D. Affonso II

09.04.13, melgaçodomonteàribeira

 

 

CAPITULO III

 

 

COMO FOI PELO PAPA PROCEDIDO CONTRA EL-REI D. AFFONSO POR CAUSA DA CONTENDA QUE HAVIA COM SUAS IRMÃS, E COMO FINALMENTE FORAM CONCORDADOS.

 

 

…. Esta tregoa, se fez em Coimbra na era de nosso Senhor de mil e duzentos e quatorze annos, (1214) dous annos depois que El Rei começou a Reinar, e logo hai se fulminou e principiou processo em que a Rainha, e a Infante cada uma per si segundo os dados que del-Rei seu irmão tinham recebidos e pelas injúrias, e males, que no cerco padeceram, pediam contra elle restituição, e assi segurança perpétua de suas Villas e Castellos, e gram soma de maravedis, que naquelle tempo era moeda douro assi geral, e praticada como neste agora são na Europa os cruzados, e ducados, porque sessenta delles faziam um marco douro, como já em outras partes tenho dito, e ás petições das ditas Senhoras, veo El-Rei por seu procurador com exceições, e contrariedades, e compensações sobre que de uma parte, e da outra foi dito, e assás alegado, e sobre seus alegados foi o feito concruzo, e os Juízes remeteram a publicação da final sentença para Melgaço, Castello de Portugal no extremo de Galiza, a que mandaram que El-Rei, e as Infantes fossem por si, ou por seus procuradores, onde no Maio seguinte a publicaram, e foi El-Rei condenado por a dita sentença em grande soma de dinheiro, e doutras emendas, e depois que passou o tempo para a paga, assinado, pozeram em El-Rei sentença Dexcommunhão, e assi antredito em todo o Reino, de que logo apelou, e depois de muitos debates, e delongas, que em Roma, e Espanha sobre este caso passaram, que não fazem a realidade da Estória, finalmente El-Rei, e as irmãs se concordaram por maneira, que as Villas de Monte mór, e Alanquer ficaram com ellas segundo a disposição do testamento del-Rei D. Sancho seu pai, e as Villas e Castellos, e terras de Portugal, que El-Rei de Lião tinha tomadas foram entregues, e restituídas a El-Rei D. Affonso. No qual meio tempo que durou esta divisão, e discórdia uns e outros fizeram grandes, e danosas entradas, e muitos roubos nos Reinos, uns dos outros, em que houve pelejas particulares sem alguma façanha de notar, cuja longa, e expressa declaração não ponho ora; porque para a sustancia da Estória não é muito necessária.

 

Chronica de El-Rei D. Affonso II

Rui de Pina,

Fidalgo da Casa Real, e Chronista Môr do Reyno

Na Officina FERREYRIANA

M. DCC. XXVII

Com todas as licenças necessárias

 

www.gutenberg.org

 

A GAFARIA DE MELGAÇO

06.04.13, melgaçodomonteàribeira

 

Capela de S. Julião - Melgaço

 

OS GAFOS

 

 

   Secundando o parecer de alguns etnógrafos limaranenses, o distintivo que ornamenta esta singularidade agiológica, isto é, o chocalho, só pode relacionar-se com a presença de leprosos na serra. Deviam ter-se refugiado aqui bastantes, quando, na Idade Média, se procurou extinguir violentamente a endemia leprosa que grassava por toda a Europa. Da sua larga existência no Alto-Minho, há notícia verídica e vestígios evidentes, comprovados pelas três leprosarias que nesta província funcionaram: uma em Viana do Castelo, outra em Ponte de Lima e a terceira em Melgaço. Logo que a endemia declinou, os lazaretos fecharam, mas os gafos persistiram, escondidos ou foragidos.

 

   A Gafaria de Melgaço, que se comprova ter existido anteriormente a 1531, conhecida por Hospital de S. Gião e erecta sob a invocação deste santo, constava duma pequena casa com igreja anexa, onde não podiam ser internados mais do que uns 3 ou 4 leprosos. É o que consta da doação de rendas deste hospital à confraria da Misericórdia. Restam vestígios da sua existência na actual capela de S. Julião (a antiga casa dos gafos) na frente da qual colocaram o formoso cruzeiro do mesmo nome (monumento nacional).

 

 

Retirado de:

O Santo do Chocalho            

por: Dr. José Crespo

 

http://gib.cm-viana-castelo.pt/documentos/20080515141915.pdf

 

O PEGUREIRO E O LOBO

02.04.13, melgaçodomonteàribeira

 

 

Manuel Domingues. Nasceu em Castro Laboreiro, em 1941, onde frequentou a escola primária. Participou activamente nas tarefas agro-pastoris próprias da sua idade, integrado no ambiente social da época, até ao final dos estudos universitários. Após o cumprimento do serviço militar na Guiné, cuja experiência relatou em livro, fixou-se em Lisboa onde desenvolveu a sua actividade profissional como gestor de empresas e professor universitário.

Aos 22 anos, criou a « Página de Castro Laboreiro » para defender os valores da cultura castreja. Ao reatar os laços com a sua terra mãe, constata que a sociedade de cariz comunitário, na qual despertara para o mundo e que enformara a sua maneira de encarar a vida, se encontra em fase de desaparecimento, devido à desertificação, resultante do fenómeno migratório e à ausência de defesas contra a invasão de elementos estranhos.

Inconformado com o ostracismo a que foi votada uma cultura agro-pastoril centenária e com uma forte identidade, decide contar a sua vivência de criança, traçando alguns aspectos fundamentais da comunidade crasteja dos meados do século XX, como forma de evitar o seu esquecimento.

 

O PEGUREIRO E O LOBO – ESTÓRIAS DE CASTRO LABOREIRO

 

Autor: Manuel Domingues

 

Design e Capa: Gonçalo Branco e Rui Telmo Romão

 

Edição: Núcleo de Estudos e Pesquisa dos Montes Laboreiro

 

2005

 

PATROCÍNIO: BLX – BRAGA

 

APOIO: CÂMARA MUNICIPAL DE MELGAÇO

 

www.monteslaboreiro.com

 

http://longedecastrolaboreiro.blogspot.pt