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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

D. FERNANDO, O FORMOSO

melgaçodomonteàribeira, 06.07.13

 

 

MIRANDA OU MILMANDA

 

    Esta Vila encontra-se situada em zona fronteiriça ao reino de Portugal desde a sua fundação, no concelho de Cela Nova e integrada na província de Ourense foi das primeiras localidades que por sua voz tomaram partido por D. Fernando a quando da invasão de Castela em Junho de 1369, pelo assassinato de D. Pedro I por seu irmão bastardo Henrique de Transtâmara, mais tarde Henrique II, respondendo o nosso rei Formoso ao apelo da sociedade e nobreza galega pelo direito que tinha à sucessão da coroa Castelhana por morte do seu primo.

 

    A fronteira era um espaço de convivência galaico-minhota no relacionamento entre os habitantes de um e de outro lado, como escreveu José Marques.

 

“Não obstante as dificuldades que o ‘zelo’ dos oficiais régios levantavam ao intercâmbio e convivência das populações de um e de outro lado das fronteiras, sabemos que os moradores de Araújo e Milmanda vinham a Ponte da Barca, onde se abasteciam de mercadorias que aí chegavam por via fluvial, regressando a suas terras, subindo ao longo do rio Lima e que muitos outros vinham abastecer-se a Valença, donde seguiam até Valadares, desviando-se depois pelo monte da Cumieira, rumo a Lamas de Mouro e ao Porto dos Asnos aí passando para a Galiza. Evitavam assim a passagem por Melgaço reclamada pelas autoridades locais a fim de taxarem a mercadoria transportada.”

 

“… as cartas régias de privilégio outorgadas a cada uma destas localidades há pormenores específicos, como o caso dos pastores de Baiona virem apascentar os seus gados a Portugal, ou os de Castro Laboreiro invocarem que a terra é fragosa e que não poderiam sobreviver sem o comércio com Araújo e Milmanda, na Galiza.

 

Assim os pastores de Baiona e de outras localidades galegas entravam em Valença ‘sem contradiçom alguma’ com gados, cavalos e armas  e  moedas e todallas outras cousas vedadas”…

E em defesa dos moradores de Baiona, os homens bons dessa localidade galega vizinha, alegavam junto de D. Afonso V, que eles não se dedicavam ao contrabando, mas recebiam essas coisas ‘em sorte de casamento’, reagindo assim, contra as ‘muitas injúrias’, que os oficiais régios lhe faziam, revistando-os, contra o antigo costume, na mira de encontrarem ouro, prata, armas e impedirem a entrada de gado bovino e cavalos. Interessado como estava na conservação das boas relações entre as populações fronteiriças, D. Afonso V, transformou esse costume em privilégio, que lhes permita ‘levar pam, vinho pêr terra pêra sua provisom e mantimento de suas casas cada hua pessoa e nam pêra averem de vende’

 

    Teresa de Jesus Rodrigues em “A fronteira do Minho nos finais da idade média: aspectos sócio-económicos” num parágrafo descrevia o relacionamento entre vizinhança, com este pequeno texto:

“… Quanto aos moradores de Castro Laboreiro, por carta outorgada por D. Afonso V, sabemos que era costume antigo vizinharem com as vilas galegas de Milmanda e Araújo, substanciando no privilégio de fronteira livre, que lhes permitia transaccionar e transportar, sem quaisquer” “embarguo” ou “contradiçom”, pão, vinho e outras coisas necessárias e na regalia de irem lá apascentar os seus gados, podendo por sua vez, os moradores das referidas vilas galegas apascentar os seus nos montes de Laboreiro.”

 

Por:

Laudo Baptista

 

Retirado de:

 

www.numismatas.com

 

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