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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

PADRE MANUEL A. BERNARDO PINTOR

melgaçodomonteàribeira, 18.05.13

 

 

   O essencial da biografia do saudoso Pe. Manuel António Bernardo Pintor foi resumido por ele próprio, no boletim paroquial Voz da Nossa Terra, de 30 de Setembro de 1984, dedicado à notícia da inauguração da Igreja Nova de Riba de Mouro, em 9 de Setembro desse mesmo mês e ano, dia em que também celebrou as bodas de ouro sacerdotais, actos a que tivemos o grato prazer de nos associarmos, como amigo convidado. Com esse resumo pretendia responder à insistência com que algumas pessoas desejavam conhecer as linhas gerais da sua biografia.

   Nascido a 21 de Dezembro de 1911, no lugar do Ribeiro de Cima, freguesia de Castro Laboreiro, concelho de Melgaço, era filho de Manuel Joaquim Bernardo, de alcunha Pintor – cuja origem remontava ao primeiro quartel do século XVIII e por ele ciosamente integrada no seu nome literário – e de Maria Custódia Martins, do lugar da Peneda, freguesia da Gavieira, Arcos de Valdevez.

   As primeiras letras, como ele próprio informa, foram-lhe ensinadas pelo avô paterno, em 1918 ou 1919. Em 1920, frequentou a escola da vila de Castro Laboreiro, tendo passado, no ano seguinte, a residir na Peneda, em casa do tio Manuel, a fim de poder frequentar a escola do lugar do Baleiral, freguesia da Gavieira, que, embora sendo distante, era mais próxima do que a de Castro Laboreiro.

   Estes primeiros tempos não foram fáceis, pois, com a 3ª classe incompleta, em 1922, deixou a escola e passou a ajudar a família nos trabalhos do campo e no pastoreio dos gados. Hoje poderíamos dizer que, à partida, estaríamos perante o caso de um jovem bem dotado, que as difíceis condições de escolaridade iam transformando num caso de insucesso, felizmente neutralizado por uma circunstância que, agora, não será ousado considerar providencial.

   Em Junho (?) de 1923, por ocasião da visita pastoral de D. Manuel Vieira de Matos a Castro Laboreiro, o prelado perguntou se haveria algum « pequeno » que quisesse ir para o seminário. O Pe. Matias Vaz, conta o nosso homenageado, apresentou ao prelado o « Neto do Pintor », do Ribeiro.

   Em Outubro desse ano, passou a frequentar a escola de Fiães, no lugar da Adedela, onde leccionava o Pe. João Vaz, irmão do Pe. Matias Vaz. A qualidade do ensino e as condições de aprendizagem alteraram-se radicalmente e, no exame da 4ª classe, obteve a classificação de 18 valores. No mês de Outubro foi admitido ao Seminário de Braga, onde só viria a entrar com os alunos de 1º e 2º anos em 7 de Janeiro de 1925, quando abriu o novo seminário da Rua de S. Domingos, da cidade de Braga, com que o mesmo prelado acabava de dotar a Arquidiocese, em 1911, espoliada do Seminário Conciliar de S. Pedro e S. Paulo, e do Seminário menor, dedicado a Santo António e S. Luís Gonzaga.

   Tendo beneficiado de uma reforma experimental de estudos, felizmente, sem continuidade, que reduzia o curso de preparatórios para seis anos, terminados com aproveitamento, em 1930, ingressou no Seminário de Teologia, na Rua de S. Barnabé, vindo a ser ordenado, na Sé Primaz, em 15 de Agosto, de 1934.

   Com toda a franqueza, esclarece que as sua notas foram sempre medianas, sem atingir 15 valores, tendo, em 1930, repetido o exame em Outubro, por se ter dedicado a leituras de investigação histórica, que, então, muito o apaixonavam e continuariam a atraí-lo, ao longo da vida. Mesmo assim, podemos adiantar que concluiu o 4º ano de Teologia com 13 valores. Mas se contrastássemos esta nota com a escandalosa e generalizada inflação que atingiu os diversos níveis do nosso ensino, nas últimas décadas, teríamos de lhe dar, no mínimo, a equivalência a 16 valores.

   Ordenado sacerdote, em 15 de Agosto de 1934, na Sé de Braga, celebrou a missa nova, no Sameiro, no dia seguinte, que viveu apenas com os pais, irmãos e alguns parentes, sendo, no total, onze pessoas.

   Como escreveu na Voz da Nossa Terra, de 13 de Agosto de 1959 ao comemorar as bodas de prata sacerdotais, o dia da ordenação sacerdotal foi o dia mais feliz da sua vida.

   Por provisão de 21 de Setembro desse mesmo ano, foi nomeado vigário cooperador na Matriz da Póvoa do Varzim, até 30 de Junho de 1935, funções que acumularia com as de Reitor da igreja da Lapa da, então, referida vila. Esta nomeação, a termo certo, sugeria que o Prelado tinha outros desígnios sobre ele. Expirado o tempo previsto na provisão para estar na Póvoa do Varzim, em 30 de Junho de 1935, foi nomeado para a freguesia de Sequeira, Braga, de que tomou posse, no dia 21 de Julho seguinte, tendo-lhe sido renovada a carta de encomendação nesta mesma paróquia, em 30 de Junho de 1936, mas, em 12 de Setembro, foi-lhe  passada a provisão de pároco encomendado de Riba de Mouro, onde já tinha entrado, segundo escreveu, no dia 23 de Agosto de 1936.

   Não cabe no âmbito desta nota biográfica traçar o perfil da sua vasta acção pastoral, já exposta noutro lugar, que será divulgada em momento oportuno. Aqui, pretendemos e basta deixar o enquadramento cronológico suficiente à compreensão dos seus livros e artigos reunidos neste volume.

   Este breve curriculum, elaborado com os elementos por ele fornecidos e complementados pelos recolhidos na Cúria Arquiepiscopal  de Braga, termina com duas notas, que, certamente, constituíram os seus dois maiores amores: a fundação da Voz da Nossa Terra, em 1953, e a construção da nova igreja de Riba de Mouro, projecto, cuja concretização, demorou, desde1965 a 1984.

 

   Quando a idade e o estado de saúde já não lhe permitiam assegurar as funções paroquiais, acolheu-se ao Colégio-Seminário de S. Teotónio, em Monção, onde faleceu, em 1 de Março de 1996, sendo sepultado, no dia seguinte, como desejava, no cemitério do Ribeiro de Cima, Castro Laboreiro, sua terra natal.

 

J. Marques

 

 

DOAÇÃO DE AFONSO PAIS E OUTROS AO MOSTEIRO DE FIÃES EM 1157

(Pergaminho inédito)

Obra Histórica - I

 

Autor: Pe. Manuel A. Bernardo Pintor

 

Edição: Rotary Club de Monção

 

Patrocínios:

CÂMARA MUNICIPAL DE ARCOS DE VALDEVEZ

CÂMARA MUNICIPAL DE MELGAÇO

CÂMARA MUNICIPAL DE MONÇÃO

 

2005

 

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