Sábado, 13 de Outubro de 2018

HISTÓRIA DO MOSTEIRO DE PADERNE

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MOSTEIRO DO SALVADOR DE PADERNE

 

 

O Mosteiro do Salvador de Paderne era masculino, situava-se no couto de Paderne, abaixo do Monte Laboreiro, no termo de Valadares, pertencia aos Cónegos Regulares de Santo Agostinho, até ser unido à Congregação de Santa Cruz de Coimbra.

Mosteiro da invocação do Salvador e de Santa Maria Virgem.

A sua fundação no século XI é atribuída a D. Paterna, viúva do conde Hermenegildo, de Tui. Inicialmente tratava-se de um mosteiro dúplice. A igreja terá sido sagrada em 1130 por D. Paio, bispo de Tui.

O Mosteiro era feminino quando em 1141, a 16 de Abril, recebeu carta de couto de D. Afonso Henriques em reconhecimento do auxílio prestado pela abadessa D. Elvira Sarracins, por ocasião da tomada do castelo de Castro Laboreiro.

O couto situava-se entre o termo de Melgaço e o de Valadares, no qual o Mosteiro tinha um juiz, um mordomo, levava voz e coima, confirmada a 11 de Dezembro de 1334, como consta por carta testemunhável dada em Arraiolos, a 28 de Abril de 1475.

Em 1156, quando da divisão das igrejas e arcediagos entre o bispo e o cabido de Tui, o arcediago da terra de Valadares ficou a pertencer ao cabido.

A sua adesão aos Cónegos Regulares de Santo Agostinho deve ser anterior a 1225 porque, neste ano, o prior D. Tomé fez um contrato com o Mosteiro de Fiães. Também neste ano passou a ter priores masculinos e deixou de ser dúplice.

Em 1320, no Catálogo das igrejas, comendas e mosteiros do Reino, foi avaliado em 500 libras, uma quantia elevada relativamente aos outros mosteiros e igrejas da Terra de Valadares, que não ultrapassavam em média as 80 libras.

Em 1381, a comarca de Valença separou-se de Tui, sendo depois integrada no bispado de Ceuta. Desde 1415, que pertence ao arcebispado de Braga.

No século XV entrou em regime de comendatários.

Em 1469, em Avis, a 1 de Março, sendo prior de Paderne, D. Vasco Rodrigues, e a seu requerimento, D. Afonso V confirmou um privilégio dado por D. Afonso IV e por D. Pedro (em 27 de Dezembro de 1343) isentando os moradores de serventia dos concelhos. Os moradores do couto do mosteiro foram libertos dos serviços do concelho e de velar e roldar.

Em 1469, em Avis, a 10 de Março, sendo prior de Paderne, D. Vasco Rodrigues, e a seu requerimento, D. Afonso V confirmou um privilégio dado por D. Dinis (em 22 de Março de 1273) proibindo os cavaleiros de darem a criar seus filhos no couto e herdades do mosteiro e de constrangerem os seus homens em os servir e mandando ao meirinho de Valadares que mandasse cumprir estas disposições e que defendesse o mosteiro.

Em 1412, em Évora a 25 de Dezembro, recebeu carta de confirmação geral de todas as graças, privilégios, mercês e liberdades concedidas ao mosteiro.

Durante o governo dos comendatários perdeu rendas. Em 1471, face à situação de pobreza em que o mosteiro se achava, D. João Ferraz, administrador no espiritual e no temporal da parte portuguesa do bispado de Tui, anexou-lhe a igreja de Santa Maria de Passos e, em 1477, sendo bispo de Ceuta, Afonso Anes, cónego da igreja do Porto e seu vigário geral, anexou-lhe a igreja de Santiago de Penso.

Em 1475, em Portalegre, a 21 de Abril, D. Afonso V confirmou o privilégio dos moradores no couto do mosteiro serem libertos dos encargos e serviços do concelho porque se tinha perdido o privilégio antigo e também não havia registo dele na Torre do Tombo.

Em 1497, em Évora, a 8 de Setembro, D. Manuel confirmou-lhe todas as honras, privilégios, e liberdades, as graças, e mercês de que gozara até ao Rei D. João II.

Em 1578 e 1582, foi abrangido pelos contratos celebrados entre a coroa e a Congregação de Santa Cruz de Coimbra, e novamente pela rectificação de 1593, relativos ás pensões que deviam ser pagas á coroa pela cedência do direito de padroado sobre os mosteiros unidos á congregação.

Em 1582, os Mosteiros de São Pedro de Folques, de São Martinho de Caramos, de São Simão da Junqueira, de Santo Estêvão de Vilela, de Santa Maria de Vila Nova de Muía, de São Salvador de Paderne, de Santa Maria de Vila Boa do Bispo, de Santa Maria de Oliveira, e de São Miguel de Vilarinho, pertencentes ao padroado real, foram abrangidos pelo “Contrato dos mosteiros novos”, assinado entre o rei e o prior geral da Congregação de Santa Cruz, pelo qual o rei os largava á Congregação recebendo, em contrapartida, uma pensão régia, paga a partir das rendas das respectivas mesas priorais.

Em 1594, pela bula “Pro apostolicae servitutis” do papa Clemente VIII, de 19 de Maio, no 3º ano do seu pontificado, passada a instância do rei D. Felipe, foram unidos à Congregação de Santa Cruz de Coimbra, sendo-lhes confirmados todos os privilégios, graças e indulgências que lhes tinham sido dados e concedendo-lhes os outorgados ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, quer pelos papas, seus antecessores, quer os de que gozava de outras religiões (ordens) por comunicação e autoridade apostólica.

Em 1595, a 20 de Janeiro, no Mosteiro do Salvador de Paderne, D. Cristóvão de Cristo, prior geral da Congregação do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra tomou posse do Mosteiro. Foi eleito prior, D. Nicolau, morador no Mosteiro de Santa Cruz.

Em 1617, ou em (1620?) foi unido com suas rendas ao Colégio de Santo Agostinho para sustentação dos seus colegiais por sentença do coleitor geral apostólico, Octávio Accorombono em execução de um breve de união apostólica do papa Paulo V, de 29 de Janeiro de 1596. O procurador do reitor do Colégio tomou posse deste Mosteiro, de suas anexas, pertenças e rendas, em 7 de Março daquele ano. O prior do colégio ficou obrigado a provê-lo com os vigários perpétuos ou os presbíteros seculares de acordo com o Arcebispo de Braga.

Em 1769, tinha treze religiosos, onze de missa e dois leigos professos. Ao serviço do mosteiro estavam três moços para a sacristia, portaria, hospedaria e sinos da torre, um feitor, um estribeiro, dois cozinheiros, dois boieiros, dois torneiros, dois hortelãos, dois rapazes para mandados e outros serviços.

Em 1770, foi extinto com outros da mesma Congregação de Santa Cruz de Coimbra para serem anexados ao Mosteiro de Mafra.

 

Retirado de: Arquivo Nacional Torre do Tombo

 

http://digitarq.dgarq.gov.pt

 


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Sábado, 6 de Outubro de 2018

1861, A FERA EM FIÃES

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fonte da madalena, fiães

 

FIÃES

 

 

Em 1861 foram devastadas as povoações gallegas de Padrenda, Monte Redondo e Gazgoa, por uma féra, que uns diziam ser lobo, outros tigre, outros javalis, etc.

D’alli passou a Portugal e encheu de terror as povoações de Castro Laboreiro e immediatas, fazendo muitas victimas.

Só em um dia, matou duas creanças de 11 anos, em Castro Laboreiro, devorando uma e despedaçando outra. Não era raro encontrar aqui um braço, acolá uma perna, além um craneo; principalmente nas freguezias gallegas.

Tudo andava horrorisado. Ninguem sahia de noite; e, mesmo de dia, só bem armado e nunca só.

O povo, sempre propenso ao maravilhoso, ligou varias historias sobrenaturaes a este acontecimento. Segundo uns, era a féra – um filho indigno, amaldiçoado por seus paes. Segundo outros era um Caim que tinha assassinado um seu irmão. Outros pretendiam que era uma alma do outro mundo. Os mais espertos sustentavam que era um lobishomem – e os mais serios, teimavam que era, nem mais nem menos, o diabo em pessoa.

Combinaram-se todos os povos d’estes sitios para fazerem uma grande montaria ao animal feroz, qualquer que fosse a especie a que pertencesse. Reuniu-se grande numero de povo no terreiro da capella d’Alcobaça, limites de Fiães e Castro Laboreiro, e mais de 300 homens investiram com a floresta das Ramalheiras.

Não appareceu a fera, mas achou-se um rapaz, de 14 annos, horrorosamente ferido por ella, e salvo por umas vaccas, que andava guardando, as quaes se atiraram resolutamente ao animal feroz, e o fizeram fugir. O rapaz escapou. Esta féra appareceu n’estes sitios por duas vezes, com intervallo de dois annos, demorando-se de cada uma alguns mezes.

Desappareceu sem se saber como, nem para onde.

Tambem nunca se chegou a saber positivamente que especie de animal era.

Pelos signaes que davam os que tiveram a infelicidade de o ver, suppõe-se ser um grande tigre, fugido da jaula de qualquer domador de féras.

 

PINHO LEAL, Augusto Soares d’Azevedo Barbosa de,

Portugal Antigo e Moderno, Lisboa, Livraria Editora Tavares

Cardoso & Irmão, 2006 (1873), p. Tomo III, p.184

 

Retirado de:

 

CEAO – Centro de Estudos Ataíde Oliveira

 

http://www.lendarium.org/narrative/fiaes/?place=78

 

 

 


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Sábado, 29 de Setembro de 2018

CARTA DO INFANTE D. PEDRO

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muralhas na década de 80 sec XX

 

 

CARTA ORIGINAL DO INFANTE D. PEDRO, PARA O CONDE DE BARCELLOS SEU IRMÃO. ESTÁ NO CARTORIO DA SERENISSIMA

CASA DE BRAGANÇA, NO MAÇO DAS CARTAS MISSIVAS, DONDE A COPIEY.

 

 

    Muito prezado e bem amado Irmaõ. Bem sabeis como estando eu em Lisboa, ao tempo das Cortes me foi dado hum feito, que era entre Martim de Castro, e os moradores de Melgaço; e por meus grandes trabalhos no pude a ello dar dezembargo agora os ditos homens, e outro se me enviarom agravar, do dito Martim de Castro, de muitas semrazooes, e agravos que delle ham recebido, e recebem por as quaes couzas foi acordado que por pessoa o dito Martim de Castro venha responder a todo, a Corte delRey meu senhor: e por quanto elle esta naquelles Castellos de Melgaço e Castro Laboreiro, e porse en tanto a dita carta, do extremo como som no cumpra ficarem sos, a vos praza mandardes em elles pooer tal pessoa que fielmente os tenha, porque minha intençom he, elle o dito Martim de Castro no teer carrego desto, nem estar em ellos, athe se saber bem de seus feitos.

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

Retirado de: Provas da Historia Genealogica da Casa Real Portugueza, tiradas dos Instrumentos dos Archivos da Torre do Tombo, da Serenissima Casa de Bragança, de diversas Cathedraes, Mosteiros, e outros particulares deste Reyno.

Por D. Antonio Caetano de Sousa, Clerigo Regular, Deputado da Junta da Bulla da Cruzada, e Academico do Numero da Academia Real.

Tomo III

Lisboa, Na Regia Officina SYLVIANA, e da Academia Real.

  1. DCC. XLIV.

Com todas as licenças necessarias.

 

http://books.google.pt/intl/pt-PT/googlebooks/tos.html


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Sábado, 22 de Setembro de 2018

MÃES DO MINHO

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“Mães do Minho”, de rosto sulcado pela ausência de afago, ficaram nas aldeias, no vazio das casas, abraçadas pelo xaile negro da despedida, carregando o árduo amanho da vida.

Eles, os maridos e os filhos, partiram. Levaram como bagagem, a certeza da incerteza de tudo.

“Mães do Minho”, um pelouro de referência humana, testemunho de uma época, de gerações, reflectidas na memória do tempo, que o próprio tempo jamais apagará. Um tempo cinzento, denso, sombrio. Pedaço de história. Um espaço cronológico e social, onde o êxodo migratório e a guerra colonial se situam, como realidade mártir, feita de dor e de saudade. Vivência de um tempo, numa região, em que as dificuldades económicas e a conjuntura política, aliciaram estes homens dignos, mas carentes de dignidade, a descobrir novos mundos.

Mais do que um louvor, uma homenagem. “Mães de Minho”, é um cântico de amor nunca esgotado, a essas Mães, Mulheres Mães, de sorriso adormecido, enquanto ateiam o amor, em cada gesto cálido e nobre, tocado pela aspereza do pão que o diabo amassou.

São estas, as nossas Mães, as “Mães do Minho”, de braços sempre enternecedoramente abertos, à espera do nosso regresso.

Elas serão, eternamente Mães.

 

Às “Mães do Minho”, deixo a minha grata admiração, pela sabedoria, pelo exemplo de intemporalidade espiritual, que nos legaram.

Ao autor, Tino Vale Costa, também eu, na condição de Mãe, abraço-o, por este tamanho sentir…

 

                                                                                  Adelaide Graça

 

 

Mães do Minho

 

Diamantino Vale Costa

 

Edição Câmara Municipal de Melgaço

 

2000

 


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Sábado, 15 de Setembro de 2018

PARADA DO MONTE

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vestuário de parada do monte

 

PARADA DO MONTE

 

Num edifício construído de raiz e dotado das condições necessárias, poder-se-iam guardar exemplares dos instrumentos utilizados no fabrico da lã (sarilho, dobadoura, carda, urdidor, tear, etc.), as alfaias, os carros de transporte, as louças e mobiliário, as peças de trajo antigo, as mantas e bordados, utensílios do pastor, a croça, etc., etc. A não ser feita esta recolha com urgência, em pouco tempo nada restará dos elementos materiais de uma cultura com características próprias revelando um viver marcado pelo trabalho do campo e o pastoreio na serra envolvente.

Entre esses elementos destaca-se o trajo antigo.

Parada do Monte, no vestuário, procurou adaptar-se às condicionantes do clima pela utilização de fibras naturais que lhe proporcionavam a maior resistência aos frios rigorosos e humidade. As cores em tons escuros exemplificam a necessidade de absorver calor quando o corpo estava em repouso ou deslocando-se lentamente, enquanto que as camisas brancas do trabalho ajudavam a reflectir a incidência da luz solar minimizando o efeito térmico sobre o tronco.

As mulheres de Parada vestiam uma saia comprida, camisa branca com mangas, colete e corpete. No tempo frio agasalhavam-se com a ‘curbata’, género de xaile que depois de cruzado sobre o peito se atava nas costas. Sobre a cabeça e ombros colocavam o ‘mandil’ feito em tecido de lã que, em tamanho mais pequeno, servia de avental. Normalmente cobriam a cabeça com um “lenço chinês” ou de murino. Nas pernas usavam meias simples, não rendadas e calçavam ‘soques’ com cobertura em couro fixa por tachas à base em pau. Em tempo de chuva cobriam os joelhos e pernas com polainas em burel ou em couro.

Para fazer as meias empregava-se agulhas de ferro com a extremidade em ‘aspita’ (barbela), pequeno gancho golpeado de forma a poder puxar o fio (de lã ou de algodão) e assim obter a malha.

 O homem usava calças feitas no tear, camisa em linho, colete e casaco. Protegia-se também com polainas e calçava sapatos cardados quando havia festas e tamancos no trabalho. Para o pastoreio e no Inverno cobria-se com a croça em junco.

 

 

PARADA DO MONTE, História e Património

Antero Leite

Mª Antónia Cardoso Leite

 

http://acer-pt.org

 

 

DAVID DE CARVALHO (30-11-1955 – 10-9-2018)

 

 

David de Carvalho nasceu em Parada do Monte.

Em Melgaço fundou o conjunto Gaudeamus.

Era colaborador do blog Melgaço, do Monte à Ribeira.

Era editor do blog Melgaço do Passado e do Presente.

Mais uma grande perda da cultura melgacense.

 

Um dia lá nos encontraremos irmão.

 

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david de carvalho

 


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Segunda-feira, 10 de Setembro de 2018

DAVID DE CARVALHO

MORREU O DAVID


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Sábado, 8 de Setembro de 2018

A RIBEIRA QUE DEIXOU DE SELO

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rio trancoso

 

A RIBEIRA QUE DEIXOU DE SELO. A FRONTEIRA GALEGO-PORTUGUESA TRAS O GOLPE DE XULLO DE 1936

 

(…)

 

No primeiro dos casos, e decir, un fusilamento cun xuicio, ainda que sumarísimo e urxente, documentábase o condeado, e polo tanto, eram mais doado o recoñecemento e a deportación cara Portugal. Cando a morte producíase pola acción dos teóricamente incontrolados, esto non era posible. Recibíronse informacións de morte de traballadores portugueses da vía férrea Ourense-Zamora, ou mesmo a escoita de disparos pólos postos de vixiancia da raia que logo resultan ser fusilamentos de persoas desta nacionalidade afincadas en España.

Mais a colaboración máis estreita neste proceso de represión tivo lugar na zona de Castro Laboreiro. Dende o comenzo da guerra houbo un importante continxente de fuxidos que tras pasar a fronteira tentaron agacharse nas súas montañas, levando a cabo en ocasións actividades contra o réxime portugués e contra os destacamentos ‘nacionais’. Era evidente que o mantemento dun grupo paramilitar dentro de territorio portugués, nunha situación de conflicto bélico no país fronteirizo non era unha situación moi agradable para as autoridades do Estado Novo.

Ainda que esta circunstancia fora un producto directo da situación de inestabilidade civil en España, o Estado Novo tiña que poñer remédio dende a súa autoridade para o seu territorio. Dende finais de xullo de 1936 tiveran lugar numerosas incursións de españoles armados nesta zona. Un mes despóis, Tomás Fragoso, Gobernador Civil de Viana do Castelo, recordaba ó Ministro do Interior portugués estas accións, e recomendaba a conveniencia de reforzar ós postos da Guardia Nacional Republicana para evitalas. O seu fin era evitar casos semelhantes e poder manter o prestígio português e defender a integridade nacional.

Mais o problema na zona continuou prácticamente durante toda a guerra civil. As batidas na procura dos agachados foron compartidas entre falanxistas españois e militares portugueses, moi especialmente a PVDE. Un membro desta informaba de como se realizaban as detencións:

 Geralmente, na montanha, estes indivíduos respondem com a fuga, ou com tiros, a intimidação de ‘Alto! ‘. E então a perseguição faz-se a tiro…

 

Emilio Grandío Seoane

 

Retirado de:

 

HOMENAXES

FACULTADE DE XEOGRAFÍA E HISTORIA

Departamento de Historia Contemporânea e de América

Universidade de Santiago de Compostela

 

http://books.google.pt

 


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Sábado, 1 de Setembro de 2018

CASTELOS DE MELGAÇO, CASTRO LABOREIRO E A RAIA

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castelo de melgaço 1913

 

FRONTEIRA DO MINHO

 

A monte de Valença, e em frente à praça espanhola de Salvaterra de Miño, situava-se a posição fortificada de Monção e, a seguir, o último lugar deste rosário de povoações da “borda-Minho”: Melgaço. Aqui, o rio circula apertado entre vertentes abruptas, ficando o lugar no topo da vertente. Ponto estratégico importante desde os princípios da nacionalidade, na antiga estrutura defensiva, que ainda existe mas sofreu várias obras de remodelação, sobressai uma torre quadrangular no centro de um pátio, a que se acrescentou, no século XIII, uma muralha envolvendo o núcleo urbano. Quatro séculos depois, foi transformada, como outras, numa fortaleza abaluartada, com uma frente alongada, onde se situava o Campo da Feira. Com Valença, Melgaço constituíra o primeiro conjunto de sítios fortificados da margem do Minho, a que acresceriam, nos reinados de D. Afonso III e D. Dinis, Monção, Caminha e Vila Nova de Cerveira, regularmente espaçados. Mas, em finais de Setecentos, perdera já interesse para a defesa da raia e, estando as instalações militares arruinadas, também não se consideraram úteis as despesas que a sua reconstrução implicava.

Depois de Melgaço, os lugares fortificados eram escassos e já nada tinham a ver com os da orla do rio. Castro Laboreiro, em plena serra da Peneda, fica já um pouco afastado da raia (mais de 5 km em linha recta). De origem muito antiga, o castelo localiza-se a sul da povoação, num topo que se eleva a mais de 1000 m, onde se abrigavam homens e gados em caso de ameaça espanhola. Conquistado por D. Afonso Henriques antes de meados de século XII e reformado 150 anos depois, devido à profunda ruína que o ameaçava, o aspecto actual deriva em grande parte dessa reconstrução efectuada no reinado de D. Dinis. Ele testemunha hoje a atenção que, para a defesa do território nacional, a Coroa dedicou então à raia seca.

 

 

Retirado de: FINIS PORTUGALIAE = NOS CONFINS DE PORTUGAL

                    Cartografia militar e identidade territorial

                    Autores: Maria Helena Dias e Instituto Geográfico do Exército

                    2009

 

 

http://www.igeoe.pt

 


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Sábado, 25 de Agosto de 2018

A GASTRONOMIA MELGACENSE

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A Gastronomia  Melgacense

 

Nos últimos dias de Janeiro, deste ano – dias 25, 26,27 realizou-se em Melgaço e Monção o I Encontro Luso-Galaico, o qual, a par com temas de natureza literária, abordou o Turismo e, consequentemente, a gastronomia.

Em 31 de Março, também deste ano, encerrou-se a Festa da Mimosa, que, há anos, se efectua no nosso Distrito e na qual se destaca a gastronomia regional.

Parece-nos, pois, que este II Congresso da Gastronomia, agora efectuado, é abóbada louvável dos acontecimentos precedentes. E, sendo assim, a presença de Melgaço está duplamente justificada.

Franciso Hipólito Raposo, em seu «Pequeno Roteiro Gastronómico de Portugal», editado pela Verbo em 1984, ignora Melgaço e refere Monção, apenas para aduzir o desaparecimento do «Vaticano».

Este Roteiro desconhece o Norte minhoto: Melgaço, Monção, Arcos de Valdevez e Ponte da Barca.

É pena.

Luis Sttau Monteiro, em sua apreciável crónica semanal de «O Semanário» escreveu em 23 de Março de 1985: «Muitos dos pratos que deliciavam os nossos avós desapareceram quase completamente das nossas mesas».

Tal não aconteceu em Melgaço ou porque não são «muitos» os pratos genuinamente regionais ou porque as churrasqueiras ainda, e felizmente, não entraram na minha terra.

Se Francisco Hipólito Raposo escreve «O Minho era rei» e, no elenco dos pratos que enobrecem essa realeza não inclui o cozido à portuguesa, em Melgaço o Presunto é o rei. É nobre e simples, é rico e prestável, e, sempre, exigente.

José Augusto Vieira em «O Minho Pitoresco», com data de 1886, escreveu: «Podes todavia entrar sem receio n’essa hospedaria honesta e limpa, porque se te falta na taboleta o sabor francêz da palavra Hotel, não te faltará em compensação à meza o sabor dos apetitosos bifes de presunto, que ali te servem, como um prato especial da terra!

Que epopeia seria necessária para descrever-lhe o paladar fino e delicado, a cor de rosa escarlate, a frescura viçosa da fibra!»

Isto escreveu-se em 1886.

 

A GASTRONOMIA MELGACENSE

Padre Júlio Vaz

Edição da Região de Turismo do Alto Minho

1985

 


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Sábado, 18 de Agosto de 2018

Fragmentos de vidas raianas, 1978 a 1981 - XVII

 

 

Continuação do post do 04 de agosto de 2018.

 

 

Aos sábados, e apenas nesses dias, a Frieira desfrutava de um extraordinário tumulto geral. Para os nativos era uma agradável e distractiva recreação que lhes fazia esquecer a soporífera rotina. Podiam ver gente que não conheciam, discrepante e, casualmente, trocar pareceres. Também havia – embora fosse coisa raríssima – uns  turistas improvisados que vinham admirar a barragem, a selvajaria do rio e a paisagem circunvizinha.

Antes de ser planeada a construção da barragem e da actual ponte, já o edifício que abrigava os comércios do Manolo, estruturado de rés-do-chão e de dois andares,  existia.

Por entre a loja e o que fora uma garagem – agora arrecadação de mercadorias – acedia-se, através de uma escadaria, ao andar inferior, o dos aposentos, e a uma das duas portas do andar térreo, utilizado como garagem e armazém. Um pouco apartado, quase colado à ponte, havia um pequeno barraco também propriedade do Manolo. Tinha-o alugado ao Celso.

No que tinha sido um cortelho, este criador-negociante de gado reconhecido montou  – ainda no tempo do precedente proprietário – um talho equipado com o imprescindível : uma câmara frigorífica de bom conteúdo, um sólido cepo para cortar a carne, uma vigorosa balança com prato, suspensa por um gancho a uma trave, e um pequeno balcão revestido de azulejos brancos.

O espaço, minúsculo, apenas consentia que o número de clientes superasse a meia dúzia quando o talhe era moderado. No exterior, os demais esperavam pela vez. Nos dias chuvosos, refugiavam-se no café. Não tinham outra alternativa, e era de boa vontade. A tenrura e o saibo da carne que o Celso vendia eram as razões principais da vinda frequente de muita gente à Frieira.

Natural de Deva, uma pequena aldeia de altitude, distante da Frieira uma dezena de quilómetros, rondava os sessenta anos. Era um homem bastante encorpado, muito sossegado e, antes de mais, uma pessoa de consciência, da qual irradiava uma lhana empatia. Quando sorria, os olhos castanhos barricavam-se até configurarem duas ovais; do centro sobressaíam dois ínfimos pontos luzidios que faziam amolecer os mais couraçados ou inumanos. Era, sobretudo, popular por ser um dos inusitados homens de palavra.

Apesar de ser proprietário de abundantes haveres na sua aldeia natal – onde criava em liberdade e nas circunstâncias mais originais grande parte dos bovinos e dos suínos cuja carne vendia –, era um homem de grande simplicidade. Analfabeto, pesava a carne e, de cabeça alteada e olhos desvirados, como se estivesse a ler no forro do seu módico talho, calculava mentalmente o preço e memorizava-o. À medida que o cliente ia pedindo, assim agia até à conta final, que nunca ninguém contestou.

Conduzido pelo genro, vinha todas as manhãs para a Frieira e regressava à tardinha à aldeia.

Pecuniariamente, a carne tornara-se mais barata do lado direito do Trancoso e do Minho. Não era, pois, inabitual que, aos sábados e nos dias feriados, muitos portugueses fronteiriços, mas também do interior, se precipitassem para os talhos galegos raianos. Naquela faixa, buscavam, notoriamente, o do Celso. Mas era talvez mais pela sua singularidade do que pelas economias que faziam. A fama da sua carne propagara-se com diligência ao lado português. Uma quantidade apreciável da que era cozinhada em algumas pensões de Melgaço emanava da carniçaria do Celso.

As pessoas vinham em família ou em grupo e, enquanto uns pacientavam no talho pela sua vez, outros faziam compras na loja do Manolo ou temporizavam no café, consumindo algo.

O talho era um poderoso vector de clientela para a loja do Manolo. Poucos eram os portugueses que desciam propositadamente à Frieira comprar mercearia, pescada congelada, polvo, gambas, bacalhau, camarão... Em cima, pouco adiante da alfândega, tinham à disposição vários comércios que vendiam os mesmos produtos e, propriamente, ao mesmo preço.

O Celso tinha como companheiro um pastor belga de Groenendael, atlético cão preto, peludo e impassível como ele. Mimado com pelicas, restos de carne e ossos frescos,  era, evidentemente, o guardião da carniçaria durante a noite.

Ao meio-dia, o açougueiro almoçava no bar do Manolo. Humilde, uma pratalhada da mesma comida que a Rosa cozinhava para os patrões comprazia-o.

Findada a refeição, retirava do bolso da bata de nylon cor-de-rosa com pintas brancas e manchada de sangue uma caixa de tabaco deformada e descolorada pelos anos. Enrolava calmamente um pitillo e fumava com patente bem-estar. Farto, mas brando, cruzava os dois braços por cima da mesa, reclinava a cabeça neles, o tempo de uma fugaz soneca e ficava a esmoer. O hábito da siesta ainda estava muito arraigado em Espanha, sobretudo nas aldeias, vilas e pequenas cidades.

A alteridade horária entre as duas margens – uma hora a menos em Portugal – resguardava-o de ser acordado por imprevisíveis clientes vindos de lá. O cão, por debaixo da mesa, caricaturava rigorosamente o dono.

Para outros visitantes, em bastante menor número, era a riqueza haliêutica do curso de água que os aliciava para aquele lugar banal.  

O rio Minho, não obstante a persistente inquinação suscitada pelos produtos de manutenção das barragens que nele abundavam, era famoso por abarcar nas suas águas uma variedade de peixes qualitativa. Os lugares da Frieira, renomados por serem o começo do curto trajecto mais selvagem do rio Minho – cerca de 80 km –, eram muito disputados pelos expertos piscatórios a fim de detalharem a sua mestria.

A represa, inibindo os peixes migratórios como o salmão, o sável, a truta e a enguia de perseverarem em direcção da nascente do rio, forçava-os a acomularem-se diante dela.

Na época em que a pesca era legitimada, e em particular nos fins-de-semana, aglomeravam-se ali pescadores profissionais, amadores e principiantes. Todos se sentiam habitados pelo mesmo fervor e todos buscavam as mesmas sensações. Vinham de diversas regiões espanholas e, evidentemente, mesmo do outro lado – Portugal.

 

Continua.

 


publicado por melgaçodomonteàribeira às 00:30
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