Sábado, 16 de Fevereiro de 2019

O FORAL DE D. AFONSO III

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inscrição junto a porta na muralha

 

OS FORAIS ANTIGOS DE MELGAÇO, TERRA DE FRONTEIRA

 

O primeiro foral de Melgaço esteve em vigor até à outorga de nova carta, em 29 de Abril de 1258. As razões que terão motivado a concessão de novo foral a Melgaço devem encontrar-se através do estudo da política seguida por D. Afonso III.

O caos político que submergiu o reino no tempo de D. Sancho II deu lugar à intervenção directa da Santa Sé, tendo o Sumo Pontífice Inocêncio IV, após o encerramento do concílio de Leão (1245), expedido uma bula a ordenar aos portugueses a obediência ao infante, que, nos começos do ano seguinte, entrava em Lisboa, intitulando-se visitador, curador e defensor do reino. No termo de uma luta encarniçada, D. Sancho II, derrotado, retirou-se para Toledo, onde viria a falecer nos primeiros dias de 1248. D. Afonso III foi então aclamado rei, ocupando-se, nos anos seguintes, na conquista definitiva do Algarve, que constitui uma das principais fases do programa de estabelecimento definitivo das fronteiras de Portugal, assim como na reorganização administrativa do reino. Neste contexto se enquadram as inquirições realizadas em 1258, bem como a outorga de numerosos forais e cartas de foro, a publicação de legislação adequada e a convocação de cortes gerais, tendo os municípios participado pela primeira vez nas de Leiria em 1254…….

O novo foral não agradou às gentes de Melgaço. O diploma introduzia modificações a que os moradores teriam dificuldade em se adaptarem. O maior problema esteve certamente no censo anual a pagar ao monarca.

Com efeito, o tributo a pagar ao rei tinha sido fixado no tempo de D. Sancho II em 1000 soldos leoneses, a pagar em três prestações, ao longo do ano. No novo foral estipulava-se um tributo anual de 350 morabitinos velhos, também em três prestações fixas, nas datas acostumadas. Este valor foi fixado na previsão do pagamento de um morabitino por morador, o que fazia que se elevasse para 350 o número de moradores na vila. Essa mudança do panorama demográfico obrigaria a uma redistribuição das terras reguengas que o rei tinha doado ao concelho, a qual, para além de outras perturbações no que dizia respeito às benfeitorias introduzidas pelos seus exploradores, forçosamente diminuiria as parcelas, perspectiva suficiente para provocar uma onda de descontentamento.

O rei acolheu com compreensão as reclamações dos habitantes de Melgaço, que desejava continuar a ter por aliados e sentinelas da fronteira. E assim repôs o estado anterior das coisas outorgando, com pequenos ajustamentos, em 9 de Fevereiro de 1261, uma carta de confirmação do foral concedido por D. Afonso Henriques.

Quanto acabamos de dizer ajuda-nos a ver a forma humana como os nossos primeiros monarcas dialogavam com as populações, exercendo um poder moderador, ainda muito afastado dos figurinos absolutistas das eras moderna e contemporânea.

Para a defesa da fronteira, para a manutenção da ordem, para o povoamento e desenvolvimento do país, o rei sabia que era preciso o concurso de todos e, por isso, uma das suas primeiras preocupações era a de compatibilizar e congraçar os mais diversos interesses e de criar estímulos que promovessem a consecução dos objectivos comuns.

 

Revista da Faculdade de Letras

António Matos Reis

http://ler.letras.up.pt

 

 

 


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Sábado, 9 de Fevereiro de 2019

ERA UMA VEZ...

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A INÊS NEGRA

LENDA DE MELGAÇO

Era uma vez…

 

… Antigamente, havia muitas lutas e batalhas entre Portugueses e Espanhóis, porque ambos queriam ser donos das melhores terras! Numa altura em que Melgaço pertencia a Espanha (Castela), travou-se uma dessas batalhas, em que dentro das muralhas estavam os soldados de Castela, a tentar proteger as terras, e fora das muralhas, os soldados Portugueses, que tentavam reconquistá-las!

Apesar de primeiro terem tentado chegar a acordo, para evitar conflitos, os Reis não se entenderam, e por isso o Rei de Portugal acabou por decidir atacar as muralhas! Mas entretanto, uma mulher, a quem chamavam de Arrenegada por ter preferido ficar do lado de Castela, encheu-se de orgulho e de coragem, e decidiu desafiar uma outra mulher, que vivia fora das muralhas, Inês Negra.

 

Inês era uma mulher do povo, que tinha abandonado Melgaço quando esta Vila se pôs ao lado do Rei de Castela. A Arrenegada desafiou Inês para uma luta entre as duas, e com a concordância dos dois Reis, ficou decidido que quem ganhasse, ficaria dono das terras de Melgaço!

 

No dia da luta entre Inês Negra e a Arrenegada, toda a gente veio assistir, cada um gritando pela sua favorita, como num jogo de futebol, em que cada um grita pelo seu clube! A luta foi forte, com armas, unhas e dentes, ora uma parecia ganhar vantagem, ora a outra, até que finalmente, se ouviu um forte grito… por breves momentos, ninguém conseguiu perceber o que estava a acontecer, até que a Arrenegada se levantou e fugiu para o castelo, escondendo as nódoas e o sangue com as suas mãos! Inês Negra venceu!

 

Com a vitória de Inês, os soldados castelhanos abandonaram as muralhas, praticamente sem oferecer resistência, e Melgaço voltou a ser de Portugal!

 

LENDAS ENCANTADAS DO VALE DO MINHO

LIVRO DE CONTOS TRADICIONAIS E ACTIVIDADES

Edição: Associação dos Municípios do Vale do Minho

2011

 www.valedominho.pt

 


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Sábado, 2 de Fevereiro de 2019

MELGAÇO, ACÇÃO CULTURAL E RECREATIVA

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fonte termal

ACÇÃO CULTURAL E RECREATIVA

 

A vila possui uma grande herança natural, histórica e cultural marcada pelo Parque Nacional Peneda-Gêres e pela recente revitalização do Parque Urbano Rio do Porto, pelos mais variados monumentos de arquitectura religiosa, civil e militar como as pontes romanas que se destacam pela simplicidade e plena integração na natureza (Rocha, 1993).

Esta região tem a sua origem no povo castrejo, de raça celta, que habitava as construções chamadas de castros e viviam com base no nomadismo entre terras serranas (brandas) durante os meses de maior calor e nas terras ribeirinhas (inverneiras) nos meses de temperaturas mais frias. Praticavam a caça, a pesca e a agricultura, cultivando na serra apenas a batata, centeio e pastagens, e na terra ribeirinha os cereais variados, fruta e vinhos.

Ao longo dos anos foram passando, pelo lugar de Melgaço, várias civilizações como os Romanos que ao longo do território deixaram marcas da sua cultura, através de construções como as pontes que vão ligando as margens do rio Laboreiro.

Após quatro ou cinco mil anos, este território continua a demonstrar uma forte ocupação humana. Aqui, tiveram grande destaque as culturas dolménica e castreja comprovadas pela presença de várias construções como as antas e os dólmenes e também alguns menires. Como monumento nacional adquiriu evidência o pelourinho, de 1560, e a igreja matriz, como exemplo do estilo românico do século XII, que mais tarde, em 1775, foi completada com um coro, torre e capela-mor.

O desenvolvimento gerado pelo comércio tradicional e serviços, adquiriu maior expressão através das obras de requalificação de alguns espaços públicos da vila, tais como: a Casa da Cultura; os Núcleos Museológicos da Torre de Menagem, da Praça da República, Memória e Fronteira e o Museu do Cinema; as Piscinas Municipais; a revitalização das margens do Rio do Porto; o Centro Cordenador dos Transportes; e a praça urbana no recinto da feira, que vão proporcionando o aumento do turismo através do impulso cultural, social e de lazer.

Deste modo, quando visitamos a vila, o acesso e reconhecimento dos diversos espaços museológicos existentes no concelho é simples e rápido, mostrando a valorização do património enquanto conjunto através da criação de uma rede denominada Melgaço Museus, da qual fazem parte o Núcleo Museológico da Torre de Menagem e as Ruínas Arqueológicas da Praça da República, Núcleo Museológico de Castro Laboreiro, Museu de Cinema e Espaço Memória e Fronteira. O Núcleo está instalado na Torre de Menagem do Castelo, em plena zona histórica, valorizando a Torre e dando a conhecer o património arquitectónico, histórico e cultural de Melgaço. Associadas a este Núcleo existem as Ruínas, situadas na Praça da República, onde é possível observar e interpretar parte da história medieval do concelho. O Espaço Memória e Fronteira é dedicado à preservação da história recente do concelho, relacionada com o contrabando e emigração, conduzindo o visitante pelas histórias da História. O Núcleo Museológico de Castro Laboreiro centra-se na história e tradição da freguesia de Castro Laboreiro, a maior e mais antiga do concelho. Divulga aspectos relacionados com a paisagem e com as vivências locais. Na casa anexa à sede, numa construção tipicamente castreja, é retratado o ambiente de uma casa local, na segunda metade do século XX. O Museu de Cinema de Melgaço – Jean Loup Passek, inaugurado em 2005, encontra-se instalado em plena zona histórica da Vila, no edifício da antiga guarda-fiscal. Tem por base o espólio coleccionado ao longo da vida pelo francês Jean Loup Passek e doado ao Município, conta com duas exposições, uma de carácter permanente e outra temporária, distribuídas pelos dois andares do edifício. A Casa da Cultura de Melgaço é um serviço público, que tem por finalidade promover e valorizar o património cultural de Melgaço, com o objectivo da compreensão, permanência e construção da identidade do concelho e a democratização da cultura. É um espaço de encontro e convívio aberto à intervenção e dinâmica cultural do concelho (Melgaço, 2013).

No parque termal do Peso, os edifícios da fonte termal e do balneário apresentam-se como exemplos únicos da arquitectura do ferro e arquitectura neo-clássica que devem ser incluídos neste grupo de elementos culturais, diversificando a oferta e valorizando este espaço termal. Observando o parque percebemos rapidamente as suas enormes potencialidades, com uma envolvente natural propiciadora de actividades ao ar livre e grande dinamismo social e cultural.

Os locais de lazer, recreio e cultura são sempre necessários à promoção de um equipamento, onde os espaços exteriores complementam os interiores, fomentando o pleno equilíbrio entre vertentes terapêuticas e paisagísticas, conservando e valorizando a permanência num ambiente propício à saúde e bem estar.

 

Medeiros, Daniela Faria Vilela Lourenço

RECUPERAÇÃO E REVITALIZAÇÃO DO PARQUE TERMAL DO PESO

http://hdl.handle.net/11067/1506

Universidade Lusíada do Porto

Dissertação para obtenção do Grau de Mestre

Porto 2013

 


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Sábado, 26 de Janeiro de 2019

O AMOR DO PADRE ANÍBAL

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distribuição dos dólmens no planalto de castro laboreiro

 

 

OS DÓLMENES DE CASTRO LABOREIRO

                                                                         Por P. Aníbal Rodrigues

Castro Laboreiro, situada na extremidade da Alto Minho, a nascente de Melgaço e a uma altitude de 932 metros, constitui uma região de extraordinária beleza, onde os seus vales amenos, os planaltos extensos e a serra agreste se harmonizam maravilhosamente, dando à paisagem cambiantes de rara grandeza. Banha   da pelas águas cristalinas do Rio Laboreiro e embalada pelas maviosas canções da sua rápida corrente, é uma região bela cheia de micro-climas desde a terra fria que produz unicamente batata, centeio e pastagens até à parte quente e ribeirinha em que se cultiva toda a espécie de cereais, fruta e vinhos. Desde 1271 até 1855 foi esta região Vila e sede de concelho com Alcaidia e tribunal a que estava entregue o destino da sua população. Pertença do Condado de Barcelos até 1834, Comenda da Ordem de Cristo desde 1319, Castro Laboreiro ocupou um papel de grande relevo, quer na independência Pátria, quer na Guerra da Restauração, desde 1640 a 1707. Defendida pelo seu inexpugnável Castelo, manteve-se sempre fiel ao ideal pátrio, sem nunca se vender ao estrangeiro. Desde 1136, data em que D. Afonso Henriques visitou Castro Laboreiro até ao presente, o povo castrejo conservou-se sempre coerente consigo mesmo e de um portuguesismo a toda a prova. Hospitaleiro, folgazão e alegre, o castrejo reúne em si as qualidades e defeitos do povo minhoto e a firmeza e carácter do transmontano. Vivendo nas faldas da Serra da Peneda, é um povo de uma maneira de viver sui-géneres.

Embora alguns pseudo-historiadores de antanho tenham apresentado o povo castreja como originário de habitantes degradados nesta região, a sua origem confunde-se com o Homem da Pedra ou do Megalítico Ocidental. Compulsando os seus documentos, gravados em pedra, há já 4.000 e 5.000 anos, que a acção destruidora do tempo e a mão demolidora do homem não lograram fazer desaparecer, verificamos que nesta região se desenvolveram sucessivamente duas grandes culturas que atingiram um grau elevado de civilização: - A Cultura Dolménica e a Cultura Castreja. Percorrendo o lindo e extenso planalto de Castro Laboreiro, que nos lembra a meseta ibérica, podemos observar os numerosos e notáveis dólmenes que se dispersam por todo o planalto, dando-lhe um aspecto de grandiosidade histórica, raras vezes encontrada numa região. As tribos nómadas, que povoaram o planalto, viviam da caça, da pesca e da cultura do trigo, centeio, cevada e aveia, bem como da pastorícia, depois que conseguiram domesticar o boi, o porco, o carneiro e a cabra. Da sua permanência nesta região restam-nos os numerosos dólmenes a que o povo liga as belas lendas das moiras encantadas à espera de um valoroso cavaleiro que um dia lhes quebre o encanto e as faça suas esposas. Em noite de São João toda a sua riqueza ficará exposta ao ar para arejar e ser aquecida pelo sol do dia. Os dólmenes desta região estão colocados em sistema ternário e são geralmente constituídos por sete esteios e uma mesa ou chapéu. Além da câmara funerária têm o corredor, com a porta de entrada voltada sempre para nascente. Em todos eles foram inumados as cinzas dos chefes tribais, uma vez que são cercados e cobertos pelas mamoas. Alguns foram já violados, embora o seu principal recheio se encontre praticamente intacto, no que diz respeito aos machados, raspadores, coup de poing, pontas de sílex e de quartzo, etc. Os vasilhames de cozinha ou das cinzas foram destruídos nos dólmenes violados, por se julgarem cheios de ouro e outros metais preciosos. Há-os ainda virgens onde a mão do homem não logrou devassar. Na destruição das mesas ou chapéus dos mesmos tiveram um papel importante a cobiça da laje para a construção de casas nesta freguesia e os trabalhos realizados pelos tractores dos Serviços Florestais, cujos óleos eram mudados em cima das mesas dos dólmenes, quebrando-as. Vale a pena preservá-los da sua completa destruição, fazendo um inventário de todos eles e declarando-os imóveis de interesse público e pré-histórico. Eles constituem, além do património cultural e pré-histórico de Castro Laboreiro, preciosas relíquias do passado e pelas quais podemos aquilatar o grau de cultura daquele povo, como a evolução do homem do paleolítico, mesolítico e neolítico. Seria de muito interesse para a cultura e para o turismo que todos estes monumentos funerários estivessem mencionados e localizados nos mapas e itinerários publicados pelo Parque Nacional de Peneda – Gerês. Facilitaria aos estudiosos destas coisas pré-históricas e aos turistas a sua mais fácil localização.

 

    Castro Laboreiro, 27 de Julho de 1978.

 

 

 


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Sábado, 19 de Janeiro de 2019

ANTÓNIO IGREJAS, AS DAMAS E OS AZULEJOS

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antónio eduardo igrejas - 1998

 

ESPAÇO DAMISTA – 1994

(separata da Enciclopédia Damista do Dr. Sena Carneiro)

 

RETRATO DE FAMÍLIA

 

Nome: António Eduardo Igrejas

Nascimento: Melgaço

Data de Nascimento: 7-8-1920

Profissão: Artista Plástico

Estado Civil: Casado

Filhos: Um, do sexo feminino

Sigla: As três primeiras vogais - AEI

 

CURRÍCULO DAMISTA

 

Director Técnico: O Carola

Seccionista: Jornal Século Ilustrado

Seccionista: Revista Vamos Decifrar

Colaborador: Enciclopédia Damista

Colaborador: Jornal Estado de S. Paulo

 

Conseguimos, por acaso do destino, adquirir um quadro raro que permanece no Brasil. Estávamos nós à conversa quando saltou a notícia de que António Eduardo Igrejas viria brevemente a Portugal. Não podíamos perder a oportunidade de entrevistar esse senhor das Damas Clássicas que, com os seus quase oitenta anos, passou no seu país natal apenas a primeira metade da sua vida, já que a outra metade a tem vivido no Brasil. Quando menos esperávamos, Mário Diniz Vaz telefonou-nos a informar de que ele já havia chegado e havia seguido para Melgaço. Conseguimos descobrir o número de telefone e ligámos. Do outro lado do fio Eduardo Igrejas acedeu a encontrar-se connosco mal regressasse a Lisboa. E assim foi. Combinou-se um almoço em que também esteve presente, Carlos Ferrinho, igualmente a viver no país irmão.

 

Desde há muito que desejávamos conhecê-lo. Há quanto tempo não vinha a Portugal?

Antes do mais quero-lhe dizer que o fazia pessoa para a minha idade… Quanto à sua pergunta devo dizer-lhe que nos últimos seis anos vim até cá três vezes. Mas anteriormente estive práticamente quarenta anos sem pisar terras portuguesas.

 

E em que sítio específico vive?

Vivo no Estado de S. Paulo e moro num bairro que embora localizado numa área suburbana, se torna muito agradável por ser habitado por imensos portugueses. Uns foram chamando os outros e tornou-se numa grande comunidade.

 

Pode-se saber o que o levou a abandonar Portugal e em que data o fez?

Havia abandonado Melgaço, aos vinte e sete anos de idade, com rumo a Lisboa onde permaneci sete anos. Mas também não era fácil viver na capital e as dificuldades económicas eram grandes. O meu irmão, um artista de pintura sobre azulejo, já vivia no Brasil e convidou-me a ir trabalhar com ele. Decidi mudar de vida e aceitei o desafio. Parti em Novembro de 1954. Sempre adorei o desenho e a pintura e facilmente aprendi a arte.

 

O que sente ao visitar o País onde nasceu e a cidade onde residiu?

Estar em Portugal é sempre agradável e Lisboa recorda-me tempos em que frequentava o Nacional e o Martinho. Nessa altura jogava todos os dias as Damas Clássicas e entrei em vários torneios. Devo confessar que me perdia com o jogo que para mim constituía um verdadeiro vício. A família era prejudicada com isso e quando fui para o Brasil prometi a mim mesmo nunca mais entrar em competição, pensando mesmo em abandonar a modalidade. Mas o micróbio das Damas é inexorável e continuei a jogar por correspondência e a enviar trabalhos para a Enciclopédia Damista. Colaboro nesta revista desde 1971.

 

A propósito da sua colaboração com a Enciclopédia Damista recordo alguns comentários que refletem uma crítica muito dura. Talvez mesmo destrutiva…

Reconheço que sou um pouco temperamental. Mas sempre que critiquei alguém foi visando o damista e não o indivíduo. Certas pessoas pensam saber tudo sobre Damas. E sai disparate.

 

Quando e como se iniciou a sua paixão pelas Damas?

Comecei a jogar com apenas seis anos de idade. Tal como outros entrevistados também eu fui estimulado pelo meu pai a jogar as Damas. Mas comigo aconteceu pela negativa. No dia em que ganhei fui reprimido… Mas o prazer de exercitar o raciocínio foi mais forte.

 

E actualmente o que faz no Brasil, damisticamente falando?

É uma história que começou há quase trinta anos. Desde 1955 que me havia dedicado ao problemismo quando, em 1970, fui contactado por Carlos Ferrinho, um português natural de Monção. Ele tinha sido convidado como responsável da secção de Damas Brasileiras do jornal O Estado de S. Paulo, para substituir Bakumenko, um exilado russo que acabara de falecer. Ferrinho percorreu uma imensidão de quilómetros propositadamente para me conhecer e… convencer a ajudá-lo na área do problemismo. Acabei por aceitar o convite e cá ando! Tenho colaborado o mais que posso e orgulho-me de ter contribuído para a enorme evolução que o problema teve em todo o Brasil. Adaptei imensos temas às Damas Brasileiras e, juntamente com Ferrinho, fui fundador da Associação de Problemistas de Damas. Fizemos mesmo uma Revista artesanal que se denominava APD.

 

Dada a sua idade, depreendo que se encontra reformado.

Reformado, só do jogo prático. Continuo a trabalhar normalmente na pintura sobre azulejo. Gosto de pintura colorida que é mais alegre do que a clássica, a azul e branco. Sabe, o povo brasileiro é um povo alegre e aprecia mais as cores multifacetadas. Olhe, pode observar através desta fotografia um recente quadro meu, intitulado A Sagrada Família.

 

Embora afastado, acompanha a nossa actividade. Quem é para si o melhor jogador?

Para mim, o melhor jogador é aquele que utiliza mais o raciocínio. A memória, só, não chega. Não basta dizer que determinada posição é conhecida como empatada. É necessário saber empatá-la. E os títulos nem sempre são boa bitola. Não é o resultado de dois ou três Torneios que definem um campeão.

 

Que projectos damísticos tem para o futuro?

A secção do Estado de S. Paulo tem sido um êxito e colaborou decisivamente na divulgação do Problema, no que respeita às características, concepção e nomenclatura. Há muita gente interessada pois a grande parte dos estados brasileiros é maior do que Portugal. Continuarei sempre às ordens do amigo Ferrinho, enquanto desejar a minha colaboração. Sei que Espaço Damísta o vai entrevistar, o que acho muito acertado, pois ele é uma autoridade, em Damas Brasileiras e Internacionais, principalmente no campo das Regras e da Arbitragem.

 

Espera, como a maioria dos emigrantes, voltar um dia a Portugal?

Não me considero um verdadeiro emigrante. Este, normalmente, parte para o estrangeiro com o objectivo de juntar algum dinheiro e regressar para fazer uma moradia, montar um negócio, reformar-se. Eu fui viver para o Brasil e não penso regressar. Bem vê, tudo o que tenho está lá; a casa, o trabalho, a família. O meu mundo está onde estão estas coisas.

 

Para saber mais sobre Damas http://tresedama.blogspot.fr

 

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casa de macau - tijuca - br

 

557 - Vila Isabel (5).JPG

vila isabel - br

 


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Sábado, 12 de Janeiro de 2019

BOLETIM CULTURAL

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    Na sequência da atenção que a Câmara Municipal de Melgaço tem vindo a prestar à Cultura, nas suas múltiplas expressões, registadas nos sucessivos números da Agenda Cultural e no conjunto de publicações já patrocinadas, considerou-se oportuno criar o Boletim Cultural, como espaço privilegiado para a recolha e divulgação de estudos sobre o nosso património histórico, cultural, natural e humano.

    O denso e agradável conteúdo deste primeiro número, que ficamos a dever à colaboração de um grupo de investigadores, interessados em aprofundar o conhecimento do nosso passado, além de constituir uma valiosa amostra do muito que ainda é possível desvendar sobre a nossa terra, suas gentes e culturas, é também garantia da qualidade de futuros volumes e da adesão de novos e qualificados colaboradores.

    Embora o Boletim Cultural esteja primordialmente orientado para temáticas relacionadas com Melgaço, a critério de responsáveis pela sua coordenação, não deixará de se abrir a outros horizontes de interesse para os melgacenses, que muito contribuirão para a intensificação do intercâmbio cultural, cada vez mais necessário e desejado.

    A organização deste primeiro número, que agora fica ao alcance do público interessado, foi possível mercê da colaboração dos Drs. Eduardo Jorge Lopes da Silva, Antero Leite, José Domingues, Prof. Doutor Albertino Gonçalves, Arq.to Luís de Magalhães e dos coordenadores Doutor Armando Malheiro da Silva, Profs. Doutores Carlos A. Brochado de Almeida e José Marques, que, em conjunto, partilharam o ónus e o mérito deste trabalho multidisciplinar, aos quais me apraz dirigir um agradecimento muito especial do Município de Melgaço.

 

O Presidente

 


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Sábado, 5 de Janeiro de 2019

O DOUTOR SUIÇA

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nº 60, casa da dona marieta

 

UM LUGAR ONDE NADA ACONTECIA…

II

Espalhou-se rápida nas tabernas e no café a notícia do internamento no hospital, do Amílcar da Lucrécia. O grupo de rapazes reunido numa mesa do café do Zé Félix, comentava o caso:

- Realmente fazia alguns dias, talvez mais de uma semana, que não aparecia no bilhar.

- A Maria da Rosa Pires que ultimamente cuidava dele, é que o levou ao hospital.

- Disseram que estava irreconhecível. Um rapagão que ele era, consumido pela febre.

- Tudo começou por uma dor de cabeça.

- Está com meningite e talvez não escape.

Quem afirmava isto era o Neca Pires, sempre bem informado e que acabara de se juntar ao grupo.

O Dr. Esteves, mais conhecido como Dr. Suíça pela marca de nascença que tinha no rosto, encostada à orelha esquerda, médico clínico do hospital, sentenciara:

- Meningite em estado adiantado, não tem jeito!

O Zeca da Cabana, funcionário municipal, de família influente e amigo do médico, presente na hora do diagnóstico interveio:

- Ó Esteves, vê o que podes fazer pelo rapaz, ele é um desocupado, mas é um ser humano.

- É um pária, imprestável, não merece qualquer tentativa…

Era o doutor António Cândido Esteves, radical em suas opiniões e aparentemente desprovido de sentimentos piedosos. Não acreditava em Deus nem em qualquer manifestação espiritual. Uma tarde, na alfaiataria do Augusto do Félix, do outro lado da rua, quase em frente à sua casa, onde passava alguns momentos do dia conversando, surgiu o assunto:

- Claro que Deus não existe, donde é que ele veio?

- Mas, senhor doutor, a terra, os planetas, o universo, quem os fez? – perguntava o Gú, filho do alfaiate.

- Apareceram por acaso. A maior parte das coisas aparecem por acaso.

- E Jesus Cristo? – perguntou o Augusto do Félix.

- É isso que é uma boa alma, como vocês dizem. Foi um sujeito bom, como tantos outros e o povo diz que é uma boa alma.

A conversa nesse dia acabara meio sem graça. Não obstante a sua instrução superior, o doutor Esteves não teve argumentos para evitar o sentimento de piedade que naquele momento lhe devotaram. Todavia convivia o doutor Suíça pacificamente com a religião chegando a participar de alguns actos do culto como se fossem eventos sociais, e era amigo de todos os padres da região, a quem respeitava e era respeitado.

As declarações de ateísmo do doutor Esteves eram contrariadas por suas atitudes de vida. Atendia a todos que o procuravam ou mandavam chamar, sem cobrar coisa alguma, mesmo porque a maioria do povo não tinha recursos monetários. Nos seus tempos de estudante na Faculdade em Lisboa, frequentara a Academia de Equitação, e, desde então tinha predilecção por cavalos e era óptimo cavaleiro. Sempre tinha um animal de boa linhagem, geralmente uma égua, que era o seu meio de transporte para atender aos enfermos nas povoações distantes, na montanha, onde o automóvel não ia.

Tinha um Citroen, modelo 1928, em bom estado, pelo pouco uso, não obstante os quase vinte anos. Quando resolvia utilizar o automóvel, para o tirar da garagem valia-se de alguns rapazotes que o empurravam até pegar. Pelo longo tempo de inactividade sempre a bateria estava descarregada. Nos sábados, dia de feira na Vila, à porta do doutor Esteves havia uma romaria de pessoas que vinham agradecer os seus préstimos; um parente que ele salvara, ou o próprio enfermo já recuperado. Como reconhecimento, faziam-se acompanhar de frangos, galinhas, cabritos, peixes do rio, frutas e outros produtos da terra.

- Ó Manel, vem cá! Leva estas trutas à casa da Marieta.

O Manel era o filho mais novo do Augusto do Félix, o vizinho alfaiate. A Marieta era a mulher oficial do doutor Suíça com quem tinha duas filhas. Não moravam juntos, nem eram casados.

Dava toda a assistência mantendo a casa da mulher no maior conforto e abastança. Parte dos pagamentos que os pacientes lhe traziam eram mandados para a casa da Marieta. Na sua casa na rua da Calçada, morava com sua mãe, a D. Teresa Pedreira, e uma criada. Um dos motivos para que a Marieta não morasse na casa do médico era a intransigência da mãe.

Todavia, segundo os mais velhos, ela, Teresa, tinha sido empregada naquela casa.

Tinha o doutor Esteves, e parece que era esse um dos seus pecados, aparte os conceitos filosóficos e teológicos, uma tremenda vaidade da sua colecção de objectos. Algumas pessoas que ele atendia tinham familiares emigrados em outros países a quem comunicavam o acontecido. Quando estas pessoas conseguiam ir de visita a seus familiares ou em regresso definitivo, traziam os mais variados e valiosos presentes para o doutor Suíça. Uma espingarda de caça, cano duplo, toda entalhada, o melhor que existia na época segundo os entendidos, que alguém levara da Bélgica; relógios idos da Suíça, máquina fotográfica de França e outros objectos de alto valor. Nunca, naquela terra, se ouvira falar em tal: um retornado dos Estados Unidos levou-lhe um barbeador eléctrico. Foi uma sensação!

Mas o doutor Esteves não saía de seus hábitos e não usava nenhum daqueles objectos. Eram como troféus dos quais era cioso e só uns poucos amigos podiam apreciar.

Para manter suas necessidades económicas e sua posição social, tinha considerável património de família. Auferia salário simbólico como clínico do hospital, porém tinha bons lucros com a transacção de gado bovino. Era entendido no assunto, frequentava as feiras especializadas, comprando e vendendo bois e vacas. Mantinha os animais ao ganho durante algum tempo, que consistia no seguinte: comprava os animais em época baixa, quando os lavradores precisavam de dinheiro para custear suas lavouras e vendia-os em época em que os mesmos precisavam dos animais para as fainas agrícolas. Nesse meio tempo os animais ficavam à guarda de proprietários rurais conhecidos ou amigos, que passavam a ser parceiros. Cuidavam dos animais utilizando-os em seus serviços de lavoura e quando o convencionassem vender, o lucro era dividido.

(continua)

 


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Sábado, 29 de Dezembro de 2018

A CRUZADA DE SÃO GREGÓRIO

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ENTRE O CRIME E A CADEIA: VIOLÊNCIA E MARGINALIDADE NO ALTO MINHO (1732-1870)

 

Alexandra Esteves

Em tempos mais recuados, também se assistiu à actuação de quadrilhas, cuja actividade se fez sentir por todo o Alto Minho, desde os inícios do século XIX. Em 1818, as povoações ribeirinhas do rio Minho, quer do lado português, quer da Galiza, eram constantemente atacadas por bandos de salteadores encapuzados, que não só roubavam como invadiam as aldeias, intimidando as populações com tiros e ocupando tabernas e vendas. Alguns destes bandos tinham motivações políticas e contavam, inclusive, com a conivência do poder judicial. Outros foram, entretanto, desmantelados, como a quadrilha que actuava em Melgaço, intitulada “A Cruzada de S. Gregório”. Este grupo era liderado por Manuel Joaquim Veloso, capturado em quatro de Novembro de 1834 e julgado e condenado em Junho de 1836.

A aceitação da vitória liberal, não sendo um facto consumado em todo o reino, contribuiu para o desenvolvimento de uma política de guerrilha. Constituíu o primeiro passo para a formação de bandos organizados, que se dedicavam à prática de todo o tipo de atentados.

Apesar da detenção, no decurso do ano de 1835, de algumas das figuras destacadas da guerrilha, e, Janeiro de 1836 o provedor de Melgaço traçou um cenário desolador. Algumas estradas, nomeadamente a que ligava a freguesia de Penso a Valadares, estavam praticamente intransitáveis, devido ao clima de medo imposto por bandoleiros, sendo o mais conhecido Tomás das Quingostas, que deambulavam por aquelas terras. Por outro lado, funcionários judiciais recusavam-se a entrar nas aldeias e afixar editais contra eles, com receio de perder a vida, imperando, por isso, um verdadeiro clima de medo e delação.

 

http://academia.edu

 


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Sábado, 22 de Dezembro de 2018

SANTA MARIA DE CASTRO LABOREIRO

234 - 1910 matriz castro laboreoro - Cópia.jpg

em 1910

PARÓQUIA DE CASTRO LABOREIRO (SANTA MARIA)

 

A primeira referência conhecida a esta igreja remonta a 1141, ano em que D. Afonso Henriques coutou o mosteiro de São Salvador de Paderne, em reconhecimento pelo auxílio que lhe prestou a sua abadessa, D. Elvira Serracins, “quando tomavit dominus rex castellum de Laborario”.

No catálogo das igrejas situadas ao norte do rio Lima, que o rei D. Dinis mandou organizar em 1320 para a determinação das taxas a pagar, Santa Maria de Castro Laboreiro pertencia, na época, à Terra de Valadares.

Em 1546, na avaliação efectuada no tempo do arcebispo D. Manuel de Sousa, a igreja de Santa Maria de Castro Laboreiro, avaliada então em 60 mil réis, figurava na Terra da vila de Melgaço.

No Censual de D. Frei de Baltasar Limpo (1551 – 1581) que descreve a situação canónica dos benefícios eclesiásticos da comarca de Valença do Minho, diz-se que esta igreja fora da apresentação do rei e, depois, do duque de Bragança, por doação régia. No aludido documento, Castro Laboreiro pertencia ao julgado do mesmo nome e era comenda.

Américo Costa descreve-a como reitoria da apresentação da Casa de Bragança e Comenda da Ordem de Cristo, na antiga comarca de Barcelos, sendo sua donatária a Casa de Bragança.

Em termos administrativos pertenceu, em 1839, ao concelho de Ponte de Lima, aparecendo em 1853 como sede do concelho de Castro Laboreiro, na antiga comarca de Monção. Em 1878 passou a fazer parte do julgado de Fiães e posteriormente ao concelho de Melgaço.

Pertence à Diocese de Viana do Castelo desde 3 de Novembro de 1977.

 

Retirado de: Arquivo Distrital de Viana do Castelo

http://digitarq.advct.dgarq.gov.pt/ditails?id=1070101

 


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Sábado, 15 de Dezembro de 2018

MELGACENSES NA I GRANDE GUERRA (E EM OUTRAS GUERRAS DO SÉCULO XX)

lilo-valter.jpg

Foi há pouco mais de cem anos que os primeiros soldados do contingente que Portugal enviou para combater em França na I Guerra Mundial chegaram à Flandres. Em África, já combatiam os alemães desde 1914. Com base nos dados de que dispomos, de Melgaço partiram para a Flandres mais de setenta homens, oriundos das diversas freguesias. Estes homens foram autenticamente “roubados” às suas vidas e obrigados a ir para uma guerra para a qual não estavam preparados. Paderne, com catorze homens, Penso com doze homens e Vila, com catorze homens, são as freguesias melgacenses que mais contribuíram em termos de número de efetivos. Estes homens da nossa terra, feitos soldados, tinham todos – à data do embarque – idades entre vinte e dois e vinte e sete anos completos (nascidos entre 1891 e 1895), à exceção dos oficiais e sargentos que eram um pouco mais velhos.

 

MELGACENSES NA I GRANDE GUERRA

(E EM OUTRAS GUERRAS DO SÉCULO XX)

Valter Alves

Joaquim A. Rocha

Edição de Autores

Melgaço 2018

 

VALTER ALVES. Filho de Anselmo Alves (1937-1990), funcionário da Repartição de Finanças de Melgaço, e de Elisa Maria Afonso (1938-1993), doméstica. Neto paterno de Francisco Alves e de Maria Teresa Alves; neto materno de Manuel Gaspar Afonso e de Albertina dos Anjos Sérvio. Nasceu em São Paio de Melgaço a 25/4/76. Estudou na escola primária de São Paio e na então escola C+S de Melgaço até aos dezassete anos de idade; depois, devido à morte dos pais, seguiu para Cinfães do Douro, para casa do seu irmão, onde permaneceu até 2002. Licenciou-se em Geografia (Ramo Educacional), na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. É Pós Graduado em Gestão dos Riscos Naturais. Em 2018 morava em Vila Nova de Gaia e era professor de Geografia na Escola Básica e Secundária de Lousada Norte. Casou em 2003 com Carla Alves.Paralelamente à atividade docente, desenvolve investigação histórica, cujo produto tem sido publicado no blogue – Melgaço, entre o Minho e a Serra -, onde divulga notícias históricas, e outras estórias sobre o concelho de Melgaço. Pai de Luís Pedro Alves.

                                

JOAQUIM AGOSTINHO DA ROCHA nasceu em Cevide, Cristóval, Melgaço, onde residiu até aos seis anos de idade. Depois foi para a Vila de Melgaço, terra de sua mãe, Maria Leonor da Rocha. Permaneceu ali até aos vinte anos, altura em que ingressou no serviço militar. Cumpriu cerca de um ano na “Metrópole” e quase dois anos na Guiné-Bissau. Em finais de 1967 regressa e fixa a sua residência em Lisboa. Em finais de 2000 transfere-se para Braga, onde ainda vive. Quanto a estudos: saiu de Melgaço com a 4ª classe mais dois anos do Curso Elementar de Estudos Agrícolas, portanto com a equivalência à sexta classe, ou 2º ano dos liceus. Na capital do país fez o Curso Comercial e o Curso Complementar de Contabilidade e Gestão de Empresas (Técnico de Contas). Fez depois algumas disciplinas no Liceu e Ano Propedêutico, permitindo-lhe ingressar na Faculdade de Letras, onde completou o 2º ano do Curso de Línguas e Literaturas Modernas (Estudos Portugueses). Devido a incompatibilidades de horários, completpu o Curso na Universidade Autónoma de Lisboa (Luís de Camões) com a média de 16 valores. Quanto a empregos: foi empregado de escritório, contabilista, bancário, bibliotecário, professor… Dedica-se atualmente ao estudo da História e Cultura de Melgaço, e também ao estudo da Genealogia, ou seja, à biografia dos melgacenses em geral.

 


publicado por melgaçodomonteàribeira às 00:29
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