Sábado, 7 de Outubro de 2017

VIDA E MORTE DE TOMÁS JOAQUIM

moinho, lamas

 

TOMÁS DAS QUINGOSTAS

 

Na noite de 17 para 18 de Fevereiro de 1827, o Tomás das Quingostas e seus sequazes assaltaram a residência do reverendo Manuel José Esteves, na Cela de Cousso, donde roubaram toda a mobília e outros objectos pertencentes ao comerciante da Vila de Melgaço, Francisco José Pereira, que o mesmo tinha ali a guardar. E para que a razia não fosse completa, aquele sacerdote foi constrangido a dar ao dito Tomás a quantia de 34$080 reis em moeda corrente.

Em 12 de Maio de 1828, Tomás Joaquim Codeço, o famigerado Tomás das Quingostas, apresentou-se, na Vila, no estabelecimento de Francisco José Pereira, do Campo da Feira, compelindo-o a que lhe desse da sua loja dinheiro e determinadas mercadorias, ao que aquele comerciante de bom ou mau grado, teve de aceder. Embora sem provas, tenho para mim que entre aquele comerciante e Tomás das Quingostas devem ter existido as melhores boas relações… e isto cá por contas.

Em 25 de Fevereiro de 1836, o dito Tomás das Quingostas mandou um seu «emissário» à Vila, ao estabelecimento do tal Francisco José Pereira, com «credenciais» intimativas para este comerciante lhe remeter cinco côvados de baeta o qual, por não ter na sua loja, foi obrigado a comprar algures para assim satisfazer o pedido de Sua Ex.ª o «Leão das Montanhas».

Em 7 de Maio de 1836, o Tomás das Quingostas apresentou-se em Real, em casa do cirurgião Manuel José de Caldas e exigiu-lhe a entrega de setenta e dois alqueires de milho e, como aquele físico tantos não tinha em casa, levou-lhe o rol das avenças e foi cobrar a maior parte do cereal à casa dos próprios fregueses.

Em 11 de Julho de 1837, o Tomás das Quingostas e sua quadrilha, encontrando-se na romaria de São Bento do Cando, foram aqui surpreendidos e perseguidos pela força pública, deixando na fuga vários objectos e um cavalo que lhes foram apreendidos.

Em 9 de Junho de 1838, o juiz de paz e órfãos no círculo das freguesias de S. Paio, Vila e suas anexas, Joaquim Tomás Correia Pimenta Feijó, da Casa e Quinta da Cordeira, convocou ao cirurgião de Real, Manuel José de Caldas, e a Tomás Joaquim Codeço – o famigerado Tomás das Quingostas – ambos da referida freguesia de S. Paio, para comparecerem em sua casa, a fim de os conciliar sobre certos diferendos que entre ambos havia. O cirurgião, certamente por medo, não compareceu a esta citação, pelo que a causa em questão subiu ao tribunal, mas cujo desfecho ignoro.

Em 17 de Outubro de 1838 o cirurgião de Real, Manuel José de Caldas, foi compelido a entregar a Caetano Manuel Meleiro, da Granja, uma clavina avaliada em 5$000 reis para ser entregue a Tomás das Quingostas.

Em 7 de Setembro de 1838, na romaria da Peneda, numa desordem, motivada ao que parece por uma questão de «cães e rapazes», Tomás Joaquim Codeço, o famigerado Tomás das Quingostas, matou com um tiro de clavina Joaquim Cerqueira, o «Amarelo», da Gavieira, um dos melhores jogadores de pau do seu tempo. Esta desordem começou em frente da antiga capela, que ficava mais ou menos, ao centro do actual terreiro, e terminou no sítio que hoje denominamos Largo do Pretório, onde o valente João Amarelo foi assassinado.

Ninguém se pôde chegar ao pé da vítima. Somente à viúva e aos filhos da mesma o Tomás consentiu que velassem o cadáver até ao dia seguinte, em que foi enterrado no próprio local do crime.

Diz o Evangelho (Mat. XXVI-52) quem a ferro mata a ferro morre. É uma verdade.

De facto, menos de cinco meses depois, o Tomás foi também assassinado, a tiro, na Ponte de Alote, pela escolta militar que antes o capturara no estabelecimento de Policarpo José de Fontes, do lugar do Cruzeiro.

A título de curiosidade acrescentarei que há dois anos ainda viviam na Gavieira dois bisnetos do tal João Amarelo: o Manuel Alves Cerqueira, de 82 anos, e o primo deste, Manuel Vieites, de 74 anos.

E em 30 de Janeiro de 1839, quando Tomás Joaquim Codeço, o famigerado Tomás das Quingostas, se encontrava a cavaquear no estabelecimento dum vizinho de nome Policarpo foi surpreendido por inesperada escolta militar que ia para o capturar. Dizem que o Tomás ainda tentou fugir trepando por um alçapão que dava para o primeiro andar; mas os militares agarraram-no pelas pernas, cortaram-lhe os suspensórios e assim o levaram. Também dizem que ao chegar à Ponte de Alote o prisioneiro exclamou: - «foi ali que eu pratiquei o primeiro crime» e ao mesmo tempo voltou-se bruscamente pisando os calos a uma praça da escolta. Não foi preciso mais nada. O comandante não esteve com meias medidas: - Mandou-o fuzilar, perdão, mandou-o assassinar à queima-roupa.

Foi sepultado nas traseiras da capelinha de S. Bento da Barata.

 

P. Júlio Apresenta Mário

P. Júlio Vaz

Edição do autor

1996

pp. 252 a 254

 


publicado por melgaçodomonteàribeira às 01:00
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