Sábado, 18 de Fevereiro de 2017

UMA MULHER DE BARBA RIJA

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ANA HOME

 

O seu nome verdadeiro era Ana Fernandes. Nasceu em 1876 e faleceu na Vila de Melgaço a 5/4/1947, com 71 anos. Ficou com a fama de hermafrodita, por ser virago, mulher de pulso rijo. Em certa ocasião, num monte da Galiza, desarmou um carabineiro que dias antes lhe tirara o contrabando, uns míseros gramas de tabaco e duas barras de sabão, e com a própria carabina deu-lhe uma tremenda sova, deixando-o ali estendido como um morto. Depois remeteu a espingarda para o posto onde o ferrabrás estava afecto. O caso deu brado! E não foi só aquele que experimentou a “lenha” com que ela se aquecia, mas muitos outros homens pseudo valentes. Era tesa! Fazia todos os trabalhos normalmente atribuídos ao sexo masculino: podar, sulfatar, lavrar, etc. Fumava, vício que em Portugal só os homens tinham. No “Notícias de Melgaço” nº 1 de 6/3/1924, na secção DIZ-SE, alguém escreveu «que a Ana Home no domingo último, numa entrudada que neste dia se fez em Cristóval, vestiu-se com traje masculino, caracterizando-se com pêra e bigode; que a certa altura do divertimento montou num cavalo como qualquer homem, fazendo algumas evoluções para afastar o povo, o qual a elogiou.» Foi mãe solteira de dois filhos: o António Maria, conhecido por “Olharapo”, jornaleiro, o qual morreu na Vila (SMP), tuberculoso, a 27/3/1951; e o José, que depois da tropa ingressou na GNR, atingindo o posto de cabo. Carlos Afonso escreveu: «…embora não tendo “barba rija” tinha força e coragem para enfrentar quem a quisesse importunar. Poderia até equiparar-se à lendária Inês Negra, isto se os tempos fossem semelhantes e as oportunidades fossem as mesmas. (…) Eu conheci a “Ana Home”;… um irmão dela foi meu tio por afinidade. Mulher forte, de meia estatura e de voz grave. Trajava roupa de tecido grosso, como antigamente se usava em Castro Laboreiro, e dizia-se que por lá viveu algum tempo. Creio ter sido, talvez, da 2ª geração de uma família galega, de Desteriz, ali junto a S. Gregório, que aí por volta de 1850 veio para Melgaço, trabalhar para a Quinta chamada de Santo Preto. Em Melgaço, os descendentes dessa família, tinham por alcunha “os noivos”… Andava sempre armada com um varapau da sua altura e, dizia-se, não sei se com alguma ou total verdade, que usava “faca na liga”. Creio que a alcunha… lhe foi dada por ter a voz grossa, ou mais pelo facto de ela fumar, tal como os homens. Uma mulher a fumar, há mais de 70 anos atrás, era mesmo coisa de outro mundo…» (VM 1116, de 15/5/1999).

 

DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO DE MELGAÇO II

Joaquim A. Rocha

Edição do Autor

2010

p. 18

 

Joaquim A. Rocha edita o blog MELGAÇO, MINHA TERRA

 

 


publicado por melgaçodomonteàribeira às 00:02
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