Sábado, 23 de Julho de 2016

POMAR DAS ADEGAS

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O ANTIGAMENTE

 

A Maria Florinda, filha do saudoso Francisco de Sousa Cardoso, querida contemporânea, esclareceu a oleogravura “Frades Barbeiros” que mencionei num dos meus “Antigamente”. Obrigado pelo esclarecimento que me despertou mais esta crónica.

Nos meados dos anos quarenta, no jornal “Notícias de Melgaço”, do também saudoso Adriano Costa, apareceu um artigo assinada por M, referindo-se a um garoto modesto e educado, que pela vila circulava assobiando despreocupadamente. Que tal rapazinho tinha pendores para desenho e pintura, fazendo um repto às autoridades camarárias para que fosse mandado a Lisboa a fim de ser submetida a análise a sua capacidade artística em laboratório estatal que existia e não me lembro o nome. Ora, esse garoto era eu. Fiquei atarantado e envaidecido ao mesmo tempo. Alguém reparara em mim e na habilidade que eu não tinha a certeza que tinha. Pelo Fabiano soube que o autor era o Sr. Cardoso. Como retribuição ofereci-lhe uma pintura feita a pastel que pelo visto ainda existe pois foi referida há pouco tempo pela mesma Maria Florinda.

O Sr. Cardoso era figura destacada na vida social de Melgaço. Acho que fora comerciante e chegara a ser Presidente da Câmara, quando mandou fazer, se não o primeiro, um dos primeiros jardins da Vila, ali naquele espaço onde actualmente está o chafariz de São João. Era o local, até aos anos cinquenta, conhecido como Jardim do Cardoso, onde jogávamos bola de pano. Nunca vi o jardim, apenas nomeá-lo. Foi o Sr. Cardoso, o primeiro melgacense que viu em mim alguma habilidade e me dava atenção. Era o mentor da sociedade recreativa que se denominava Assembleia. Esse clube organizava metodicamente bailes. Como era destinado ao que na época chamávamos “alta sociedade”, esses bailes revestiam-se de grande gala. Nas noites das realizações, as mulheres do povo (plebeias), inclusive as minhas irmãs, aglomeravam-se na porta da Assembleia para apreciarem as senhoras entrando para o baile e comentarem suas indumentárias, por dias a fio. Situava-se este clube no sobrado por cima da loja do Sr. Aurélio, na confluência da rua Velha e rua do Rio do Porto. Das frequentadoras ilustres lembro as meninas Durães, as meninas da Fonte da Vila, as meninas da Calçada, as meninas do Sr. Cardoso, as do Antonino Barros, das Cerdeiras, das Teixeiras, e outras famílias afidalgadas. Foram acontecimentos de destaque social, bailes que feneceram a partir dos anos quarenta. Querendo soerguer o clube o Sr. Cardoso convocou uma reunião de associados e para tal fez uma lista com os nomes, cerca de cinquenta e contratou-me para procurá-los e pegar a assinatura de todos como cientes da reunião. Pagou-me cinco escudos por tal. Nas casas ou no trabalho visitei a todos, apenas o Manéco do Simão encontrei na rua, e como era um gozador, além de assinar escreveu isto: “visto em trânsito”.

Pouco tempo durou essa reanimação, os tempos do após guerra já eram outros.

Nessa altura, o Sr. Cardoso, que era dinâmico e empreendedor, incrementou a sua propriedade agrícola que tinha no lugar das Adegas. Comercializou o vinho das uvas produzidas nessa propriedade, que baptizou de Pomar das Adegas. Para tornar conhecido encomendou-me uns cartazes promocionais. Feito o esboço aprovou e ajustamos dez cartazes a cinco escudos cada um. Feitos à mão em meia folha de cartolina, tornou-se tedioso repetir dez vezes o mesmo desenho colorido. Representava uma espécie de pomar com o castelo ao fundo, e em primeiro plano dois homens na mesa de um bar, com as legendas em balões. Dizia um: “Estou mal!” (com cara de enjoado), respondia o outro: “Faz como eu que só bebo Pomar das Adegas”. Esses cartazes foram afixados em cafés e tabernas.

Pouco depois aconteceu mais um cortejo de oferendas para o hospital e o Sr. Cardoso resolveu participar do desfile. Encomendou-me duas grandes garrafas de vinho, branco e tinto, feitas chapéus, para dois homens usarem no cortejo. A minha experiência limitava-se a montar as construções de armar que vinham no “Mosquito” e outras revistas infantis. Aceitei o desafio que a custo consegui desenvolver. Com papelão, cola e mais papelão pintadas a carácter, ficaram bonitas mas impossíveis de segurar na cabeça de tão pesadas e grandes, de modo que os rapazes carregaram-nas nas mãos. Não me lembro quanto pagou, sempre foi correctíssimo.

Voltou a escrever no jornal sobre a minha pessoa, a que tardiamente, agora, apresento a minha gratidão. Obrigado Sr. Cardoso!

 

   Rio de Janeiro, Fevereiro de 2013

                                                                       M. Igrejas

 

Publicado em: A Voz de Melgaço

 


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Sábado, 12 de Março de 2016

NO LARGO DA CALÇADA II

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largo da calçada, década de 80 do século xx

 

  

As camionetas desta empresa, localizada no mesmo largo, ligavam Melgaço a S. Gregório, Castro Laboreiro e Monção. Nesta altura, já havia muito que a Auto Viação deixara de servir a aldeia de Fiães por falta de rentabilidade. Os camponeses preferiam a furgoneta do Meio Quilo, mais acessível, que, além de Fiães, também servia os seus lugares raianos compreendidos entre Soutomendo e Alcobaça. Era o Quim, seu filho, que assegurava o transporte das pessoas e das mercadorias. O Estrela, como era óbvio, tornara-se o pouso diário dos fianenses.

Eu fazia parte dos cliente deste aprazível café. Sentado num dos bancos altos, ao lado da entrada para o balcão, dava uns tragos num fino e observava os poucos adventícios que se iam sucedendo; matava o tempo. Quase todos carregavam com diversos sacos refertos nas mãos. Uns entravam para se resguardar da chuva e saíam logo que o céu o consentia; outros dirigiam-se para o balcão, consumiam e retiravam-se oportunamente; outros, sentados, aguardavam pela hora de saída da respectiva camioneta ou pela chegada do Quim, que estacionava no início da avenida da Barbosa; e outros, ainda, os mais insolentes, serviam-se exclusivamente dos WC, como se fossem públicos.

Na primeira das três mesas situadas por debaixo da escada que conduzia ao mezanino, encontrava-se o Araújo, um empreiteiro que passara uns anos no Canadá. Na companhia de um camponês, falava para a sala, como de costume, tentando persuadi-lo de que era o homem que lhe fazia falta, o homem que respeitava os prazos fixados e que, questão qualidade, não encontraria mais barato.

A terceira mesa, ao lado do WC, encontrava-se ocupada pela popular Maria de  Fiães, uma quarentona avançada. Amadora de boa pinga e de prazeres carnais quando a primeira lhe inflamava a libido, considerava-se uma mulher livre e assumida. Evidentemente que este comportamento discrepante tempestuava alguns, em especial os mais castos e beatos da sua paróquia.

À entrada, de pé no ângulo do balção, o Alfredo Nabiças, um pobretana provocador, gourmet inveterado de Três Marias, empenhava-se em perpetuar as caretas nauseabundas às quais havia muito as pessoas eram insensíveis.

Por detrás dele, na única mesa que ali havia, o padre Araújo corrigia deveres. O maço de Porto, encetado quando se sentara, ficaria por cima da mesa, amarfanhado, quando se levantasse.

O Martins, depois do ténue alvoroço observado entre o meio-dia e as duas da tarde, deixara ficar o Barbosinha na companhia do Abílio. O rapaz, quando tinha uns minutos, ia trocando umas curtas palavras comigo; falava-me da terra onde nascera, que lhe faltava, dos estudos e dos projectos que o motivavam. De momento, a sua ambição era aprender a tocar bateria. « Coisa natural para um brasileiro, pensei. Têm o batuque no sangue. »

Estava mesmo um dia repugnante. Os ladrilhos que cobriam o pavimento do café estavam cobertos de peugadas terrosas e húmidas e da água que escorria dos guarda-chuvas. Sentia-me entediado. A chuva dava-me o blues e a conversa do Barbosinha não era deveras estimulante. Lembrei-me de que tinha a ponta dum pica de erva no bolso. Fui ao WC dar umas passas. Agradava-me fumar, agradavam-me as sensações que a erva me fazia ressentir e agradava-me o bem-estar com que me invadia. Quando voltei a sentar-me, tinha a boca seca. Dei um bom trago no fino. Soube-me melhor.

Em Portugal, uns meses atrás, as substâncias alcalóides apenas eram conhecidas e consumidas por um círculo restrito de intelectuais, artistas e globe-trotters. O fim da guerra no ultramar, como lamentavelmente acontece com as tragédias belicosas desta dimensão, teve consequências terríveis. Entre elas, a mais ostensível foi, sem dúvida, o regresso brutal e constrangedor de uma multidão de colonos à sua pátria. Com eles, desembarcou uma quantidade apreciável de jovens, os filhos, que abandonavam a terra onde tinham nascido e vinham viver para uma que lhes era estranha e cujo solo muitos deles nunca tinham pisado. Alguns destes desarraigados, embebidos das tradições, dos rituais e das superstições dos amigos indígenas, trouxeram, no meio do cafarnaum que a urgência lhes impôs, sacos repletos de liamba. As diversas contrariedades e desventuras de toda natureza, encontradas por muitas destas famílias no país de origem, obrigou os filhos – que, em princípio, tinham trazido a droga para consumo pessoal – a comercializá-la. Foram eles que, de modo ocasional, democratizaram o uso de estupefacientes no país depois do 25 de abril. O enlevo, como era de prever, chegou a Melgaço.

Inesperadamente, vindo não sei de onde, ouço o Barbosinha cochichar-me ao ouvido:

— Que seja a última vez que vais fumar prà retrete, ouviste ?

Apanhado se surpresa, tentei mostrar-me espantado com a sua injunção. Ele sabia que fumava.

— Ó Barbosinha, eu não fumei na retrete! Quando lá fui já empestava a erva – retorqui-lhe com o ar mais natural que pude.

— Se calhar foi o Alfredo Nabiças! Não brinques comigo! – ironizou.

Não tinha fundamentos para me ilibar. Preferi optar pela discrição e, indiferente, disse-lhe:

— Pensa o que quiseres, estou-me nas tintas.

Passaram umas semanas. Nunca mais fumei no WC do Estrela e o Barbosinha esqueceu o episódio.

Uma sexta-feira de tarde, encontrava-me no mesmo banco com um fino diante de mim e a palrar com o Barbosinha. Distraidamente, meti a mão num bolso do blusão e os dedos tocaram num pica que ali alojara. Não sei como, mas lembrei-me do acontecido e veio-me ao espírito uma ideia genial para me reabilitar da acusação do Barbosinha.

Desci do banco e dirigi-me para o WC. Entrei na retrete, acendi o pica e dei duas passas leves. O cheiro não podia ser forte para dar a impressão de que não era recente. Regressei ao meu lugar, mas, antes de me sentar, interpelei o Luís.

— Barbosinha, vai à retrete e depois diz que sou eu que vou pra lá fumar.

Arregalou os olhos, saiu de trás do balcão como uma flecha e dirigiu-se para o WC. Foi entrar e sair. O seu rosto reflectia a cólera do impotente. O olhar vago, como quem procura desvendar mentalmente um hipotético culpado, ameaçou no seu brasileiro melodioso:

— Se apanho o filho da puta que vai fumar prà retrete!

Sentei-me, encantado. Jubilava intimamente.

Nunca mais fumei no café, e o Barbosinha ainda hoje não sabe quem é o filho da puta que fumava na retrete do Estrela.

 

António El Cambório

 


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Sábado, 5 de Março de 2016

NO LARGO DA CALÇADA I

 toni costa e berto chiquera na esplanada do café estrela

 

O Barbosinha

 

Estávamos em 1974. A Vila, a maior parte do ano plácida e silenciosa, transformava-se no mês de agosto – e isto quotidianamente – num dia de feira sem tendeiros; o agosto do ano da Revolução dos Cravos fulminara todos os superlativos: os emigrantes, vindos dos quatro cantos do mundo, tinham-se apoderado do concelho.

Muitos destes conterrâneos adoravam externar ostensivamente parte do pecúlio acumulado com grandes sacrifícios durante um ou vários anos, gastando a torto e a direito. Sofregamente, saciavam as abundantes apetências que, por exigências  económicas, se esforçavam por reprimir no país de acolhimento até ao mês libertador. Enterravam, durante uns dias, umas semanas, o papel de humildes, de serviçais e de bajuladores, induzidos a esposar localmente. Exibindo modelos de automóveis recentes e arvorando maneiras pretensiosas, embora grotescas, estavam convencidos de que, socialmente, tinham galgado um degrau considerável.

Esta maneira de ser também se observava em muitos melgacenses radicados nas principais cidades portuguesas, em especial Lisboa e Porto.

Não dispondo de meios para se ausentar e desfrutar de um ambiente bonançoso durante esse mês de estio, a  grande maioria dos melgacenses ociosos tinha, pois, de sujeitar-se e de digerir o restringimento, o alarido e o pandemónio causados por esta maré humana.

Eram umas semanas difíceis, conflituosas que irritavam os autóctones e faziam com que, finalmente, acabassem por ser eles a sentir-se imigrantes na terra natal que raramente abandonavam. Aguardavam pelo fim do mês como o preso pelo dia de redenção.

As divisas enviadas pelos emigrantes através das sucursais dos bancos portugueses no estrangeiro – cujo desígnio era canalizar as suas poupanças para Portugal –, ou trocadas em escudos nas abundantes agências da Vila, faziam a felicidade dos comerciantes que se regozijavam unanimemente. Para eles, fosse qual fosse o ramo, quantos mais emigrantes melhor. « O ideal era haver dois meses como este. Não precisávamos de trabalhar o resto do ano », afirmavam.

Mas agosto já não era mais do que uma má lembrança, e Melgaço nadava no ambiente vegetativo consuetudinário. A população, com a enérgica adinamia que a caracterizava, tinha retomado os gestos, os hábitos, as tarefas, os horários e os gracejos do dia-a-dia com os quais estava familiarizada. Era uma harmonia que duraria pouco mais de dez meses.

Na Calçada, no vasto imóvel pertencente ao Manuel Lourenço (Manuel da Garagem), havia um ano e pouco que abrira um segundo café, o Estrela. Este nome fora uma reposição em homenagem ao que, uns anos atrás, este abastado comerciante, baldadamente, montara noutra parte do edifício.

Naquele tempo, podia dizer-se que passara a ser o centro da Vila, o café que muitos melgacenses – e não só – gostavam de frequentar. A sua clientela constituía um leque com nuances que iam do bêbado ao advogado e incluía funcionários públicos, bancários, políticos, lavradores, elementos da GF, professores do ensino secundário, comerciantes, estudantes, homens de negócios... Apesar desta variegação, ou talvez graças a ela, havia uma afinidade atenta entre os clientes, que, globalmente, engendrava uma atmosfera bastante agradável e cordial.

A existência deste exíguo café era o resultado da associação de dois parentes: um de Soutomendo e outro da Adedela, freguesia de Fiães. O primeiro era um senhor muito polido e afável, chamado Martins, que vivera durante umas décadas no Brasil. « Em Belém do Pará ! », frisava com prazer e uma ponta de nostalgia. O segundo, um trintenário chamado Abílio, sobrinho por aliança do primeiro, era filho do senhor Augusto, conhecido por Meio Quilo ou Augusto Pequeno devido à sua estatura nanica. Astuto negociante, transportador e um dos maiores contrabandistas da margem lusa do rio Trancoso, era um homem que não desperdiçava a menor oportunidade de engravidar os seus haveres. Esta bulimia fora a causa de, em tempos, ter sido vítima de uma burla grosseira que ficou na memória da maioria dos melgacenses: comprara, por bom preço, a um tal Barbosinha, do Extremo, Arcos de Valdevez, uma máquina que, presumidamente, fabricava notas de mil escudos. Não se sentira humilhado pela estafa, pois era um homem habituado a correr riscos, a aflorar o fiasco diariamente, mas por esta se ter tornado pública.

As horas de presença no café eram geralmente asseguradas pelo Martins e pelo Abílio. Porém, por conveniência ou imperiosidade, acontecia que o primeiro deixasse, de vez em quando, o encargo ao próprio filho, o Luís, um simpático adolescente de dezasseis anos que nascera no Brasil.

Este rapaz, como acontece com naturalidade noutras paragens a muitos indivíduos, foi pronta e adequadamente apodado. O Carlos, um jovem estudante maroto, ele próprio alcunhado de Cartucho, quando soube que o Luís era sobrinho do Meio Quilo, crismou-o com o nome do indivíduo que, uns anos antes de ele vir ao mundo, intrujara o tio. Pouco tempo depois, todos o conheciam por Barbosinha.

Nessa sexta-feira de tarde, quinto dia de outono, tanto caía uma chuva forte atiçada por lufadas, como abocanhava; instantes que o sol aproveitava para desferir pontualmente, por entre umas nuvens acinzentadas carregadas de electricidade, uns raios lívidos, cansados. A feira, já debilitada pelo retorno dos emigrantes, ainda o fora mais pela instabilidade do tempo.

Neste dia, os aldeões do concelho, em particular os do monte, vinham à Vila para se aprovisionar; mas também para comprar o necessário no grémio da lavoura (extinto no fim desse mês), nas lojas de ferragens, de tratar de papeladas ou pagar uma contribuição na casa grande (câmara municipal), de concluir ou empreender um negócio...

Havia os que juntavam o útil ao agradável e manducavam uma boa refeição. Na serra, os campos, os animais, mais os diversos afazeres exclusivos das mulheres, pouco tempo lhes deixavam para verdadeiramente cozinhar. Ademais, a penúria de alimentos frescos (carne de vaca e peixe, essencialmente) era uma franca frustração. Os refrigeradores, ou quaisquer outros aparelhos movidos a electricidade, eram inexistentes. A força motriz ainda não dera entrada na maioria dos lugares montanhosos do concelho.

Por esta razão, aqueles que tinham possibilidades, ao meio-dia, depois das aquisições liminares, aproveitavam a ocasião para degustar um repasto inabitual numa das tabernas da Vila. De tarde, davam mais umas voltas, consumavam as minúcias e, ao fim da tarde, encantados, regressavam à aldeia. Podia dizer-se que era um pequeno dia de festa para eles.

Os mais desfavorecidos, expeditos, compravam o devido e voltavam à aldeia antes do fim da manhã num dos numerosos veículos que, ilegalmente, faziam fretes no dia de feira.

Havia, também, alguns que baixavam à ribeira apenas para cortejar. A caneja (caleja) que desembocava no caminho das Carvalhiças (compreendia a parcela da actual rua de Santiago a partir da esquina onde se situa o café Alameda) era o bordel predilecto das parelhas fortuitas que se faziam e desfaziam no mesmo dia.

A partir do meio da tarde, os dois cafés do Largo da Calçada (Estrela e Stop) passavam a desempenhar a função de salas de espera para os utentes da Auto Viação Melgaço, mormente quando o tempo lhes contrariava o movimento, como nessa sexta.

 


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Sábado, 19 de Setembro de 2015

MELGAÇO EM ALEXANDRE HERCULANO

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De uma forte garantia a favor da immunidade doméstica é exemplo singular o que estatue a carta municipal de Melgaço, concelho imperfeito da sexta formula. A residência de qualquer vizinho era coutada  em seis mil soldos, isto é, ficava equiparada ao solar dos mais illustres cavalleiros de linhagem e, afora o coutamento, quem nella entrasse à força tinha de dar a rejiriação de quinhentos soldos ao dono da casa. Vê-se, além disso, que Melgaço é uma terra própria para o tráfico e que se pretende desenvolver alli o génio commercial. Os productos da lavoura dos vizinhos ou os que estes comiirarem, as fazendas e roupas em que mercadejarem, o commercio de gado, todos os objectos, em summa, sobre que fizerem entre si transacções, quer em feira quer fora della, serão absolutamente livres de impostos. A portagem a que ficam sujeitos os mercadores estranhos é moderada; mas se trouxerem pannos ou outros tecidos (traparia) são obrigados a vender por atacado, deixando aos da terra a venda a retalho, e só nos dias de feira lhes é lícito a venderem tanto de um como de outro modo.

 

 

Retirado de:

Historia de Portugal desde o começo da monarchia até ao fim do reinado de D. Afonso III

 

Alexandre Herculano

 

http://www.archive.org/details/historiadeportugal

 


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Quarta-feira, 9 de Setembro de 2015

MELGAÇO, O SANTO PRETO

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A CAPELA DE S. BENEDITO

 

ORIGENS

 

 

No bairro da Calçada, subúrbios da vila, em frente da encruzilhada formada pelos caminhos para Fiães e para Eiró, de Rouças, e ainda pela velha estrada romana para Puente Barjas, precisamente no sítio onde esta, mudando de direcção, parece dizer adeus às vetustas muralhas da vila, levantou-se em recuados tempos uma boa moradia de casas, quase circundada por campos de rega e lima. Nela morou Leão José Gomes de Abreu, recebedor das sisas e director do correio em Melgaço, mulher e seus dois filhos, o frei Bernardo de Nossa Senhora da Orada e Tomás José Gomes de Abreu, por constitucional preso nas cadeias de Lamego, e nas mesmas falecido em pleno governo de D. Miguel, corria Dezembro de 1832.

Casando este com D. Constança Teresa de Araújo Lima houve muita prole e nesta se contou a senhora D. Maria Benedita Júlia Gomes de Abreu, nascida em 3 de Março de 1800, falecida em 12 de Setembro de 1876, jazendo os seus restos mortais no Convento da Pedreira, a princípio simples hospício dos frades capuchos da província da Conceição. Pois foi esta senhora a grande devota do Santo Preto, seu padroeiro na corte celestial.

Por muito tempo, em tosco oratório de madeira seguro por ganchos de ferro entre as varandas da casa, abertas na fachada do norte, D. Maria Benedita o teve exposto à veneração dos fiéis por ali deambuladores.

Às noites a luzinha de azeite ardia sempre na sua frente até ser apagada pelo vento ou o óleo se extinguir na lâmpada, pois no seu coração nunca esta excelente senhora deixou arrefecer a crença no bom e grande patrocínio deste santo brasileiro. Depois, quando morreu ela, São Benedito passou a ter outro estremado devoto na terra.

 

FUNDAÇÃO

 

Das mãos de D. Maria Benedita passou a imagem de S. Benedito para as de seu herdeiro e sobrinho José Cândido Gomes de Abreu, cujo nome esmalta a Câmara e o Tribunal, o comércio e a lavoura, e brilha como astro de primeira grandeza na história de Bem Fazer. Foi ele o fundador do Hospital da Santa Casa da Misericórdia e quem mais trabalhou por fazer brilhar a igreja desta Confraria.

Pois José Cândido Gomes de Abreu, entre os bens deixados por sua tia recebeu aquele pequeno oratório de São Benedito e fiel à memória da morta, interpretando-lhe o seu maior desejo, quando chegou a oportunidade, mesmo ao lado da casa, no recanto norte, a nascente de um dos seus campos, a rasar com a nova estrada real, fez erguer para S. Benedito uma pequenina mas elegante capela, de pedra lavrada, com altar em forma de nicho gracioso.

A porta de ferro, gradeada, sustenta uma caixa forrada para a recolha das esmolas dos caminheiros. Talvez para outros lhe seguirem as pisadas, no frontispício da capela fez gravar em placa marmórea: Mandado construir por José Cândido Gomes de Abreu – 1882.

O tempo consumiu as primitivas cores da pintura da imagem e José Cândido mandou-a retocar e reincarnar de novo em 1894.

Por morte do fundador da capela ficou ela pertencendo ao Dr. Alfredo Cândido Pinto Alves, bacharel formado em Direito pela Universidade de Coimbra e hoje residente em Vila do Conde. Alienou-a, porém, pouco depois.

 

23 – 5 – 1951

 

                                      (Publicado em Notícias de Melgaço de 28/11/1956)

 

Obras Completas: Augusto César Esteves

Nas páginas do Notícias de Melgaço

Edição Câmara Municipal de Melgaço

Volume I Tomo 2

2002

pp. 538, 539

 


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Domingo, 25 de Janeiro de 2015

FOI-SE O ALFREDO "PACHORREGO"

Alfredo Lourenço do Paço, 1930-2015

 

Um forte abraço, Alfredo !

 

Foram os anos, unicamente, que o amainaram. Hoje, passa os dias à porta do que foi a sua barbearia, sentado numa cadeira. É um ponto estratégico por onde quase toda a gente é obrigada a passar. Vive com o rico passado, com as reminiscências e com a visita ocasional dos numerosos amigos que, apesar de tudo, lhe são fiéis. Para nós que o frequentamos, faz parte de uma espécie endémica. Ele e o castelo são os dois monumentos de Melgaço mais conhecidos. Os seus numerosos feitos de dolo, únicos no género, contribuiram para difundir o nome da Vila e mereciam, consequentemente, uma homenagem e um reconhecimento sem par da parte dos melgacenses.

 

Junho de 2009

A. El Cambório

 

Extracto de « Festa da lampreia »

 

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Terça-feira, 28 de Maio de 2013

« O AUGUSTO PARTIU DE MELGAÇO E AS RUAS FICARAM DESERTAS… »

 

 

AUGUSTO CAÇOLAS

 

 

Filho de Isabel do Nascimento Fernandes. Nasceu na Vila de Melgaço a 16/2/1914, tinha a sua mãe apenas dezasseis anos de idade! Devido a uma grave doença que teve, quando era miúdo, o seu cérebro não evoluiu como o das outras crianças normais. O seu corpo sim: cresceu, e muito – era um latagão! É provável que não tenha frequentado a escola primária. Embora a sua doença não permitisse um diálogo brilhante, uma conversa com princípio, meio e fim, não se pode afirmar que fosse parvo. No entanto, António Eduardo Igrejas, emigrante no Brasil, tinha outra opinião: « … Cerinha e Amadeu Rato, que (…) eram os “moldadores” da mente vazia do Augusto Caçolas. (…) cientificamente, era classificado de “retardado mental”, totalmente incapaz de distinguir emoções: quer boas, quer más. »

(MH 5 de Abril/95). Andava aos recados, os mais simples, e cumpria-os sempre. As pessoas devam-lhe alguma comida, que ele devorava, apesar de em casa não lhe faltar nada. O se estômago era igual ao do leão – insaciável! Nunca ninguém o viu zangado. “Bicas” tomava sempre que alguém lhe pagasse: « Augusto, anda tomar um cafezinho. » « Muito obrigado, bebo, bebo. » A sua mãe, até à sua morte, a 11/3/1984, tratou-o sempre com muito carinho. Tinha outros filhos, do sexo feminino, mas aquele era especial, precisava mais da sua atenção. Era muito engraçado, o Augusto. Quando ia fazer algum recado, a certa distância, por exemplo levar o correio ao colégio da Barronda, em Prado, fingia que punha o motor do automóvel a trabalhar, arrancava em grande velocidade, imitando o barulho do carro, buzinava, as suas mãos pareciam ir ao volante, e depois fazia travagens incríveis! Toda a gente se ria. Dava o recado, sem se esquecer de nada, entregava o que tinha a entregar, e regressava novamente ao “carro”. Uma vez, na ponte do Rio do Porto, um brincalhão, não pensando nas consequências que do acto adviriam, pede-lhe que faça marcha atrás. Augusto, convencido de que era o melhor automobilista do universo, faz a dita marcha atrás e cai da ponte. Chamaram de imediato os bombeiros, que o levaram ao hospital da Misericórdia, onde foi tratado. Por incrível que pareça, passado uns dias já andava a conduzir o seu veículo imaginário. Tinha um vozeirão! Nas procissões de velas a sua voz sobrepunha-se a todas as outras. Escreveu Manuel Igrejas: « Por falar em cantar: quem o fazia muitíssimo bem, com possante voz de barítono, era o Augusto… Era afinado, … ia do barítono ao baixo profundo. » (Ver VM 1009, de 15/6/1994; VM 1010, de 1/7/1994). No dia de Ramos, o seu era o maior – até impressionava! Depois da morte da progenitora foi internado no Lar da Santa Casa, onde faleceu a 18/10/1990. Agora anda no espaço a conduzir os automóveis dos anjinhos. Aquando da sua morte, escreveu Fabiano da Costa: « …era a maior figura típica da nossa terra, onde todas as pessoas o consideravam como homem de bem. » (VM 927 de 1/1/1990). E mais à frente: « Era duma simplicidade ingénua. Quantas vezes perguntava ao sr. Hermenegildo Solheiro, de Galvão, quando é que o piano tinha os pianinhos, para os trazer para casa dele. » Ver também o artigo publicado na VM 928, de 15/11/1990, p. 3: « O Augusto partiu de Melgaço e as ruas ficaram desertas… »

 

Dicionário Enciclopédico de Melgaço II

Joaquim A. Rocha

Edição do autor

2010

Pág. 39

 


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Sexta-feira, 8 de Março de 2013

A TI MARIA E O PADRE

 

 

UM PADRE EXALTADO

 

 

   O caso da mãe do Jacob que aludi, foi o seguinte:

   A tia Maria, já idosa, com outras mulheres e a canalha da doutrina (catequese) entre eles eu, frequentavam a novena no mês de Maio, todos os dias à tarde.

   O pároco, na altura jovem, passava por grave crise existencial e problemas de família (um seu irmão casara com a filha de ex-padre e isso era, a seu ver, sacrilégio).

   Devido a esse estado de espírito andava o padre com os nervos à flor da pele aumentando o seu natural temperamento exaltado.

   Numa das novenas, a propósito de gesto ou posição engraçada de um dos rapazes os outros caíram no riso. Riso abafado como convinha na situação. Rir disfarçado nessas ocasiões acorria a miúdo e ninguém dava importância. Nesse dia, porém, a gracinha fora maior e o riso prolongado e um dos rapazes não se contendo riu mais forte. Para quê!... O padre, que estava de costas dirigindo as orações, voltou-se abruptamente descarregando uma série de bofetadas fortes e estridentes na cara do rapaz que estava mais perto. Pegou-o pela orelha e levou-o até à porta expulsando-o.

   A tia Maria, que estava ajoelhada como todos os demais no meio da igreja, pareceu-lhe que aquele rapaz agredido era o seu neto Zeca, Zeca Chatice, por acaso não era, e protestou resmungando em voz baixa, que aquilo não se fazia, etc., etc.. O padre, em altos brados mandou a mulher retirar-se da igreja. Ela obedeceu continuando a resmungar. O acto religioso continuou sem grande ou nenhuma devoção. O facto foi muito comentado e tempos depois o pároco foi transferido. Reminiscências de infância.

 

 

Rio, 31 de Maio de 1996

 

Correspondência entre Manuel e Ilídio

 


publicado por melgaçodomonteàribeira às 23:11
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LINA FILHA DE PÃ

 

 

     Joaquim Agostinho da Rocha nasceu em Cevide, Cristóval, Melgaço, a 12/6/44. Até aos seis anos de idade, viveu no lugar onde nascera; dos seis aos vinte anos residiu na vila da Melgaço, terra de sua mãe e seus avós maternos.

Em Janeiro de 1965, ingressou no serviço militar onde permaneceu até aos finais de 1967, tendo comprido quase dois anos nas matas da Guiné-Bissau. No regresso de África ficou a morar em Lisboa. Trabalhou como empregado de escritório, bancário, contabilista, bibliotecário, professor do ensino secundário…

     Ao longo da vida foi estudando: primeiro tirou o Curso Comercial; depois o Curso de Contabilidade (técnico de contas); mais tarde fez algumas disciplinas do Liceu e o Propedêutico, a fim de ingressar na Faculdade de Letras de Lisboa, completando aí o 2º ano de Línguas e Literaturas Modernas (Estudos Portugueses). Devido a incompatibilidades de horário, terminou esse Curso na Universidade Autónoma de Lisboa – Luís de Camões.

     Em 2001 regressou ao seu Minho, fixando a sua residência na cidade de Braga.

     Dedica-se à investigação na área da História Local e Regional, e à criação literária.

 


publicado por melgaçodomonteàribeira às 22:21
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A TIA TINA

 

 

ERNESTINA SOUSA, FILHA DE AMÁLIA E ILÍDIO

 

A TIA TINA

 

   Nos bailes frequentados pelos papo-secos de Monção as raparigas caíam dengosas para o lado deles, a Ernestina, que era um espectáculo de mulher, aliás, cabe aqui registar que todas, mas todas as mulheres descendentes do Félix e Conceição eram uns pancadões de tirar o fôlego a qualquer mancebo. Pois a Tina fisgou o Adolfo que se aprumava na vida com uma lojinha de sociedade com outro rapaz, de Monção.

   Aconteceu o casamento e a Tina com seu dinamismo e pendor para o negócio transformou a incipiente loja do marido em poderoso entreposto de contrabando. Tornou-se o membro da família mais abastado só suplantado em curta fase pelo tio Emiliano.

   Houve nesta época uma atitude da Tina, curiosa, que revelou seu afecto aos familiares. Eu era garoto e assisti. A Tina combinando com o tio Emiliano:

   — O meu pai, dizia ela, anda bebendo nesta e naquela taberna umas malguinhas com os amigos; pois eu quero que ele tenha o vinho que quiser para beber a qualquer hora com os amigos.

   A partir daí havia na adega do tio Emiliano uma pipa de vinho comprada pela Tina para o pai beber e oferecer. Não sei quantos anos durou essa euforia ou se só se resumiu àquela pipa que eu assisti.

   O marido, o tal Adolfo, era um mulherengo, putanheiro dos diabos. Aqui cabe uma observação particular: a Tina, não obstante ser uma mulheraça na aparência talvez não o fosse na cama, daí o marido ser obrigado a procurar satisfação com outras…

   Em 1952 já estavam separados, e quando em 1969 fui até aí e à França, com os parceiros de viagem, Emiliano (sobrinho), Gú, Pirata e mais o Zeca Chatice, visitamo-lo no trabalho, uma Casa de Saúde, onde era fachineiro, com aparência deplorável. Fiquei com pena.

   A Ernestina, devido à sua condição de "sem-filhos", sempre se rodeou de sobrinhas e amigas.

 

Rio, 6 de Fevereiro de 1997

Correspondência entre Manuel e Ilídio

 

   A última recordação que tenho da tia Tina remonta a 1981. Na altura eu trabalhava em Viana do Castelo e fim-de-semana era sinónimo de Melgaço. O comboio chegava por volta das 2 horas da tarde e não havendo boleia para Melgaço ou porque tinha assunto em Monção (feminino), ia almoçar a casa da tia, por trás do Palácio de Justiça.

   — Euláááliaaaa, chegou o menino. Faz um bife e dá-lhe de comer.

   O dar-lhe de comer era o que tinha sobrado do almoço terminado há minutos. A minha tia era mulher para pesar os seus cem quilos e apesar de um tumor no cérebro tinha um apetite voraz. Eu sabia e ela sabia o significado das dores de cabeça que a atiravam para a cama.

   Eulália saía da cozinha, a dois passos da mesa onde nos sentávamos, põe o prato à frente do menino, e com a carinha angélica, branca e sarapintada com um toque de tinto nas bochechas, cabeça inclinada sobre o ombro:

   — E a senhora?...

   — Sabes que não posso comer…

   — A tia ainda não almoçou a esta hora?

   — Almocei mas ainda comia uma sopinha – Euláááliaaa

   — Ai diga, senhora, não estou surda…

   O bife a desaparecer e eu a pensar nos restos do almoço, empurra a porta e entra o tio Aprígio. Pela cara, vi logo que havia treta e quando a tia Tina ouviu que a sobrinha e a carga tinham sido apanhadas, levantou-se, deu um murro na mesa e gritou:

   — Caaralho, será que tenho que voltar a trabalhar? Não sabem fazer nada?

   Claro que a sobrinha, o camião e a carga não demoraram a estar na estrada.

   A tia Tina faleceu pouco depois vítima do tumor.

 

Três décadas antes o amigo Vasco descrevia o enredo da Tia Tina  e família, nestes versos:

A tua mãe onde está?

Não sei se é viva se é morta,

Andava a passar p’ra lá

Em companhia do Ná,

Tripa no tempo da ‘Frota’

 

O Tio Ná, Oceano de Sousa, foi sempre um dos braços direitos da irmã Ernestina. O contrabando de tripas, chegou a ser, com o de ovos e café, dos mais procurados pelos nossos vizinhos galegos.

 

Ilídio Sousa

 


publicado por melgaçodomonteàribeira às 17:22
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