Sábado, 31 de Dezembro de 2016

O CARTULÁRIO DO MOSTEIRO DE FIÃES

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O principal objectivo da publicação de qualquer cartulário medieval ou moderno é sempre proporcionar aos interessados a sua leitura integral e rigorosa, de forma a perspectivar a riqueza do seu conteúdo, por mais variado que ele seja, pelo que, em princípio, seria redundante e verdadeiramente desnecessário iniciar a sua apresentação com uma justificação. Neste caso, porém. Cremos indispensável elucidar os leitores sobre os motivos subjacentes a esta edição, tanto mais que, em 1995, o Moseo Arqueolóxico Provincial de Ourense publicou este códice do Arquivo Distrital de Braga, integrado na Universidade do Minho, com o título de Tumbo de Fiães, atribuindo a responsabilidade e os primórdios da preparação da edição literária a Xesús Ferro Cousedo, então já falecido.

(…)

 

O CARTULÁRIO DO MOSTEIRO DE FIÃES

(ADB, Ms. 1052)

Vol. I – Introdução. Transcrição. Índices

Autor: José Marques

Edição: Câmara Municipal de Melgaço

Agosto 2016

 

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NOTA PRELIMINAR

 

A edição fac-similada do Cartulário do Mosteiro de Fiães, se para nós representa a concretização de um sonho, há muito acalentado, mas que, no contexto económico e social dos últimos anos, não ousávamos propor, tornou-se realidade, mêrce de várias circunstâncias que permitiram podermos depositá-lo, hoje, nas mãos dos leitores, às quais não terá sido estranha a discreta intervenção de S. Bento, aqui venerado, pelo menos, desde a primeira metade do século XII.

 

O Cartulário do Mosteiro de Fiães

Vol. II – Fac-Simile

Autor: José Marques

Edição: Câmara Municipal de Melgaço

Agosto 2016

 


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Sábado, 9 de Abril de 2016

CRISTÓVAL NO INÍCIO DO SÉCULO XX

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A FÉ É A QUE NOS SALVA

 

O povo de Cristóval foi sempre hospitaleiro e crente, amigo do diálogo e acolhedor. Gosta de conviver e do diálogo. Eu lembro com muita saudade os conselhos dados pelos mais idosos, que nós ouvíamos com atenção e depois púnhamos em prática. Eram grupos de pessoas que se juntavam atrás dum muro tosco nas Arroteias, que lhes impedia o vento de lhes tirar o lenço da cabeça que, a fazer de boné, puxando para a testa, não permitia que o sol lhes queimasse o rosto. Que saudades eu tenho desses tempos, Deus meu! O povo de Cristóval era humilde e trabalhador. Porque não havia fábricas nem qualquer indústria, dedicavam-se os seus habitantes ao cultivo da terra e do contrabando. Semeava-se milho, feijão, centeio, batata, cultivava-se o linho, etc. Porém, em anos de prolongada seca e quando os lavradores viam as suas colheitas ameaçadas, chorando, imploravam a protecção Divina e, em profundo silêncio, organizavam a Procissão de Penitência. Então, era tirado o Senhor dos Passos e a Senhora das Lágrimas – que só saiam dos altares em ocasiões de grandes crises – , e cada imagem, ao ombro de quatro homens valentes, saiam da Igreja acompanhados de enorme multidão, formada por jovens e adultos, homens e mulheres, todos descalços, que seguiam em procissão por caminhos difíceis desde Cristóval até S. Gregório, donde seguiam depois pela estrada, que os conduzia de novo à igreja. Eu era ainda criança porém recordo que, numa dessas procissões, saímos da igreja com sol escaldante e, quando regressamos, já chovia copiosamente. Que milagre, Deus meu! Admiráveis tempos esses, em que uma sardinha era partida para quatro (isto foi apreciado por mim em alguns vizinhos) e se ia para o monte, saboreando com o naco de broa, na sacola, e uns cachos de uvas, roçar o mato para a corte do gado. A vida era difícil, mas todo o trabalho era feito ao som de alegres cantigas. O contrabando de ovos, galinhas, sabão, café, pentes, etc., levado para Espanha, também era modo de vida que ajudava os mais necessitados a viver com mais conforto. Porém, era difícil e arriscada a vida do contrabandista. Recordo pelo menos dois vizinhos meus que naqueles tempos se dedicavam a passar contrabando para Espanha e que morreram baleados por um carabineiro espanhol. De Melgaço para S. Gregório não se podia transportar nada, sem a licença da Guarda Fiscal. Então uma pobre mãe de dois filhos, arriscou-se a trazer uma galinha de Melgaço até casa. Foi porém vista por um guarda fiscal que a obrigou a acompanhá-lo até ao Posto de Cevide, a 2 Km de distância, onde havia de pagar uma multa ou ir para a cadeia. A pobre vítima, com a galinha debaixo do braço, seguia a autoridade. Porém, quando chegou ao Posto onde se encontrava o Sargento que iria dar a sentença, a galinha ia morta, porque a portadora, muito silenciosamente, tinha-lhe retorcido o pescoço. Tempos difíceis sem dúvida, mas que apesar de tudo, se ultrapassavam as mágoas, cantando e rindo.

 

                                                                         Cristóval – Betty

 

Retalhos de Vidas

Edição: Câmara Municipal de Melgaço

Outubro 2002

pp. 63-64

 

 


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Sábado, 6 de Dezembro de 2014

SOBRE O MOSTEIRO DE PADERNE

Paderne - Vista sobre o mosteiro 

 

MOSTEIRO DE SÃO SALVADOR DE PADERNE

 

Dizem os escritores de antiguidades que este mosteiro foi fundado por uma D. Paterna, viúva de certo conde de Tui chamado Hermenegildo, pais da abadessa D. Elvira que recebeu do nosso primeiro Rei a doação do couto de Paderne em recompensa de ter enviado socorro ao Monarca quando cercava o castelo de Laboreiro, minha terra natal. Diz-se que esta D. Paterna, depois da morte do marido, veio fixar residência nesta terra que era herdade sua e resolveu seguir a vida monástica juntamente com algumas filhas e companheiras. Com esse fim mandou edificar uma igreja que estava concluída cerca de 1130 e foi sagrada nesse ano pelo bispo de Tui, D. Paio, que presidiu também à profissão das freiras em 6 de Agosto, dia litúrgico do Divino Salvador a Quem a igreja foi dedicada. Esta D. Paterna morreu em 1140, sucedendo-lhe a referida D. Elvira, sua filha; e a localidade ficou a chamar-se Paderne, que quer dizer terra de Paterna, em memória da ilustre possuidora e fundadora do mosteiro.

Proponho-me demonstrar que anda errado o que se escreve constantemente a respeito das antiguidades de Paderne, porquanto o seu nome é mais antigo do que se diz e designava uma região mais extensa, vem de homem e não de uma mulher, e a abadessa D. Elvira a quem D. Afonso Henriques deu o couto não era filha de qualquer Hermenegildo.

 

Na segunda metade do século XI, já nos aparece um documento a designar Paderne como terra de nome feito. Em 1071, D. Urraca, filha de D. Fernando Magno, rei de Leão, e irmã de D. Afonso VI, sogro do nosso conde D. Henrique, fez larga doação à Sé de Tui para favorecer a sua restauração após as ruínas causadas pelas incursões dos inimigos da Fé. Nessa doação, inclui-se: «De Monasterio Sancti Pelagii de Paderni medietatem, quomodo est per gyrum cum Villa quae vocatur Prado, quomodo dividitur per médium alveum Minei, cum suis piscariis, & cum suis hominibus, & cum omnibus suis».

Vemos, pois, que já existia a terra de Paderne em 1071 com um mosteiro dedicado a Paio.

Pode haver quem julgue ser o Mosteiro de S. Salvador de Paderne o mesmo que o antigo S. Paio de Paderne, tendo havido transferência do mosteiro ou mudança do titular, mas tal não sucedeu. Eram dois mosteiros completamente distintos na mesma terra de Paderne, que coexistiram e a cujos territórios correspondem duas freguesias completamente independentes uma da outra através de todos os tempos.

Do mosteiro de S. Paio, que deve ser mais antigo, poucas notícias nos restam. Vimos que a infanta D. Urraca deu metade à Sé de Tui em 1071. Em 1118 D. Onega Fernandes fez à Sé de Tui «kartam donationis de quarta parte ecclesie Sancti Pelagii de Paterne», em reparação pelo sacrilégio do seu filho Paio Dias que não respeitou o lugar sagrado matando um homem na igreja de S. Tiago de Penso. Em 1125 D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques, confirmou à Sé de Tui a antiga doação ou testamentum Regis Teodomiri em que se inclui «Ecclesiam Sancti Pelagii de Paterni», cedendo-lhe, naturalmente, a quarta parte restante.

Nestas duas escrituras chama-se a S. Paio Igreja em vez de Mosteiro, mas os entendidos sabem que estas denominações se equivalem muitas vezes.

Temos ainda notícias do mosteiro de S. Paio no ano de 1156. A diocese de Tui abrangia em Portugal o entre Minho e Lima. No sobredito ano o bispo D. Isidoro e os cónegos da sua Sé fizeram entre si partilha dos rendimentos eclesiásticos, e na meação dos cónegos ficou «Ultra Mineum in Valadares Monasterium S. Pelagii de Paterni cum omnibus Ecclesiis & pertinentiis suis».

Até quando S. Paio de Paderne foi mosteiro, não sei. É preciso conhecer-se bem a engrenagem antiga dos mosteiros para se saber quanto a sua vida dependia dos caprichos de seus herdeiros e de quantos deles se amparavam.

Perdura ainda a freguesia de S. Paio que oficialmente não tem outro nome. Muitos lhe chamam de Melgaço, em contraposição a Santa Maria da Porta da Vila de Melgaço, sendo assim nomeada também em documentos, mas o povo das redondezas ainda lhe chama S. Paio de Paderne. A sua igreja, distante da igreja da vila quase três quilómetros, dista menos de um da do Salvador de Paderne.

Convém lembrar que, embora as divisões civis e eclesiásticas se tenham acompanhado, nem sempre se têm correspondido.

Paderne estava na Terra de Valadares, concelho extinto há uns cem anos, que no eclesiástico fora um arcediago com assento na Sé de Tui. Dentro do julgado de Valadares, obedecendo a razões históricas que seria longo expor, formou-se o concelho de Melgaço com fortaleza construída, se não restaurada, por D. Afonso Henriques e foral outorgado pelo mesmo Rei. O perímetro atribuído a Melgaço, que não está demarcado no documento, mas deve ter seus fundamentos na étnica e tradição, abrangeu o território de S. Paio de Paderne e ainda do território de S. Salvador de Paderne o que estava fora dos limites consignados na carta de couto outorgada à abadessa D. Elvira em 1141. De S. Paio de Paderne desmembraram-se duas pequenas freguesias: uma é do Prado cujo germe nos aparece já na doação de D. Urraca em 1071, e a outra é Remoães. A igreja de S. Paio, que só vi uma vez em estudante e cuja traça ao tempo não fixei, era sui generis. Tinha duas naves, uma das quais mais alta e mais larga, separadas por arcarias longitudinais cada uma com seu altar-mor e sua parte principal de estilo românico com arquivoltas. Dizia-se no povo que a nave menor era a antiga paroquial de Prado.

Por acanhada e insuficiente para a vida da paróquia, foi reconstruída pelo falecido P.e Raimundo Prieto, seu último Abade colado já adentro da República, que inconscientemente praticou um crime de lesa-arte, mas teve o bom gosto de conservar um dos pórticos da frente e o melhor de seus altares de estilo renascença.

Que o nome de Paderne vem de um homem e não de uma mulher prova-se nas referências documentais já citadas. Grande parte dos toponímicos vem do nome em genitivo do antigo possuidor. Se o nome de Paderne viesse de uma D. Paterna, os documentos deveriam apresentar esse nome em feminino, que seria Paternae em escrita correcta ou Paterne em grafia menos erudita. Que observamos porém? Todas as citações de Paderne em documentos conhecidos dos séculos XI a XIII apresentam-nos a palavra terminada em i, portanto genitivo do masculino Paternus, o que nos indica ter sido esta região propriedade de qualquer D. Paterno cuja identificação não poderemos conseguir.

Analisemos ainda a tradição que nos diz ser a abadessa D. Elvira filha de D. Paterna viúva do conde de Tui D. Hermenegildo que alguns dizem ser também conde do Porto.

Quanto ao Porto, nos princípios do século XII, era conde de Portucale o nosso D. Henrique, marido de D. Teresa, e, quanto a Tui, também não encontro na História qualquer conde ou fidalgo preponderante com o nome de Hermenegildo. Se recuarmos, porém, dois séculos na História, vamos encontrar diversos condes com esse nome. Um é de facto conde de Tui e de Portucale, achegado à corte real, avô de S. Rosendo de Celanova.

Assistiu em 900 a um concílio em Oviedo juntamente com seu filho Árias, conde de Emínio, e ainda vivia em 914. Outro, neto deste, é D. Hermenegildo Gonçalves, casado com a célebre Mumadona de Guimarães, que faleceu cerca de 950. Um terceiro, contemporâneo deste último, é D. Hermenegildo Aloítis casado com D. Paterna, pais de D. Sisnando, bispo de Iria e S. Tiago de Compostela em cuja diocese fundaram ou pelo menos restauraram o mosteiro de Sobrado que dotaram em 952. Este mosteiro, primitivamente dedicado ao Divino Salvador, era dúplice, com alojamentos para monges de um e de outro sexo. Era estilo da época. Neste mosteiro serviram a Deus os dois fidalgos e seus filhos, o bispo D. Sisnando e o duque (?) D. Rodrigo Mendes casado com D. Elvira Aloítis que foi abadessa do mosteiro.

De também o mosteiro de Paderne ser dúplice nos seus princípios, ser dedicado ao divino Salvador e ter à sua frente em 1141 a abadessa D. Elvira, deveu surgir, em época posterior, a confusão de fazer esta dita abadessa filha de D. Hermenegildo e D. Paterna.

Que D. Elvira, abadessa de Paderne em 1141, não era filha de qualquer Hermenegildo, bem o demonstra o seu apelido patronímico expresso no documento régio que lhe chama Dona Ilvira Sarrazeni. Este apelido Sarrazeni indica-nos que o pai da abadessa Elvira se chamava Sarraceno ou Sarrazim, nome frequente naquele tempo.

 

Obra Histórica I

Padre Manuel António Bernardo Pintor

Edição do Rotary Club de Monção

2005

pp. 27-31

 


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Sábado, 27 de Setembro de 2014

ERA UMA VEZ UMA IGREJA

 

Melgaço - Quinta do Poço de Santiago

 

SÃO FAGUNDO

  

   A primeira notícia da igreja de S. Fagundo encontra-se em um documento do cartulário de Fiães outorgado em Junho de 1246, na arbitragem de um litígio entre o mosteiro de Fiães e a igreja de Chaviães, em que interveio como árbitro João Joanes pároco de S. Fagundo e procurador de Santa Maria da Porta juntamente com Rodrigo Mendes, padre de Chaviães.

   Vem esta igreja mencionada nas inquirições de D. Afonso III, de 1258, a par com as de Santa Maria da Porta e Santa Maria do Campo, sem qualquer referência em pormenor.

   Em 1320 foram os rendimentos avaliados em 30 libras, como os de Santa Maria do Campo, o que a situava em posição baixa ao lado das outras.

   No Igrejário de D. Diogo de Sousa, princípios do século XVI, vem mencionada como benefício de livre atribuição de arcebispo e já sem cura, isto é, já não tinham cura de almas, ou melhor, já não era paróquia.

   Qualquer leitor dado a estes estudos encontra nos livros antigos S. Facundo, mas eu prefiro a grafia evoluída S. Fagundo.

   O falecido Dr. Augusto César Esteves achou referência à igreja de S. Fagundo até ao ano de 1619.

   O mesmo criterioso investigador das antiguidades melgacenses diz que a Fonte da Vila se chamou em tempos antigos Fonte de S. Fagundo, o que nos indica ter ficado nas proximidades a sua igreja.

   Mais ainda: segundo elementos por mim fornecidos, aceitou a mudança da invocação da referida igreja para Sant’Iago, de que achou referências no ano de 1733. A velha igreja paroquial, já sem cura de almas na entrada do século XVI, deve ter sido reduzida à condição de simples capela, como aconteceu com a antiga paroquial da Santa Comba de Felgueiras, primeiro anexa a Paderne e depois incorporada em Penso, e uma outra de S. Vicente, ali em Alvaredo contra o rio Minho.

   O Concílio de Trento deu aos Prelados das dioceses faculdades para anexar ou extinguir as paróquias cuja subsistência era demasiado precária ou para fundar novas paróquias onde fossem precisas, e daí terá vindo a extinção da de S. Fagundo.

   A mudança do título tem a sua explicação e não é caso único. Aconteceu também com outras, como por exemplo com a padroeira de Chaviães que era Santa Seguinha e passou para Santa Maria Madalena.

   O fundamento da mudança de S. Fagundo para Sant’Iago é o seguinte:

   Sabe o leitor que há vários santos com o mesmo nome, dois apóstolos são Sant’Iago, o maior e o menor. Mais conhecido por nós é o que se festeja em 25 de Julho, que em Compostela tem antiquíssimo culto, visitado por peregrinos das maiores categorias sociais e de terras distantes desde recuados tempos. É o Sant’Iago de Longe, como dizem os velhos.

   Há um outro Sant’Iago, chamado Interciso, que a Liturgia recorda em 27 de Novembro, dia também dedicado a S. Fagundo. Como ambos os Santos são comemorados no mesmo dia, e S. Fagundo deixou de ser festejado na categoria de padroeiro da freguesia, porque ela tinha desaparecido, veio a  sobrepor-se o culto, a Sant’Iago, Interciso.

   Isto tem uma explicação e o leitor deve querer saber qual seja, por isso eu vou expô-la:

   Nos princípios do século XII, o arcebispo de Braga, D. Maurício, conseguiu trazer de Roma para a sua catedral o corpo de Sant’Iago Interciso, mártir da Pérsia do tempo das perseguições aos cristãos.

   No tempo do arcebispo D. Agostinho de Jesus realizou-se em Braga um sínodo, ou seja um concílio diocesano, em 1606, com início a 18 de Outubro. Entre outras actividades do sínodo, teve lugar em 27 desse mês a transladação das relíquias de Sant’Iago Interciso para melhor jazida. Este facto provocou o revigoramento do culto do referido Santo cujas relíquias até então permaneciam na sacristia da catedral desconhecidas do público.

   O seu culto estendeu-se a toda a diocese sobrepondo-se ao de S. Fagundo que assim foi esquecido em Melgaço com a vinda da memória do novo Santo, novo no culto dos fiéis.

   Sobrepondo-se, no mesmo dia, à comemoração de S. Fagundo, absorveu a denominação da sua igreja e com o seu nome ficaram conhecidas as antigas terras ou passais, de S. Fagundo, conhecidas ainda nos nossos dias por campos de Sant’Iago, ali nas proximidades da nova escola primária da vila.

   O Dr. Augusto César Esteves, na obra já citada, escreveu: «A alguns passos dos fossos pertinho da fortaleza, no caminho aquingostado para os Chãos, a vila ainda hoje situa o Poço de S. Tiago. No local onde se fez, há meia dúzia de anos, uma casa de campo, erguia-se uma igreja pequena, chamada pelo povo capela de São Tiago.»

   Quanto à meia dúzia de anos, lembro que o livro do Dr. Esteves tem a data de 1952.

   Julgo ficarmos a saber com aproximação onde era a Igreja de S. Fagundo.

   Não repare o leitor por eu escrever Sant’Iago. Em latim é Sanctus Iácob. Em correcta filologia Iacob dá em português Iago. Outros escrevem como eu, e eu como eles.

 

 

Obra Histórica

Padre Manuel António Bernardo Pintor

Edição do Rotary Club de Monção

2005

pp. 84-86

 


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Sábado, 9 de Agosto de 2014

MOSTEIROS DE FIÃES E PADERNE

 

Igreja Santa Maria de Fiães - Colecção Percurso pela História

 

 

AS FREGUESIAS DO DISTRITO DE VIANA DO CASTELO NAS

MEMÓRIAS PAROQUIAIS DE 1758

 

Alto Minho: Memória, História e Património

 

 

Autor e Coordenador – José Viriato Capela

 

 

    Convento de Fiães (Ordem de Cister) – À data da extinção das Ordens Religiosas portuguesas em 1834 são dois os conventos minhotos pertencentes à Ordem de S. Bernardo ou Cister, Santa Maria do Bouro no Vale do Cávado (Baixo Minho) e Santa Maria de Fiães, em Fiães, Alto Minho. Fiães é um dos mais pequenos senão mesmo o mais pequeno mosteiro masculino da Ordem, cuja cabeça é Alcobaça, também a mais importante e desenvolvida Casa da Ordem. O Mosteiro de Alcobaça foi em 1567 constituído cabeça da então instituída Congregação autónoma de Santa Maria de Alcobaça. Santa Maria do Bouro, pelo contrário tem uma posição superior, ao nível das casas grandes da Ordem, que além de Alcobaça, integra também Salzedas, Tarouca. Assim o exprime a contribuição do Mosteiro para obras gerais da Congregação e a distribuição de exemplares dos missais da edição cisterciense de 1733. Com couto instituído por D. Afonso Henriques, o Abade exercia aí a jurisdição civil, cobrando direitos reais e confirmando as justiças. O Mosteiro e comunidade seriam extintos com outros mosteiros da Ordem pelas medidas gerais da reforma do Ministro de D. José I, o Marquez de Pombal, por medida de 17 de Dezembro de 1775. Restaurados após o afastamento do ministro Pombal, o Mosteiro de Fiães seguiria o destino da extinção geral, promovida pelas medidas governamentais de 1834.

 

    Convento de Paderne – O Convento de S. Salvador, está situado em Paderne, no concelho de Melgaço; com Refojos do Lima, é a expressão da presença no Alto Minho da Ordem dos Cónegos Regulares de Santo Agostinho da Congregação de Santa Cruz de Coimbra (Crúzios). O conjunto monacal é constituído pela Igreja e área conventual propriamente dita. A igreja, originariamente românica, sofreu obras e por elas influências das novas correntes artísticas ao longo dos séculos. É também das origens da nacionalidade, de 16 de Abril de 1141 a instituição de couto em favor do Mosteiro, feito por D. Afonso Henriques. No couto, o Prior exerce a jurisdição civil dessa jurisdição, que ficou registada na arquitectura do conjunto, na referência à Casa da Audiência e Cadeia. A comunidade e mosteiro de Paderne foi extinto em 27 de Setembro de 1770 no contexto das medidas «reformistas» para as Ordens religiosas do tempo de D. José I e seu ministro Pombal. Os 11 monges que então compunham aquela comunidade do Alto Minho passariam então para o convento de Mafra.

 

José Marques

Março de 2005

 


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Sexta-feira, 8 de Março de 2013

OS SANTOS DOS CAMINHOS PORTUGUESES

 

 

OS CINCO MÁRTIRES DE MARROCOS

 

   Ligados ao Mosteiro de Santa Cruz (Coimbra), estão também os Cinco Mártires de Marrocos. Italianos de origem, estiveram algum tempo no convento de Alenquer e daqui partiram, primeiro para Sevilha, donde foram expulsos, e depois, para Marrocos, onde receberam a palma do martírio, no dia 16 de Janeiro de 1220. Encontrando-se, nessa altura, D. Pedro Sanches, filho de D. Sancho I, ao serviço do Miramolim de Marrocos, a quem tinha ido oferecer os seus serviços, recolheu os seus corpos e, no momento oportuno, enviou-os para Portugal, tendo chegado ao mosteiro crúzio de Coimbra – onde tinham estado em vida – no mês de Novembro desse mesmo ano, sensivelmente por ocasião da morte da rainha D. Urraca, por eles profetizada. O seu culto espalhou-se, mercê da intervenção dos mosteiros da mesma Ordem, celebrando-se ainda, anualmente, em Paderne, Melgaço, a sua festa, com procissão evocativa do seu martírio, desde a capela de Nossa Senhora dos Remédios, sita no lugar de Sante, até à igreja paroquial, que até 1770, foi igreja do antigo Mosteiro de S. Salvador de Paderne, de Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, integrado na congregação de que Santa Cruz de Coimbra era casa-mãe.

 

José Marques


Professor Catedrático Faculdade de Letras Universidade do Porto


Revista da Faculdade de Letras


HISTÓRIA


Porto, III Série, Vol. 7,


2006, pp. 243-262

 

http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/3415.pdf

 


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Terça-feira, 5 de Março de 2013

CULTO DE SAINTE SIGOLÈNE EM PORTUGAL

 

Igreja de Santa Madalena - Chaviães

 

 

O nome de Santa Sigolene (citamos o padre Desprats, arquivista diocesano em Albi, sul de França) não aparece em nenhum calendário de martirologia ou livro litúrgico, a não ser como titulo da santa padroeira da paróquia de Chaviães, no território de Melgaço.

A introdução e o desenvolvimento do culto de Santa Silogene em Chaviães são atribuídos à presença de um mosteiro situado a 5 km da aldeia. Este mosteiro foi primeiro beneditino e depois cisterciense a partir de 1194.

É em 1177 que aparece pela primeira vez, nos documentos conhecidos, o nome de Santa Sigolene. Trata-se de um testamento no qual Pedro Pires lega ao convento de Fiães o seu corpo e a metade da sua propriedade situada no lado de baixo da igreja Santa Sigolene em Chaviães. Nesta época, a ordem cisterciense enxerta-se, progressivamente, nos elementos de reagrupamentos monásticos ou os assimila numa espécie de filiação. A sua implantação na região de Albi é importante.

 

Uma simples comparação dos mapas posicionando as abadias cistercienses na Europa, e singularmente em Portugal na altura da morte de São Bernardo, e a presença dos cistercienses no território Albiguês pode dar, entre outras, uma explicação ao esplendor do culto se Santa Silogene naquela época.

 

Retirado de Troclar,site archéologique

 

Tradução de David de Carvalho, Historiador, Especialista da Pré – História, Defensor da Raça Garrana, Catedrático na Universidade da Rua Velha.

 


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