Sábado, 16 de Maio de 2015

UM EXÍLIO ESCUSADO E VIOLENTO

Brasão da Casa do Rio do Porto

 

D. MARGARIDA MARIA ESTEVES

 

Nasceu na Rua Direita em 3 de Janeiro de 1895 e no baptizado foram padrinhos Joaquim do Carmo Álvares de Barros e Maria do Carmo Álvares de Barros, solteiros, da vila e tios maternos da baptizanda.
Na vila casou em 21 de Setembro de 1918 com Ernesto Viriato dos Passos Ferreira da Silva, filho de D. Maria Beatriz da Silva Valente, falecida em Braga no mês de Novembro de 1940, e secretário de finanças neste concelho, cujo porvir foi um encadeado de triunfos sucessivos todos eles devidos à sua inteligência fulgurante e ao seu carácter impoluto.
Ferreira da Silva é republicano desde os bancos de liceu de Braga, pois na quadra estudantil já esteve filiado na Liga Académica Republicana e no Centro Republicano Dr. Manuel Monteiro, esse jurista que na velha terra dos Arcebispos foi uma das glórias portuguesas quer no campo político quer no campo das letras.
Quando estava em Melgaço filiou-se no Partido Republicano Português e aí foi um dos presidentes da respectiva Comissão Municipal Republicana como foi um dos sócios fundadores dos Bombeiros Voluntários de Melgaço.
Também ao tornar-se evidente a necessidade da luta sem desfalecimento pelo engrandecimento deste torrão e de cara levantada combater a prepotência e arbítrio de um político despótico e intolerante, embora Ferreira da Silva já não pertencesse aos quadros do funcionalismo melgacense, a sua acção sentiu-se na orgânica do semanário Melgacense, cujo primeiro número saiu à publicidade em 21 de Fevereiro de 1926.
Em 1925, quando ainda se encontrava em Melgaço, foi nomeado Governador Civil do distrito de Viana do Castelo, cargo por ele exercido até à revolta de 28 de Maio de 1926, ano em que seu nome foi indicado por Braga para disputar nas eleições daquele ano um dos lugares de deputado.
Chefiava a Repartição de Finanças de Vila Nova de Famalicão quando rebentou a revolta do 3 de Fevereiro de 1929 e como nesses dias foi acusado de nela participar, ausentou-se da sede do concelho e em casa de um amigo daquela região minhota se conservou escondido das vistas dos Argos situacionistas.
Em Monção e num conciliábulo de autoridades políticas, contudo, foi ele apresentado ao respectivo Ministro do Interior como representando um grande e grave perigo para a situação política de Melgaço e como a autoridade local não garantia o vencimento da eleição enquanto o mesmo estivesse livre de peias, logo ali foi fixada residência na vila de Sines àquele grande amigo da nossa terra.
Esse escusado exílio violento fixa-se por esta carta:

 

                «Meu querido Augusto

 

Impedido provisoriamente de continuar na direcção efectiva de o Melgacense venho rogar-te a subida fineza de, na minha auzencia, fazendo o sacrifício de me substituíres, com absoluta liberdade para lhe imprimires a orientação que achares conveniente aos interesses da nossa linda terra e à causa da República de que és valeroso e decisivo defensor.
As dificuldades nas comunicações exigem de ti mais este sacrifício e conto antecipadamente com a tua aquiescência, tão certo estar da tua boa amizade, que muito me honra e da tua dedicação que sinceramente admiro.
Os leitores e assinantes de o Melgacense só terão a lucrar com a substituição, o teu nome e o teu passado garantem a defesa dos interesses de Melgaço e a propagação desassombrada da doutrina republicana, de que és um dos melhores e mais corajosos apóstolos.
Se mo consentirem, escreverei regularmente as cartas de longe onde penso continuar o apostolado da democracia a par do estudo crítico dos problemas mais instantes da vida do concelho pugnando como sempre pelo seu desenvolvimento. Que me perdoem o cometimento, para o qual conto apenas com o entusiasmo da minha mocidade e com a minha fé imperecível no triunfo da causa sagrada a que me devotei. Na ribalta política há altos e baixos… É na adversidade que se conhecem os homens e se revelam os caracteres. É na luta que os espíritos se fortalecem e se afirma a coragem moral. Respondo por mim. Hoje como hontem, seguro dos meus actos e firme na minha ideologia, é grande, ardente, imperecível a minha fé na justiça, que a todos julgará friamente e implacavelmente.
Agradece-te a publicação desta carta o teu

                            

                 Correligionário e amº devotado e obrig.mo

Sines, 18-1-928
Ferreira da Silva

 

Pouco depois de acabar esta triste e inútil situação de violência inteiramente escusada Ferreira da Silva abandonou a carreira burocrática e em 1929 assumiu as funções de Delegado da Administração da Companhia Hidro-Eléctrica do Varosa e em 1931 foi nomeado seu director, como mais tarde o foi da Chenop, isto é, da Companhia Hidro-Eléctrica do Norte de Portugal.
A faceta mercantil deste funcionário estatal de outrora e que o coração se encarregou de fazer melgacense devotado, outros triunfos mostra, porquanto em 1939 foi proposto para Presidente do célebre Clube dos Fenianos, de 1940 a 1944 exerceu com brilho as funções de 1º Secretário do Ateneu Comercial do Porto e em 1945 foi eleito Presidente da Direcção dos Bombeiros Voluntários Portuenses, para aqui se não falar detidamente do seu secretariado e da sua presidência do Rotary Clube do Porto, onde Ferreira da Silva deixou uma obra notável toda cheia de bem fazer.

 

Filhos: D. MARIA IVONE ESTEVES FERREIRA DA SILVA

 

O MEU LIVRO DAS GERAÇÕES MELGACENSES
Volume I
Augusto César Esteves
Edição da Nora do Autor
Melgaço 1989
pp. 453-456

 


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Sábado, 11 de Janeiro de 2014

UM HOMEM DO PARTIDO PROGRESSISTA EM MELGAÇO

 

 

UM POLÍTICO MELGACENSE

 

 

   Os seus estudos literários principiaram em Paços, na escola régia do seu tio Joaquim José Durães – o entrevado de muitos anos recuperado para o estudo e o ensino pelo carinho fraternal do João e por um esforço da vontade própria – e foram acabar em Coimbra, na Faculdade de Direito da Universidade.

   Ai se matriculou em Outubro de 1876 e se bacharelou em 1881, deixando ver aos condiscípulos quão prometedor era o seu espírito logo no dia seguinte ao da primeira prelecção do lente Dr. Pedro Penedo da Rocha Calhau.

   Conta-o num dos seus livros o Dr. António Cabral, contemporâneo do melgacense, ao dedicar à sua memória estas palavras: «No dia imediato chamou à lição o último aluno do curso, o número 81, António Joaquim Durães, que foi depois governador civil de Évora e morreu há anos. Conheci-o muito bem, como conheci todos, ou quase todos os condiscípulos dos meus irmãos, com muitos dos quais, apesar de caloiro, tratava por tu. Era aquele um minhoto cerrado, de cara quadrada e cabelo às ondas, inteligente, vivo e alegre. Como era o último do curso, não esperava dar lição, logo no primeiro dia da chamada. Não tinha estudado a matéria, portanto, nada sabia mas, como era rapaz de talento, foi vencendo as dificuldades do lance, auxiliado pela sebenta e pelo que lhe iam soprando os vizinhos caridosos.»

   De posse do canudo com as cartas na mão veio para a terra natal, trazendo de Coimbra acarinhados no coração Alexandre Cabral e os irmãos, o Gaspar Malheiro, o António Feijó e tantos outros, que enveredaram pela política e foram marechais no campo progressista; aqui. Porém, seu pai era regenerador e ele ficou militando na órbita da casa do Rio do Porto. Mas à custa apenas do esforço pessoal foi vincando na terra a sua personalidade a par e passo da carreira do tempo.

   Orador de palavra fluente, quantas vezes no tribunal não encantou todo o júri e o levou a escrever veredictos favoráveis aos seus clientes? O profundo conhecimento das legislações civil, comercial e fiscal eis o principal chamariz por ele usado para atrair os demandistas ao seu escritório, onde muitas vezes se viu desfazer uma tormenta iminente, só por as partes se deixarem guiar por conselho daquele letrado para um acordo amigável e extra judicial. Em fins de 1887 por iniciativa de um pequeno grupo de melgacenses, bairristas todos e brasileiros, apareceu aqui O Melgacense, o primeiro jornal a publicar-se na terra e aí sobre a direcção do Dr. António Joaquim Durães se debateram vários problemas ligados ao progresso do concelho e fustigada foi com aplauso de uns tantos a política de José Cândido Gomes de Abreu, homem público não tolerado por algumas figuras do meio devido ao seu génio dominador.

   Por esse tempo andava na Câmara, como substituto em exercício, o progenitor deste advogado e andava também o pai de quem estas linhas escreve e ambos sob a presidência desse famigerado José Cândido.

   Corria Setembro de 88 quando aos ouvidos do primeiro chegaram boatos de haver já em campo trabalhos para o prolongamento do caminho de ferro de Valença a Monção e isso bastou para, por iniciativa sua, a Câmara representar ao governo progressista solicitando «a continuação deste melhoramento de largo alcance até comunicar com a Espanha em raia seca, e ao menos até à capital deste concelho, que muito lucraria para a exportação dos seus produtos, e importação dos géneros de que precisa para consumo, como são os de mercearia, líquidos oleosos e os que mais ninguém ignora.»

   Ora essa representação organizada foi pelo filho advogado e remetida por José Cândido às instâncias superiores por intermédio do governo civil, contra a opinião do proponente, que se bateu para ser endereçado ao deputado para este concelho, no que foi apoiado pelo «vereador Esteves, que se havia levantado por motivo urgente e regressando disse, que votava com o seu correligionário João Manuel Durães, atendendo a ser o deputado o representante do concelho.»

   Mais ou menos por estes dias e, por isso, também em 1888 se não erro, foi o novo advogado transferido de Vila Pouca de Aguiar para a conservatória do Registo Predial privativa do nosso concelho, acabada de criar pelo governo progressista.

   A política afastara-o dos regeneradores e da direcção de O Melgacense, mas em 1896, com dinheiro seu, surgiu na terra um Melgacense a propalar ser o órgão do partido progressista e dos interesses concelhios, mas então, infelizmente, já nenhum dos jornalistas de qualquer das folhas locais foi de craveira a elevar-se às regiões superiores do pensamento para poder colher a consagração ou os aplausos do público em geral. Filiara-se alguns anos atrás trabalhado quiçá pelas velhas amizades de Coimbra no partido progressista e como arrastara consigo quase todos os quarenta maiores contribuintes, velhos satélites da órbita da Casa do Rio do Porto, do próprio campo progressista afastou o velho chefe Dr. Gomes do Convento e em sucessivos períodos eleitorais foi coleccionando vitória sobre vitória até a morte chegar.

 

(Publicado em Notícias de Melgaço de 4/10/1959)

 

Obras Completas

Volume 1  tomo 2

Augusto César Esteves

Edição da Câmara Municipal de Melgaço

2002

pp. 599-601

 


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Sábado, 28 de Dezembro de 2013

O ANTIGAMENTE

 

Procissão em Melgaço - foto da revista da CMM

 

 

O ANTIGAMENTE

 

   A vida das pessoas, individual ou colectivamente reunidas em nações, sempre esteve sujeita a altos e baixos. Países houve, ao longo da história, que atingiram o apogeu e sofreram decadência ao ponto de se extinguirem.

   O nosso Portugal, tanto ou mais que outros, experimentou esses solavancos ao longo da sua existência. A actual geração mais velha, e é a maioria, dizem os cronistas, tomou conhecimento desses altos e baixos do nosso país, já na infância na escola primária. Ora, se é uma sequência na existência das criaturas e das instituições, porque reclamar? Vamos trabalhar!

   Na minha infância, anos trinta do século passado, tomei conhecimento da grandeza do império ao mesmo tempo que ouvia dos mais velhos as agruras que passaram logo após a abolição da monarquia e muito mais durante a primeira república, quando, contavam, havia greves todos os dias, atentados à bomba nas cidades, uma tremenda carestia que era cantada nas modinhas populares… Naquela fase como na actual, o motivo das crises sempre se deveu à desonestidade, vaidade ou ignorância dos que eram guindados a administrar o país, por indicação ou por esperteza. Inventaram o termo democracia com a consequente eleição popular dos administradores, mas deu na mesma: só se elegem os espertalhões com extraordinária capacidade de mentir.

   Houve um 28 de Maio que pôs termo aquele excesso de liberdade transformada em anarquia. O povo suportou com resignação as dificuldades que lhe foram impostas e o país se organizou e prosperou como nação. Cada cidadão se virou como pôde procurando melhorar sua existência e alguns progrediram. Aqueles que não conseguiram ou não souberam superar a miséria, aceitaram a situação em troca da bonança em que se vivia.

   A recuperação dos países sempre foi mais fácil após um conflito armado ou cataclismo que após as más administrações. Depois das guerras, os povos se enchiam de patriotismo e trabalhavam sem se incriminarem mutuamente. Já nas crises governativas vive-se procurando culpados instigando-se uns aos outros sem pensar em procurar um modo de viver honestamente de seu labor. Em Melgaço, naqueles anos trinta, a vida corria mansa, pois cada pessoa se situou na sua condição. Havia os ricos, sim, senhores, até milionários, os remediados, os pobres e os mendigos. Havia liberdade de pensamento e até de expressá-lo, desde que não ofendesse ou pusesse em perigo o governo. Eram conhecidos os descontentes com o Estado Novo. Intelectuais que nunca foram perseguidos, pois apenas manifestavam ideias, jamais representaram perigo ao Estado, ao contrário dos ditos comunistas com intenções bélicas, propagandistas dum estado de vida que acabou malogrado, e estes eram cruelmente reprimidos. Quando da pseudo eleição onde o candidato da oposição foi o general Norton de Matos, em Melgaço circularam prospectos da oposição encabeçada pelo Dr. Augusto César Esteves, funcionário estatal, que diziam: “Nós, os democratas somos mais e melhores”. Os ditos democratas não sofreram qualquer represália.

   Mas voltando às categorias sociais: nos anos quarenta, devido ao conflito mundial, quando não se conseguia emigrar, a população de Melgaço aumentou muito e os miseráveis em maior número. Não havia trabalho para muitos e então, a mendicidade, que sempre existiu, transformou-se em profissão. Em contraste gritante havia a população que sobrevivia em escandalosa abastança em função do contrabando que corria farto e solto, e das termas do Peso superlotadas de ricos aquistas; e os miseráveis sem eira nem beira e os idosos que recorriam à mendicância. Diariamente na vila havia uma chusma de pedintes que vinham de todas as aldeias e até de fora do concelho empanando o bucolismo e o sossego dos moradores. Era uma romaria de pedintes batendo à porta das casas pedindo: “uma esmolinha pelo amor de Deus.” Os moradores sempre tinham separadas algumas moedas de um e dois tostões (10 e 20 centavos de escudo), mas não dava para tantos; então esgotada a verba vinha a resposta: “Deus o favoreça.” Os mendigos profissionais, alguns, malandros que não precisavam, reclamavam quando não eram atendidos: “ainda o hei-de chuçar na cova.”

   O número quase superava o de moradores da vila, daí que o presidente da Câmara, Dr. João Durães, baixou uma determinação: só era permitido pedir esmola às sextas-feiras e os mendigos cadastrados para terminar com os pedintes vigaristas. Terminada a guerra, a emigração para França foi em catadupas e de lá passou a ir para Portugal o produto do trabalho. A mendicância decresceu e quando da implantação do socialismo, acabou. A nação passou a viver gostosa fase de opulência que inevitavelmente está dando lugar a nova fase de vacas magras. Mas vai passar! É só ter paciência e aguardar a próxima fase de abundância, trabalhando, naturalmente, e na próxima geração. Amém.

 

 

   Rio, Julho de 2012

 

                                                                                                                                                                                   M. Igrejas

 

Publicado em: A Voz de Melgaço

 


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Terça-feira, 23 de Julho de 2013

DR. ANTÓNIO DURÃES, UM ANTI-SALAZARISTA DE MELGAÇO

 

 

CANDIDATOS A DEPUTADOS OPOSICIONISTAS

 

 

DURÃES, António Augusto (?) – Angola, 1945 – Advogado, foi presidente da Câmara Municipal de Benguela, nomeado pelo governador Freitas Morna (1942-1943). Em 1945, fez parte da comissão executiva do MUD em Angola, constituída naquela colónia numa reunião realizada em 15 de Outubro de 1945. Nessa reunião, foram escolhidos os três nomes que deveriam fazer parte da lista oposicionista de Angola: o dr. António Gonçalves Videira, o eng. Cunha Leal e ele próprio, como representante dos interesses do centro-sul de Angola. No discurso que proferiu numa sessão oposicionista realizada no Cine-Teatro de Benguela, em 1945, afirmou que só aceitara o cargo de presidente do município por se tratar de uma situação meramente administrativa e de defesa dos interesses locais mas que já o pusera à disposição do governador-geral (Vasco Lopes Alves). Em 1967, proferiu, no Rotary Clube de Melgaço, uma palestra sobre o general Norton de Matos – de cuja comissão de candidatura à Presidência da República fizera parte, em Angola – mais tarde publicada sob o título Angola e o General Norton de Matos – subsídios para a história e para uma biografia (Melgaço, 1976).

 

 

Retirado de:

 

CANDIDATOS DA OPOSIÇÃO À ASSEMBLEIA NACIONAL DO ESTADO NOVO (1945-1973) 

UM DICIONÁRIO

Mário Matos e Lemos

Edição Divisão de Edições da Assembleia da República

e Texto Editores, Lda.

 

 

http://www.parlamento.pt/ArquivoDocumentacao/Documents/Candidatos_Oposicao.pdf

 


publicado por melgaçodomonteàribeira às 07:52
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Sexta-feira, 8 de Março de 2013

MELGAÇO, 16 DE NOVEMBRO DE 1913

 

 

AFASTANDO AS «PEDRAS»  DO CAMINHO

 

 

   A ofensiva do Partido Democrático prosseguia. Raimundo Meira aproveitava qualquer ocasião para eliminar a oposição existente e colocar à frente do município pessoas da sua confiança. Em 16 de Novembro de 1913 retira a confiança ao Administrador do concelho de Melgaço. Este apresenta a demissão passados 10 dias.

 

   Exmo. Sr.

 

   Tendo Vexa significado em seu oficio nº 445 de 16 do corrente, que não lhe mereciam inteira confiança as minhas informações oficiais, acerca das obras da pesqueira a que o mesmo oficio se refere, e isto por não serem elas conformes com outras informações particulares, que sem fundamento de verdade foram dadas a Vexa, acerca do mesmo assunto; e não tendo querido Vexa aceitar a justificação do meu procedimento exposto no meu oficio nº 144 de 20 do corrente, tanto que o tal oficio me foi devolvido por ordem de Vexa, como consta do ofício emanado d’esse Governo Civil sob o nº 461, assinado pelo oficial-chefe da 2ª repartição, no qual se diz que fui “incorrecto e inconveniente” para com Vexa, julgo do meu dever, por não poder continuar a merecer a Vexa, a necessária confiança no desempenho das minhas funções a meu cargo, pedir a minha demissão, depositando nas mãos de Vexa, o lugar de Administrador deste Concelho.

 

   Saúde e Fraternidade

 

   Administração do Concelho de Melgaço

 

   O Administrador do Concelho

 

   António Augusto Simão

 

Retirado de:

 

Cartas Portuguesas - A Primeira Republica por Correspondência

 

http://cartasportuguesas.blogspot.com/2005_02_01_archive.htlm

 


publicado por melgaçodomonteàribeira às 22:17
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A IGREJA PERSEGUIDA NA 1ª REPÚBLICA

  

Gaspar Vaz-Guedes

 

 

CORRESPONDÊNCIA ENTRE GASPAR VAZ-GUEDES E    

 

RAIMUNDO MEIRA

 

 

   Meu excelentíssimo amigo

 

   Recebi a sua carta com os documentos inclusos e apreciei como mereciam o diálogo em verso do Satanaz com o Gaspar Gomes, que não é aliás meu caseiro, e o mais. A questão do arrendamento do passal cifra-se no seguinte: como Vexa sabe as freguesias por aí são muito pequenas e o povo vê-se e deseja-se para pagar aos padres; fiz portanto propaganda na minha freguesia no sentido de convencer os habitantes a que encarregassem um só padre de paroquiar as duas freguesias de Pedreiro, que é a minha e a vizinha de São Tiago de Cendufe. Parece que se convenceram e conseguiram convencer os padres, um dos quais, o de S. Tiago, está expulso da residência; parece que este concorda em se ir embora da freguesia com o que a Republica nada perderá, passando o encomendado de Pereiro a ir residir em São Tiago, o que também lhe dá jeito por causa de uma quinta que ali comprou, mas para ele ir é preciso que lhe permitam arrendar a residência e passal de S. Tiago pagando, é claro maior renda que a actual e evitando-se que esteja a deteriorar-se abandonada a residência de S. Tiago. Creio que seria muito bom conseguir o que deixo dito: lucrava o estado na renda, o povo das duas freguesias na diminuição dos encargos e a instrução, pois ficávamos com a residência do Pereiro, que é boa para a aplicar e suprir a falta essencial de casa para as escolas da freguesia. Peço portanto a Vexa que empenhe para o conseguir todo o seu bom esforço.

   Quanto ao administrador, se o bacharel a que Vexa se refere é como julgo o filho do Dr. Souza, é o pior que pode ser; além de parvo e talvez mesmo por o ser, é criatura completamente do José Guimarães, tendo pedido nas últimas eleições o voto a um meu caseiro afirmando-se Camachista. Isto para além das prendas do pai e dos tios nos Arcos e em Melgaço.

   Queria-se pessoa com tino, critério e um pouco de autoridade, aliás continuaremos na mesma ou pior.

 

   Com muita estima, de Vexa Correligionário e amigo muito dedicado

 

Lisboa 23/01/1914

Queiroz Vaz-Guedes

 

 

João Teixeira de Queiroz Vaz-Guedes, integrou as fileiras do Partido Republicano Português, ocupando, depois da Republica, o cargo de governador civil de Viseu em 1913-1914, ao mesmo tempo que iniciava vida parlamentar como deputado por Pinhel (1913-1915). Fez parte do elenco governativo em 1923. Pertenceu à Maçonaria, tendo sido iniciado, em 1909, na loja Liberdade III, com o nome simbólico de Gambetta.

 

Raimundo Meira, governador civil de Viana do Castelo em final de mandato (23/03/1914). Nomeado em Junho de 1913, governador civil de Viana do Castelo, é destacado durante o mês de Julho para o governo civil de Coimbra, volta em Agosto a Viana, e exerce o cargo até Março de 1914. É eleito senador por Viana nas listas do Partido Democrático em 1919, sendo reeleito em 1923 e 1925.

 

 

Retirado de:

 

Cartas Portuguesas – A primeira Republica por correspondência

 

http://cartasportuguesas.blogspot.com/2005_03_01_archive.html

 


publicado por melgaçodomonteàribeira às 20:32
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