Sábado, 21 de Outubro de 2017

UM DE CAÇADEIRA E OUTRO DE CACETE

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CORREIO DE MELGAÇO Nº 149, DE 16/5/1915

 

Um meliante qualquer, de Paderne, do qual não se sabe o nome, que trabalha há tempos em Espanha, roubou, a 14/5/1915, a Manuel José Fernandes, proprietário de Alvaredo, um redeiro, que aquele cidadão tinha a secar perto do rio Minho. Preso, com o objecto roubado, foi conduzido a esta Vila por dois cabos de polícia, daquela freguesia, um armado com espingarda caçadeira e o outro munido de um bom cacete. O atrevido gatuno, porém, ao chegar a Galvão de Cima, perto da Vila, deu ás de Vila Diogo, deixando os representantes da autoridade de cara… à banda! O cabo da polícia que trazia a arma caçadeira ainda deu ao gatilho por duas vezes, mas… cruel decepção! a arma era velha e para maior infelicidade estava descarregada, não podendo fazer fogo sobre o gatuno que – auxiliado pelas rijas gâmbias – atravessou campos e o regato de Prado, pondo-se em bom lugar. Os seus perseguidores ainda tentaram procurá-lo pelos campos de centeio, mas em vão o fizeram, pois não o viram mais. Resolveram então vir contar o caso ao administrador do concelho e fazer-lhe entrega da rede roubada, que o meliante tinha deixado como recordação.

 

 

CORREIO DE MELGAÇO, 14/12/1916

 

Na noite de quinta-feira, 14/12/1916, foram lançadas duas bombas, uma à porta da estação telégrafo-postal e administração do concelho, outra à porta de casa da residência do administrador do concelho.

Foi, sob prisão, à administração do concelho, Manuel José Fernandes, por se suspeitar que estivesse ligado ao atentado de 14/12/1916 contra o administrador Joaquim de Sousa Alves; voltou para casa horas depois.

 

 

Retirado de:

                  Dicionário Enciclopédico de Melgaço

                  Volume I

                  Joaquim A. Rocha

                  Edição do autor

                  2009

                  p.227

 

Joaquim A. Rocha é o editor do blog Melgaço, Minha Terra

 

 


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Sábado, 25 de Fevereiro de 2017

OLINDA CARVALHO, UMA GRANDE CONTADORA DE HISTÓRIAS I

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Um Carnaval na Memória Coletiva

 

Como tantas coisas do passado também o Carnaval suscita mil lembranças, mil e uma evocações nostálgicas de um tempo que foi muito melhor do que o presente. Porque associado à juventude, a mais saúde, a um convívio mais são? É o que se diz. Será, porém, verdadeiro? Do que eu me lembro, a pressão social era, há uma dezena de anos, muito mais pesada do que hoje e ai de quem pisasse o risco! Alguém que desse azo a andar nas bocas do mundo só de lá saía quando a novidade ou amplitude de outro deslize lhe arrebatasse o lugar. O esquecimento podia nunca acontecer, de vez em quando algo voltava a surgir para apoucar sicrana ou beltrana, eram, são quase sempre as mulheres as vítimas das línguas viperinas do povo. Os homens, mesmo que o discernimento delas os coloque no seu devido lugar, merecem geralmente muito mais tolerância e favores das mulheres. Postas a refletir, elas confessam-se mais capazes, mas assumem no outro género méritos maiores do que os que a prática lhes conferem, os que a tradição instituiu.

O Carnaval era a festa por excelência em que novos, velhos e crianças se divertiam. Para muitas rapariguinhas era uma espécie de passaporte para aceder aos bailes destinados às mais velhas, em idade de namorar e procurar o almejado pretendente, sendo este o objetivo de uma vida. Depois de participar, um ou dois anos seguidos, em todos os bailes, de sábado à tarde até à madrugada de quarta-feira de cinzas, qualquer moçoila se sentia com direito a reivindicar participar em todas as posteriores folias carnavaleiras. As mães deixavam-se convencer com mais ou menos facilidade, de acordo com as alegrias do coração, as filhas limitavam-se a reproduzir o que se tinha passado com elas, quando tinham a mesma idade. Os pais eram pouco tidos para a decisão, a maioria porque estava ausente e, se não era o caso, deixavam as coisas difíceis para as mulheres, além de as parirem também tinham de as criar para ninguém ter nada de nada a apontar-lhes.

Naquele ano queriam que os festejos fossem de arromba. Um ano antes, tinha havido dois enterros nas vésperas e ninguém se atrevera a lembrar a época festiva, por respeito para com as famílias dos falecidos. Se a morte do tio Manuel da Marmeleira foi aceite naturalmente, pois já não esperava pela idade e estava acamado há tempo, fez-lhe Deus favor, o mesmo não se pode dizer da partida inesperada do Francisco Americano, vítima fulminante de um garrotilho que o levou em menos de oito dias, tinha vinte e três anos. Foi uma dor de alma naquele lugar e nos adjacentes, nunca até àquela data um enterro foi mais concorrido. Ouvir a mãe e as irmãs a gritarem por ele entranhava-se no coração mais empedernido, até os homens deixavam as lágrimas correr sem se esconderem, tamanha dor tinha de ser partilhada, nem que fosse apenas para aliviar um pouquinho a noite negra que caíra sobre aquela família.

O tempo mostrou-se amigo, esquecido da neve, apenas uma chuva miudinha na segunda à tarde. Assim, em espaços abertos, os entrudos podiam resultar os variados números, muitas vezes preparados de longe, outras deixados ao improviso e a sugestões do momento, algumas limitando-se a reproduções por demais conhecidas, mas que faziam sempre rir, que mais não fosse pelo conhecimento antecipado da coisa. Depois do almoço de sábado, onde a mesa era ainda frugal, as carnes e outras iguarias eram para domingo e terça feira gorda, acorria o povo à eira do meio. As crianças não paravam, chegava o tocador, as velhas e velhos acomodavam-se nos bancos que iam surgindo de um canto e de outro, alguns improvisados com o que estava à mão, as raparigas punham-se de um lado, os rapazes, sempre em menor número do que elas, de outro. Começava a concertina na sua função e de seguida os pares a rodopiar, sob os olhares atentos, perscrutadores de mães, pais, avós, vizinhos em geral. Todos dançavam com todos, as raparigas que ficavam sem par iam buscar os velhotes que saíam para o terreiro, o entrudo é assim mesmo, alguns rapazes faziam o mesmo com solteironas que já não estavam para festas, mas carnaval é carnaval. Em geral só mulheres de meia idade, viúvas de maridos emigrados, é que não participavam na dança. A muitas não faltava a vontade, mas o recato impunha distância daquelas alegrias e, estando por perto, gozavam os olhos, já era bem bom.

Quando menos se esperava, ora com introdução a preceito, fazendo-se anunciar, ora de rompante, eis que fazem parar o baile. Entravam os mascarados, com um número ensaiado para animar, para fazer rir, às vezes até às lágrimas. Era mister que a identidade dos entrudos não fosse descoberta. Ele era ver o médico que assistia ao nascimento de uma criança e fazia sair um ser horrendo debaixo de uma saia branca manchada de vermelho, ele era o mesmo médico a fazer uma intervenção cirúrgica e a extrair um chouriço que deveria ser o apêndice, ele era o casalinho que pretendia dar o nó e o padre se recusa porque o noiva é mais alta do que o noivo e este precisa de crescer e depois aparecer.

 

(continua)

 

 


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Sábado, 6 de Agosto de 2016

A FILHA DO CAPITÃO

 

(…)

“Calma”, pediu Baltazar, sempre concentrado num documento. Passou os olhos pelas letras, fungou, murmurou sons imperceptíveis e, após mais uma eternidade a decifrar o texto, captou finalmente o sentido. “Diz aqui que temos direito a trinta dias de licença.”.

Um murmúrio de satisfação encheu o abrigo, todos se entreolharam e sorriram. Já se imaginavam no Minho, com a família, a ajudar na lavoura, a banharem-se no Cávado, no Este, no Lima, a dançar o vira, a cavar a terra, a apanhar a uva, a encherem os espigueiros, a comer um cozido regado com um verde de Melgaço, mas que grande narça iriam apanhar na primeira noite entre os seus.

“Um mês”, repetiu Vicente, sonhador.

“Ah se eu me apanho no Minho, a cheirar os carvalhos e os teixos do Gerês, ou a respirar aquele ar das brandas, lá no alto da serra, nunca mais me põem os olhos em cima”, sentenciou Baltazar, cerrando as pálpebras com sentida nostalgia. “Que categoria. Escondo-me lá no mosteiro de Pitões e a tropa que se pine.”

 

A Filha do Capitão

José Rodrigo dos Santos

Edição Gradiva

31ª Edição Junho 2016

  1. 424, 425

 


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Sábado, 25 de Junho de 2016

MELGAÇO 2000

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Ao elaborar o “Roteiro de Melgaço 2000”, quisemos chamar a atenção dos nossos conterrâneos e dos visitantes interessados para a imensa riqueza do passado em tradição, cultura e história, usufruindo do presente com sabedoria e ajudando a projectar o futuro.

A Providência brindou-nos com dádivas extremamente generosas.

Temos as águas do Peso, agora com grande caudal, potencial de grande riqueza, se devidamente exploradas. Condições naturais para um turismo ímpar, variado e rico. Vai do Belo horrível das serranias pedregosas à poesia lírica e à beleza olímpica do rio Minho e seus afluentes, sem esquecer o valiosíssimo património histórico e arquitectónico.

Com estradas maravilhosas e o ar despoluído, o que não serão as férias e fins de semana, os passeios e merendas em Castro Laboreiro, Lamas de Mouro, nas casas alvinitentes da montanha, na Aveleira, etc., etc.

Os monumentos de que dispomos, Fiães, Paderne, Chaviães, a Orada, o espólio arqueológico, em especial o de Castro Laboreiro, os castros, a Cividade de Paderne, vilas e castelos, a parte medieval da sede do Concelho e de Castro Laboreiro, entre outros, os solares, com especial relevo para o do Fecho, o que aí vai de itinerários de cultura e diversão para naturais e visitantes.

E que dizer da caça e da pesca, agora em baixa, mas que podem voltar a ser o que já foram, desde que se tomem disposições e iniciativas muito a sério com vista a despertá-las do marasmo?

Há o Alvarinho e o Verde regional, este que os romanos já descobriram e transportavam ás costas dos escravos ou pelo rio Minho até à foz, embarcando-o em seguida para Roma. Aí era guardado nos baixos das casas sob a neve dos Apeninos e servido nos famosos banquetes da Cidade Eterna.

E há a culinária regional, à base de presunto e chouriços únicos, quando genuínos de Melgaço, de cabrito, carneiro, truta salmonídea, lampreia, salmão e sável.

Há enorme potencial para o turismo de lazer, como já o vêm demonstrando Melgaço Radical e Rafting Atlântico.

Os autores, naturais de Melgaço, procuram que este trabalho seja didáctico e formativo, pois não há liberdade sem cultura, nem verdadeira cultura sem liberdade.

 

Melgaço 2000 – Roteiro

Edição A Voz de Melgaço

2000

 


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Sábado, 21 de Maio de 2016

MELGAÇO DA PRÉ-HISTÓRIA AO SÉCULO XXI

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 J.Marques Rocha nasceu em Monção (Alto Minho) em 1941. Ali aprendeu as primeiras letras. Até 1962, trabalhou no escritório dum reputado advogado monçanense tomou o gosto pelos meandros do Direito. O serviço militar deu-lhe a conhecer terras (Porto, Espinho, Torres Novas, Estremoz, Aveiro e Lisboa), até que, em 1962, foi mobilizado para Angola. Lá ficou, ingressando, em 1966, no semanário «Jornal do Congo», em Carmona. O espírito de aventura levou-o para o «Rádio Clube de Benguela», mas por pouco tempo. Em 1967, entrou nos quadros de Benguela, do diário «A Província de Angola», mas logo abalou para Luanda.

Em 1975, farto de conflitos armados, bem mais graves do que os enfrentados em 1962, aceitou o convite do «Portugueses Rádio Clube», de Toronto (Canadá). Contudo, uma passagem, para rever amigos, pela cidade do Porto fê-lo desistir de refazer a vida longe de Portugal, e levou-o a integrar a equipa de jornalistas do diário «Comércio do Porto». Em 1977, ingressou na RTP, como subchefe da Redacção. Presentemente, continua a integrar a estrutura redactorial da RTP/Porto.

Entre 1988 e 1995, publicou quatro trabalhos monográficos da região do Minho – Monção, 1988; Valença, 1991; Melgaço, 1993 e Vila Nova de Cerveira em 1995.

 

 

MELGAÇO da pré-história ao século XXI

J. Marques Rocha 

2001

 


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Quarta-feira, 9 de Dezembro de 2015

O MELGACENSE DAS LETRAS AFRICANAS

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Pires Laranjeira, que nasceu em 1950, em Melgaço, e viveu no Porto, Luanda, Coimbra e Londrina, é Professor Associado da Universidade de Coimbra, Faculdade de Letras, onde é responsável pelas cadeiras de Literaturas Africanas e de Culturas Africanas e onde leccionou as cadeiras de Literatura Brasileira e Introdução aos Estudos Literários. É Licenciado em Estudos Portugueses, Mestre em Literaturas Africanas e Brasileira e Doutor em Literaturas Africanas. Da sua actividade académica destaca-se ainda a criação e direcção do Mestrado e da Pós-graduação em Literaturas e Culturas Africanas e da Diáspora (2001-2005), na mesma universidade, a docência no programa do mestrado em Relações Interculturais da Universidade Aberta (Porto), nos anos 90, e a colaboração com esta universidade (delegações de Coimbra, Porto e Macau), Universidade de São Paulo e Universidade de Rennes 2, entre outras. Foi professor convidado da Universidade de Salamanca (no ano lectivo de 1996-97), leccionando as cadeiras de Literaturas Africanas de Expresión Portuguesa, de Historia y Cultura Brasileña e de Literatura Brasileña.

Publicou textos científicos, culturais, jornalísticos e literários em mais de 100 jornais e revistas locais, regionais, nacionais e internacionais, desde 1965, e proferiu conferências, deu cursos e participou em reuniões científicas e culturais, desde 1981, em Portugal, Angola, Brasil, Espanha, França, Cabo-Verde, Moçambique, Itália, Suíça, Canadá, Estados Unidos, Áustria, Alemanha, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e China.

Organizou e apresentou programas-rubricas de literaturas de língua portuguesa na rádio (em Angola e Portugal) e organizou vídeos para a Universidade Aberta (transmitidos pela RTP-2). Foi crítico literário dos jornais Diário de Luanda, A Província de Angola (1973-74) e África (Lisboa, anos 80) e é crítico de literaturas africanas do Jornal de Letras (Lisboa, desde 2002). Co-coordenou (c/Ernesto Rodrigues e José Viale Moutinho) os três volumes de Actualização (1960-2001) do Dicionário de Literatura fundado por Jacinto do Prado Coelho, tendo escrito mais de 400 verbetes de Literaturas Africanas e Brasileira. Os seus interesses actuais de investigação englobam história, sociedade, política e cultura nas literaturas africanas e também culturas orientais e do Medio Oriente (nomeadamente filosofia, religião e poesia tradicional e clássica da China, Japão, Índia e Pérsia).

Entre as suas publicações em livro, destacamos: Antologia da poesia pré-angolana (1976); Literatura calibanesca (1987); De letra em riste. Identidade, autonomia e outras questões na literatura de Angola, Cabo Verde, Moçambique e S. Tomé e Príncipe (1992); A negritude africana de língua portuguesa (1995); Literaturas africanas de expressão portuguesa (c/ Inocência Mata e Elsa Rodrigues dos Santos) (1995); “Le monde lusophone (Chapitre V): la littérature coloniale portugaise”, in Jean Sevry (ed.); Regards sur les littératures coloniales. Afrique anglophone et lusophone, tomo III (1999); Negritude africana de língua Portuguesa. Textos de apoio (1947-1963) (2000); Estudos afro-literários (2001, 2ª ed. 2005); Cinco povos, cinco nações. Estudos de literaturas africanas de língua portuguesa (c/ Maria João Simões e Lola Geraldes Xavier, org.) (2007).

 

 

Retirado de:

                  www.unicepe.pt

 


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Quarta-feira, 7 de Outubro de 2015

O FILHO MAIS VELHO DE DEUS

 

 

 

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O FILHO

MAIS VELHO

DE DEUS

 

Esta obra não pretende ser um manual catequético, mas sim um texto que incita à reflexão séria do leitor sobre a possível relação simbiótica, quase carnal, quase espiritual, com aqueles que já partiram. Mas, os que partiram, partiram para onde? Ou para o quê? O narrador sente-se penhorado com todas as entidades místicas por todo o apoio e todas as graças espirituais que lhe concederam durante e após esta missão de escrita pura.

 

Vai um agradecimento especial ao homem que, mesmo vivendo no mundo incorpóreo, deu corpo diegético a esta narrativa com uma única razão, salvar o seu filho de uma morte bárbara a que a ciência física o havia condenado.

 

Nasceu na casa da Corga, em Remoães  (Melgaço), Alto Minho. Licenciou-se em ensino. Atualmente é professo num agrupamento de escolas de Vila Nova de Famalicão. Amante das letras, desde que se conhece, tem como mestres grandes autores clássicos e contemporâneos: Camilo, Eça, Voltaire, Byron, Sartre e tantos outros. Desde sempre que o seu interesse pelo oculto e pela vida depois da morte lhe provocou um desejo de busca, de procura intensiva.

 

Como autor publicou em 2011

Contos da Raia

 

O Filho Mais Velho de Deus, é o seu segundo livro.

 

O Filho Mais Velho de Deus

Luís Faria

Chiado Editora

1ª Edição

Fevereiro 2015

 

www.chiadoeditora.com

 


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Sábado, 5 de Setembro de 2015

O RECUPERADOR DE TEMPO

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O autor, numa escrita verosímil de sobriedade e transparência, e com breves episódios, ocorridos entre o campo e a cidade, conduz o leitor, em crescendo de curiosidade à forma como o homem, enquanto ser existencial, caminha ao alcance do “Recuperador do Tempo”.

Através do protagonista da obra, Osvaldo, que ofuscado por um passado de vivências de leviandade, vive o presente, numa luta constante, revendo o tempo perdido, em seu benefício e do meio que o circunda. Paulatinamente, em contacto com a natureza e com as pessoas que lhe são fiáveis, abandona o mundo de futilidades, outrora por ele adotado, e consegue pôr em prática, com atitudes e comportamentos fidedignos, alcançado o tão desejado “Recuperador”.

Osvaldo “não recupera os tempos de juventude, física e reverente, mas o seu espaço temporal de equilíbrio (…) alguém superior no universo lhe desobstruíra o caminho da vida terrena, tendo apenas de seguir os sinais de corpo e alma. Ladeado de pessoas que lhe queriam bem, construiu um mundo à sua medida, eximo a entraves de uma vida plena.”

Valera-lhe, deveras, o conselho do amigo nórdico: “Não vale a pena perder tempo com coisas que não chegam a ser coisa alguma.”

 

Quito Arantes, nasceu em Luanda a 9 de Julho de 1960 e reside em Portelinha, Castro Laboreiro.

 


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Quarta-feira, 2 de Setembro de 2015

MELGAÇO NA LITERATURA GALEGA

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         O CAPITÁN GALEGO 

 

A xeografia galega de Álvaro Coristanco é, fundamentalmente, ourensá e raiana, moi limitada espacialmente e restrinxida ao sur de Galicia. Como xa indicamos anteriormente, Sernin sitúa o nacemento, a infancia e a adolescência de Álvaro no pobo ourensán de Sobrado, a duas horas de cabalo da fronteira portuguesa. En torno a Sobrado, terán importancia no relato os pobos de Maceda, Ribadavia, Carballiño, Allariz e por suposto Ourense. Coa excepción de Maceda, que o autor situa a tres kilómetros de Sobrado, o resto das distancias son bastante aproximadas e as descricións cheas de verismo. Así, põe exemplo, a gran importancia de Ribadavia na vida de Álvaro vén dada pola estación de ferrocarril, describindóse no texto con exactitude as liñas de tren galegas e aquelas que unen Galicia coa meseta; as que xa non son tan realistas son as precisións temporais, pois o noso protagonista, un apaixonado das locomotoras, realiza traxectos de ida e volta entre distancias imposibles de cubrir nunha xornada. En tren, en autobus, a cabalo ou a pé móvese Álvaro polo sur de Ourense e o norte de Portugal, citándose no texto os topónimos lusos de Castro Laboreiro e Melgaço, así como tamén o de Coimbra. Aparecen mencionados no texto lugares galegos moi emblemáticos, como por exemplo, o porto de Vigo, ou os matadoiros de Vigo e Redondela.

 

O CAPITÁN GALEGO de André Sernin

Por: María Lopo

 

Retirado de:

UNIÓN LIBRE – CADERNOS DE VIDA E CULTURAS – EDICIÓS DO CASTRO – MEMORIA ANTIFASCISTA DE GALICIA

 

http://www.unionlibre.org/artigos/artigosmemoria.htm#capitan

 


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Quarta-feira, 19 de Agosto de 2015

A QUINTA DAS VIRTUDES

 

(…) Umbelina, só ela própria se lembraria de haver sido derrubada, entre o milho, numa tarde de Agosto de pó no ar, à margem de um regato das Taipas, donde era oriunda, mesmo à beirinha daquelas fundas tinas, pétreas e quase tumulares, que pertenciam às termas vetustas, que os patrícios romanos tinham abandonado. E alistar-se-ia o moço que a desonrara num regimento de Braga, relapso à promessa de casamento que, frente ao sacrário, solenemente assumira, e garantia-se, pouco depois, que era visto transviado, jogando a vermelhinha e puxando de facas, emborcando sucessivas malgas de um verde tinto que, pelas caídas comissuras, lhe escorria. Passou Umbelina a procurar alguma tarefa de jornal, propositadamente se situando à mercê de humilhações, mas ocorreu que o gosto de cozinhar a encaminharia para uma festeira estalagem da Falperra e, daí, para certa residência de burgueses de Guimarães, até desembocar nas Virtudes, afinal, defronte daquela lareira de espetos e de potes, onde já com ela e seus dramas topámos. Faltaria debitar a crónica do galante Raposo, lacaio que por inteiro ignorava, se quisermos ser verídicos, a bênção de beleza que, sobre ele, lá do alto, descera e ficara. Esperto e lépido, isso sim, possuía o rapaz consciência de o ser, e não se revelaria de mais aventurar que entretecia uma estratégia demorada de ascensão, a culminar em loja de batentes abertos, casamento com filha de capataz, pequenos entretenimentos negociais de contrabando de influências. Recordava-se dos pedregais de Castro Laboreiro, donde era oriundo, e que se não distinguiam das próprias habitações, como de um continente outro, sem candelabros, nem colchões de lã, onde se tornava áspero bastante, se bem que energético, trabalhar e conviver. E a nostalgia maior que, de muito a muito longe, o deixava deitado, sem dormir, de pestanas subidas, era daqueles rumorejantes e saltadores riachos que lhe sobrevinha, onde se especializara, para gáudio e animação da rapaziada menor, na apanha, à mão e num relâmpago, das trutas transitórias que, sob o círculo das águas, fulgiam e estrebuchavam. Em esparsas noites de Verão, em que as veias lhe pediam a violenta aragem serrana, com esse cheiro de giesta e de arruda, descia Raposo à porta da rua, acomodava-se num canto, pelo meio dos mendigos e dos almocreves, mascando uma pouca de tabaco-em-folha, ou lambuzando um qualquer pau de canela, até que o tomava o sono e, entontecido pelo pesadume, se deixava vencer.

 

A QUINTA DAS VIRTUDES

Mário Cláudio

Publicações Dom Quixote

4ª Edição

2009

pp. 95, 96

 


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