Sábado, 18 de Março de 2017

O DIA DE INÊS NEGRA

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    INÊS NEGRA

 

 

Três vivas à Inês Negra

brava mulher de Melgaço

que venceu a Arrenegada

e lhe meteu grande cagaço

 

Três vivas à Inês Negra

que fez descer a terreiro

a sua crença valente

sem ter armas de guerreiro

 

Três vivas à Inês Negra

que mostrou à Arrenegada

a força que tem a alma

de uma pátria libertada

 

Três vivas à Inês Negra

neste largo arraial

onde se joga em duelo

a sorte de Portugal

 

Três vivas à Inês Negra

com o estandarte de Aviz

e a festa dos soldados

reconquistando o país

 

Três vivas à Inês Negra

por ser guerreira e mulher

e por ter no dia certo

a força que faz vencer

quem sabe tomar partido

quem tem razão para escolher

 

José Jorge Letria

1995 

 


publicado por melgaçodomonteàribeira às 00:09
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Sábado, 13 de Fevereiro de 2016

LENDAS DO VALE DO MINHO

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O Vale do Minho é um espaço de forte identidade cultural, com características muito próprias e particulares, subjacentes à riqueza do seu património (arqueológico, edificado, gastronómico e etnográfico), e a um tipo de vivência que referencia e cataloga a sua população.

Estamos perante uma região detentora de produtos culturais de excelência, reconhecida pela sua tradição em festas e romarias, pelo folclore e artesanato e por uma elevada qualidade de vida.

No cerne desta riqueza cultural destaca-se o património lendário da Vale do Minho, o qual tem vindo a sofrer ao longo do tempo um tratamento menos adequado, de deturpações e perdas permanentes e irremediáveis.

Perante a necessidade de recuperar este legado histórico de valor e variedade notáveis emergiu uma vontade colectiva de garantir a sua preservação e continuidade através das gerações mais novas.

Neste contexto, a Associação de Municípios do Vale do Minho assumiu este desfio e, no âmbito do projecto “Promoção e Gestão da Imagem do Vale do Minho”, co-financiado pela Medida 1.4. – Valorização e Promoção Regional e Local – da ON/Operação Regional Norte, promoveu o levantamento das lendas do Vale do Minho.

Esta tarefa, que implicou um criterioso trabalho de pesquisa e de estudo da região, foi desenvolvida e concretizada pelo Centro de Estudos de Antropologia Aplicada da Universidade Fernando Pessoa.

Como resultado, considerou-se oportuno e enriquecedor proceder à edição da presente monografia que retratasse o Mundo Lendário da Vale do Minho, surgindo como uma narração de qualidade do património oral desta região e um meio de sustentar e garantir a sua preservação e divulgação junto de todos os que evidenciem curiosidade por este testemunho da cultura popular das gentes do Vale do Minho.

 

Valença, Maio de 2002

 

O Conselho de Administração da Associação de Municípios do Vale do Minho

 

 

Lendas do Vale do Minho

Álvaro Campelo

Edição Associação de Municípios do Vale do Minho

2002

 


publicado por melgaçodomonteàribeira às 01:04
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Sexta-feira, 8 de Março de 2013

O COTO DA MOURA

 

 

   Há muitos, muitos anos, no lugar onde hoje existe uma fonte que enche um regato e rega muitos campos, havia uma Moura encantada que todos os dias, ao nascer do sol, saía para estender o seu tesouro no cimo de um penedo, a que chamaram Coto da Moura. Servia este penedo de soalheiro ao tesouro da Moura. Depois de estender o seu tesouro, a moura sentava-se no cimo do penedo e, enquanto cantava, ia penteando os seus belíssimos cabelos louros com um maravilhoso pente de ouro. Refulgia ao longe tal conjunto. Pensava-se que a Moura assim fazia para atrair, com o deslumbramento das jóias, alguém que a pudesse desencantar.

   Os que por ali passavam contavam tal visão, mas a maior parte do povo, ou se mostrava incrédulo, ou temia aproximar-se. Então, um certo dia, um dos homens mais corajosos da aldeia foi ver se o que contavam era verdade.

   Quando chegou junto da fonte, viu uma Moura com o cabelo e pente de ouro. Estava ela sentada sobre o penedo a pentear-se. Aproximou-se lentamente, para a surpreender, de forma a que ela não pudesse escapar. Então ela, pressentindo a presença do homem disse-lhe:

   — Meu caro senhor, tenho um pente e uma “peina”. Qual deles queres?

O homem não esperava tal oferta! Até porque diziam que a Moura guardava com grande cuidado o seu tesouro. Restabelecido da surpresa, mas julgando pouco provável serem de ouro os cabelos da Moura, apesar de brilharem como esse metal, respondeu depois de breves momentos:

   — Quero o pente!

   — Ai homem, que me acabaste de dobrar a “fada”!

A Moura, depois de o fixar com um triste olhar, atirou o pente para o regato. E enquanto o homem o foi apanhar, motivado pela ganância, a Moura desapareceu.

   Em vão o homem procurou o pente. E ainda hoje se julga que o som das águas a cair no regato se parecem com o choro de uma donzela. Por isso se diz que o fado da Moura ainda contínua, já que o encanto só seria quebrado se o homem tivesse pedido a “peina” da Moura, que era a sua bela cabeleira.

 

(in Lendas do Vale do Minho)

 

RETIRADO DE: PORTUGAL A NORTE

 

http://www.nortept.com/lendas.aspx?concelho=melgaço

 


publicado por melgaçodomonteàribeira às 12:15
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