Sexta-feira, 8 de Março de 2013

O PELOURINHO DE CASTRO LABOREIRO

 

 

O PELOURINHO DE CASTRO LABOREIRO

 

 

   Numa digressão que fizemos pelo Norte em Julho de 1917, depois de termos regressado do sul de Angola, onde estivemos como expedicionário comandando a 10ª  companhia de infantaria nº 20, tivemos a ocasião de ir a Castro Laboreiro. Logo que ali chegámos, feita a viagem desde Melgaço a cavalo e acompanhado de guia, perguntámos pelo pelourinho.

   Fomos então informado de que estava fazendo parte da chaminé duma casa onde residia um professor primário aposentado. Convidado a entrar na referida casinha, ali se nos deparou um esteio de granito de secção octogonal, com dois metros de comprimento, tendo num dos extremos a inscrição que se vê no desenho (não temos o desenho),  0m,22 abaixo da linha, em que devia assentar um ‘’chapéu’’ de pedra, segundo ouvimos referir a um indivíduo de idade avançada, que havia sido encarregado por um antigo pároco de apear o pelourinho, a fim de empregar o fuste na casa que andava construindo. No outro extremo apresentava vestígios de ter estado metido numa cavidade. Por acaso apareceu uma rapariga castreja, que disse ter ouvido a um dos seus falecidos avós que uma pedra fazendo parte da parede exterior duma outra casa da localidade era do pelourinho.

   Dirigindo-nos à casa indicada, deparou-se-nos uma pedra em forma de pirâmide quadrada truncada, tendo na parte superior uma cavidade, onde devia introduzir-se o extremo inferior do esteio. Numa das suas faces, viam-se dois pequenos sulcos paralelos, que talvez tivessem servido de sinais de referência, pois um dos circunstantes disse recordar-se de ter visto na sua infância as mulheres servirem-se do pelourinho para medirem as meadas de linho. As dimensões do tronco da pirâmide eram as seguintes: altura 0m,70; lado da base 0m,43; distância entre a base e o traço inferior de referência 0m,36 (dois palmos); da mesma base ao traço superior 0m,56 (três palmos e meio); dêste traço à aresta superior 0m,14 (meio palmo).

   O esteio tinha tambêm um traço horizontal de referência, 0m,02 acima do extremo inferior. A espessura do esteio era de 0m,15 e cada face da secção octogonal tinha a largura de 0m,05.

   Segundo informações o ‘’chapéu’’, de secção quadrada, tinha umpequeno friso em volta e na parte superior um chanfrado, no qual entrava a base  duma pirâmide de granito, com 0m,60 d altura aproximadamente, e que rematava o pelourinho. Entre a base da pirâmide e o rebôrdo exterior havia a distância aproximada de 0m,15. O conjunto assentava em três degraus de granito, de 0m,30 de altura cada um, e tendo o inferior 2m,5 de lado. O informador foi Melchior Gonçalves, de 85 anos de idade, têndo sido ele quem em 1860 destruíu o pelourinho, como dissemos, por ordem do pároco da freguesia. É oportuno dizer que aquele informador Já não se lembrava que a pedra que nos foi indicada pela rapariga castreja fizera parte do pelourinho, como devia ter feito, segundo a nossa observação.

   Vê-se, pois, do que fica dito dêste pelourinho, que se levantava em frente de uma pequena casa térrea servindo noutros tempos de câmara municipal, esteve no seu lugar durante três seculos.

 

   Setúbal, Novembro de 1920

 

   Fernando Barreiros

 

Retirado de O Archeologo Português

 


publicado por melgaçodomonteàribeira às 09:31
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O NOSSO CÃO

 

Castro Laboreiro

 

 

UM CÃO DA NOSSA TERRA

 

   O cavaleiro, que capitaneava estes homens, cavalgava um magnífico e fogoso cavalo murzelo sem mancha, ao lado do qual trotava bizarramente um daqueles gigantescos e valentes cães de Castro Laboreiro, igualmente preto retinto, cuja grandeza faz apavorar os que pela primeira os vêem.

 

   O cavaleiro puxou de uma chave, que trazia consigo, e abriu uma porta falsa, que havia no lado direito do grande portão de ferro. O enorme cão de Castro Laboreiro, que o tinha acompanhado, lançou-se de um salto para dentro.

 

   As nuvens estalejavam em trovões estridentes e prolongados; e os relâmpagos fendiam nelas longos sulcos caprichosos que iluminavam pavorosamente o espaço.

   — Belzebu aqui! – disse então o cavaleiro, em voz surda e dominadora, ao cão, que olhava inteligentemente ora para ele ora para o terraço.

   O gigantesco animal lambeu com humildade e afecto a mão, que imperiosamente apontava para a terra, e, em seguida, deitou-se de barriga e estendeu o focinho sobre as mãos, cravando ao mesmo tempo no amo um olhar cheio de tino e de intrepidez.

 

      Ana Maria dos Santos Matos

 

      O Satanás de Coura

      Memórias do sec. XVII

      Por

      Arnaldo Gama

      (Romance Inédito)

 

      Este cheirinho ao nosso cão de certeza que abriu o apetite ao resto do romance. Vamos viver o que já passou há muito.

http://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/18641/3/5252TM02PAnaMariadosSantos

 


publicado por melgaçodomonteàribeira às 09:21
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Quinta-feira, 7 de Março de 2013

SOMOS EMIGRANTES, SIM SENHOR

 

Homenagem ao emigrante - Fiães

 

 

  ESTE TEXTO TEM POR BASE DADOS DOS INSTITUTOS DO GOVERNO PORTUGÊS. MELGAÇO É O CONCELHO COM MENOR NÚMERO DE INSCRITOS EM CENTRO DE EMPREGO. É VERDADE, SIM SENHOR; E DESDE CAMÕES FOI POETICAMENTE ESCRITA A NOSSA BOA SORTE.

 

 

"A QUE NOVOS DESASTRES DETERMINAS

DE LEVAR ESTES REINOS E ESTA GENTE

QUE PERIGOS, QUE MORTE LHES DESTINAS

DEBAIXO DALGUM NOME PREMINENTE!

QUE PROMESSAS DE REINOS E DE MINAS

D’OURO, QUE LHE FARÁS TAM FACILMENTE ?

QUE FAMAS LHE PROMETERÁS? QUE HISTÓRIAS ?

QUE TRIUNFOS? QUE PALMAS? QUE VITÓRIAS ?"

 

CAMÕES

 

                                 

"NÃO ME TEMO DE CASTELA

DONDE INDA GUERRA NÃO SOA;

MAS TEMO-ME DE LISBOA,

QUE, AO CHEIRO DESTA CANELA,

O REINO NOS DESPOVOA"

 

SÁ DE MIRANDA

 

 

"VEMOS NO REINO METER

TANTOS ESCRAVOS CRESCER

E IREM-SE OS NATURAIS

QUE, SE ASSIM FOR SERÃO MAIS

ELES QUE NÓS A MEU VER"

 

GARCIA DE RESENDE

 

 

OLHAI, OLHAI, VÃO EM MANADAS

OS EMIGRANTES …

UIVOS DE DÓ PELAS ESTRADAS.

JUNTO DO CAIS, NAS AMURADAS

DAS NAUS DISTANTES …

VELHINHAS, NOIVAS E CRIANÇAS,

SENHOR! SENHOR!

AO VOAR DAS ULTIMAS ESP’RANÇAS

CRISPAM AS MIOS, MORDENDO AS TRANÇAS,

LOUCAS DE DOR!

LÁ VÃO LEVADOS, VÃO LEVADOS

PELO ALTO MAR

…………………………………………….

VOLTARÃO, QUANDO, MAR PROFUNDO ?

JAMAIS! JAMAIS!

 

GUERRA JUNQUEIRO

 

 

"HOMENS QUE TRABALHAIS NA MINHA ALDEIA,

COMO AS ÁRVORES, VÓS SOIS A NATUREZA.

E SE VOS FALTA, UM DIA, O CALDO PARA A CEIA

E TENDES DE EMIGRAR,

TRONCOS DESARREIGADOS PELO VENTO,

LEVAIS TERRA PEGADA AO CORAÇÃO.

E PARTIS A CHORAR.

QUE SOFRIMENTO,

Ó PÁTRIA, VER CRESCER A TUA SOLIDÃO!"

 

T. PASCOAIS

 

 

"…VI MINHA PÁTRIA DERRAMADA

NA GARE DE AUSTERLITZ. ERAM CESTOS

E CESTOS PELO CHÃO.

PEDAÇOS DO MEU PAÍS.

RESTOS.

BRAÇOS.

MINHA PÁTRIA SEM NADA

SEM NADA

DESPEJADA NAS RUAS DE PARIS.

E O TRIGO ?

E O MAR ?"

 

M. ALEGRE

 

 

AI, HÁ QUANTOS ANOS PARTI CHORANDO

DESTE MEU SAUDOSO, CARINHOSO LAR!...

FOI HÁ VINTE ? … HÁ TRINTA ?... NEM EU SEI QUANDO!...

MINHA VELHA AMA, QUE ME ESTÁS FITANDO,

CANTA-ME CANTIGAS PARA EU ME LEMBRAR!...

 

DEI A VOLTA AO MUNDO, DEI A VOLTA À VIDA…

SÓ ACHEI ENGANOS, DECEPÇÕES, PESAR…

OH! A INGÉNUA ALMA TÃO DESILUDIDA!...

MINHA VELHA AMA, COM A VOZ DORIDA,

CANTA-ME CANTIGAS DE ME ADORMENTAR!...

 

GUERRA JUNQUEIRO

 

 

   ESTE TEXTO FOI RETIRADO DE BIBLIOTECA DIGITAL CAMÕES, INSTITUTO DE CULTURA E LINGUA PORTUGUESA. É DA AUTORIA DE JORGE CARVALHO ARROTEIA. DENOMINADO: A EMIGRAÇÃO PORTUGUESA – SUAS ORIGENS E DISTRIBUIÇÃO.

   UMA HOMENAGEM A TODOS NÓS QUE DEIXAMOS A NOSSA TERRA.

    A TODOS OS MELGACENSES EM FRANÇA, SUIÇA, ANDORRA, GALIZA, ESPANHA, CANADÁ, EUA, BRASIL…

 


publicado por melgaçodomonteàribeira às 23:33
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UMA EXCURSÃO A CASTRO LABOREIRO

 

Castro Laboreiro

 

 

UMA EXCURSÃO A CASTRO-LABOREIRO

(NOTAS NUMA CARTEIRA)

                                                   

I

   Em 1904, estando a veranear nas Agoas do Peso, fiz uma excursão a Castro-Laboreiro em companhia do Rev.º Manoel José Domingues, Abbade de Melgaço. A excursão foi muito breve. Partimos num dia de manhã, e voltamos no dia seguinte depois de almôço. Tomei porém algumas notas ethnográficas e dialectologicas que poderão ter utilidade para os estudiosos; e por isso aqui as publico, pouco mais ou menos na mesma fórma em que as tomei.

   Castro-Laboreiro fica na serra, em uma das regiões portuguesas mais rusticas, por tanto preciosissima para investigações ethnologicas. Ha, de facto, a seu respeito já um ‘’ensaio anthropologico’’ dado a lume por Fonseca Cardoso na Portugália, II, 179 ss., e algumas referencias avulsas publicadas ibd., II, 360, no que toca a trajos, pelo fallecido Rocha Peixoto, que igualmente se refere a Castro-Laboreiro num artigo que escreveu nas Notas sobre Portugal, I, (1908), 73 ss., acêrca das fórmas da vida communalistica no nosso pais. Vid. Também: O Itenerario de Lisboa a Vianna do Minho de Sebastião José Pedroso, Lisboa 1844, pag. 29-30; O Minho Pittoresco de J. A. Vieira; e entre outros tratados de Geographia, o Portugal ant. e moderno de Pinho Leal, II, 205 ss.

   A palavra Castro-Laboreiro está por Castro-do-Laboreiro, pois nos compostos d’esta especie a particula articular, do, reduz-se, a de, que depois cae às vezes: cfr. Ponte de Lima , por do Lima, beira-mar por beira- do-mar. O povo em vez de Castro diz sempre Crasto (e sem Laboreiro). Esta palavra não é mais que o lat. Castrum que no latim da decadência significava ‘’oppidum’’; ella applica-se no nosso pais aos montes em que ha vestigios de fortificações da epoca lusitanica: Castro-Laboreiro deve ter sido na origem um castrum proto-historico.

………………………………………………………………………

   O nome patrio dos habitantes de Laboreiro é Crastejos, que assenta na fórma popular Crasto, já citada.                                              

   Como disse, partimos de Melgaço, o Sr. Abbade e eu, uma manhã às 9 ½, montados em mulas, e acompanhados de duas robustas mocetonas, calçadas de grossos çoques (i.é, çocos ou ‘’socos’’), e com polainas de branqueta. Não pareça descortesia irem dous homens com mulheres por arreeiras; é este o costume local.

   Fomos subindo montes, e atravessando miseros logarejos: Cavalleiros, Cabana, Villa do Conde, Candosa, Ladrunqueira; neste último as nossas companheiras beberam vinho mosto por uma malga, em uma venda.

   Ao passarmos por Fiães, visitámos as ruinas do convento que ahi se vêem entre bons campos, em meio do mysterioso silencio que outr’ora convidava os monges à meditação; a entrada para lá é uma bella alameda de carvalhos. A igreja conserva ainda as suas portas ogivaes. Diz-se que em tempos viera para aqui a imagem de uma santa, que fez que num campo proximo rebentassem agoas milagrosas que encheram um tanque; ha muito que os milagres acabaram, mas a lenda, que já tem o protótypo antigo na de Hippocrene, continúa a occupar a mente do povo, sempre propensas a maravilhas, especialmente por estes lindos sitios do Alto-Minho, onde cada elemento da natureza, fonte, ribeiro, collina, penhasco, arvore, ajuda a conservar os mytos poeticos do passado, e promove a criação de outros novos.

   Em vez de pinheiros, que abundavam até agora, começam a ver-se unicamente vidos ou bidos (i.é, ‘’vidoeiros’’ou ‘’bétulas’’), carvalhos e plantas rasteiras. Continuámos a subir, e chegámos ao sitio do Outeiro da Loba, que na sua denominação dá ideia da fauna local; depois chegámos a uma aldeia chamada A Alcobaça, palavra bastante curiosa, já por ser precedida pelo artigo a, já porque serve para desfazer o êrro dos que suppoem que a villa de Alcobaça, na Estremadura, deve o seu nome aos rios Alcoa e Baça. Vê-se que Alcobaça foi expressão comum e bastante geral: além dos dois citados exemplos, temos Alcobacinha no districto de Santarem , e Alcobaza na Hespanha.

   Na Alcobaça termina propriamente a colheita do milho e principia a do centeio. O milho, como é raro, recolhem-no em canastros de vergas de carvalho, - espécie de sebes de carro, tapadas com cupulas de colmo; peculiaridade esta d’aqui, e de Lamas de Mouro, que fica proximo.

   Pouco depois entrámos na freguesia de Castro-Laboreiro, pelo lugar de Porto de Cavalleiros: casas cobertas de colmo (na Alcobaça já algumas), que, vistas de longe, mal se distinguem, na côr, dos giganteos penedos de granito que as rodeiam. Portellinho, logo em seguida, é povoação da mesma categoria. Contarei uma aventura que me aconteceu aqui. Quando vou a alguma aldeia, costumo examinar os teares, porque ás vezes os pesos d’elles ou tém forma artística, ou são objectos archeologicos, achados casualmente no campo, e applicados para aquelle uso; em Portellinho vi um tear, e pedi á tecedeira, - uma velha, em mangas de camisa, com o collete muito rente ao corpo, e grossas polainas -, me deixasse entrar em casa, no que ella de boa vontade consentiu, pois cuidou que eu era carpinteiro; a breve trecho, porém, como a nossa gente do campo vive sempre debaixo do pesadelo dos tributos, suppôs-me fiscal da fazenda, e toda se affligiu, sendo precisa a conciliadora intervenção do Sr. Abbade para lhe incutir sossêgo, e eu poder sondar em descanso o vetusto apparelho penelopeu, que infelizmente nada tinha especial. – Do nome de uma planta que ha pouco citei como indigena da região vem o do lugar de Vido ou Bido, que também atravessámos, e que não sobrepuja os precedentes. Ao lado fica Varzea Travéssa.

 


publicado por melgaçodomonteàribeira às 23:16
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CASTRO LABOREIRO NA GUERRA CIVIL DE ESPANHA

 

Castro Laboreiro

 

   Algúns dos fuxidos do concello de Entrimo e dos concellos limitrofes foron asesinados perto da Pena da Anamán, un morro de pedra cargado de lendas e historia que xa utilizaran como tobeira ó pricipio do século XIX unha cuadrilla de bandoleiros capitaneada por Tomás das Congostras. Trás pasar a aldea montañosa de Quegas está A Chan, una chaira por riba dos mil metros de altitude transitada daquela por pastores galegos e portugueses. Nese enclave atópase un dólmen coñecido como a ‘’Casa da Moura’’. Tanto na Chan como na Casa da Moura os falanxistas mantiveron postos de control para evitar o paso de españois ás brandas portuguesas.

   A mobilidade era fundamental para que os refuxios resultasen seguros, pero os refuxiados mantiñam lugares de referencia onde regresar se se alixeiraba a présion policial. No lugar fixo de Ribeiro de Cima concentráronse boa parte dos fuxidos do concello ourensán de Entrimo. Alí foron a parar, como xa dixemos, o exalcalde Ubaldo González González e o seu irmán, Ricardo, quen fora xuíz municipal, xa que o comercio e a fonda que rexentaron procuroulles unha extensa rede de coñecidos no país viciño – moitos dos cales lle debian cartos, dado o réxime de fiado que tiñan estabelecido - , especialmente na capital da freguesia, Castro Laboreiro, pêro tamén nas inverneiras (Ameijoeira e Cainheiras), nalgúns lugares fixos (Ribeiro de Cima e de Baixo, Portelinha), ou nas brandas (Seara, Portos), veciñas. Aproveitando a migración anual dos habitantes de brandas e inverneiras, os fuxidos favorecéronse dos lugares que quedaban abandonados tras esa marcha. Outros preferiron como refuxio as illadas aldeas galegas do mesmo concello de Entrimo, como José González, concelleiro na última corporación republicana, que se agachou en vários lugares da aldeia de Quegas.

   A raia, a fronteira galego-portuguesa, terminou por desaparecer baixo da vixilância exercida polas diversas policias. Nesse território operaron desde o principio da guerra grupos de fuxidos e contrabandistas, axudados pólos habitantes das brandas e inverneiras, que estabeleceron unha rede de axuda humanitária, pêro tamén económica, cos refuxiados, ós que lles recibían correspondencia, protexiannos do acoso policial ou, como tamén ocorriu, denunciábonos, colaborando así coa reprezíon das forzas policiais.

   ……………………………………………………………………………

   No primeiro semestre de guerra civil, o número de refuxiados españois na freguesia de Castro Laboreiro, se bem de xeito non estable, acadou, según testemuñas orais unha cifra entre catrocentas ou oitocentas persoas, cifra que debeu covertirse nunha preocupación, especialmente para os falanxistas da zona que coñecian á prefeición o território e mantiñan vínculo………………………………moi especialmente a PVDE.

   ………………………………………………………………………………

   A PVDE sabe da presencia en Castro Laboreiro de vários refuxiados na inverneira de Cainheiras, lugar fixo de Portelinhas,etc. Os falanxistas españois introducíranse en território portugués com asiduidade desde as primeiras datas da sublevación, mesmo obrigando a intervencíon da Comandancia Militar de Ourense que se viu na necesidade de castigar preventivamente a eses elementos incontrolados.

   ………………………………………………………………………………

 

 

Texto completo em http://forodeentrimo.com.iespana.es/HISTORIA

 

Dá um salto à realidade da 1936, guerra civil, dos nossos vizinhos galegos e da solidariedade dos habitantes de Castro Laboreiro (freguesia) perante a adversidade de amigos de séculos.

 

 

http://forodeentrimo.com.iespana.es/HISTORIA

 

 

 

Camborio Refugiado

  


publicado por melgaçodomonteàribeira às 11:58
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Quarta-feira, 6 de Março de 2013

MELGACUS E AS DEUSAS

 

 

    Foi por este caminho de sabedoria, declarou o druida, desfazendo as brumas que sempre acompanham os celtas e seu panteão, que o clã Melgacus teve de romper. Mulher das conchas, outrora mulher das carvalheiras, hoje Grande Senhora da Mãe, traçou na areia do rio o sinal de posse da terra e área de pescado onde cravou a estacaria que suporta a cabana lacustre onde irá esperar a chegada da lampreia e do sável que irão ajudar o castro a solidificar a sua independência.

    O clã e a tribo misturam-se com os primeiros nascimentos que durante dois séculos irão consolidar a sociedade deste guerreiros que passaram os montes Pirinéus cerca de 900 anos antes.

    Outras tribos desceram os rios e encontraram os Iberos, nativos que os conduziram à guerra contra Roma e contra a cultura grega de pensadores e filósofos. Melgacus de cuja existência se falava nos hermínios, juntou-se a Viriato nos festejos de imposição das virias ao grande libertador.

    Abençoados pela Grande Mãe a caça do corso e porco bravo ultrapassou as necessidades dos guerreiros, a cerveja era um rio transbordante e os bardos fizeram-se ouvir noite dentro com os pífaros e pandeiros a marcar o ritmo dos druidas contadores da história da Mãe gaulesa.

    Tocou o pónei em direcção à cabana que acolhia as noviças da Deusa dentro dum círculo de castanheiros, macieiras e figueiras, máximos da dádiva do druida que acompanhava a sucessora.

    O ribeiro estava perto, o banho nupcial só aguardava a presença do eremita que tudo guardava com desenhos à mistura da vida no castro. Foram os desenhos que ligaram a tribo aos iberos rústicos e a mais uma força guerreira.

    Cruzaram-se e nasceram os Celtiberos, Celtas nascidos no clã que se renderam ao sorriso das Iberas morenas, castanholas, touros e romanos a quem dar porrada.

    Do lago partiu o grito da Deusa, o pónei passou por entre as silvas cobertas de amoras e subiu dolente a encosta da nova Terra Mãe e o destino saltou das mãos da vidente, a vaca e o touro frente a frente; mouros, cuidai-vos, o dragão soltou o fogo que nos vai aquecer até à chegada do Deus Leão.

    Mais amoras e morotes dos valados acompanham Melgacus.

    O chefe dono das virias ajoelhou, espada no peito de Morgana, declarou os castros de Melgacus e Cevidade terra livre do destino.

 

Camborio Refugiado

 

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publicado por melgaçodomonteàribeira às 11:42
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MELGAÇO OU MELGACUS O CELTA

 

 

    Uma hora de gaitas e pandeiros com que os bardos choram o desterro dos homens face à alma imortal de Imloc senhor da Deusa em todas as formas humanas e, cortador de cabeças guerreiras, levam o celta a pensar.

    A Deusa mostra o caminho que te leva à Terra das Promessas, a Terra das Mulheres, a Ilha das Duas Brumas, a ilha das Macieiras – Avalon.

    Melgacus o Celta dormita cambaleando, o olhar cerrado passando o castro da Cevidade que foi levantado bem junto ao ribeiro a que os seus homens chamavam Depois do Leths.

    Falta a guerra e o treino puxado acaba num chapinhar de água.

    Os montes de Laboreiro, onde o druida passa a maior parte do tempo meditando na penedia chamada pelos antigos de Meadinha e fazem a fronteira entre a ribeira de bom peixe e o painço que dá de comer à tribo nos dias de inverneira, quando os córregos do equinócio gelado esperam pelo Deus Sol para soltar as suas águas terrosas, o lobo e a raposa se escondem no mato batido pelas matilhas onde o Mosquito manda e o Nero obedece, Melgacus o Celta sonha.

    Milhentos já são os homens, que debaixo duma tira de linho pintado com o dragão sagrado, recordação da Deusa Morgana a que Merlin não resistiu e juntou o leão trazido por César, ditador de Roma e do Império, lutam por morte honrosa em nome da Deusa Mãe Terra das Brumas de Avalon., Porca Branca Velha senhora das rochas do mar.

    O cheiro enjoativo do sargaço ao sol, adubo para o ano todo, leva-o a pensar nos dias passados entre remos e velas até descobrir a terra das enguias e salmão, das neves, flores e maçãs a que a tribo deu o seu nome.

    Melgaço,Terra de Melgacus, senhor das virias, rei das tribos da riba Minho, conquistador na terra gaellica.

    Trompas de caça sacodem o resto da neve que resiste nos ramos baixos à passagem dos cavalos que correm prontos a mordiscar a erva rala e queimada em volta dos carvalhos que descem desenfreados até às margens do Minho.

    Melgacus o Celta passeia os dedos sobre a lamina da espada e relembra o fracasso de encontrar minério para a forja não parar e os artesãos terem cobre e ferro para trabalhar.

Os barcos correm no leito do Minho, um para cima para baixo que promete não acabar, mas o negócio da troca de alimentos e metais não conhece desenvolvimento.

    A pastorícia está a aumentar e cada vez há mais jovens guerreiros a contactar nos jogos de guerra com a população nativa. O castro está em expansão e nos campos semeados bandos de crianças gritam atrás das borboletas. A cevada não vai faltar para as festividades do Solstício e a cerveja no rio está a refrescar. Que o Baco dos romanos nos proteja nesse dia em que a Deusa nos vem visitar para abençoar a erva sagrada trazida de longe, do outro lado do mar, ao depois das colunas de Hércules.

    Da garupa do cavalo sorri da actividade que reina no castro coberto de ténue neblina.

 

Camborio Refugiado

 

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publicado por melgaçodomonteàribeira às 11:37
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Terça-feira, 5 de Março de 2013

NO CRASTO, MELGACUS SONHAVA COM MELGAÇO

 

 

O grupo olhou para o cimo do outeiro sobranceiro ao rio que vinha subindo e, descansando as costas, aguardaram que o druida derrotasse as forças indesejáveis que habitavam o lugar.

Homens rudes, guerreiros experimentados, lobos em campanha a quem nada escapa.

As túnicas brancas justas aos corpos musculados, escudos de peles verdes com os signos da deusa, machados sobre os ombros que encimam braços esculpidos em músculos que as virias adornam.

O cão lobo que seguia Melgacus, chefe da tribo celta, inquieto rosnava. O druida apontou para a rocha que encimava o outeiro e declarou em voz de deus que o lugar sagrado tinha sido encontrado.

Os celtas reunidos no acampamento do clã logo uniram forças para as primeiras saudações à deusa Morgana e o druida cortando um ramo de salgueiro declarou o lugar sagrado e pronto para receber as virgens que iriam regular a vida deste povo.

Guerreiros de rija tempora não demoraram a escorraçar os poucos homens pobres que roídos pela curiosidade dos sons que saíam do grupo se aproximaram. Melgacus acercou-se do solo rochoso onde iria edificar o castro, sonhando já com um castelo roqueiro que deixaria o clã em segurança, enquanto os guerreiros despejados das armas, se agarravam ao arado de rodas e às redes de pesca do salmão, que fumado serviria para alimentar a tribo durante o tempo que demorava a nogueira e macieira, a figueira e o cedro a florescer.

A deusa comandava o tempo da tribo, Morgana reinava em todos os lares.

Morgana reinava com a Dama do Lago nos bosques de carvalho, húmidos de todo o amor que recebiam em troca da paz que os exércitos e os amantes necessitavam.

A macieira, carregada de vermelhos frutos simbolizava o amor da Deusa à mãe Terra.

O cedro fala da confiança na mãe Terra.

Na nogueira encontramos a paixão. Paixão dos lares pela Deusa Modron, a deusa corvo.

A figueira trouxe a sensibilidade.

A Deusa Maeve fez emborcar a Melgacus o Guerreiro o vinho da sabedoria das mulheres.

Os fios de leite que escorre das suas folhas são lágrimas da Mãe Terra fértil, que nunca os deixará dormir com fome.

Quando a rainha Morgana amou Melgacus diante da tribo, todos os seres alados procriaram, as flores desabrocharam e os sapos e rãs redopiaram sobre o musgo mágico à volta do ribeiro.

Rio do Porto chamou-se por aí ter atracado a barca de Artur quando o ritual do Matrimónio Sagrado o uniu a Morgana.

Do castro em construção saiu o grito da canalha miúda, uns agarrados a cabelos e cabeças dos outros. As pedras que se aprontavam para fazer parte das paredes circulares das cabanas não entravam na loita.

A Deusa Macha, Mulher do Sol, filha de Aed o vermelho e de Ernmas a sacerdotisa, velava sobre a guerra e a morte, antes de qualquer mortal pisar terras de Avalon.

Dana trouxe o conhecimento e a escrita e quase derrotou o conto contado nas longas noites de vigília em que a Deusa Flidias, senhora das florestas recebia as graças dos guerreiros e a Deusa Henwen a Porca Branca Velha fugia com seus leitões da espada de Artur e recebia a hospitalidade da Deusa Cerridwen sua irmã no Caldeirão da Inspiração do qual Artur bebeu a força do Santo Graal e Brígida que beijou o escolhido Trovador dos Druidas com o awen, o sopro dos deuses.

Todos coabitavam no castro ora plantado por Melgacus o Guerreiro com o bardo a soprar a gaita e a cantar vivas ao Rei Sol.

O druida, aproximou-se e pensou: “com o tempo aprendes como as palavras ditas num momento de ira podem seguir lastimando a quem feriste, durante toda a vida” e levo comigo a força do javali e a sabedoria do unicórnio.

As crianças corriam sãs e escorreitas prontas para os trabalhos da sementeira e festival de Imbolc que saudava a Deusa Mãe Brigida.

Muitos deuses, muita fartura para que nada falte nas cerimonias conduzidas pelo druida pai e homenageia toda a Mãe Terra, soberana da terra e dos homens, conduzindo-os para a luz e responde às preces das mães do clã.

O fumo que sobe do fogo no interior da casa das noviças, impregnado do cheiro do alecrim e dos maios colhidos na grande orvalhada em honra de Morgana, mãe do todos, afastou os espíritos do druida que chamou Melgacus e lhe impôs as virias de grande guerreiro, chefe da tribo e das tribos que por aí viessem.

Os romanos caíram em emboscadas, foram derrotados e humilhados por aqueles homens guerreiros que com máquinas de guerra, machados, escudos e espadas, esmagaram o panteão de deuses que marchavam sob a águia romana seguindo o destino que as palavras de Cícero elevavam no senado da cidade eterna.

Melgacus deixou o resguardo do castro e estendeu o braço até onde a vista alcança. Estava marcado o território da tribo, o vale do Minho ao Trancoso seria pequeno para os artesãos que iriam contar os feitos de conquista e fundação de Melgaço, terra de Melgacus o Celta, que iria perdurar por séculos afora.

Com a bênção da Deusa e da fada Morgana, deusa libertada do limbo pela graça dos druidas, cantada pelos bardos até ao himno galego.

 

Camborio Refugiado em procura do Santo Graal sob o comando de Artur no reino gaellico onde arribou Lancelot do lago.

 

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publicado por melgaçodomonteàribeira às 22:47
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