Sábado, 15 de Agosto de 2015

OS MAMPOSTEIROS

Igreja da Misericórdia, vista traseira

 

PEDIR PARA DISTRIBUIR: OS PEDITÓRIOS E OS MAMPOSTEIROS DA MISERICÓRDIA DE MELGAÇO NA ÉPOCA MODERNA


A confraria de Melgaço era uma instituição pequena, localizada numa terra fronteiriça, onde não abundavam as fortunas pessoais. Este facto reflectiu-se nos legados que recebeu. Os seus mais importantes benfeitores foram alguns homens da terra que partiram para o ultramar, especialmente para a Índia. Também os provedores se destacaram, enquanto beneméritos. Está ainda por estudar o papel destes irmãos enquanto benfeitores. Sabe-se, no entanto, que parte da sua fortuna pessoal era gasta nos anos em que governavam a Santa Casa. Normalmente, pagavam festas religiosas e obras, proviam pobres ou compravam alfaias de culto, fazendo memória da sua passagem pela direcção da confraria.
Na Misericórdia de Melgaço esta situação foi tanto mais importante quanto muitos deles eram juízes de fora, gente que não era da terra, mas que depois de passar alguns anos em Melgaço e de ocupar o cargo mais importante da confraria mais prestigiada da vila, a escolhia para legar parte ou a totalidade da sua fortuna.
Este facto foi peculiar, porque em algumas localidades, estes homens tiveram dificuldade em aceder às Misericórdias. Porém em Melgaço, explica-se por ser uma terra pobre e raiana onde escasseavam as elites.
A Misericórdia servia-se dos seus irmãos e dos homens que pediam pelas freguesias – os mamposteiros – para angariar fundos que lhe possibilitavam prover os pobres. Ou seja, com as contribuições que recebia, conseguiu manter em funcionamento uma ajuda regular aos mais necessitados. Pedia para poder distribuir.
O compromisso da Misericórdia de Lisboa de 1618, que regia a Santa Casa de Melgaço, determinava a existência de uma pessoa em cada freguesia para recolher pão para os presos, devendo entregá-lo na Misericórdia.
A acção dos mamposteiros desenrolava-se nas capelas, nas igrejas paroquiais e conventuais e nas freguesias. Em Melgaço, desempenhavam funções apenas nas capelas de Santo António, de São Gião e de Nossa Senhora da Orada e nas igrejas da Matriz e na da Misericórdia e pelas freguesias.

 

Maria Marta Lobo de Araújo

Boletim Cultural de Melgaço

Câmara Municipal de Melgaço

2005

pp. 77,78

 


publicado por melgaçodomonteàribeira às 10:04
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