Sábado, 12 de Agosto de 2017

CASTRO LABOREIRO, SÉCULOS DE HISTÓRIA QUE NÃO PODE MORRER

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    MONTES LABOREIRO

 

GLOSSÁRIO

 

 

Abocanhar – Parar de chover

Acadar – Tocar o gado

Acequiar – Largar a urina sob pressão, num jacto forte

Acevar – Incitar cães a lutar. Acirrar cães à luta.

Acompanhamento – Enterro fantástico, noturno, anunciando a morte de alguém.

Adelha – Caixa de madeira em forma de pirâmide invertida, para receber o grão.

Adelhão – Canal feito habitualmente de madeira que conduz o grão de centeio, da adelha até ao pé de moinho, para ser moído pela pedra.

Agachado – De cócoras. Escondido.

Aguilhada – Vara, dotada de aguilhão, para acadar as vacas.

Alcroque – Digitalina, planta ervácia venenosa e de cor roxa.

Alemedar – Levar o gado ao pasto depois do trabalho.

Almorço – Primeira refeição da manhã.

Amanso – Prova difícil (competição entre rapazes da mesma faixa etária.

Amigados – Casal vivendo maritalmente sem serem casados.

Ancho, a – Largo (largura)

Andaço – Pequena epidemia

Andengues – Propriedade sem grande importância.

Apeladoiro – Acessório do carro de bois.

Arado de pau – Arado medieval, feito de pau, cujo sulco era pouco profundo.

Arcaz – Arca de madeira para guardar o centeio.

Argana – Espinha, parte da espiga de centeio, em forma de agulhas, que protege o grão.

Arreeiro (a) – Conduz uma besta de carga.

Arreitar – mijar para o alto, para longe. Acequiar.

Arremedar – Imitar a voz e gestos de outro.

Assapar – Bater, fornicar, calcar.

Ateiró – Acessório do arado que permitia regular a profundidade do rego.

Avecas – Acessório do arado que permitia alargar ou estreitar o rego.

Bacolha – Parasita do carvalho.

Bagar – Tempo livre

Bailhe – Baile, dança.

Bam-bam – Baloiço.

Barbeito – Campo destinado a centeio ou batata.

Bezerro – Vitelo.

Bigote – Bigode.

Bico – Beijo.

Bocanho – Intervalo entre aguaceiros. Aberta.

Bofanda ou Gofanda – Cachecol feito de lã.

Bota – Pequeno odre feito de pele, para transportar o vinho.

Bouça – Terreno onde crescem giestas.

Bram – Verão

Branda – Lugar de habitação durante o “bram” verão.

Brandejo – Habitante das brandas.

Burgueiro – Pequena meda de centeio, feita nos barbeitos antes do transporte para a eira. Cada burgueiro igual a uma carrada.

Burra – Designação genérica para os muares.

Cabaço – Medida equivalente a doze litros.

Cabirto – Cabrito.

Cachear – Revistar, apalpar, procurar algo escondido.

Cadelo – Cachorro.

Calbo – Jogo semelhante ao da malha. As malhas e marcos eram habitualmente de pedra.

Caldeira – Poço profundo, cavado pela água ao cair das cascatas e cataratas.

Cajata – Cajado.

Calçons – Polainos feitos de burel ou picote.

Camarro – Habitante do Pedroso, povoações da margem esquerda do rio Laboreiro.

Cambom – Peça de madeira, extensão do cabeçalho, quando se utilizam duas juntas de gado.

Campo – Terreno destinado à pastagens de animais. Na primavera retiram-se os animais e a erva cresce. Depois de segada e seca é armazenada no palheiro e utilizada no reforço da alimentação dos animais durante o inverno ou na altura dos trabalhos agrícolas, sem tempo para irem pastar.

Candeias – Estalactites de gelo nos beirais.

Caniço – Armação de madeira, que recebe o calor e o fumo da lareira, para curar as carnes.

Carabunha – Caroço.

Caretas – Máscaras de papel utilizadas durante o Entroido.

Carrilheiras – Trilhos nas propriedades para passagem de carros de bois.

Carvalheira – Carvalhal.

Castrejo ou Crastejo – Habitante de Castro Laboreiro.

Cerilha – Fósforo.

Cincha – Correia que segura a albarda ao muar.

Chavelha – Torno situado na ponta do cabeçalho, permite fixar o tomoeiro à canga.

Chalina – Cachecol de seda em cetim.

Chedas – Acessório de carro de bois.

Chambra – Blusa, peça de vestuário feminino.

Chito – Jogo infantil, jogado com uma moeda grande, e uma caixa de fósforos.

Chuçar – Fornicar.

Codo – Gelo, água gelada nos charcos e caminhos.

Codifelas - fungos esbranquiçados, existentes em troncos de carvalho e nalguns cotos.

Coiracho – Courato.

Cogordo – cogumelo.

Cogufela – cogumelo aberto, venenoso.

Colmaça – Cobertura de casa feita de colmo.

Colmo – Palha de centeio utilizada para as colmaças.

Çoque, Soque – Calçado com sola de madeira, fechado, feito de cabedal.

Corga – Pequeno ribeiro.

Corossa – Capa feita de juncos para abrigar da chuva e do frio.

Corucho – Cobertura feita de palha em forma de cone, para proteger as colmeias.

Côrte – Estábulo destinado aos animais.

Coto – Penedo grande mais ou menos isolado.

Cubo do moinho – Depósito em forma de cubo, para armazenar a água, cuja pressão, ao sair pelas sateiras, vai impulsionar o rodízio.

Cucha – Secreto, escondido (namoro à cucha).

Cuitelo – Cutelo.

Cunca – Malga tosca feita de madeira.

Eido – Lugar onde se situa a habitação. Recinto familiar.

Engaço – Ancinho.

Eirado – Porção de centeio que se deita de uma só vez na eira, para malhar com malhos.

Entroido – Entrudo, carnaval, figurante de carnaval, actor palhaço carnavalesco.

Esborralhar – Esmoronar, desfazer, escangalhar.

Escaleira – Escada.

Escangalhar – Desconjuntar, destruir, arrebentar.

Escaralhar – Arrebentar, partir tudo, foder tudo.

Escano – Banco de madeira com recosto até ao chão para abrigar as costas.

Escorna-bois. Insecto. “Vaca-Loira”.

Esgatiar – Gritar com sons muito agudos, berrar.

Espabilar – Pôr-se alerta, diligente, pôr-se fino.

Esgordar – Luta entre cães.

Esparrunhar – Esgravatar. As galinhas esparrunham.

Espido – Despido.

Espulgar (batatas) – Descascar.

Estaca – Forquilha de dentes de ferro.

Estadulho – Fueiro.

Estrar – Botar o estrume ou palha nas côrtes.

Estrume – Mato.

Esterco – Adubo biológico feito pelo gado.

Estântega – Fantasma.

Estrema – Delimitação de uma propriedade, com marcos ou paredes.

Estremar – Separar, apartar (o gado, a rez)

Estrume – Mato.

Fachuco – Pequeno feixe de palha, cuja chama acendida numa extremidade, iluminava o caminho nas noites escuras de inverno.

Farrangalheiro – Farrapeiro.

Faveca – Vagem.

Fateiro – Faixa de tecido para aconchegar os bebés e transportá-los ao colo da mãe.

Fento – Feto.

Ferram – centeio muito jovem, ainda em erva, para nutrir o gado.

Fôlgo – Fôlego, ar dos pulmões, ar.

Foloado – Tecido de lã, feito em teares locais.

Frincha – Fenda.

Funga-gatos – Brinquedo de rapaz, feito de madeira, cujo movimento sobre si-próprio, imita o fungar de um gato.

Gabilam – Gavião.

Galheira – Estaca ou forquita de três dentes, um em oposição aos outros dois, e recurvado.

Gando – Gado.

Gango – carícia, meiguice.

Garda-sol – Guarda-sol.

Gofanda – Cachecol feito de lã.

Guichar – Espreitar. Indagar secretamente.

Gavela – Pedaço de estrume ou mato, confeccionado para ser agarrado de uma só vez, pela estaca.

Guiço – Madeira de urze, esbranquiçada, cuja chama ardia como uma candeia.

Gocho ou Goche – Papão (linguagem infantil), sarronco.

Inverneiras – Lugar onde os brandejos passam o inverno.

Jugo – Espécie de canga utilizada com a molida.

Jaqueta – Casaco.

Labor – Pedaço de terra desbravada no monte e semeada normalmente com centeio.

Ladrais – Acessório de carro de bois, utilizado para segurar e proteger a carga.

Lândia – Lande

Lavradio – Giestal ainda jovem.

Leitaruga – Espécie de erva com aspecto de salada, muito boa para a alimentação  dos suínos e outros animais.

Loita, Loitar – Luta, Lutar.

Lugar – Povoação, Eido.

Mamoa – Dolmen ou anta enterrado.

Mandenlo – Peça de roupa usada e pouco elegante.

Mandil – Avental.

Manlhe – Malho (composto de mangueira e pirtirgo).

Mecheiro – Isqueiro, Acendedor utilizando uma torcida ou mecha.

Messe – Centeio, Centeio ainda com a espiga.

Mexil – Acessório que permite apertar ou alargar as avecas.

Molida – Forma peculiar de junguir o gado. (à canga ou à molida).

Molido ou Rodilha – Almofada circular usada pela mulher Para proteger e equilibrar as coisas transportadas à cabeça.

Monlho – Molho, pequeno feixe.

Moras – Amoras.

Mossete – Entalhe, pequena mossa.

Musgar – Falhar, não conseguir o objectivo.

Natal – Mês de Dezembro.

Nicar ou Zicar – Fornicar.

Ousear – Acompanhar alguém, mantendo o contacto auditivo, perante o distanciar de outem.

Olheiro – Nascente brotando directamente da terra ou da rocha. Olho de água.

Pana – Bombazina.

Pam leve – Pão-de-ló.

Pantano – Represa de água feita para irrigação.

Pecho, Pechadura – Fecho de madeira, Fechadura.

Peldrachas – Carnes flácidas.

Perracha – vulva (popular).

Perrancho – Sem roupa.

Perrutcha – Enfeite, adorno.

Pesco – Pancada, castigo.

Pegureiro – Pastor.

Pelica, Peilam – Pessoas não castrejas.

Picanhas – Utensílio de ferro com dois dentes utilizado para cavar o esterco.

Picote – Tecido de lã já bem elaborado.

Pita – Galinha.

Pitos – Pintainhos.

Presa – Açude, represa.

Quinxouso ou Quinchouso – Pequena leira de terra, próxima do eido.

Quingosta – Congosta.

Quiro – Porco, suíno.

Rageira – Sol de inverno.

Ramboia – Contrabando.

Raposa das murraças – Grito de aflição dos rapositos, perdidos expressamente pela mãe, com intuitos educativos.

Reixa – Ódio, raiva.

Reixelo – Cabrito, anho.

Retonhar – Rebentar, as árvores retonham na primavera, quando cortadas pelo homem ou animal.

Rez – Gado ovino ou caprino.

Robez – Invez, ao contrário.

Robige – Inquietação.

Ronda – Deslocação a um lugar vizinho, por um grupo, para um baile ou divertimento.

Rondar – Ir à ronda.

Sacha, Sachola – Pequena enxada frequentemente com orelha.

Sacho – Enxada.

Sam Miguenle – Mês de Outubro.

Sam Joam – Mês de Junho.

Sandar – Sarar, cuidar, curar.

Santos – Mês de Novembro.

Saramela – Salamandra.

Sarronco – Papão, gocho (linguagem infantil).

Sateira – Orifício situado no fundo do cubo do moinho.

Segadas – Mês de Julho.

Segar – Ceifar.

Senguidalho – Peça de vestuário muito antiga.

Soga – Correia de couro, utilizada para guiar as vacas.

Sopengo – Pessoa rude, bruta, tosca.

Sorradas – Águas pluviais que correm nos caminhos, quando chove.

Sorregar – Bater com força.

Taramitan – Acessório do moinho.

Tarratcha – Acessório de ferro para apertar os apeladoiros.

Troula – Passar o tempo tagarelando, brincando.

Torresmo – Bifinhos de toucinho ou de presunto.

Tolas – Pequenos regos para conduzir a água.

Touba – Quantidade de pessoas, ajuntamento.

Treixe – Aguaceiro, cuvasco.

Truita, Troita – Truta.

Tulhas – Buracos redondos feitos na terra, para aí guardar as batatas no inverno.

Turquesas – Tenazes.

Tus, Tussa – Cão, cadela.

Uzeira – Urze.

Vencelho – Vencilho, atilho feito da palha do centeio para atar os molhos.

Vido – Vidoeiro, bétula.

Xambra, Chambra – Blusa.

Xerelo – Peixe pequeno.

Zabrucada – Caída, queda aparatosa.

Zobra – Chuva impelida com violência pelo vento.

 

 

ECOS DOS MONTES LABOREIRO

ANTÓNIO BERNARDO

EDIÇÃO DO AUTOR

2008

 

O PEGUREIRO E O LOBO

estórias de castro laboreiro

MANUEL DOMINGUES

NÚCLEO DE ESTUDOS E PESQUISA DOS MONTES LABOREIRO

2005

 


publicado por melgaçodomonteàribeira às 01:17
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