Sábado, 6 de Agosto de 2016

A FILHA DO CAPITÃO

 

(…)

“Calma”, pediu Baltazar, sempre concentrado num documento. Passou os olhos pelas letras, fungou, murmurou sons imperceptíveis e, após mais uma eternidade a decifrar o texto, captou finalmente o sentido. “Diz aqui que temos direito a trinta dias de licença.”.

Um murmúrio de satisfação encheu o abrigo, todos se entreolharam e sorriram. Já se imaginavam no Minho, com a família, a ajudar na lavoura, a banharem-se no Cávado, no Este, no Lima, a dançar o vira, a cavar a terra, a apanhar a uva, a encherem os espigueiros, a comer um cozido regado com um verde de Melgaço, mas que grande narça iriam apanhar na primeira noite entre os seus.

“Um mês”, repetiu Vicente, sonhador.

“Ah se eu me apanho no Minho, a cheirar os carvalhos e os teixos do Gerês, ou a respirar aquele ar das brandas, lá no alto da serra, nunca mais me põem os olhos em cima”, sentenciou Baltazar, cerrando as pálpebras com sentida nostalgia. “Que categoria. Escondo-me lá no mosteiro de Pitões e a tropa que se pine.”

 

A Filha do Capitão

José Rodrigo dos Santos

Edição Gradiva

31ª Edição Junho 2016

  1. 424, 425

 


publicado por melgaçodomonteàribeira às 08:24
link do post | comentar | favorito
 O que é? |

.mais sobre mim


. ver perfil

. seguir perfil

. 7 seguidores

.Dezembro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
13
14
15
16

17
18
19
20
21
22
23

24
25
26
27
28
29
30

31


.posts recentes

. UM PINTOR DO BARRAL

. MELGAÇO, CONTRABANDO DE V...

. MANJARES DA NOSSA TERRA

. OS PRESUNTOS DE MELGAÇO

. ANIVERSÁRIO DO BLOG e O H...

.links

.pesquisar

 
SAPO Blogs

.tags

. todas as tags

.subscrever feeds