Sábado, 14 de Outubro de 2017

MESTRE MORAIS

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MANUEL RODRIGUES DE MORAIS

 

Conhecido e admirado na nossa terra como «Mestre Morais», Manuel Rodrigues de Morais era um amante da música: aprendeu-a, cultivou-a, amou-a, e deixou discípulos e admiradores.

Nos grandes acontecimentos locais, fossem festivos, fossem lutuosos, estamos a ver a Banda dos Bombeiros Voluntários de Melgaço, a desfilar garbosa ou em passo cadenciado em marchas fúnebres com que se associava às lágrimas de familiares que choravam os seus, ou dos amigos que sentiam a perda de alguém que estimavam.

Era de porte austero e solene, e sabia ensinar os seus colaboradores musicais.

Mestre Morais deu glória à sua terra e levou o nome de Melgaço a terras longínquas de Portugal.

Manuel Rodrigues de Morais, filho de João Lúcio de Rodrigues de Morais e de Maria Basteiro, nasceu em Golães, Paderne, no ano de 1890.

Até aos 18 anos, frequentou a Casa Maria Pia, em Lisboa, onde aprendeu música e tirou o curso comercial e com essa idade ingressou, voluntário, no Exército, chegando, como músico, ao posto de sargento. Mais tarde foi para a Marinha de Guerra, sendo promovido a 1º sargento.

Quando a marinha homenageou Gago Coutinho e Sacadura Cabral, foi ao Brasil.

Em serviço, esteve, durante alguns anos, em Lourenço Marques e ainda na América do Norte.

Tirou o curso de violino no Conservatório de Música.

Reformou-se e regressou a Melgaço, tendo vivido até à morte no lugar de Bacelos, em Paderne.

Na terra natal, deu à mesma o concurso do seu talento e do seu amor bairrista: refundou, ensaiou, e regeu a Banda dos Bombeiros Voluntários, que tanta glória deu à nossa terra e muito concorreu para a formação musical de verdadeiros artistas.

O resto da vida passou-o na sua casa de Bacelos, onde faleceu a 3 de Maio de 1971, e donde assistiu desgostoso à morte da sua querida Banda, lamentando-se do abandono a que a Direcção dos Bombeiros a votara e, ainda, do desrespeito e da indisciplina de alguns músicos.

 

P.e Júlio Apresenta: Mário

P.e Júlio Vaz

Edição do Autor

1996

pp. 295-296

 


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Sábado, 7 de Outubro de 2017

VIDA E MORTE DE TOMÁS JOAQUIM

moinho, lamas

 

TOMÁS DAS QUINGOSTAS

 

Na noite de 17 para 18 de Fevereiro de 1827, o Tomás das Quingostas e seus sequazes assaltaram a residência do reverendo Manuel José Esteves, na Cela de Cousso, donde roubaram toda a mobília e outros objectos pertencentes ao comerciante da Vila de Melgaço, Francisco José Pereira, que o mesmo tinha ali a guardar. E para que a razia não fosse completa, aquele sacerdote foi constrangido a dar ao dito Tomás a quantia de 34$080 reis em moeda corrente.

Em 12 de Maio de 1828, Tomás Joaquim Codeço, o famigerado Tomás das Quingostas, apresentou-se, na Vila, no estabelecimento de Francisco José Pereira, do Campo da Feira, compelindo-o a que lhe desse da sua loja dinheiro e determinadas mercadorias, ao que aquele comerciante de bom ou mau grado, teve de aceder. Embora sem provas, tenho para mim que entre aquele comerciante e Tomás das Quingostas devem ter existido as melhores boas relações… e isto cá por contas.

Em 25 de Fevereiro de 1836, o dito Tomás das Quingostas mandou um seu «emissário» à Vila, ao estabelecimento do tal Francisco José Pereira, com «credenciais» intimativas para este comerciante lhe remeter cinco côvados de baeta o qual, por não ter na sua loja, foi obrigado a comprar algures para assim satisfazer o pedido de Sua Ex.ª o «Leão das Montanhas».

Em 7 de Maio de 1836, o Tomás das Quingostas apresentou-se em Real, em casa do cirurgião Manuel José de Caldas e exigiu-lhe a entrega de setenta e dois alqueires de milho e, como aquele físico tantos não tinha em casa, levou-lhe o rol das avenças e foi cobrar a maior parte do cereal à casa dos próprios fregueses.

Em 11 de Julho de 1837, o Tomás das Quingostas e sua quadrilha, encontrando-se na romaria de São Bento do Cando, foram aqui surpreendidos e perseguidos pela força pública, deixando na fuga vários objectos e um cavalo que lhes foram apreendidos.

Em 9 de Junho de 1838, o juiz de paz e órfãos no círculo das freguesias de S. Paio, Vila e suas anexas, Joaquim Tomás Correia Pimenta Feijó, da Casa e Quinta da Cordeira, convocou ao cirurgião de Real, Manuel José de Caldas, e a Tomás Joaquim Codeço – o famigerado Tomás das Quingostas – ambos da referida freguesia de S. Paio, para comparecerem em sua casa, a fim de os conciliar sobre certos diferendos que entre ambos havia. O cirurgião, certamente por medo, não compareceu a esta citação, pelo que a causa em questão subiu ao tribunal, mas cujo desfecho ignoro.

Em 17 de Outubro de 1838 o cirurgião de Real, Manuel José de Caldas, foi compelido a entregar a Caetano Manuel Meleiro, da Granja, uma clavina avaliada em 5$000 reis para ser entregue a Tomás das Quingostas.

Em 7 de Setembro de 1838, na romaria da Peneda, numa desordem, motivada ao que parece por uma questão de «cães e rapazes», Tomás Joaquim Codeço, o famigerado Tomás das Quingostas, matou com um tiro de clavina Joaquim Cerqueira, o «Amarelo», da Gavieira, um dos melhores jogadores de pau do seu tempo. Esta desordem começou em frente da antiga capela, que ficava mais ou menos, ao centro do actual terreiro, e terminou no sítio que hoje denominamos Largo do Pretório, onde o valente João Amarelo foi assassinado.

Ninguém se pôde chegar ao pé da vítima. Somente à viúva e aos filhos da mesma o Tomás consentiu que velassem o cadáver até ao dia seguinte, em que foi enterrado no próprio local do crime.

Diz o Evangelho (Mat. XXVI-52) quem a ferro mata a ferro morre. É uma verdade.

De facto, menos de cinco meses depois, o Tomás foi também assassinado, a tiro, na Ponte de Alote, pela escolta militar que antes o capturara no estabelecimento de Policarpo José de Fontes, do lugar do Cruzeiro.

A título de curiosidade acrescentarei que há dois anos ainda viviam na Gavieira dois bisnetos do tal João Amarelo: o Manuel Alves Cerqueira, de 82 anos, e o primo deste, Manuel Vieites, de 74 anos.

E em 30 de Janeiro de 1839, quando Tomás Joaquim Codeço, o famigerado Tomás das Quingostas, se encontrava a cavaquear no estabelecimento dum vizinho de nome Policarpo foi surpreendido por inesperada escolta militar que ia para o capturar. Dizem que o Tomás ainda tentou fugir trepando por um alçapão que dava para o primeiro andar; mas os militares agarraram-no pelas pernas, cortaram-lhe os suspensórios e assim o levaram. Também dizem que ao chegar à Ponte de Alote o prisioneiro exclamou: - «foi ali que eu pratiquei o primeiro crime» e ao mesmo tempo voltou-se bruscamente pisando os calos a uma praça da escolta. Não foi preciso mais nada. O comandante não esteve com meias medidas: - Mandou-o fuzilar, perdão, mandou-o assassinar à queima-roupa.

Foi sepultado nas traseiras da capelinha de S. Bento da Barata.

 

P. Júlio Apresenta Mário

P. Júlio Vaz

Edição do autor

1996

pp. 252 a 254

 


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Sábado, 30 de Setembro de 2017

O MOSTEIRO DE S. SALVADOR DE PADERNE

 

 

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Quando, há um ano, se procedia à inventariação e catalogação dum acervo precioso de documentos avulsos dos séculos XVII e XVIII existentes na Secção de Manuscritos do Arquivo Distrital de Braga, descobrimos, num maço de prazos de casas sitas em Ponte de Lima, uma «Carta de Sentença» de 1627 e relativa à demanda que opôs, como autor, o Mosteiro de S. Salvador de Paderne ao réu Gregório de Mogueimas Fajardo, senhor da Quinta de Pontiselas e descendente do «primeiro comendatário de Paderne», segundo Felgueiras Gaio.

Testemunho inédito desta demanda até agora ignorada, o documento descoberto possui também outras informações relevantes, que justificam plenamente a sua análise e que podem ser incluídas em três grupos: no primeiro estão os dados de carácter económico envolvidos na descrição do valor e natureza da renda causadora do litígio; no segundo temos as referências à localização e origem das Casas da Quinta de Pontiselas, que ainda hoje existem apesar das grandes alterações sofridas e que constituem na sua singeleza uma peça valiosa do património arquitectónico melgacense e no terceiro encontram-se os nomes, os quais serviram de ponto de partida ao esboço genealógico da família do réu.

Seguindo a peugada dos teóricos da «História Nova» convém defender o uso, no âmbito da historiografia nacional, da análise globalizante dos documentos, que consiste em extrair das fontes a trama de relações, problemas e referências aí contida.

 


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Sábado, 23 de Setembro de 2017

UMA SENHORA DA SOCIEDADE

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rua de baixo - vila

 

 

O ANTIGAMENTE

 

 

O passado está sempre presente no dia a dia das pessoas, especialmente daquelas que já passaram da conta. Não há nada que aconteça que não tenha já acontecido, noutro contexto e com outra roupagem, é claro.

Detalhes do quotidiano, principalmente os que nos aborrecem, despertam-nos algo parecido, semelhante ou então a repetição exacta do já acontecido.

Então acontece que os resmungos da minha mulher além de me enfastiarem lembram momentos parecidos connosco e com outros. Inerente a quem já ultrapassou a fase de pular muros, regatos, etc., implica involuntariamente, com o que possa estar no chão. Daí que os entendidos recomendam retirar tapetes, passadeiras, até jornais dos pisos onde circulam as pernas cansadas. Apesar das recomendações as mulheres gostam dos detalhes que possam dar-lhes satisfação pela beleza decorativa que proporcionam às suas casas. Sempre conservam um tapete ou passadeira e o que é pior, esticadinha. Ao passarmos, sem darmos conta, o trapo ou serapilheira que seja, que está no chão, vai na frente, enrugando-se. Ela ou elas reclamam, não só por serem dois anos mais novas, mas por fazerem hidroginástica e anda levantarem melhor as pernas.

Um dia destes, lembrou-me o Dr. Rocha. No início dos anos trinta do século passado (é claro), havia na Vila de Melgaço uma figura muito conhecida, respeitada que gozava da simpatia geral, pelo menos do meu tio Emiliano com quem eu vivia na altura, era o Dr. Rocha, pessoa já idosa, para mim que teria no máximo sete anos. Segundo concluí mais tarde, seria o Notário ou Conservador do Registo Civil, não lembro bem, vivia com a esposa, acho que não tinham filhos, naquela casa do lado esquerdo de quem estava na Câmara, entre a cabine de electricidade e a avenida, na Feira Nova. Mais tarde quem viveu nessa casa durante alguns anos foi o Sr. Alvim com a esposa, D. Alzira e os filhos.

A esposa do Dr. Rocha (nunca lhe soube o nome completo) era uma senhora toda empertigada, o tipo de matrona, tanto física como autoritária, da idade do marido, de nome D. Adelaide, que sempre era evocada como D. Adelaide Rocha, não para a diferenciar de outras Adelaides, que por acaso na altura não as havia, mas porque o seu porte imponente e postura fidalga assim recomendavam. A rigor, tal procedimento mais imanava da subserviência do povo que endeusava quem se arrogasse socialmente superior. Sempre se apresentava em público rigorosamente trajada e ajaezada com as suas jóias apaparicada pelas outras senhoras da sociedade. Este tipo de pessoas para mais se evidenciarem transformavam pequenos actos rotineiros em casos extraordinários. Um domingo, a D. Adelaide Rocha precisou deslocar-se não sei onde e para tal chamou o Emiliano que no seu carro de praça costumava servir o casal. No regresso a D. Adelaide Rocha desembarcou (saiu do carro) no terreiro onde outras senhoras da sua categoria passeavam exibindo-se. Correu para elas afobada, pedindo para ser abraçada e lamuriando: “O patife do Emiliano quase me matou!”, e contou o sucedido. Tinha desenvolvido enorme velocidade. E era verdade! O Emiliano que geralmente não passava dos quarenta quilómetros com o seu Andorinha (Ford modelo A), naquela tarde, aproveitando uma das poucas e pequenas rectas que existiam na estrada, chegou aos cinquenta quilómetros.

   Em casa a D. Adelaide também primava pelo esmero. Naquela época, naquelas paragens, não se conhecia a cera para soalhos, daí que o chão das casas era lavado com água, escovão e sabão amarelo, de joelhos. Uma mulher, criada, contratada ou a dona da casa, molhava, esfregava e enxugava o chão dos aposentos. Era uma tarefa cansativa. A D. Adelaide mandava semanalmente esfregar o chão de sua moradia, e ai de quem naquele dia pisasse fora das passadeiras. O Dr. Rocha que, além do gabinete oficial no edifício dos Paços do Concelho, tinha seu escritório em casa que várias vezes ao dia precisava consultar e, distraído, pisava onde não devia, o que lhe custava intermináveis sermões e admoestações pouco lisonjeiras.

Ano após ano, revoltado com tão enervante rotina, resolveu fazer valer seus direitos de dono de casa. Num dia em que o chão fora esfregado, antes de entrar em casa, encharcou as botas na lama do rego que passava em frente e nos dejectos dos cães e triunfalmente passeou por todos os cómodos da casa. Ninguém soube o que aconteceu depois, mas continuaram a viver harmoniosamente.

 

   Rio, Fevereiro de 2013

                                                                                                                 Manuel Igrejas

 

Publicado em: A Voz de Melgaço   

                                               


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Sábado, 16 de Setembro de 2017

EL REY DOM MANOEL E OS CRIMINOSOS GALEGOS

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COLLECÇÃO CHRONOLOGICA DA LEGISLAÇÃO PORTUGUEZA

 

 

DOM MANOEL, por graça de Deus, Rei de Portugal e dos Algarves etc. A quantos esta nossa Carta virem, fazemos saber, que o Juiz e Officiaes da Villa de Melgaço nos enviaram dizer, que, por se evitarem algumas mortes, roubos e males, que muitas vezes na dita Villa se faziam, por alguns galegos do Reino de Galiza se á dita Villa se vierem acolher e estar, tendo no dito Reino commettidos e feitos graves maleficios; e por ser de vosso escusarem isso mesmo, e outros inconvenientes de nosso serviço, elles fizeram accordo em Camara, que os taes galegos de capa em colo, que os ditos maleficios graves no dito Reino de Galiza commettessem, nom fossem consentidos nem acolhidos em a dita Villa; pedindo-nos que, por quanto em alguma maneira o Alcaide-mór Pero de Crasto lhes ia contra seu accordo, em acolher comsigo os taes: mandassemos que seu accordo que sobre isto tinham feito, lhes seja em tudo guardado e cumprido, e lho confirmássemos. E visto por nós, e por nos parecer seu requerimento justo e honesto, temos por bem e confirmamos-lho, e queremos e mandamos que os taes galegos de capa em colo, e que assim os ditos maleficios graves commetterem e fizerem no dito Reino de Galiza, nom sejam acolhidos nem consentidos na dita Villa, e se cumpra e guarde o accordo dos Officiaes, sobre isto feito, como nelle é contheudo, porque assim é nossa mercê. E mandamos a todos nossos Corregedores, Juízes e Justiças, que assim o façam cumprir e guardar. Dada em a nossa Villa de Almeirim, a 13 dias de Junho. Alvaro Fernandes a fez. Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de 1500.

Pedindo-me por mercê o dito Concelho e homens bons da dita Villa de Melgaço, que lhe confirmasse a dita Carta, e visto por mim seu requerimento, querendo-lhes fazer graça e mercê, tenho por bem e lha confirmo, e mando que se cumpra e guarde, como se nella contem.

Bastião Lamego a fez, em Lisboa, a 23 de Outubro do anno de 1529 = EL-REI.

 

 

Retirado de: Collecção Chronologica da Legislação Portugueza

                     Compilada e Anotada por:

                     José Justino de Andrade e Silva

                        bacharel formado em direito

                     Lisboa Imprensa Nacional 1859

 

http://books.google.pt

 

MORREU A KAYA

2005 - 2017 

 

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kaya, na rua de baixo, desafia o dono para um passeio e, quem sabe, contar-lhe a história da família

 

 


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Sábado, 9 de Setembro de 2017

TRAGÉDIA A CAMINHO DE FRANÇA

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NOTÍCAIS DE MELGAÇO Nº 1201, DE 10/6/1956

 

 

Pelos diários de Lisboa soube-se aqui na passada sexta-feira, à tarde, a triste notícia de na fronteira franco-espanhola, próximo da povoação de Tostela e na estrada de Figueras para a França, terem sido avistados pela Guardia Civil dois automóveis de matrícula portuguesa e a escaparem-se à sua fiscalização, e porque não obedeceram às suas ordens balearam-nos, furando os pneus a um dos veículos e ferindo os passageiros do outro. Neles iam emigrantes indocumentados portugueses e espanhóis e dessas balas dois deles vieram a falecer, os nossos conterrâneos de Alvaredo, José Diogo Fernandes (casado) e Bento Fernandes (solteiro, irmão do José Diogo), estando no hospital de Gerona gravemente ferido José Abreu Barreiros (nascido a 3/8/1931), e dois outros, cuja gravidade dos ferimentos se desconhece, Francisco Fernandes Domingues (nascido a 10/6/1928, solteiro, da Sobreira) e António Abreu Gonçalves (nascido a 21/9/1933). Nas cadeias de Gerona encontram-se ainda os nossos conterrâneos, José Augusto Afonso Domingues, Eduardo Besteiro (nascido a 2/11/1924), Franklim Lopes Rodrigues (nascido a 28/2 1927) e Augusto Vilarinho, que morava em Felgueiras. Estes e os feridos seriam mais tarde julgados em Portugal em tribunal militar.(1)

 

  • Eram todos melgacenses.

 

 

Retirado de:

                   Dicionário Enciclopédico de Melgaço

                   Volume I

                   Joaquim A. Rocha

                   Edição do autor

                   2009

                   p- 222

 


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Sábado, 2 de Setembro de 2017

PONTES ROMANAS E ROMÂNICAS DE CASTRO LABOREIRO

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Ao escolher este tema para o meu primeiro caderno sobre a história e arte das magníficas Pontes que ligam as margens do rio Laboreiro e seus Afluentes, o meu coração de Castrejo bateu mais apressadamente do que é normal: pois tomei uma tremenda responsabilidade perante os meus conterrâneos, quando resolvi soletrar algumas das mais belas páginas do seu rico património histórico e artístico, cujas folhas, constituídas por duro granito da região, continuam a desafiar o tempo e cujas idades se medem por 20 e 8 séculos respectivamente. Apesar da sua já longa existência guardam na sua própria estrutura a mesma grandeza do passado. Por elas passaram os Castrejos de, há já 2.000 anos, e ainda hoje as utilizam para transporem os volumosos cursos de água, no inverno, e os caudais límpidos no Verão. Situada numa grande bacia hidrográfica, esta vetusta freguesia conserva no seu longínquo passado lindas e numerosas pontes que a ligam às civilizações Celta, Romana e Medieval. Embora a sua maior parte haja sido classificada pelo Instituto Português do Património da Cultura, umas como Monumentos Nacionais e outras como Imóveis de Interesse Público, estou certo de que vale a pena descrevê-las em todos os seus pormenores, fazendo o levantamento fotográfico da cada uma, especificando o estilo utilizado na sua construção, com as medidas precisas de altura, comprimento e largura, as vias de comunicação que ligavam e o tempo aproximado da sua construção. É uma tarefa bastante custosa para mim, mas faço-o com o máximo interesse e carinho; pois estas obras de arte e história fazem parte do povo, de quem nasci, e cujo curriculum vitae constitui para mim motivo de orgulho. Os meus defeitos, as suas virtudes estão intimamente ligados ao meu carácter, à minha personalidade. São raízes de um passado, que não volta. Pelo estudo dos seus históricos Monumentos podemos facilmente aquilatar a grandeza e antiguidade da sua civilização. Esperançado em que este meu despretensioso trabalho concorra para um conhecimento mais completo e profundo das antiguidades de Castro Laboreiro, das suas paisagens e das suas gentes, vou iniciar o meu trabalho.

 

Castro Laboreiro, 10 de Julho de 1984

 

Padre Aníbal Rodrigues

 

 

PONTES ROMANAS E ROMÂNICAS DE CASTRO LABOREIRO

 

Autor: Padre Aníbal Rodrigues

 

Edição: Cadernos da Câmara Municipal de Melgaço nº 2

             CÂMARA MUNICIPAL DE MELGAÇO

1985

 


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Sábado, 26 de Agosto de 2017

UM ESCULTOR MELGACENSE

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ACÁCIO CAETANO DIAS

 

 

É natural de Prado, filho de Amadeu Maria Dias e de Maria Fernandes da Silva. Nasceu em 11 de Março de 1935.

Seu pai era um artesão, que trabalhava bem o latão e o cobre.

Como a vida económica em Melgaço era difícil, Acácio Caetano Dias procurou vencer essa hora difícil.

E conseguiu-o.

Aos 12 anos era «groom» no Grande Hotel do Peso e convidado por um hóspede, proprietário do Colégio Almeida Garrett, na cidade do Porto, vai para este colégio como ajudante de despenseiro, donde passa para a cozinha, sendo 2º cozinheiro.

Daqui voa para Lisboa e emprega-se nos Estaleiros da CUF, como apontador, passando a caldeireiro de cobre.

Como apontador, é admitido, em 1959, na agência de Cascais do Banco Nacional Ultramarino (BNU), onde, a seu pedido, passa a ser serralheiro e faz uma descoberta sensacional: inventa uma máquina de fechar correspondência e uma enfardadeira para enfardar papel velho. Recebeu um louvor.

Aproveitou as horas que o trabalho profissional lhe concedeu de descanso e fez os estudos indispensáveis com os quais foi colocado na Biblioteca, donde transitou para o Armazém de Móveis até à reforma em 1973.

A arte é a sua paixão. Dedica-se à escultura. Está presente com os seus trabalhos nas Feiras de Artesanato. E em tão boa hora que escultores de nomeada, como Lagoa Henriques, Soares Branco e Manuela Madureira, preferentemente, o estimularam, dando-lhe orientações que envolvem técnicas sofisticadas.

O apaixonado da arte, passa de aluno a mestre. E apresenta ao público as suas obras: expõe, em 1984, na Escola de Belas Artes, em Lisboa, e recebe uma menção honrosa; em 1985, na V Quinzena Cultural Bancária, no Hotel Altis, recebeu o 1º e 2º prémios de escultura; em 1988, na VII Quinzena Cultural Bancária, obtém menção honrosa; em 1990 na VIII Quinzena Cultural Bancária, no Palácio Foz, arrecadou o 2º prémio de escultura; recebeu em 1992 na IX Quinzena Cultural o 2º prémio de escultura; em 1993 na Artempresa I, promovida pelo Metropolitano de Lisboa, obtém o 1º prémio com o trabalho «Camilo Castelo Branco»; e o mesmo prémio alcançou-o em 1994 na X Quinzena Cultural Bancária, realizada no Palácio Foz.

Acácio Caetano Dias está presente como artista, na nossa terra, no Quartel dos Bombeiros Voluntários, com o «Bombeiro» de tamanho natural.

Suas obras venceram as fronteiras do País e encontram-se no estrangeiro: na França, na Arábia Saudita e na Alemanha, entre outras.

Faleceu em 7 de Março 2013.

 

P. Júlio Apresenta Mário

P. Júlio Vaz

Edição do autor

1996

pp. 273, 274

 


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Sábado, 19 de Agosto de 2017

CERTO NEGÓCIO DE SERVIÇO D'EL REI

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DOMINGOS GOMES DE ABREU COELHO DE NOVAIS

 

Filho legítimo de Domingos Gomes de Abreu e D. Francisca Coelho, de nº 4, nasceu em Melgaço a 21 de Janeiro de 1668 e seguiu a carreira militar falecendo no posto de capitão de uma das companhias do terço do capitão-mor Pedro de Sousa Gama, fundador do morgado da Serra.

………………………………………….

Fez-se armar cavaleiro da Ordem de Cristo em 31 de Dezembro 1698 na igreja da Senhora da Conceição em Lisboa e professou no ano seguinte aos 9 de Fevereiro, no convento de Tomar, nas mãos de Fr. Fernando de Morais, superior do referido convento, renunciando primeiro o ano e o dia do seu noviciado e aprovação.

Frei Domingos Gomes de Abreu casou aos 28 de Novembro de 1700 em Lapela, termo da vila de Monção, com D. Isabel de Faria.

No ano de 1701 aos 30 de Maio tomou posse da Feitoria Geral das Alfândegas da Província do Minho, tocante aos portos secos, molhados e vedados, cargo que exerceu por três anos.

………………………………………….

E em 14 de Março de 1703 comprou a Maria Domingues, viúva e suas filhas e genro, Francisca de Magalhães e Maria de Magalhães, ambas solteiras, moradoras na vila e Águeda Domingues e marido Sebastião Fernandes, moradores no Telheiro, freguesia de Rouças, «a sua mettade do Moinho chamado da Ponte apedrinha que he telhado e preparado e aparelhado com seu pico assim e da maneira que elles vendedores o possuião e parte do nascente com terras de Domingos Esteves Sereiro e do poente com monte delas do monte de prado» por trinta mil réis em moedas de prata correntes no reino.

Pouco depois, um ou dois meses decorridos, pelo conde da Atalaia, Governador das Armas da Província do Minho, foi Frei Domingos de Abreu enviado ao reino da Galiza a certo negócio de serviço de el-rei.

Por razões, que hoje ignoramos, mas que é lícito filiar em questões da Guerra da Sucessão ao trono de Espanha em que el-rei D. Pedro II se envolveu em 1701, o Governador de Vigo prendeu este mensageiro do conde da Atalaia em sua casa e durante cinco dias o meteu nas minas do castelo do Crasto; dali o passou para o castelo de Santo António na Corunha e por fim para o cárcere real para lhe «darem questão de tormento».

Foi nestes aflitivos transes que o familiar do Santo Ofício lembrando-se dos inumeráveis milagres feitos naqueles sítios pela Senhora da Pastoriza, cujo santuário e piedade dos galegos erguera a seis quilómetros da cidade no caminho de Finisterra; foi nesses transes bem dolorosos para seu espírito esclarecido, que o ilustre melgacense a invocou e lhe pediu amparo, prometendo-lhe levantar-lhe capela privativa na sua terra, no vistoso sítio do Coto da Pedreira, se aquela Virgem permitisse a ela voltar dentro de um ano.

E como passados cinco meses e cinco dias em virtude de um decreto especial foi degredado para fora dos limites de Espanha, nunca mais esqueceu o seu voto e se mais cedo o não cumpriu, foi por andar ocupado na Guerra da Sucessão, que naqueles dias se desenrolaram neste termo.

De facto, Frei Domingos Gomes de Abreu, português de lei, patriota exaltado, militar brioso e aguerrido, nunca permitiria que os galegos nos ofendessem impunemente e, por isso, durante esta guerra permaneceu sempre de ouvido à escuta, sempre pronto a fazer pagar caro aos vizinhos da fronteira os tormentos infligidos ao seu corpo e ao seu espírito nas longas e sombrias horas de cárcere.

 

 

O MEU LIVRO DAS GERAÇÕES MELGACENSES

Volume I

Augusto César Esteves

Edição da Nora do Autor

Melgaço

1989

pp. 67-72

 


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Sábado, 12 de Agosto de 2017

CASTRO LABOREIRO, SÉCULOS DE HISTÓRIA QUE NÃO PODE MORRER

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    MONTES LABOREIRO

 

GLOSSÁRIO

 

 

Abocanhar – Parar de chover

Acadar – Tocar o gado

Acequiar – Largar a urina sob pressão, num jacto forte

Acevar – Incitar cães a lutar. Acirrar cães à luta.

Acompanhamento – Enterro fantástico, noturno, anunciando a morte de alguém.

Adelha – Caixa de madeira em forma de pirâmide invertida, para receber o grão.

Adelhão – Canal feito habitualmente de madeira que conduz o grão de centeio, da adelha até ao pé de moinho, para ser moído pela pedra.

Agachado – De cócoras. Escondido.

Aguilhada – Vara, dotada de aguilhão, para acadar as vacas.

Alcroque – Digitalina, planta ervácia venenosa e de cor roxa.

Alemedar – Levar o gado ao pasto depois do trabalho.

Almorço – Primeira refeição da manhã.

Amanso – Prova difícil (competição entre rapazes da mesma faixa etária.

Amigados – Casal vivendo maritalmente sem serem casados.

Ancho, a – Largo (largura)

Andaço – Pequena epidemia

Andengues – Propriedade sem grande importância.

Apeladoiro – Acessório do carro de bois.

Arado de pau – Arado medieval, feito de pau, cujo sulco era pouco profundo.

Arcaz – Arca de madeira para guardar o centeio.

Argana – Espinha, parte da espiga de centeio, em forma de agulhas, que protege o grão.

Arreeiro (a) – Conduz uma besta de carga.

Arreitar – mijar para o alto, para longe. Acequiar.

Arremedar – Imitar a voz e gestos de outro.

Assapar – Bater, fornicar, calcar.

Ateiró – Acessório do arado que permitia regular a profundidade do rego.

Avecas – Acessório do arado que permitia alargar ou estreitar o rego.

Bacolha – Parasita do carvalho.

Bagar – Tempo livre

Bailhe – Baile, dança.

Bam-bam – Baloiço.

Barbeito – Campo destinado a centeio ou batata.

Bezerro – Vitelo.

Bigote – Bigode.

Bico – Beijo.

Bocanho – Intervalo entre aguaceiros. Aberta.

Bofanda ou Gofanda – Cachecol feito de lã.

Bota – Pequeno odre feito de pele, para transportar o vinho.

Bouça – Terreno onde crescem giestas.

Bram – Verão

Branda – Lugar de habitação durante o “bram” verão.

Brandejo – Habitante das brandas.

Burgueiro – Pequena meda de centeio, feita nos barbeitos antes do transporte para a eira. Cada burgueiro igual a uma carrada.

Burra – Designação genérica para os muares.

Cabaço – Medida equivalente a doze litros.

Cabirto – Cabrito.

Cachear – Revistar, apalpar, procurar algo escondido.

Cadelo – Cachorro.

Calbo – Jogo semelhante ao da malha. As malhas e marcos eram habitualmente de pedra.

Caldeira – Poço profundo, cavado pela água ao cair das cascatas e cataratas.

Cajata – Cajado.

Calçons – Polainos feitos de burel ou picote.

Camarro – Habitante do Pedroso, povoações da margem esquerda do rio Laboreiro.

Cambom – Peça de madeira, extensão do cabeçalho, quando se utilizam duas juntas de gado.

Campo – Terreno destinado à pastagens de animais. Na primavera retiram-se os animais e a erva cresce. Depois de segada e seca é armazenada no palheiro e utilizada no reforço da alimentação dos animais durante o inverno ou na altura dos trabalhos agrícolas, sem tempo para irem pastar.

Candeias – Estalactites de gelo nos beirais.

Caniço – Armação de madeira, que recebe o calor e o fumo da lareira, para curar as carnes.

Carabunha – Caroço.

Caretas – Máscaras de papel utilizadas durante o Entroido.

Carrilheiras – Trilhos nas propriedades para passagem de carros de bois.

Carvalheira – Carvalhal.

Castrejo ou Crastejo – Habitante de Castro Laboreiro.

Cerilha – Fósforo.

Cincha – Correia que segura a albarda ao muar.

Chavelha – Torno situado na ponta do cabeçalho, permite fixar o tomoeiro à canga.

Chalina – Cachecol de seda em cetim.

Chedas – Acessório de carro de bois.

Chambra – Blusa, peça de vestuário feminino.

Chito – Jogo infantil, jogado com uma moeda grande, e uma caixa de fósforos.

Chuçar – Fornicar.

Codo – Gelo, água gelada nos charcos e caminhos.

Codifelas - fungos esbranquiçados, existentes em troncos de carvalho e nalguns cotos.

Coiracho – Courato.

Cogordo – cogumelo.

Cogufela – cogumelo aberto, venenoso.

Colmaça – Cobertura de casa feita de colmo.

Colmo – Palha de centeio utilizada para as colmaças.

Çoque, Soque – Calçado com sola de madeira, fechado, feito de cabedal.

Corga – Pequeno ribeiro.

Corossa – Capa feita de juncos para abrigar da chuva e do frio.

Corucho – Cobertura feita de palha em forma de cone, para proteger as colmeias.

Côrte – Estábulo destinado aos animais.

Coto – Penedo grande mais ou menos isolado.

Cubo do moinho – Depósito em forma de cubo, para armazenar a água, cuja pressão, ao sair pelas sateiras, vai impulsionar o rodízio.

Cucha – Secreto, escondido (namoro à cucha).

Cuitelo – Cutelo.

Cunca – Malga tosca feita de madeira.

Eido – Lugar onde se situa a habitação. Recinto familiar.

Engaço – Ancinho.

Eirado – Porção de centeio que se deita de uma só vez na eira, para malhar com malhos.

Entroido – Entrudo, carnaval, figurante de carnaval, actor palhaço carnavalesco.

Esborralhar – Esmoronar, desfazer, escangalhar.

Escaleira – Escada.

Escangalhar – Desconjuntar, destruir, arrebentar.

Escaralhar – Arrebentar, partir tudo, foder tudo.

Escano – Banco de madeira com recosto até ao chão para abrigar as costas.

Escorna-bois. Insecto. “Vaca-Loira”.

Esgatiar – Gritar com sons muito agudos, berrar.

Espabilar – Pôr-se alerta, diligente, pôr-se fino.

Esgordar – Luta entre cães.

Esparrunhar – Esgravatar. As galinhas esparrunham.

Espido – Despido.

Espulgar (batatas) – Descascar.

Estaca – Forquilha de dentes de ferro.

Estadulho – Fueiro.

Estrar – Botar o estrume ou palha nas côrtes.

Estrume – Mato.

Esterco – Adubo biológico feito pelo gado.

Estântega – Fantasma.

Estrema – Delimitação de uma propriedade, com marcos ou paredes.

Estremar – Separar, apartar (o gado, a rez)

Estrume – Mato.

Fachuco – Pequeno feixe de palha, cuja chama acendida numa extremidade, iluminava o caminho nas noites escuras de inverno.

Farrangalheiro – Farrapeiro.

Faveca – Vagem.

Fateiro – Faixa de tecido para aconchegar os bebés e transportá-los ao colo da mãe.

Fento – Feto.

Ferram – centeio muito jovem, ainda em erva, para nutrir o gado.

Fôlgo – Fôlego, ar dos pulmões, ar.

Foloado – Tecido de lã, feito em teares locais.

Frincha – Fenda.

Funga-gatos – Brinquedo de rapaz, feito de madeira, cujo movimento sobre si-próprio, imita o fungar de um gato.

Gabilam – Gavião.

Galheira – Estaca ou forquita de três dentes, um em oposição aos outros dois, e recurvado.

Gando – Gado.

Gango – carícia, meiguice.

Garda-sol – Guarda-sol.

Gofanda – Cachecol feito de lã.

Guichar – Espreitar. Indagar secretamente.

Gavela – Pedaço de estrume ou mato, confeccionado para ser agarrado de uma só vez, pela estaca.

Guiço – Madeira de urze, esbranquiçada, cuja chama ardia como uma candeia.

Gocho ou Goche – Papão (linguagem infantil), sarronco.

Inverneiras – Lugar onde os brandejos passam o inverno.

Jugo – Espécie de canga utilizada com a molida.

Jaqueta – Casaco.

Labor – Pedaço de terra desbravada no monte e semeada normalmente com centeio.

Ladrais – Acessório de carro de bois, utilizado para segurar e proteger a carga.

Lândia – Lande

Lavradio – Giestal ainda jovem.

Leitaruga – Espécie de erva com aspecto de salada, muito boa para a alimentação  dos suínos e outros animais.

Loita, Loitar – Luta, Lutar.

Lugar – Povoação, Eido.

Mamoa – Dolmen ou anta enterrado.

Mandenlo – Peça de roupa usada e pouco elegante.

Mandil – Avental.

Manlhe – Malho (composto de mangueira e pirtirgo).

Mecheiro – Isqueiro, Acendedor utilizando uma torcida ou mecha.

Messe – Centeio, Centeio ainda com a espiga.

Mexil – Acessório que permite apertar ou alargar as avecas.

Molida – Forma peculiar de junguir o gado. (à canga ou à molida).

Molido ou Rodilha – Almofada circular usada pela mulher Para proteger e equilibrar as coisas transportadas à cabeça.

Monlho – Molho, pequeno feixe.

Moras – Amoras.

Mossete – Entalhe, pequena mossa.

Musgar – Falhar, não conseguir o objectivo.

Natal – Mês de Dezembro.

Nicar ou Zicar – Fornicar.

Ousear – Acompanhar alguém, mantendo o contacto auditivo, perante o distanciar de outem.

Olheiro – Nascente brotando directamente da terra ou da rocha. Olho de água.

Pana – Bombazina.

Pam leve – Pão-de-ló.

Pantano – Represa de água feita para irrigação.

Pecho, Pechadura – Fecho de madeira, Fechadura.

Peldrachas – Carnes flácidas.

Perracha – vulva (popular).

Perrancho – Sem roupa.

Perrutcha – Enfeite, adorno.

Pesco – Pancada, castigo.

Pegureiro – Pastor.

Pelica, Peilam – Pessoas não castrejas.

Picanhas – Utensílio de ferro com dois dentes utilizado para cavar o esterco.

Picote – Tecido de lã já bem elaborado.

Pita – Galinha.

Pitos – Pintainhos.

Presa – Açude, represa.

Quinxouso ou Quinchouso – Pequena leira de terra, próxima do eido.

Quingosta – Congosta.

Quiro – Porco, suíno.

Rageira – Sol de inverno.

Ramboia – Contrabando.

Raposa das murraças – Grito de aflição dos rapositos, perdidos expressamente pela mãe, com intuitos educativos.

Reixa – Ódio, raiva.

Reixelo – Cabrito, anho.

Retonhar – Rebentar, as árvores retonham na primavera, quando cortadas pelo homem ou animal.

Rez – Gado ovino ou caprino.

Robez – Invez, ao contrário.

Robige – Inquietação.

Ronda – Deslocação a um lugar vizinho, por um grupo, para um baile ou divertimento.

Rondar – Ir à ronda.

Sacha, Sachola – Pequena enxada frequentemente com orelha.

Sacho – Enxada.

Sam Miguenle – Mês de Outubro.

Sam Joam – Mês de Junho.

Sandar – Sarar, cuidar, curar.

Santos – Mês de Novembro.

Saramela – Salamandra.

Sarronco – Papão, gocho (linguagem infantil).

Sateira – Orifício situado no fundo do cubo do moinho.

Segadas – Mês de Julho.

Segar – Ceifar.

Senguidalho – Peça de vestuário muito antiga.

Soga – Correia de couro, utilizada para guiar as vacas.

Sopengo – Pessoa rude, bruta, tosca.

Sorradas – Águas pluviais que correm nos caminhos, quando chove.

Sorregar – Bater com força.

Taramitan – Acessório do moinho.

Tarratcha – Acessório de ferro para apertar os apeladoiros.

Troula – Passar o tempo tagarelando, brincando.

Torresmo – Bifinhos de toucinho ou de presunto.

Tolas – Pequenos regos para conduzir a água.

Touba – Quantidade de pessoas, ajuntamento.

Treixe – Aguaceiro, cuvasco.

Truita, Troita – Truta.

Tulhas – Buracos redondos feitos na terra, para aí guardar as batatas no inverno.

Turquesas – Tenazes.

Tus, Tussa – Cão, cadela.

Uzeira – Urze.

Vencelho – Vencilho, atilho feito da palha do centeio para atar os molhos.

Vido – Vidoeiro, bétula.

Xambra, Chambra – Blusa.

Xerelo – Peixe pequeno.

Zabrucada – Caída, queda aparatosa.

Zobra – Chuva impelida com violência pelo vento.

 

 

ECOS DOS MONTES LABOREIRO

ANTÓNIO BERNARDO

EDIÇÃO DO AUTOR

2008

 

O PEGUREIRO E O LOBO

estórias de castro laboreiro

MANUEL DOMINGUES

NÚCLEO DE ESTUDOS E PESQUISA DOS MONTES LABOREIRO

2005

 


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