Sábado, 20 de Maio de 2017

UM MELGACENSE NA RADIO BRASILEIRA

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Eurico António Crispim da Silva, nasceu em Melgaço em 16 de Setembro de 1900, foi actor, director de cinema e dramaturgo luso-brasileiro, célebre autor de radionovelas durante a era do rádio.

Mudou-se para o Brasil em 1916, e em 1919 iniciou a carreira de actor com a peça “O Mártir do Calvário”, apresentada no teatro Carlos Gomes, sendo o autor Eduardo Garrido.

A mudança para o Rio de Janeiro dera-se por ter ali alguns amigos padeiros, mas logo Silva se interessa pelo meio artístico.

A primeira das 15 peças que escreveu estreou em 1932, pela companhia de Procópio Ferreira, para quem traduziu outras tantas.

Em 1930 transferiu-se para o rádio, actuando no programa Teatro em Casa da Rádio Nacional como actor e produtor.

Com a estreia da Televisão, é um dos redatores das novelas da Rede Tupi, onde escreveu Olhos que Amei.

No cinema foi roteirista parceiro de J. Rui em filmes como Não adianta chorar.

 

http://pt.wikipedia.org/wiki/Eurico_Silva


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Sábado, 13 de Maio de 2017

RESENHA HISTÓRICA DE PARADA DO MONTE

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PARADA DO MONTE, HISTÓRIA

 

 

A ocupação humana do Vale do Mouro no Neolítico está provada pela existência de um núcleo dolménico em Couço referido na Carta Geológica de Portugal e na mamoa da Mina da Mota na zona de Travassos.

Da idade do Ferro poderão subsistir povoados castrejos em algumas cristas dos montes envolventes a Parada ainda não objecto de escavações arqueológicas. Relativamente próximo encontram-se casas redondas nas elevações que se perfilam no curso inferior do rio Mouro (Monte da Ascensão, Senhora da Graça, Tangil, Trute). A montante e a SW de Castro Laboreiro, que está assente num velho Castro proto-histórico, também existe à cota 1033, outro Castro. Parada do Monte poderá ter sido um núcleo da cultura castreja. Só a arqueologia o revelará.

Dos tempos da Romanização não existem vestígios descobertos mas não será de excluir a hipótese de as legiões romanas terem subido o Vale do mouro para dominarem os povos do Laboreiro utilizando uma via partindo das margens do Minho e passando por Messegães, Valadares, Riba de Mouro e Gave. Parada seria um ‘entreposto, local de paragem a caminho de outros locais.

Por esta via também teriam passado os cavaleiros da Reconquista em luta com os Muçulmanos e D. Afonso Henriques quando tomou o castelo de Laboreiro.

A fixação de ordens militares depois da expulsão da mourama está compreendida na política da estabilização e povoamento do território dos nossos primeiros reis. Lamas de Mouro, freguesia próxima de Parada do Monte, esteve ocupada pelos Templários. Houve também interesse régio em colocar na raia do Minho, cavaleiros fiéis concedendo-lhes vastos domínios. D. Afonso Henriques coutou a terra de Valadares que incluía o Vale do Mouro e as povoações de Badim, Cousso, Paderne e Fiães.

Parada do Monte era ainda uma pequena aldeia, de casas cobertas a colmo, rodeada de algumas herdades pertencentes aos monges de Fiães que procuraram ampliar os seus domínios para além do couto que lhes havia sido concedido pelo nosso primeiro rei. Uma das formas que utilizaram foi a de receberem terras por doação testamentária.

Bernardo Pintor ao estudar a documentação existente no Arquivo Distrital de Braga, encontrou uma escritura no ‘Cartulário’ do Mosteiro de Fiães, datada de 1194, referindo Parada do Monte como estando situada ‘subtus mons leporario’, ou seja, sob os Montes Laboreiro.

Num outro documento também do século XII são definidos os limites de Parada do Monte os quais para aquele investigador corresponderiam aos da freguesia.

Uma doação testamentária feita por Afonso Pais e mulher Urraca Dias ao Mosteiro de Fiães, datada de Setembro de 1221, cita uma herdade correspondente à ‘oitava parte de Parada’ com os limites: ‘Pelo Mourilhão até ao Curro de Abril e daí a Fervença e daí ao Parte Águas daí desce pelo rio Menduro e fecha no Mouro…’ Bernardo Pintor em ‘A voz de Melgaço’, de 1 de Novembro de 1947, explica que Curro de Abril se chama hoje Cruz de Abril e fica entre as brandas de Mourim e de Covelo. Fervença é junto à branda de Bouça talvez um nada afastado dos actuais limites. Rio Menduro é o Medoira…….

As Inquirições de 1258 são omissas a Parada do Monte mas ao referirem-se a S. Pedro de Mouro (hoje Riba de Mouro) ‘disseram que quando houver guerra hão de guardar as travessas (travessias) do Monte de Laboreiro. Os habitantes de Parada do Monte estavam também obrigados a prestar tal serviço pois o seu território integrava-se no de Riba de Mouro. Havia ainda o costume antigo de prestarem ‘rogos’ quando algumas pessoas da Galiza casavam e que eram ‘o mesmo que ‘geiras’ ou prestações de serviços agrícolas e cada geira do campo, sendo completa, constava de cinquenta homens de cava. Este costume causava a ruína dos lavradores conforme se aludia numa petição dirigida pelo conselho de Valadares a D. Afonso V. Em 1462, o Rei decidiu que taes rogas nom aver nem se darem nem irem dar a Gualiza nem virem de la os dar cá, tendo fixado a multa de 1000 reais aos que infringissem esta directiva.

Na ocupação humana do território sob os Montes Laboreiro e em particular do Vale do Mouro exerceu importância significativa a circulação de pessoas e bens por estradas e caminhos.

Existia uma via vindo de Valadares pelo Monte da Cumieira e que se dirigia para Cousso, Pomares, Cubalhão e Lamas de Mouro. Daqui continuava para Alcobaça e Porto de Cavaleiros onde atravessava a fronteira. Uma outra derivação atingia Portelinha ramificando-se para o Soajo, Castro Laboreiro e Entrimo. Era o eixo do comércio do gado pela raia seca referido em documentos. Também permitia a circulação do carvão, mel, cera e caça.

Parada do Monte comunicava com aqueles destinos através do percurso pela branda de Travassos, de difícil progressão dado o relevo do terreno, ou então atravessando o Mouro pela ponte da Minhoteira e subindo a Pomares. Era também nesta direcção que se ia à feira em Melgaço com passagem por Paderne, lugar de Moinhos, Ponte da Folia e Remoães. O percurso estabelecia também ligação com S. Marcos onde existia uma barca de passagem do rio Minho permitindo a entrada na Galiza por Arbo.

Havia ainda o caminho seguindo pela margem esquerda do rio Mouro com passagem por Gave, Riba de Mouro até Valadares sede do concelho. Era por ele que se fazia um importante trânsito de pessoas e mercadorias, particularmente nos dias em que havia feira em Valadares.

 

 

PARADA DO MONTE, História e Património

Antero Leite

Mª Antónia Cardoso Leite

 

http://acer-pt.org


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Sábado, 6 de Maio de 2017

MILMANDA E MELGAÇO

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ALCÁZAR DE MILMANDA

 

(Milmanda – concelho de Celanova)

  

O castelo foi palco de confrontos entre Pedro I de Castela e Henrique de Trastâmara. Quando faleceu Pedro em Montiel a maior parte da nobreza galega reconheceu como sucessor a Fernando I de Portugal, genro de Pedro I, o qual estabeleceu sua corte neste castelo e realizou uma campanha de ocupação de muitas vilas e cidades do país galego.

Um dos senhores, o senhor de Vilardecãs Francisco Feijoo Sotelo, foi protagonista de um célebre feito:

   Ocorrera que um fidalgo de Milmanda foi julgado à força e condenado na vila portuguesa de Melgaço. O senhor de Vilardecãs reuniu 40 homens armados e atacou o cárcere resgatando o condenado. Como resposta a esta provocação o duque de Bragança juntou 6 000 homens e, em resposta a este, o conde de Benavente juntou outros 6 000, começando deste jeito a guerra entre Espanha e Portugal, que só terminou com a condição de que o senhor de Vilardecãs deixasse o mando do Alcázar de Milmanda.

O derradeiro nobre que possuiu o castelo foi Suero Eanes de Prada, partidário de Pedro I, que com a morte do monarca partiu a Portugal para não voltar mais. Conta a lenda que nenhuma outra casa da nobreza voltou a possuir o castelo.

 

Retirado de: Wikipédia

 

http://pt.wikipedia.org/wiki/alcazar_de_milmanda


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Sábado, 29 de Abril de 2017

VI CENTENÁRIO DA TOMADA DO CASTELO DE MELGAÇO

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A Câmara Municipal, a Região de Turismo do Alto Minho e «A Voz de Melgaço» promoveram a celebração do VI Centenário da Tomada do Castelo de Melgaço aos Castelhanos em 3 e 4 de Março de 1989, quando se encerrava o ano centenário.

A celebração deste acontecimento histórico de expressão local e nacional processou-se em três momentos soleníssimos: p Militar, o Cívico e o Religioso.

O primeiro momento viveu-se dentro das muralhas do Castelo; o segundo, na Sessão Académica, efectuada no Salão Nobre do Município; o terceiro desenrolou-se no vetusto e histórico mosteiro de Santa Maria de Fiães.

Neles se apresentaram notáveis trabalhos históricos, que, de per si, para além do acontecimento festejado, são dados fundamentais da nossa história, bem como dignos e merecedores de estudo como se de uma bíblia se tratasse.

A imprensa local publicou-os integralmente, e a imprensa não local apresentou sínteses.

Entendeu, a Comissão Organizadora, que só a publicação em livro poderia registar, devidamente, o valor, a importância e o interesse dos trabalhos com um duplo objectivo: dignificar a História local e proporcionar aos melgacenses – estudantes, professores e quantos o desejem – um instrumento válido e oportuno de cultura e de saber. Por isso se edita o volume que intitulámos: «O VI Centenário da Tomada do Castelo de Melgaço».

Para ambientar o leitor, inserimos, também, a entrevista que o Doutor José Marques, professor da Universidade do Porto, concedeu a «A Voz de Melgaço» de 15 de Janeiro de 1989.

Ocorreu-nos, ainda, uma decisão que julgamos ajudar a viver intelectualmente o acontecimento: a publicação do texto da Crónica de D. João I – (2ª parte) – de Fernão Lopes, visto ser o trabalho – base dos historiadores e, portanto, dos oradores que enobreceram, sobremaneira, a celebração que havíamos projectado.

Finalmente, arquivamos, pela sua beleza literária, colorido e sensibilidade, a composição «Inês Negra – A Heroína de Melgaço» do Conde de Sabugosa que, em síntese espectacular, escreveu um hino harmonioso e solene dos acontecimentos.

 

Edição da responsabilidade de:

    - Câmara Municipal de Melgaço

    - Região de Turismo do Alto Minho

    - «A Voz de Melgaço»

 

1991


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Sábado, 22 de Abril de 2017

UMA IDA À VILA II

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coriscadas - castro laboreiro

 

(continuação)

 

Despiu o casaco claro e, sempre ao lado da mãe, ia descobrindo Melgaço. Sentia-se abafado. A roupa vestida era quente. Os rapazes da Vila andavam vestidos de calções, e em camisa de meia manga, enquanto ele trazia calças de pana e uma camisa de manga comprida.

Nas lojas onde entravam havia sempre muita gente e tinham de esperar para serem atendidas. Antes de a mãe e as vizinhas comprarem qualquer coisa havia muita conversa e tinha a sensação incomodativa de estar sob constante observação das pessoas. Na rua fazia um calor de abrasar e mesmo à sombra transpirava. Estava sequioso mas aquela água de Melgaço parecia caldo e quanto mais bebia mais sede tinha. Já enfastiado disse à mãe para o deixar num banco cá fora, enquanto fazia o resto das compras. Passado algum tempo levantou-se do banco e pôs-se a admirar a torre do Castelo mesmo ali à sua frente, igualzinha à desenhada no livro da escola. Pensou como seria bonito o Castelo de Castro, naquele monte tão alto, se tivesse uma torre daquelas.

Estava na praça central da Vila e resolveu espreitar a montra da loja da frente onde estavam expostos vários relógios e artigos em ouro. Ao lado ficava a Escola Primária e através dos vidros viu algumas crianças da sua idade sentadas nas carteiras, enquanto o professor, de fato e gravata, escrevia números no quadro preto.

Finalmente apareceram todas para irem comer, mas antes a mãe tinha de cambiar uns francos enviados pelo pai, por um conhecido. Para isso tinha de passar na Loja Nova, junto à estrada de Castro Laboreiro.

Sentaram-se num banco corrido de madeira, frente a uma mesa tosca, debaixo de uma latada com uma fonte de água fresca, onde finalmente conseguiu dominar a sede. Como era a hora de calor resolveram aproveitar a fresquidão para fazerem uma sesta até porque dali a uma horas teriam de meter os pés a caminho, e agora era sempre a subir.

Terminado o descanso foram buscar os retratos e o resto das compras e albardaram a mula. Às cinco da tarde, ainda com muito calor, iniciaram o regresso.

Passada a primeira hora já estava todo derreado, embora não se queixasse.

Pararam num sítio com uma fonte para descansarem um pouco e beberem. A mãe notou o cansaço do filho e disse à vizinha para arranjar um espaço em cima da mula, onde, enrolado num cobertor colocado dentro de um berço de vime, fora instalada a criança. Conseguiu ajeitar-se em cima da albarda e retomaram a marcha.

Inicialmente, achou interessante a passagem debaixo das latadas, quando atravessaram os lugares, mas o andar desengonçado da mula, tentando escolher o melhor sítio para colocar as patas, e o constante roçar da cabeça pelas silvas e ramos atravessados no caminho acima da altura do animal depressa o convenceram ser preferível ir a pé. Assim, passada uma hora daquele bambolear permanente, e de alguns arranhões, pediu à mãe para o ajudar a descer. A parte mais íngreme do caminho também já estava percorrida. Seguia-se uma tirada por um carreiro rodeado de mato de pequena inclinação, finda a qual iriam merendar porque faltava menos de metade do caminho.

A partir de Alcobaça foi tomado pelo cansaço provocando-lhe uma senolência na qual as pernas pareciam movimentar-se sem dar por isso. Só com uma sacudidela provocada pelo tropeçar numa pedra solta ou pelo colocar do pé nalgum buraco do leito inacabado da estrada, voltava à realidade. Finalmente, com o sol a esconder-se atrás da Fraga da Franqueira, alcançaram Portelinha onde pararam. O ar fresco do fim da tarde, o cheiro da erva e o badalar dos chocalhos das vacas a recolherem ao eido, fê-lo despertar.

Daí até às Coriscadas foi revivendo o dia. No caminho para Melgaço vira coisas novas e fê-lo quase sem dar por isso. Na Vila tinha gostado do Castelo e de algumas lojas com muitas novidades para ele. Melgaço era muito quente e abafado e as pessoas pareceram-lhe desconfiadas, mas agora podia responder aos outros rapazes quando falavam com vaidade por conhecerem a Vila. Além disso vira as videiras em latadas e o Rio Minho, ao longe.

 

O PEGUREIRO E O LOBO

Estórias de Castro Laboreiro

MANUEL DOMINGUES

Edição Núcleo de Estudos e Pesquisa dos Montes Laboreiro

2005

pp. 69-75


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Sábado, 15 de Abril de 2017

UMA IDA À VILA I

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O PRIMEIRO RETRATO

 

Um dia o pai escreveu a dizer que não viria a casa tão cedo. Embora já tivesse os documentos em ordem era necessário aproveitar o tempo, porque as coisas estavam a correr bem. Por isso gostaria de ter uma fotografia do filho, para andar com ela na carteira.

O Manuel perguntou à mãe aonde se tirava o retrato.

- Em Melgaço – respondeu. Nos dias de feira aparece na Vila um que tira retratos à “la minuta”, mas ao fim de pouco tempo ficam apagados. Por isso, só o Pires em Melgaço é de confiança.

- E quando podemos ir? – perguntou.

- Talvez no mês de Maio, porque os dias são grandes e dão para ir e voltar com sol.

- E por onde vamos?

- Alguns vão a pé, pela estrada em construção, até Lamas e depois apanham uma camioneta, mas às vezes é preciso esperar muito tempo antes de aparecer alguma. Outros, ao chegarem ao fundo das Lobagueiras, viram para a Alcobaça e seguem o caminho antigo, pelo Outeiro da Loba. Embora ruim, é quase metade da distância e há muitas sombras. Vou falar com a filha do tio Albano e se nos juntarmos três ou quatro ela pode levar a mula, aproveitando para trazer coisas necessárias à loja do pai. Quando te sentires cansado podes montar a cavalo.

- Está bem, mai. Antes quero ir pelo caminho porque não gosto de me encafuar na caixa da camioneta, debaixo do toldo, no meio dos pipotes e dos animais, cheio de calor e sem ver nada.

- Então vou combinar com ela o dia e falar com as irmãs Pinheiro, porque há tempo falaram em irmos todas. Depois trata-se do problema dos animais.

A viagem tinha de ser cuidadosamente preparada, porque estando um dia inteiro fora de casa era necessário informar a pegureira para abrir a porta da côrte e juntar a rez ao rebanho colectivo que iria pastorear. Ao fim da tarde, no regresso, teria de recolher os animais e fechar a porta.

Por outro lado, as vacas não podiam ficar encerradas todo o dia. Falaria com a tia Calças para as levar a pastar com as dela. Quanto aos restantes animais deixava-lhes comida para o dia todo.

Entretanto as duas irmãs confirmaram a ida e em conjunto acordaram o dia, combinando a saída para muito cedo, a fim de evitar a força do calor, sobretudo por causa das crianças.

Na véspera, à noite, a mãe preparou a merenda com presunto, peixe frito, chouriço e pão centeio, juntando uma bota com água, colocando tudo numa cestinha de vime.

Ainda de noite, a mãe acordou-o porque tinha de se vestir. A muito custo conseguiu levantar-se, lavou-se e, ajudado pela mãe, vestiu a roupa nova. Em seguida comeram o almorço, feito de papas de pão e batatas cozidas no molho dos torresmos fritos e bem tostados, espalhando um cheiro apetitoso. Apesar da hora madrugadora, a mãe recomendou-lhe para comer também o caldo de leite, pois só deveriam voltar a comer cerca das 9 horas, quando já tivessem percorrido grande parte do caminho.

Muito antes do romper do dia as quatro mulheres e as duas crianças estavam a caminho de Picotim, em direcção a Portelinha e daí rumo a Alcobaça seguindo o leito da estrada em fase adiantada da construção. Já tinham ultrapassado aquele lugar quando o sol nasceu.

Olhava com alguma curiosidade para o vale do rio Trancoso que nascia em Portelinha e, demarcando a fronteira com a Galiza, corria encosta abaixo até lançar-se no Rio Minho. Uma névoa azulada deixava ver algumas povoações espalhadas ao longo das encostas. Do lado português a configuração do terreno limitava o campo de visão, só deixando aperceber as aldeias quando já estavam muito próximos, enquanto na encosta espanhola o declive era menos acentuado e permitia alcanças as povoações distribuídas ao longo da mesma, com telhados e paredes de tijolo de cores desbotadas.

Iam descendo e reparava nas mudanças da vegetação. Além das giestas e silvas, começaram a aparecer muitos pinheiros e castanheiros, em vez dos carvalhos e vidos, únicas árvores grandes abundantes em Castro.

A determinada altura do trajecto, depois de abandonarem o vale do rio fronteiriço, surgiu à sua frente uma paisagem diferente. A encosta apresentava-se escalonada em patamares de verdura. O primeiro, formado pelas latadas das videiras, continuava a um nível mais baixo, pelos campos de milho, hoetas e batatais, ladesdos por tufos de pinheiros e várias árvores de fruto, que formavam o terceiro nível. De vez em quando o relógio de uma torre batia as horas. Mais abaixo avistava-se um conjunto grande de casas à volta do castelo, com uma torre, e cercado por um cordão espesso de nevoeiro. Era Melgaço! Por cima daquele rolo, aparecia outra encosta verdejante e também pejada de casas. Escondido pelo nevoeiro cerrado corria o Rio Minho, marcando a fronteira e por isso a encosta em frente era galega, explicou a mãe.

A curta distância até Melgaço, sempre a descer, foi percorrida em pouco tempo por caminhos atravessados de cobertos de videiras amarradas a postes de pedra e arames, formando as latadas. Finalmente, entraram em Melgaço! O caminho com mais de três léguas fora percorrido em menos de quatro horas.

Dirigiram-se a uma conhecida onde iriam comer porque dispunha de um quintal para guardar a mula enquanto tratavam dos assuntos objecto da sua deslocação à Vila. Aproveitaram para descansar um pouco e compor as roupas das crianças em total desalinho devido à longa viagem. O Manuel transpirava por todos os lados, trazia a camisa branca encharcada.

A mãe ajudou-o a lavar-se e penteou-lhe o cabelo rebelde, amaciando-o com um pouco de água com açúcar. Já com melhor aspecto dirigiram-se ao atelier do Pires onde teve de submeter-se a novos retoques, determinados pelo fotógrafo.

- Ó senhor Pires, este é o primeiro retrato do rapaz, para mandar para França. Veja se fica em condições! – recomendou a mãe.

- Muito bem. Vamos então tratar disso. Bom…Bom…Chegate aqui. Começamos por colocar esta gravata. Fica melhor, não? Perguntou à mãe. Agora vais subir para aquele banquinho O Pires olhou através da máquina e concluiu faltar mais um acerto.

- Segura neste ramo – disse, entregando-lhe um galho de cameleira. Endireita as costas e olha para aquele canto por cima da máquina. Quando eu disser fazes um sorriso.

Apesar do esforço o artista não conseguiu fazè-lo sorrir. O cansaço da viagem e o pouco à vontade, juntamente com o calor, não ajudavam a aparência de uma satisfação não sentida. Ao fim de várias tentativas o Pires disparou a máquina.

Seguiram-se outras fotografias e ainda uma de conjunto entre os companheiros de viagem. As fotografias estariam prontas por volta das duas da tarde. Saíram para fazer as compras e depois almoçarem. Na rua, afrontado pelo calor, admitiu nunca ter imaginado que tirar um retrato fosse tão complicado!

 

(continua)

 


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Sábado, 8 de Abril de 2017

ORDEM DE MALTA EM LAMAS DE MOURO

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 D. FREI DIOGO DE MELO PEREIRA

 

Frei Diogo de Melo Pereiro terá nascido entre 1609 e 1613, provavelmente em Bretiandos, Ponte de Lima. Foi o segundo dos 11 filhos de Fernão da Silva Pereira, 3º administrador do 1º morgadio de Bretiandos, com toda a sua Casa e Padroados anexos, e de sua mulher D. Leonor de Melo.

Recebeu o feudo de Moço Fidalgo da Casa Real (alvará de 20 de Março de 1621) juntamente com seus irmãos Francisco, Lopo, António, Manuel, Fernão e Bernardo.

Em 10 de Fevereiro de 1625 ingressou na Ordem de Malta, onde teve as Comendas de Poiares, Moura Morte, Veade, Sernancelhe, Torres Vedras e Torres Novas.

Muito Novo ainda foi para a ilha de Malta, onde participou em diversas armadas contra os turcos e os berberes no Mediterrâneo. Na tomada aos Turcos da cidade de Santa Maura, foi ferido na mão direita, com um tiro de mosquete e depois disso, na escalada da muralha do castelo de Miripotamo foi novamente ferido, desta feita com uma setada na perna.

Quando se iniciou a Guerra da Restauração foi chamado para prestar serviço como Capitão-mor de Barcelos (carta de 29 de Maio de 1641, governando as Armas da Província, em conjunto com Manuel Teles de Meneses e o Coronel Viole de Athis. Em 1641 governava a praça de Lamas de Mouro na fronteira de Castro Laboreiro e em 1645 tomou Salvaterra da Galiza, que se manteve na mão dos portugueses até ao fim da guerra. Entre os diversos folhetos patrióticos que corriam impressos, enaltecendo as vitórias alcançadas e relatando as incursões sobre território inimigo, foram publicadas, a propósito da tomada de Salvaterra, a “Relaçãm da entrada que fizeram em Galliza os Governadores das armas da Província de entre Douro, & Minho o Mestre de Campo Violi de Athis, que por carta de sua Magestade exercita o cargo de Mestre de Campo General, & Manoel Telles de Menezes Governador do Castello de Vianna, & Frey Diogo de Mello Pereira Comendador de Moura Morta, & Veade da Religiaõ de Sam Joam de Malta, Capitam Mor de Barcellos”, e a “Relaçam do felice sucesso, que tiveram Fr. Dioguo de Mello Pereira de Bretiandos, Commendador de Moura Morta & Fr. Lopo Pereira de Lima, seu irmão Commendador de Barro da Ordem de Malta, a quem o General D. Gastão Coutinho encarregou do governo das armas, na entrada, que se fez em Galiza…”, uma e outra impressas em Lisboa, em 1641 e 1642.

(…)

 

In “Figuras Limianas”, Câmara Municipal de Ponte de Lima

 

Retirado de:

Ordem de Malta  


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Sábado, 1 de Abril de 2017

MELGAÇO E GALIZA

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3º DA ESO EN MELGAÇO

 

 

Enviado por eladioanxo en Xov, 2009-05-14

 

 

Nos passados dias 21 e 22 de Abril o estudantado de 3º da ESO do Don Aurélio e do IES de Curtis visitamos o concello de Melgaço, na outra beira do Minho. A viagem faz parte das actividades organizadas por o Proxectoterra do Colexio Oficial de Arquitectos de Galiza, com o objectivo de dar a conhecer o património e potenciar a sua valorización e cuidado. O Projecto financiou grande parte dos gastos, de tal modo que os alunos só pagaram uma parte do custo do autocarro e tiveram que levar a comida da primeira jornada.

A manhã do primeiro dia chegamos directamente a uma das portas de entrada ao Parque Nacional Peneda Gerês, a Porta de Lamas de Mouro, onde nos explicaram as características desse formoso espaço natural que compartilham Portugal e Galiza, e fixemos um pequeno passeio acompanhados por dois amáveis monitores. Pela tarde fomos uns quilómetros mais arriba, a Castro Laboreiro. A pena foi que não pudemos caminhar pelo castelo pelo que uns dias antes sofrera um incêndio. De todos os modos fixemos um agradável passeio duns cinco quilómetros junto a duas guias muito atentas, que nunca puseram má cara para pesar das muitas queixas dos (maus) caminhantes.

À tardiña instalamo-nos na Pousada da Juventude, um edifício novo e com umas instalações que lhe dão a categoria de hotel, por riba do Minho. O entorno é muito bonito e a poucos metros se encontra um complexo desportivo de primeira categoria, o Centro de Estágios. Até a hora de cear estivemos jogando ao futebol, ao ténis e, alguns, mesmo pedalearon um pouco.

A manhã seguinte, depois de uma comprida noite para alguns, fomos visitar o Centro Histórico de Melgaço e os seus numerosos e interessantes museus, onde nos atenderam muito bem. O Espaço Memória e Fronteira, está dedicado ao contrabando e  à emigración, ubicado num antigo convento magnificamente restaurado. Baixamos depois as ruínas medievais no entorno do castelo amurallado e depois subimos até a bem conservada Torre de Menagem, com umas vistas espectaculares sobre a vila e a raia que marca o Minho. Por último, visitamos o esplêndido Museu do Cinema, com uma importante colecção de proxectores e cartazes, onde uma exposição temporária recordava ao grande director italiano Federico Fellini. Volvimos ao albergue, a comer, e regressamos à casa sem deixar de deitar uma cabeçada no autocarro.

 

Retirado de:

XUNTA DE GALICIA

Consellaría de Educación

E Ordenación Universitaria

 

www.edu.xunta.es/centros/cpiaureliomarcelino/category/37/162

 

 


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Sábado, 25 de Março de 2017

OS FORAIS DE MELGAÇO E RIBADÁVIA

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OS FORAIS ANTIGOS DE MELGAÇO, TERRA DE FRONTEIRA

 

(…)

 

Devem ter sido os burgueses de Allariz que manifestaram a Afonso VII a sua preferência pelo modelo sahaguntino, tal como os moradores de Ribadávia se interessarão pelo de Allariz e os de Melgaço pelo de Ribadávia. Convém não esquecer que Ribadávia e Melgaço se situam nas margens do rio Minho, a uma distância relativamente próxima, e estavam ligadas por um caminho que, estabelecidas as proporções, era mais frequentado nessa época do que nos tempos actuais. Ainda no tempo de D. Pedro I, em 1361, Melgaço é referida, numa carta régia, como uma das principais entradas de mercadorias vindas da Galiza no Reino de Portugal.

Sendo Melgaço uma povoação fronteiriça, foram sempre múltiplos os seus contactos com a Galiza, o que se traduziu em muitos aspectos da história local: Santa Maria da Porta, actual orago de Melgaço, evoca as grandes festas de Santa Maria do Portal, de Ribadávia, e São Facundo ou Fagundo, o santo que deu o nome a Sahagún, era o padroeiro de uma das igrejas medievais da nossa vila raiana. É natural que entre os povoadores de Melgaço se contassem agricultores e comerciantes provenientes de Ribadávia.

Entre os destinatários do foral outorgado a Melgaço, em Agosto de 1185, designados simplesmente como moradores ou vizinhos, distinguem-se os mercadores. Nada se pormenoriza sobre o estatuto social, mas supõe-se que é uniforme, fundamentalmente o mesmo dos «burgueses» ou habitantes das povoações noutros documentos designadas «burgos».

Propõe-se-lhes, como objectivos, que edifiquem e habitem na herdade que o Rei possuía no lugar de Melgaço, doando-lhes também a metade régia de Chaviães, na terra de Valadares.

Aparentemente, o foral nada tem a ver com o de Ribadávia, pois as matérias foram objecto de uma exposição e de uma redacção totalmente diferente, mas o mesmo não se dirá em relação aos conteúdos que são, em grande parte, semelhantes.

Fixa-se um imposto geral único, de 1 soldo, ou 12 dinheiros, a pagar por cada casa, como nos forais dos outros burgos portugueses e no de Ribadávia, a que se ajunta a taxa de dois soldos a pagar pelos carniceiros, que também se paga em Ribadávia. Os vizinhos de Melgaço são ainda obrigados a pagar 6 soldos, de colecta, uma vez por ano, no máximo, quando o rei se deslocar à sua vila, tributo que não sobrecarrega os burgueses de Ribadávia.

A tabela das portagens apresenta, naturalmente, várias coincidências e variantes. Com oscilações, nuns casos para mais e noutros para menos, e com variantes, a tabela das sisas e portagens aplicava-se aos mercadores vindos de fora, aos quais apenas era permitido vender a retalho no dia da feira – a segunda a que os documentos portugueses fazem referência. Refere-se expressamente que os moradores nada pagarão do pão e do vinho que colherem, dos panos e dos animais que venderem ou comprarem, assim como dos moinhos, fornos e almuinhas. Estas cláusulas, nos forais de Ribadávia e de Melgaço, explicam-se com a preocupação de corrigir disposições mais gravosas que se mantinham nos forais derivados de Sahagún, se bem que, em certos aspectos correspondem a outras que já encontramos nos forais de Guimarães e do Porto (isenção de taxas sobre as compras de reduzido valor, e especificamente sobre o pão), e por outro lado lembra-nos que, tendo Melgaço um foral idêntico ao de «burgos» mais ricos, se previa também a expressão do sector agrário, como aliás já acontecia no foral do Porto…..

 

 

António Matos Reis

Revista da Faculdade de Letras

 

http://ler.letras.up.pt

 

 


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Sábado, 18 de Março de 2017

O DIA DE INÊS NEGRA

1a - 22 x- o dia de ines negra.jpg

 

 

 

    INÊS NEGRA

 

 

Três vivas à Inês Negra

brava mulher de Melgaço

que venceu a Arrenegada

e lhe meteu grande cagaço

 

Três vivas à Inês Negra

que fez descer a terreiro

a sua crença valente

sem ter armas de guerreiro

 

Três vivas à Inês Negra

que mostrou à Arrenegada

a força que tem a alma

de uma pátria libertada

 

Três vivas à Inês Negra

neste largo arraial

onde se joga em duelo

a sorte de Portugal

 

Três vivas à Inês Negra

com o estandarte de Aviz

e a festa dos soldados

reconquistando o país

 

Três vivas à Inês Negra

por ser guerreira e mulher

e por ter no dia certo

a força que faz vencer

quem sabe tomar partido

quem tem razão para escolher

 

José Jorge Letria

1995 

 


publicado por melgaçodomonteàribeira às 00:09
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