Sábado, 19 de Agosto de 2017

CERTO NEGÓCIO DE SERVIÇO D'EL REI

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DOMINGOS GOMES DE ABREU COELHO DE NOVAIS

 

Filho legítimo de Domingos Gomes de Abreu e D. Francisca Coelho, de nº 4, nasceu em Melgaço a 21 de Janeiro de 1668 e seguiu a carreira militar falecendo no posto de capitão de uma das companhias do terço do capitão-mor Pedro de Sousa Gama, fundador do morgado da Serra.

………………………………………….

Fez-se armar cavaleiro da Ordem de Cristo em 31 de Dezembro 1698 na igreja da Senhora da Conceição em Lisboa e professou no ano seguinte aos 9 de Fevereiro, no convento de Tomar, nas mãos de Fr. Fernando de Morais, superior do referido convento, renunciando primeiro o ano e o dia do seu noviciado e aprovação.

Frei Domingos Gomes de Abreu casou aos 28 de Novembro de 1700 em Lapela, termo da vila de Monção, com D. Isabel de Faria.

No ano de 1701 aos 30 de Maio tomou posse da Feitoria Geral das Alfândegas da Província do Minho, tocante aos portos secos, molhados e vedados, cargo que exerceu por três anos.

………………………………………….

E em 14 de Março de 1703 comprou a Maria Domingues, viúva e suas filhas e genro, Francisca de Magalhães e Maria de Magalhães, ambas solteiras, moradoras na vila e Águeda Domingues e marido Sebastião Fernandes, moradores no Telheiro, freguesia de Rouças, «a sua mettade do Moinho chamado da Ponte apedrinha que he telhado e preparado e aparelhado com seu pico assim e da maneira que elles vendedores o possuião e parte do nascente com terras de Domingos Esteves Sereiro e do poente com monte delas do monte de prado» por trinta mil réis em moedas de prata correntes no reino.

Pouco depois, um ou dois meses decorridos, pelo conde da Atalaia, Governador das Armas da Província do Minho, foi Frei Domingos de Abreu enviado ao reino da Galiza a certo negócio de serviço de el-rei.

Por razões, que hoje ignoramos, mas que é lícito filiar em questões da Guerra da Sucessão ao trono de Espanha em que el-rei D. Pedro II se envolveu em 1701, o Governador de Vigo prendeu este mensageiro do conde da Atalaia em sua casa e durante cinco dias o meteu nas minas do castelo do Crasto; dali o passou para o castelo de Santo António na Corunha e por fim para o cárcere real para lhe «darem questão de tormento».

Foi nestes aflitivos transes que o familiar do Santo Ofício lembrando-se dos inumeráveis milagres feitos naqueles sítios pela Senhora da Pastoriza, cujo santuário e piedade dos galegos erguera a seis quilómetros da cidade no caminho de Finisterra; foi nesses transes bem dolorosos para seu espírito esclarecido, que o ilustre melgacense a invocou e lhe pediu amparo, prometendo-lhe levantar-lhe capela privativa na sua terra, no vistoso sítio do Coto da Pedreira, se aquela Virgem permitisse a ela voltar dentro de um ano.

E como passados cinco meses e cinco dias em virtude de um decreto especial foi degredado para fora dos limites de Espanha, nunca mais esqueceu o seu voto e se mais cedo o não cumpriu, foi por andar ocupado na Guerra da Sucessão, que naqueles dias se desenrolaram neste termo.

De facto, Frei Domingos Gomes de Abreu, português de lei, patriota exaltado, militar brioso e aguerrido, nunca permitiria que os galegos nos ofendessem impunemente e, por isso, durante esta guerra permaneceu sempre de ouvido à escuta, sempre pronto a fazer pagar caro aos vizinhos da fronteira os tormentos infligidos ao seu corpo e ao seu espírito nas longas e sombrias horas de cárcere.

 

 

O MEU LIVRO DAS GERAÇÕES MELGACENSES

Volume I

Augusto César Esteves

Edição da Nora do Autor

Melgaço

1989

pp. 67-72

 


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Sábado, 12 de Agosto de 2017

CASTRO LABOREIRO, SÉCULOS DE HISTÓRIA QUE NÃO PODE MORRER

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    MONTES LABOREIRO

 

GLOSSÁRIO

 

 

Abocanhar – Parar de chover

Acadar – Tocar o gado

Acequiar – Largar a urina sob pressão, num jacto forte

Acevar – Incitar cães a lutar. Acirrar cães à luta.

Acompanhamento – Enterro fantástico, noturno, anunciando a morte de alguém.

Adelha – Caixa de madeira em forma de pirâmide invertida, para receber o grão.

Adelhão – Canal feito habitualmente de madeira que conduz o grão de centeio, da adelha até ao pé de moinho, para ser moído pela pedra.

Agachado – De cócoras. Escondido.

Aguilhada – Vara, dotada de aguilhão, para acadar as vacas.

Alcroque – Digitalina, planta ervácia venenosa e de cor roxa.

Alemedar – Levar o gado ao pasto depois do trabalho.

Almorço – Primeira refeição da manhã.

Amanso – Prova difícil (competição entre rapazes da mesma faixa etária.

Amigados – Casal vivendo maritalmente sem serem casados.

Ancho, a – Largo (largura)

Andaço – Pequena epidemia

Andengues – Propriedade sem grande importância.

Apeladoiro – Acessório do carro de bois.

Arado de pau – Arado medieval, feito de pau, cujo sulco era pouco profundo.

Arcaz – Arca de madeira para guardar o centeio.

Argana – Espinha, parte da espiga de centeio, em forma de agulhas, que protege o grão.

Arreeiro (a) – Conduz uma besta de carga.

Arreitar – mijar para o alto, para longe. Acequiar.

Arremedar – Imitar a voz e gestos de outro.

Assapar – Bater, fornicar, calcar.

Ateiró – Acessório do arado que permitia regular a profundidade do rego.

Avecas – Acessório do arado que permitia alargar ou estreitar o rego.

Bacolha – Parasita do carvalho.

Bagar – Tempo livre

Bailhe – Baile, dança.

Bam-bam – Baloiço.

Barbeito – Campo destinado a centeio ou batata.

Bezerro – Vitelo.

Bigote – Bigode.

Bico – Beijo.

Bocanho – Intervalo entre aguaceiros. Aberta.

Bofanda ou Gofanda – Cachecol feito de lã.

Bota – Pequeno odre feito de pele, para transportar o vinho.

Bouça – Terreno onde crescem giestas.

Bram – Verão

Branda – Lugar de habitação durante o “bram” verão.

Brandejo – Habitante das brandas.

Burgueiro – Pequena meda de centeio, feita nos barbeitos antes do transporte para a eira. Cada burgueiro igual a uma carrada.

Burra – Designação genérica para os muares.

Cabaço – Medida equivalente a doze litros.

Cabirto – Cabrito.

Cachear – Revistar, apalpar, procurar algo escondido.

Cadelo – Cachorro.

Calbo – Jogo semelhante ao da malha. As malhas e marcos eram habitualmente de pedra.

Caldeira – Poço profundo, cavado pela água ao cair das cascatas e cataratas.

Cajata – Cajado.

Calçons – Polainos feitos de burel ou picote.

Camarro – Habitante do Pedroso, povoações da margem esquerda do rio Laboreiro.

Cambom – Peça de madeira, extensão do cabeçalho, quando se utilizam duas juntas de gado.

Campo – Terreno destinado à pastagens de animais. Na primavera retiram-se os animais e a erva cresce. Depois de segada e seca é armazenada no palheiro e utilizada no reforço da alimentação dos animais durante o inverno ou na altura dos trabalhos agrícolas, sem tempo para irem pastar.

Candeias – Estalactites de gelo nos beirais.

Caniço – Armação de madeira, que recebe o calor e o fumo da lareira, para curar as carnes.

Carabunha – Caroço.

Caretas – Máscaras de papel utilizadas durante o Entroido.

Carrilheiras – Trilhos nas propriedades para passagem de carros de bois.

Carvalheira – Carvalhal.

Castrejo ou Crastejo – Habitante de Castro Laboreiro.

Cerilha – Fósforo.

Cincha – Correia que segura a albarda ao muar.

Chavelha – Torno situado na ponta do cabeçalho, permite fixar o tomoeiro à canga.

Chalina – Cachecol de seda em cetim.

Chedas – Acessório de carro de bois.

Chambra – Blusa, peça de vestuário feminino.

Chito – Jogo infantil, jogado com uma moeda grande, e uma caixa de fósforos.

Chuçar – Fornicar.

Codo – Gelo, água gelada nos charcos e caminhos.

Codifelas - fungos esbranquiçados, existentes em troncos de carvalho e nalguns cotos.

Coiracho – Courato.

Cogordo – cogumelo.

Cogufela – cogumelo aberto, venenoso.

Colmaça – Cobertura de casa feita de colmo.

Colmo – Palha de centeio utilizada para as colmaças.

Çoque, Soque – Calçado com sola de madeira, fechado, feito de cabedal.

Corga – Pequeno ribeiro.

Corossa – Capa feita de juncos para abrigar da chuva e do frio.

Corucho – Cobertura feita de palha em forma de cone, para proteger as colmeias.

Côrte – Estábulo destinado aos animais.

Coto – Penedo grande mais ou menos isolado.

Cubo do moinho – Depósito em forma de cubo, para armazenar a água, cuja pressão, ao sair pelas sateiras, vai impulsionar o rodízio.

Cucha – Secreto, escondido (namoro à cucha).

Cuitelo – Cutelo.

Cunca – Malga tosca feita de madeira.

Eido – Lugar onde se situa a habitação. Recinto familiar.

Engaço – Ancinho.

Eirado – Porção de centeio que se deita de uma só vez na eira, para malhar com malhos.

Entroido – Entrudo, carnaval, figurante de carnaval, actor palhaço carnavalesco.

Esborralhar – Esmoronar, desfazer, escangalhar.

Escaleira – Escada.

Escangalhar – Desconjuntar, destruir, arrebentar.

Escaralhar – Arrebentar, partir tudo, foder tudo.

Escano – Banco de madeira com recosto até ao chão para abrigar as costas.

Escorna-bois. Insecto. “Vaca-Loira”.

Esgatiar – Gritar com sons muito agudos, berrar.

Espabilar – Pôr-se alerta, diligente, pôr-se fino.

Esgordar – Luta entre cães.

Esparrunhar – Esgravatar. As galinhas esparrunham.

Espido – Despido.

Espulgar (batatas) – Descascar.

Estaca – Forquilha de dentes de ferro.

Estadulho – Fueiro.

Estrar – Botar o estrume ou palha nas côrtes.

Estrume – Mato.

Esterco – Adubo biológico feito pelo gado.

Estântega – Fantasma.

Estrema – Delimitação de uma propriedade, com marcos ou paredes.

Estremar – Separar, apartar (o gado, a rez)

Estrume – Mato.

Fachuco – Pequeno feixe de palha, cuja chama acendida numa extremidade, iluminava o caminho nas noites escuras de inverno.

Farrangalheiro – Farrapeiro.

Faveca – Vagem.

Fateiro – Faixa de tecido para aconchegar os bebés e transportá-los ao colo da mãe.

Fento – Feto.

Ferram – centeio muito jovem, ainda em erva, para nutrir o gado.

Fôlgo – Fôlego, ar dos pulmões, ar.

Foloado – Tecido de lã, feito em teares locais.

Frincha – Fenda.

Funga-gatos – Brinquedo de rapaz, feito de madeira, cujo movimento sobre si-próprio, imita o fungar de um gato.

Gabilam – Gavião.

Galheira – Estaca ou forquita de três dentes, um em oposição aos outros dois, e recurvado.

Gando – Gado.

Gango – carícia, meiguice.

Garda-sol – Guarda-sol.

Gofanda – Cachecol feito de lã.

Guichar – Espreitar. Indagar secretamente.

Gavela – Pedaço de estrume ou mato, confeccionado para ser agarrado de uma só vez, pela estaca.

Guiço – Madeira de urze, esbranquiçada, cuja chama ardia como uma candeia.

Gocho ou Goche – Papão (linguagem infantil), sarronco.

Inverneiras – Lugar onde os brandejos passam o inverno.

Jugo – Espécie de canga utilizada com a molida.

Jaqueta – Casaco.

Labor – Pedaço de terra desbravada no monte e semeada normalmente com centeio.

Ladrais – Acessório de carro de bois, utilizado para segurar e proteger a carga.

Lândia – Lande

Lavradio – Giestal ainda jovem.

Leitaruga – Espécie de erva com aspecto de salada, muito boa para a alimentação  dos suínos e outros animais.

Loita, Loitar – Luta, Lutar.

Lugar – Povoação, Eido.

Mamoa – Dolmen ou anta enterrado.

Mandenlo – Peça de roupa usada e pouco elegante.

Mandil – Avental.

Manlhe – Malho (composto de mangueira e pirtirgo).

Mecheiro – Isqueiro, Acendedor utilizando uma torcida ou mecha.

Messe – Centeio, Centeio ainda com a espiga.

Mexil – Acessório que permite apertar ou alargar as avecas.

Molida – Forma peculiar de junguir o gado. (à canga ou à molida).

Molido ou Rodilha – Almofada circular usada pela mulher Para proteger e equilibrar as coisas transportadas à cabeça.

Monlho – Molho, pequeno feixe.

Moras – Amoras.

Mossete – Entalhe, pequena mossa.

Musgar – Falhar, não conseguir o objectivo.

Natal – Mês de Dezembro.

Nicar ou Zicar – Fornicar.

Ousear – Acompanhar alguém, mantendo o contacto auditivo, perante o distanciar de outem.

Olheiro – Nascente brotando directamente da terra ou da rocha. Olho de água.

Pana – Bombazina.

Pam leve – Pão-de-ló.

Pantano – Represa de água feita para irrigação.

Pecho, Pechadura – Fecho de madeira, Fechadura.

Peldrachas – Carnes flácidas.

Perracha – vulva (popular).

Perrancho – Sem roupa.

Perrutcha – Enfeite, adorno.

Pesco – Pancada, castigo.

Pegureiro – Pastor.

Pelica, Peilam – Pessoas não castrejas.

Picanhas – Utensílio de ferro com dois dentes utilizado para cavar o esterco.

Picote – Tecido de lã já bem elaborado.

Pita – Galinha.

Pitos – Pintainhos.

Presa – Açude, represa.

Quinxouso ou Quinchouso – Pequena leira de terra, próxima do eido.

Quingosta – Congosta.

Quiro – Porco, suíno.

Rageira – Sol de inverno.

Ramboia – Contrabando.

Raposa das murraças – Grito de aflição dos rapositos, perdidos expressamente pela mãe, com intuitos educativos.

Reixa – Ódio, raiva.

Reixelo – Cabrito, anho.

Retonhar – Rebentar, as árvores retonham na primavera, quando cortadas pelo homem ou animal.

Rez – Gado ovino ou caprino.

Robez – Invez, ao contrário.

Robige – Inquietação.

Ronda – Deslocação a um lugar vizinho, por um grupo, para um baile ou divertimento.

Rondar – Ir à ronda.

Sacha, Sachola – Pequena enxada frequentemente com orelha.

Sacho – Enxada.

Sam Miguenle – Mês de Outubro.

Sam Joam – Mês de Junho.

Sandar – Sarar, cuidar, curar.

Santos – Mês de Novembro.

Saramela – Salamandra.

Sarronco – Papão, gocho (linguagem infantil).

Sateira – Orifício situado no fundo do cubo do moinho.

Segadas – Mês de Julho.

Segar – Ceifar.

Senguidalho – Peça de vestuário muito antiga.

Soga – Correia de couro, utilizada para guiar as vacas.

Sopengo – Pessoa rude, bruta, tosca.

Sorradas – Águas pluviais que correm nos caminhos, quando chove.

Sorregar – Bater com força.

Taramitan – Acessório do moinho.

Tarratcha – Acessório de ferro para apertar os apeladoiros.

Troula – Passar o tempo tagarelando, brincando.

Torresmo – Bifinhos de toucinho ou de presunto.

Tolas – Pequenos regos para conduzir a água.

Touba – Quantidade de pessoas, ajuntamento.

Treixe – Aguaceiro, cuvasco.

Truita, Troita – Truta.

Tulhas – Buracos redondos feitos na terra, para aí guardar as batatas no inverno.

Turquesas – Tenazes.

Tus, Tussa – Cão, cadela.

Uzeira – Urze.

Vencelho – Vencilho, atilho feito da palha do centeio para atar os molhos.

Vido – Vidoeiro, bétula.

Xambra, Chambra – Blusa.

Xerelo – Peixe pequeno.

Zabrucada – Caída, queda aparatosa.

Zobra – Chuva impelida com violência pelo vento.

 

 

ECOS DOS MONTES LABOREIRO

ANTÓNIO BERNARDO

EDIÇÃO DO AUTOR

2008

 

O PEGUREIRO E O LOBO

estórias de castro laboreiro

MANUEL DOMINGUES

NÚCLEO DE ESTUDOS E PESQUISA DOS MONTES LABOREIRO

2005

 


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Sábado, 5 de Agosto de 2017

VERTIGENS

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    (…)

    E aí, de novo, entronca sem dúvida a ideia de “circulação”, desde os sentimentos, repete-se, à estrutura mobilizante de coisas, produtos e mercadorias, da fábrica que se perfila no horizonte económico possuído e a desenvolver (a tinturaria de Sérgio), às relações entre personagens donde nunca está ausente o factor económico, mais ou menos condicionante (à excepção da personagem João Parra) das suas vidas.

    (…)

    Nos seus esforços de “integração” ou adaptação a um quotidiano banal de onde não sabe bem como sair, mas adquirindo sobre isso a firme noção de querer sair e ter de sair, a fuga pelo devaneio desemboca sem consumação no incesto latente, potencial porque sempre sufocado e escamoteado mas que dir-se-ia quase desejado, numa cena (das mais poderosas do livro) em que a dimensão onírica da escrita e da sua descrição fazem surgir um dos mais impressivos e fortes momentos de todo o romance.

    (…)

 

                                                                                                                                    (do Prefácio)

 

 

Vertigens

 

Manuel Beites

 

Edições Triunvirato

 

2005

 


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Sábado, 29 de Julho de 2017

O AJUDANTE DO VASQUINHO

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               O ANTIGAMENTE 

 

 

Isto de por a funcionar a gravação do passado no registo da memória, corre-se o risco de disparar por falta de funcionamento prolongado, e põe-se a descoberto cenas e situações que se pretenderam esquecer.

A Maria de Fátima, filha do saudoso Toninho do Cerinha, é a culpada do desarranjo mecânico do nosso gravador cerebral que não quer parar de funcionar. Como foi dito, eu era ajudante do Vasco na Central, e o meu desempenho chamou a atenção do Sr. Teixeira que tratou de explorá-lo. Nas horas mortas da Central, e eram muitas, incumbiu-me de cobrar as letras promissórias dos comerciantes. Era o Sr. Teixeira, também, representante bancário e as facturas das mercadorias que os lojistas compravam, quando venciam, o representante bancário era incumbido de as receber. Lógico que o chefe não iria a pé ou de bicicleta quando mais longe, cobrar. Não sei quem fazia isso antes de mim, só sei que fui guindado a esse posto que me elevou no conceito social da terra, ganhando a mesma coisa, nada! E o meu desempenho agradou a tal ponto que além das duas funções que já exercia, Central e cobranças, acresceu a de cobrador na carreira. O Sr. Aires, aparentado com a D. Laura, esposa do Sr. Teixeira, retornado do Brasil, foi ser cobrador duma das camionetes da carreira. Naquele tempo, anos quarenta, havia duas carreiras diárias entre S. Gregório e Monção. De manhã, às 7 horas, uma carreira mista, camionete metade bancos e metade livre para mercadorias. Voltava de Monção às 6 horas da tarde. A outra carreira, a do correio, saía às 10 horas e voltava às 4 da tarde quando não havia atraso no comboio. Na da manhã, o chaufer era o Emídio ou o Álvaro da Orada, e cobrador o Fernando Ferrador. Na carreira do correio, o chaufer era o Sabariz e o cobrador o Aires que pelas mazelas que levava do Brasil, vira e mexe ficava doente e era substituído em cima da hora pelo Gui (Henrique Fernandes) fiel do departamento atacadista. Um dia, pela impossibilidade do Gui se ausentar do seu metiê, fui mandado ser cobrador. Esta situação repetiu-se várias vezes até que o Sr. Aires se afastou e eu passei a ser permanente. Surgiu uma dificuldade: na hora do jantar (almoço) eu estava em Monção. O Sr. Teixeira autorizou que eu tirasse da receita das passagens a importância para pagar a refeição que fazia na taberna anexa àquele restaurante que tinha na avenida da Estação da C. P., e recomendou: - Come bem! Pois sabia da tuberculose que me atacara anos antes. E a rotina manteve-se por vários meses. Ao voltar da carreira entregava ao Constantino, grande amigo e parceiro desde os bancos da escola, que era o responsável pelo escritório das empresas, os talões das passagens e o dinheiro correspondente descontada a refeição. Nem sempre conferia na hora, colocava numa caixa para mais tarde contar. Um dia o Sr. Teixeira nas investidas que fazia no escritório, perguntou: - Que dinheiro é este na caixa? – É o que o Manel entregou do correio. Resolveu contar. – Está faltando quinze escudos – É o da refeição! – Mas é muito dinheiro, manda-o chamar. Fui interrogado e respondi: - O senhor mandou que me alimentasse bem. Aí o Fernando Ferrador, que também almoçava na mesma taberna e estava presente, achou de agradar ao patrão e me entregou: - Ele só gasta nove escudos. Era verdade! Diariamente eu me fazia um salário de 5 ou 6 escudos. O Sr. Teixeira achou que eu não merecia tanto e estipulou: - Vou-te dar 150 escudos por mês, cinquenta por receberes as letras e cem pela carreira (pela Central, nada). Deu na mesma, mas pelo menos ia ter um salário. Só o meu pai é que teve a despesa ao fornecer-me o bife que havia de comer no almoço.

   Fui apurado para a tropa o que causou estupefacção geral. Quando mais perto de me apresentar ao serviço militar, pensando noutro modo de vida após a tropa, engendrava um modo de atrapalhar o Sr. Teixeira. O João Castro, outro grande amigo e também parceiro da escola, um domingo à tarde convidou: - Queres ir connosco ao Porto? O pai dele, o Manuel Castro, grande comerciante, em função dos seus negócios fazia muitas viagens àquela cidade no Ford que antes comprara ao dito Sr. Teixeira. Arrumei-me às pressas e pedi à minha irmã Esmeralda que dissesse ao Gui que arrumasse quem fosse na camioneta no dia seguinte. No Porto, desliguei-me dos Castro, apenas combinamos o regresso e procurei os irmãos Manuel e José Lourenço, filhos do Manuel da Garagem (Lourenço) que estudavam e viviam naquela cidade. No quarto com duas camas que ocupavam, facilitaram-me uma por aquela noite e eles dormiram juntos. Grandes amigos, especialmente o Manuel, parceiro em “Os Vitoriosos”. Fiquei dois dias zanzando pelo Porto, pela segunda vez, dando vazas à minha necessidade de auto afirmação. Dos trocados que tinha amealhado comprei uma gabardine que era na época, o máximo de snobismo. Ao regressar, o Sr. Teixeira passou-me o maior responso que se possa imaginar. Mandou que fosse pedir emprego ao Manuel Castro. Como se eu esperasse outra coisa. E na medida que ele se mostrava furioso eu me considerava realizado ao verificar que ele precisava dos meus préstimos.

   Quando voltei da tropa e reorganizei “Os Vitoriosos”, o Sr. Teixeira demonstrou amizade comigo. Tratava-me com educação e acreditou na minha palavra a ponto de facilitar uma camionete para levar o grupo “Os Vitoriosos” a Viana disputar uma taça, para pagar com festas que iria promover depois.

 

 

Rio, Maio de 2012

                                                 Manuel Igrejas

 

Publicado em: A Voz de Melgaço

 


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Sábado, 22 de Julho de 2017

OS TEMPLÁRIOS EM MELGAÇO

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DA MILITAR ORDEM DE MALTA

 

He já público, até em o Tomo e Liv I. Trast. IV. Cap. 3 da Corogr. Portug. Do P. Carvalho p. 293 e segg., como sempre se conheceo Couto no Civel em Feaes, confirmado pelo Sr. Rei D. Affonso Henriques, e seus successores, ao antigo Mosteiro Benedictinno ali fundado pelos annos de 851, com a invocação de S. Cristovam; mudada, depois de passar a Cisterciense, para a de Santa Maria de Feaes no anno de 1150. Ao qual fez varias Doações em Janeiro de 1166 a Condeça D. Fornilla, da Quinta de Cavalleiros, junto a Melgaço, com que hiria a Igreja de Nossa Senhora da Orada, alli pegado, que os Frades dizem fôra tambem Mosteiro de S. Bento, quando se edificou o de Fezes, de que veio a ser Priorado: mas como outros, parece mais certo (até por sinaes, que disso ha) que foy de Cavalleiros Templarios, de que esta Quinta tomou o nome, e era pastal seu: concluindo, que havia pouco se viam alli ruinas de cellas, claustros, e cannos de pedra, pelos quaes lhe vinha a agua. Porèm deverá reconhecer-se a nenhuma necessidade, com a igual falta de fundamento, que ha para esta ultima lembrança: e para o nosso intento só acrescentarei, que a respectiva parte da Ordem de Malta só expressa em 1258, já devia ter precedido tambem da Doaçom que fezerom Sancho Nunez & sa molher ao spital da herdade, que tinham no Couto de Santa Maria de Feaes, em o nº j a fl. 28 col I, entre as Doações d’Aucyn; podendo no dito summario tractar-se de  D. Sancho Nunes de Barboza, e de huma de suas duas mulheres, D. Thereza Affonso, ou D. Thereza Mendes, sem poder apurar-se qual.

 

 

Retirado de: Nova Historia Da Militar Ordem De Malta, E Dos Senhores Grão-Priores Della

por

Jozé Anastasio de Figueiredo

Officina de Simão Thaddeo Ferreira

Lisboa M DCCC.

  

http://books.google.pt

 


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Sábado, 15 de Julho de 2017

MELGAÇO E D. JOÃO I

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XVI Centenário da Tomada do Castelo de Melgaço

 

 

A CAMPANHA DE D. JOÃO I CONTRA AS FORTALEZAS DA REGIÃO DE ENTRE-DOURO-E-MINHO

 

 

                                                  Por: HUMBERTO BAQUERO MORENO

 ……………..

 

A derradeira campanha de D. João I contra um reduto acastelado de Entre-Douro-e-Minho deu-se em Fevereiro de 1388. Depois duma longa permanência em Braga, desde 11 de Setembro de 1387 até ao termo de Janeiro do ano seguinte, «assaaz afadiguado da guerra», empreendeu o ataque a Melgaço, cujo arraial perdurou até meados de Março do referido ano.

A vila era «cerquada sem arraballde, de bom muro e forte castello». O exército real era formado por mil e quinhentos lanceiros e «muita gemte de pee». A defesa do lugar pertencia a Álvaro Pais de Sotomaior e Diogo Preto Exemeno, acompanhados por trezentos homens de armas e muitos «pioees escudados». As escaramuças iniciais provocaram alguns mortos e feridos. No dia 3 de Março de 1388 foi erguida a bastida para o ataque final. Após um cerco que durou cinquenta e três dias chegou-se a acordo entre ambas as partes. Assentou-se deste modo na entrega do castelo e da vila a D. João I, estabelecendo-se «que todos aviam de sair em gibõees, com senhas varas nas mãos». A alcaidaria do castelo foi entregue a João Rodrigues de Sá, partindo então o rei para Monção, onde se encontrava D. Filipa de Lencastre. Daqui retornaram a Ponte de Lima, encontrando-se nesta vila em 27 de Março desse mesmo ano.

 Numa síntese final temos que as campanhas de D. João I resultaram duma forte organização militar, em que não raro os atacantes dispuseram da colaboração de alguns sitiados favoráveis a causa do recém-eleito monarca. Sublinhe-se a acentuada supremacia das forças leais ao rei português a par duma ausência de auxílio por parte do monarca castelhano, a que se poderá acrescentar a circunstância das populações aderirem com relativa facilidade a causa do fundador da dinastia de Avis. O poderio militar de D. João I associado a uma certa desmoralização das guarnições militares dos castelos ajuda a explicar a feitura de acordos que se traduziam na rendição dos sitiados, situações que aliás se repetiu em todos os casos, após assédios mais ou menos demorados e dependentes do início de negociações.

 

Retirado de:

REVISTA DA FACULDADE DE LETRAS

Humberto Baquero Moreno

A Campanha de D. João I

pp. 56-57

 

http://www.ler.letras.up.pt

 


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Sábado, 8 de Julho de 2017

MELGAÇO, ESTÂNCIA TERMAL

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Crê a Vidago, Melgaço & Pedras Salgadas valorizar de um modo especial as suas Estâncias dedicando, a cada uma, um livro do género do que hoje se publica e é o primeiro concluído em razoável conformidade com êsse intento. Tendo de ser diferente a matéria de cada livro – as deficiências da documentação (o que, por um lado, é ainda melhor que a pletora) encontram-se bastantemente compensadas pela vária índole das Estâncias que marca, pelo menos com carácter transitório, um nível social diferente a cada uma: em Vidago ou Pedras, consoante as épocas, há reis e ministros, política geral, elegâncias e etiquetas de alta roda – a êste livro de Melgaço competia o primeiro lugar, porque o direito do solo e das águas, os problemas e cogitações da hidrologia são aqui matéria vasta e fundamental prodigalizada por uma documentação copiosa até à saturação, até ao enfado, mas que ninguém, com a mão na massa, teria a coragem de deixar jazer inaproveitada e inerte nas pastas da Repartição de Minas e no amontoado das secretarias judiciais.

 

 

Melgaço – Estância Termal

 

Edmundo Correia Lopes

 

Edição Vidago, Melgaço & Pedras Salgadas

 

1949

 


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Sábado, 1 de Julho de 2017

O BARQUEIRO DE S. MARCOS

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JORNAL DE MELGAÇO Nº 1174, DE 8/9/1917

 

 

Há dias apareceu por aqui um fulano da Beira que, depois de ter casado com uma mulher de Orense resolveu emigrar para Buenos Aires; uma vez aí trabalhou e economizou de tal maneira que em pouco tempo conseguiu juntar 550 pesos; até aqui bem foi; mas… depois, sente-se doente, vai consultar um médico que lhe diz estar tuberculoso, e por isso tem de recuar imediatamente; o infeliz retira, trazendo consigo o dinheiro que só o acompanha até Lisboa, pois aí, com um pequeno descuido, fica sem dinheiro, sem conhecimento algum e sem roupa, além da que traz vestida. Como viajar nestas condições? Aí vem o desgraçado a pé desde Lisboa, mendigando uma esmola de porta em porta. E sabem o que o traz a Melgaço? A recordação de que em tempos mais felizes por aqui andou ele a trabalhar, e por isso encontraria por cá alguns dos seus amigos daquele tempo. Infeliz! Doente, e com fome talvez, ninguém o conhece! Dirige-se ao rio Minho para o passar a nado, mas vê que se encontra sem forças e nessas condições tal tentativa equivaleria ao suicídio. Em vista disso, aproxima-se do barqueiro e diz-lhe que desejava transitar para Espanha, mas que não tinha dinheiro para lhe pagar. Em virtude duma declaração tão franca, o barqueiro mandou-o entrar para a barca e não só o conduz gratuitamente à outra margem, como ainda na estação de Arbo promove uma subscrição que excede a importância do bilhete que no caminho de ferro lhe dá passagem até Orense; aliás, teria de fazer esse trajecto a pé e mendigando como de Lisboa a Melgaço. Quereis, leitores, que o nome desse barqueiro figure na lista dos benfeitores que vós conheceis? É o barqueiro do posto de S. Marcos, e chama-se Ponciano Ferreira.

 

 

Retirado de: Dicionário Enciclopédico de Melgaço

                     Volume I

                     Joaquim A. Rocha

                     Edição de autor

                     2009

                     pp. 241, 242

 

Joaquim A. Rocha edita o blog  Melgaço, Minha Terra

 


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Sábado, 24 de Junho de 2017

PAISANOS, FRADES E CLÉRIGOS

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MINISTERIO DOS NEGOCIOS DE JUSTIÇA

 

 

Ouvi tambem, que entre os facciosos vinha parte de huma quadrilha de salteadores que há na Galiza, e que alguns erão Portuguezes, que la se achão refugiados. Nesta ocasião tenho a maior gloria em levar ao conhecimento de V. Magestade que esta Comarca se mostrou com a maior firmeza de caracter olhando os facciosos como huns amotinadores, e inimigos da paz, acolhendo benigna todos os bons Hespanhoes que se retiravão á furia dos malvados, o que tudo levo ao conhecimento de V. Magestade que mandará o que for servido.

O Juiz de Melgaço, diz que em 14 do corrente (Maio de 1882) déra parte dos acontecimentos que tiverão lugar na parte da Galiza, fronteiro áquelle districto, e agora tem a satisfação de participar, que os revoltosos na tarde do dia 14 nos lugares de Arbo, Cella e Barcella forão dispersados por huma partida de Tropa, que para esse fim tinha sido mandada de Vigo, sendo mortos huns cem Paisanos, Frades e Clérigos, entrando neste numero os prizioneiros que matarão nos dias 14 e 15, os Soldados roubárão todas as Povoações, não deixando nem as camisas aos mortos, o que tem feito que aquelles Habitantes tenhão desamparado as suas casas, e se tenhão querido refugiar neste Reino, ao que elle Juiz de Fóra tem obstado, por isso que a segurança publica pode ser atacada, não se poupando a toda, e qualquer e qualquer deligencia para se prenderem todos os revoltosos que se encontrarem, asseverando por fim que o espírito dos Habitantes do seu districto he o mais conforme com o Systema que felizmente nos rege.

 

Valença, 18 de Maio de 1882

O Corregedor da Comarca

João de Sá Pinto Abreu Sotto-maior.

 

http://books.google.pt

 


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Sábado, 17 de Junho de 2017

O AVARENTO DE MELGAÇO

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O AVARENTO

 

 

Havia um homem duma aldeia de Melgaço que, ainda novo, saltou para França e por lá andou a labutar como mineiro. Sendo o trabalho duro e pouco saudável, acabou por voltar quando tinha alguns francos no bolso. Vendeu as fragas que lhe couberam em herança e comprou por tuta-e-meia uma quintarola ao pé de Braga de antigos senhores arruinados.

Vivia sozinho em casa e a sua vida era o amanho contínuo das leiras e das hortas à volta. Uma vaca, galinhas, alguns coelhos e um cão eram as únicas companhias. À excepção dos trabalhos mais pesados, como o das vindimas e o da ceifa, em que tinha de pedir ajuda, evitava o contacto com a vizinhança.

Viam-no por vezes nos caminhos a vergar ao peso de um fardo de palha ou de um carrego de mato, pois carroça não tinha e não usava. Dizia-se que comia caldo aziumado de uma semana e carne de porco gorda, para poupar. E constava-se que com aquela sovinice toda devia ter uma boa maquia debaixo do colchão.

Uma vez por semana ia ao mercado da cidade a pé vender uma dúzia de ovos, uns quilos de batatas, a fruta que lhe sobejava porque não gastava desses luxos e uma galinha gorda. Até que um dia cegou e foi graças aos gritos de desespero que os vizinhos lhe foram acudir.

Alguns mais gananciosos, aproveitaram a ocasião para procurar debaixo do colchão. Mas não encontraram nada. O homem, ou meteu o dinheiro no banco, ou escondeu-o nalgum buraco da casa.

Morreu pouco depois, deixando a quinta aos sobrinhos de Melgaço que mal o conheciam e o deixaram morrer como cão abandonado. Porque não se entendiam entre si quanto às partilhas, a quinta e a casa foram deixadas ao Deus dará.

A casa, com a falta de uso, começou a arruinar-se e hoje em dia dizem que está assombrada com a alma penada do dono, que anda por ali a guardar o dinheiro escondido. Há quem afirme ter visto de noite luzes dentro de casa. Muitos dizem ser mentira, pois as portadas das janelas estão sempre fechadas e, se houvesse luz dentro de casa, não se veria cá de fora.

 

 

 

Fonte: AA.VV., - Literatura Portuguesa de Tradição Oral

                             Projecto Vicial – Univ. Trás-os-Montes e Alto Douro

  1. p.AP14

 

Retirado de: www.lendarium.org/narrative/o-avarento/?category=28

 

Centro de Estudos Ataíde de Oliveira

 


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